Se você quer ganhar mais, deve trabalhar menos

publicado na BBC

Eles raramente ouviam notícias de Nomimizu e tinham a impressão de que ele entrava no escritório de manhã cedo e voltava apenas tarde da noite. Seu horário de trabalho parecia tão extremo que eles nem sempre acreditavam que ele estava trabalhando tanto quanto ele dizia estar.

Para convencê-los, Nomimizu registrou uma semana de sua vida como um “assalariado” no ramo financeiro de Tóquio e postou o registro nas redes sociais para que eles entendessem melhor seu novo estilo de vida.

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O vídeo resultante viralizou no YouTube com mais de um milhão de visualizações. Ele mostra uma semana em 2015 durante a temporada mais movimentada do setor financeiro – de janeiro a março – quando Nomimizu registrou 78 horas de trabalho e 35 de sono entre segunda e sábado (antes de trabalhar mais seis horas no domingo, o que não aparece no vídeo).

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Chegou ao ponto em que Nomimizu acumulou tantas semanas de 80 horas de trabalho que ele desmaiou em seu apartamento à noite e quase caiu em cima de um apoio para TV. Quando o período de movimentação máxima finalmente terminou, ele disse que o escritório inteiro ficou “terrivelmente doente”.

Enquanto a carga excessiva de trabalho de Nomimizu era de certa maneira temporária, ele disse que “há pessoas trabalhando para empresas em Tóquio com essa carga horária e vivem dia após dia assim durante o ano inteiro”.

De fato, maratonas de trabalho fazem parte da cultura local e há até uma palavra em japonês, karoshi, que significa literalmente “morte por excesso de trabalho”.

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O Ministério de Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social do Japão lançou o primeiro relatório sobre karoshi em outubro do ano passado e apontou que cerca de uma em cada quatro empresas (ou 23%) têm funcionários fazendo mais do que 80 horas extras por mês.

“Os japoneses respeitam muito seus colegas, mas também existe uma dificuldade em falar o que você está pensando”, diz Nomimizu. “Então você tem um monte de pessoas no nível mais baixo que ficarão no escritório até que o chefe vá para casa em um horário ridiculamente tarde”.

O funcionário de 26 anos explica que, se você é o primeiro a sair, você não será visto como alguém que trabalha bem em equipe.

Quando menos é mais

Se há outro país conhecido por suas longas horas de trabalho e falta de tempo livre são os Estados Unidos. Uma pesquisa recente do instituto Gallup apontou que a média de trabalho de um funcionário americano empregado é de 47 horas por semana, quase um dia de trabalho a mais do que a carga tradicional das 9h às 17h.

Além disso, quase um em cada cinco funcionários (18%) trabalham 60 horas ou mais por semana. Apesar de sacrificar seu tempo com família e amigos para ficar no escritório, um outro estudo da campanha americana Project: Time Off descobriu que os “mártires” das longas horas de trabalho têm menos chance de receber um aumento do que seus colegas.

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