Você conseguiria ficar um show inteiro sem usar o celular?

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Publicado na BBC Brasil

Os fãs de Chris Rock terão de abrir mão de usar seus telefones durante suas apresentações no Reino Unido se quiserem de fato estar na plateia. O comediante americano é o mais recente a entrar para uma lista crescente de artistas que estão vetando o uso de celulares durante suas performances.

Será o começo do fim do mar de telas que nos acostumamos a ver nas plateias de shows em tempos recentes?

É verdade que os shows da era pré-smartphone costumavam ser menos complicados. Você ia até o local da apresentação, dava uma passada no bar ou no banheiro antes de tudo começar, conversava com os amigos enquanto aguardava e, então, quando o artista subia ao palco, apenas prestava atenção.

Hoje em dia, isso parece algo pré-histórico. O normal é chegar à casa de shows, fazer check-in no Facebook, dar uma olhada nos e-mails e redes sociais enquanto se espera pelo começo da apresentação e, quando isso finalmente acontece, estar com o celular a postos para fazer fotos e vídeos e publicá-los na internet.

Muita gente acha isso bem irritante – e alguns artistas parecem compartilhar da mesma opinião. “Celulares, câmeras e aparelhos de gravação não serão permitidos no tour”, diz um aviso no site de venda de ingressos para as apresentações de Chris Rock no Reino Unido, previstas para janeiro.

“Na chegada, todos os telefones e relógios inteligentes serão lacrados em pochetes que serão abertas ao fim do show.”_96117318_yondr

As pochetes são fabricadas pela Yondr, uma empresa americana criada há pouco tempo. Os fãs colocam seus aparelhos dentro dessas pequenas bolsas, que são então fechadas pelos organizadores. Os espectadores ficam com as pochetes até a apresentação acabar.

Quando o show se encerra – ou se pessoa precisa usar o telefone durante a performance -, é preciso levar a pochete até uma área específica, onde ela é aberta por funcionários da Yondr. “Os smartphones são muito úteis, mas não em qualquer situação”, diz a empresa.

“Em alguns casos, eles se tornaram uma distração. Afastam as pessoas umas das outras e do que está acontecendo ao seu redor.” O objetivo do seu serviço, diz a Yondr, é “mostrar como um momento pode ser impactante quando não estamos concentrados em registrá-lo ou transmití-lo.”

Acho que a plateia do Chris Rock vai reclamar, mas vai aceitar. Mas se você estiver falando de um show do Harry Styles, você vai ter problemas”, diz “, diz Hattie Collins, editora do site i-D, em referência ao ex-integrante da banda One Direction. “São fãs muito mais jovens que estão acostumados a compartilhar pela internet tudo o que fazem.”_95996594_chrisrockgetty

Collins acrescenta que a onipresença dos smartphones tem um efeito negativo nos fãs que querem se conectar ao artista. “Isso deixou o espectador mais passivo, menos envolvido com o que vê. Se você se concentra em tirar uma foto, entrar na rede social, colocar um emoji no post e publicar, já perdeu metade de uma música.”

Questionado sobre a exigência do comediante americano, um porta-voz da SSE Hydro em Glasgow, local onde Rock se apresentará na cidade, disse à BBC: “Apesar de não ser uma prática normal, o artista pediu que isso seja feito em todo seu tour, e estamos felizes em ajudar com isso”.

Mas a plateia também vai ficar feliz com essa restrição e os possíveis atrasos na entrada no local do show criados por essa medida? Consultamos pessoas pelas redes sociais para saber.

“Não sou viciado em celular, então, não é um problema deixá-lo me casa”, disse o usuáiro Matt. “A sociedade está muito obcecada com smartphones. Parabéns ao Chris Rock por fazer isso.”

Já a usuária Grace afirmou que é médica e que ela e profissionais de outras áreas precisam estar a postos durante uma apresentação em caso de emergências. “Ter o telefone comigo durante o show me tranquiliza”, disse.

Alguns fãs dizem entender a questão e o quão problemático pode ser para um comediante ter sua performance publicada na internet. Se uma piada vaza, pode estragar a graça para outros fãs que assistirão às outras apresentações.

Mas isso não é tanto um problema para músicos, já que a plateia conhece o que será apresentado no palco, e sua reação será a mesma caso tenham assistido a uma gravação de uma apresentação anterior pela internet.

“Fico um pouco dividida, porque, por um lado, isso fere a nossa liberdade, mas também entendo que dizer isso pode soar como um exagero, porque não estão tirando seu celular, você fica com ele o tempo todo”, diz Collins.

Chris Rock não é o primeiro a fazer isso no Reino Unido. A cantora Alicia Keys e o comediante Dave Chappelle já recorreram à Yondr em shows no país.

Recentemente, a cantora Solange Knowles também pediu que a plateia entregasse seus celulares antes de uma apresentação no museu Guggenheim, em Nova York, dizendo que queria criar um clima mais intimista durante a performance.

Collins acredita que, daqui para a frente, essas restrições devem variar de acordo com o tipo de show. “Fui ver o Bob Dylan, e pediram para ninguém fotografar ou gravar. Havia duas ou três pessoas andando para cima e para baixo do auditório para garantir isso”, conta a jornalista.

“Foi uma experiência diferente e muito mais envolvente. Foi quase estranho, já que eu via apenas o palco e não mais as sombras de 400 celulares na minha frente.”

No entanto, diz Collins, quando assistiu ao grupo TLC duas noites depois e publicou as fotos do show na internet, muita gente escreveu dizendo ter gostado de ver as imagens já que não puderam estar lá.

“Uma parte de mim gostaria de ver menos celulares na plateia, mas a outra acha bem legal poder compartilhar esses momentos.”

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