Quando uma mulher vive uma relação abusiva, todo seu corpo sofre; entenda

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Publicado no Extra

Nem sempre é fácil reconhecer que se está em um relacionamento em que o abuso psicológico é uma realidade. Quem passa por isso, com humilhações ou desqualificações constantes, pode estar vivenciando um sofrimento enorme, difícil de expressar, que extrapola os limites mentais e tem efeito direto na saúde física. Além de depressão e outros transtornos, a mulher que sofre abuso pode ter ganho de peso e enxaquecas, por exemplo.

— Em geral, a vítima já foi submetida a esse tipo de relação ao longo de sua história. Foi negligenciada por um parceiro, um pai. É como se tivesse que aceitar aquilo. Ela fica em estado deprimido, ansioso, pode desenvolver doenças psicossomáticas (enxaqueca, dor de estômago) ao se sujeitar a algo que não tem capacidade emocional de lidar. Têm dificuldade de botar limite ou se separar. É comum ainda que construam doenças autoimunes, como lúpus — diz a psicóloga Elizabeth Carneiro, diretora da Espaço Clif .

Nessa dinâmica relacional, a mulher, inserida no mercado de trabalho ou não, pode ser questionada pelo parceiro por não cumprir tarefas como cuidar da casa, reforçando suas supostas impotências com palavras agressivas. Isso a fragiliza cada vez mais, deteriorando sua autoestima e a deixando sem forças para sair desse mecanismo de dominação. Seu valor como mulher é sempre colocado à prova.

— A maior parte das mulheres é preparada para casar e ter filhos. Se não dá conta, junto com o trabalho, ouve desqualificações e vai se perguntar se é mesmo incompetente, crendo ser insuficiente — pontua Elizabeth.

Por não conseguir lidar com a situação, a mulher pode desenvolver comportamentos compulsivos, como comer, comprar ou beber demais, podendo levar ao alcoolismo e excesso de peso.

Para a terapeuta familiar Gisele Aleluia, é difícil uma situação dessas ficar só em um membro da família.

— É uma forma de se relacionar que escorre para todos. Será uma referência (para os filhos) para o bem ou mal. Eles terão como possibilidade seguir esse padrão, mas podem pensar: ‘já vivi isso e não é bom’ — conclui Gisele.

Especialistas lembram que quando a relação conjugal é permeada por agressões verbais, não é improvável que elas resultem também em agressão física.

Outros tipos de abuso

Sexual: obrigar a parceira a práticas que ela não quer e se negar a usar preservativo, por exemplo. A violência sexual é a única com uma lei à parte, a de estupro.

Patrimonial: quando o homem controla dinheiro e bens da mulher, a privando da independência financeira. Ele pode até proibi-la de trabalhar ou passar para seu nome os bens dela

Onde pedir ajuda

Existe um canal de atendimento para a mulher vítima de violência no número telefônico 180. O serviço é gratuito e funciona 24 horas todos os dias, inclusive nos finais de semana. No Disque 180, a mulher receberá apoio e orientações sobre os próximos passos para resolver o problema.

É possível ainda relatar casos assim no Disque Mulher: (21) 2332-8249.

A vítima de abuso moral e psicológico pode formalizar o caso em qualquer delegacia, por meio de um boletim de ocorrência.

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