Vinho laranja, verde e até azul: você sabe como eles ficam coloridos?

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Publicado no UOL

Vinhos, você dirá, estão disponíveis em duas cores – ou branco ou tinto. No entanto, entre um tom e outro existem algumas variações bem diferentes: seja o vinho verde amado pelos portugueses, o rosé que faz a alegria dos fãs no verão ou ainda curiosidades como o poderoso vinho laranja e o exótico vinho azul espanhol (que ainda disputa na justiça o direito de ser chamado, com propriedade, de “vinho”).

Afinal, o que dá cor ao vinho?

A cor de um vinho é determinada, sobretudo, pelo tempo de contato da casta com o mosto (suco de uva) durante o processo de fermentação. Por conta disso, por exemplo, dá para extrair vinho branco a partir de uvas tintas, como o caso dos Blanc de Noir, espumantes feitos com uvas Pinor Noir: a casca das uvas não entra em contato com o mosto, o que rende uma bebida clara.

Outros fatores que alteram a coloração são as reações químicas com o oxigênio e a idade de vinho – à medida que envelhece, um vinho tinto tende a “desbotar” e o vinho branco vai ficando mais escuro, com um tom mais acobreado.

Vinho laranja

Sua cor é bem viva e o sabor é, em geral, intenso. Os vinhos laranja são vinhos de uvas brancas produzidas como se fossem vinho tinto – ou seja, feitas com o uso não só do suco da uva, mas também de suas cascas durante a fermentação.

Dependendo do tempo de contato (podem ser só alguns dias ou até alguns anos), a cor fica mais clara ou mais escura, com tons que variam entre o dourado até o âmbar. Além do contato com as cascas, há em alguns casos um contato com o oxigênio, o que ajuda a definir seu tom por causa da oxidação.

Por combinar o corpo mais forte dos tintos e a acidez marcante dos brancos, os vinhos laranja combinam com vários tipos de pratos, de carnes de caça a pescados e queijos. Países como Geórgia, Eslovênia e Itália estão entre os produtores mais conhecidos.

Vinho rosé

O vinho rosé, em algum momento no passado, foi elaborado com a mistura entre vinhos tintos e brancos. Atualmente, ele é resultado do processo de fermentação do mosto e da casca, na qual a casca passa por muito pouco tempo em contato com a parte interna da uva. Daí sua coloração bem rosada, que tanto chama a atenção do público.

Por causa do seu método de produção, os taninos estão presentes muito de leve na bebida. Isso resulta em uma bebida em geral mais leve e com acidez mais elevada, que casa muito bem com pratos com frango, saladas com queijos ou queijo empanado. Por causa de sua leveza, é considerado o vinho perfeito para o clima mais quente.

Vinho verde

O “verde”, aqui, não é exatamente pela cor da bebida. Tanto é assim que, embora o público em geral associe o rótulo com vinho branco vendido em garrafas esverdeadas, também existem Vinhos Verdes tintos e rosés! O nome tem várias explicações – seja pelo gosto mais ácido (descrito como uma “agulhada”), seja porque é uma bebida jovem (isto é, sem amadurecer muito) ou ainda por conta da cor dos vinhedos.

O Vinho Verde é único no mundo porque é feito a partir de uvas de uma região específica de Portugal com grande concentração de ácido málico – por causa disso, durante o processo de fermentação (com a casca ou sem a casca – resultando em vinho verde branco ou vinho verde tinto), acaba-se com um vinho com gás carbônico, que traz sensação de maior frescor e acidez.

O rótulo de origem controlada tem baixo grau alcoólico e é um vinho leve, fresco e frutado. São muito apreciados como aperitivo, mas também harmonizam bem com pratos como saladas, peixes, mariscos, carnes brancas e sushi.

Vinho azul

A invenção espanhola causou grande furor em 2015, quando começou a ser vendida no mercado europeu. Criação de um grupo de jovens entre 22 e 28 anos, com o auxílio da Universidade do País Basco, o Gik tem teor alcoólico de 11% e é feito a partir das uvas tintas e brancas de diversas regiões espanholas e francesas. A cor é adicionada com dois pigmentos orgânicos, um deles criado a partir da casca das uvas tintas.

O problema é que a legislação europeia não reconhece o Gik como sendo vinho, mesmo sendo uma bebida originalmente feita só com uvas. Os produtores tiveram que alterar a receita para poder continuar vendendo o produto, mas lançaram uma petição para que seja criada uma categoria que reconheça o Gik como vinho. “Ver o apoio dos nossos consumidores e dos habitantes de alguns países europeus significa muito para a gente”, explica Aritiz López, um dos criadores da marca espanhola, que recomenda a bebida com pratos como sushi ou nachos com guacamole. “Sempre encorajamos as pessoas a testar com drinques ou harmonizando com o que acham que vai funcionar”, diz Aritiz.

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