Comédias românticas encorajam comportamento agressivo masculino, diz estudo

publicado na Galileu

O tema não é novo, mas ainda é relevante: uma pesquisadora da Universidade de Michigan,Julia R. Lippman, conduziu um estudo recentemente sobre a natureza do “stalker” (o perseguidor) no cinema, e como o personagem é retratado em filmes românticos. Como efeito comparativo, Lippman usou exemplos positivos e negativos do “stalker” em filmes hollywoodianos, para analisar a reação de mulheres a esse comportamento agressivo masculino.

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Para realizar o estudo, Lippman exibiu a cada uma das participantes um trecho de um dos seis filmes: “Quem Vai Ficar com Mary” e “O Amor Pede Passagem”, que retratam os perseguidores de forma positiva e romântica; “Nunca Mais” e “Dormindo com o Inimigo”, que traz exemplos negativos de stalkers, e dois filmes neutros, “A Marcha dos Pinguins” e o francês “Migração Alada”. Depois, as voluntárias foram convidadas a responder questões sobre stalkers. E a teoria de Lippman se confirmou: as mulheres que assistiram às comédias românticas aceitaram melhor esse tipo de comportamento agressivo.

“Histórias sobre stalkers são falsas e exageradas, ao ponto de minimizar a seriedade desse assunto. Isso significa que quem mais consome esse tipo de ficção, menos leva a sério o comportamento do perseguidor”, disse Lippman ao Canada Global News. O estudo foi desenvolvido por conta de uma curiosidade da pesquisadora em relação à forma trivial que a sociedade enxerga o “stalker de Facebook”, ou seja, o ato de fuçar a vida de uma pessoa nas redes sociais.

Para Lippman, o que sustenta o romantismo nesses filmes é o mito de que o amor supera qualquer obstáculo. “Isso não acontece. O amor é incrível, assim como o respeito pelo outro. Essa é a verdade”, disse ela. “Essas perseguições românticas, que se tornam parte do flerte normativo, podem aumentar o número de pessoas que acham isso normal. Isso pode ter implicações para o suporte legal de mulheres vítimas de perseguições”.

Esse fenômeno não acontece apenas em Hollywood. O The Guardian conduziu recentemente um estudo que relaciona o aumento de “stalkers” em filmes românticos a percepções sobre o comportamento masculino em relação à mulher. Com tantas representações de perseguidores em filmes românticos, esse comportamento agressivo é banalizado – e ensina as mulheres indianas que esse tipo de avanço é aceitável.

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