Cientistas apoiam fim de semana de maior. E você?

Happy friends in the park having picnic

Publicado no Catraca Livre

O fim de semana acabou e você teve tempo de fazer tudo o que precisava ou descansar o suficiente?

Se sua resposta é não, saiba que você não está sozinho e tem, inclusive, o apoio científico pra justificar o desejo de ter mais tempo para dormir, relaxar ou curtir semanalmente.

E a ideia não tem a ver apenas com os benefícios pessoais, os fins de semana de três dias também poderiam ser uma das formas mais fáceis para reduzir radicalmente nosso impacto ambiental, promovendo uma economia para o futuro que cause menos danos ao meio ambiente.

É o que afirma Alex Williams, professor visitante em Sociologia na City University London, em artigo publicado no The Conversation.

Segundo ele, economistas apontam que a redução das horas de trabalho geralmente se correlaciona com reduções acentuadas no consumo de energia. Com uma semana de quatro dias, diminuiria muito o fluxo de deslocamento para o trabalho e durante o dia – em função de visitas de negócio, entregas, reuniões, etc.-, bem como o consumo de energia nas empresas.

“Em um ponto em que precisamos reduzir massivamente nossos resultados de carbono, instituir um fim de semana de três dias poderia ser a maneira mais simples e elegante de tornar nossa economia mais ecológica”, afirma Alex.

Ele também cita exemplos que deram certo, como em no estado norte-americano de Utah, que em 2007 redefiniu a semana de trabalho para os funcionários públicos, com horários prolongados de segunda a quinta-feira, eliminando o trabalho às sextas-feiras.

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Nos primeiros dez meses, o estado economizou pelo menos 1,8 milhões de dólares (cerca de 5,8 milhões de reais) apenas em custos de energia com esse projeto. Menos dias de trabalho significaram menos iluminação de escritório, menos ar condicionado e menos tempo gasto com computadores e outros equipamentos, mesmo sem reduzir o número total de horas trabalhadas semanalmente.

Por um dia na semana, milhares de passageiros conseguiram ficar em casa. Se as reduções nas emissões de gases de efeito estufa da viagem fossem incluídas nos benefícios, o estado estimou que haveria uma economia de mais de 12 mil toneladas de CO2 por ano, apenas com essa mudança.

Porém, em 2011 o estado teve que deixar a mudança de lado, já que os cidadãos reclamaram de não poder ter acesso aos serviços às sextas-feiras.

Para Williams, é importante que esse tipo de mudança seja acompanhado por uma mudança nas nossas expectativas, para que a sexta-feira já seja considerada como mais um dia do fim se semana.

Alex aponta que outros benefícios da redução dos dias laborais: “Trabalhar menos melhoraria o difícil ‘equilíbrio trabalho / vida’ e ajudaria a restaurar a saúde mental e o bem-estar físico. Também nos daria mais tempo para gastar em atividades sociais, cuidar de crianças e idosos e se envolver com nossas comunidades”.

Experiências com diminuição de horas de trabalho em locais de trabalho selecionados na Suécia, em 2015, mostraram uma redução no adoecimento dos colaboradores e, inclusive, uma melhora nos índices de produtividade, explica Williams.

“Há razões econômicas e tecnológicas sérias para que governos, partidos políticos, grupos de reflexão e movimentos sociais deveriam começar a pensar em defender a implementação de fins de semana de três dias”, afirma o professor.

Ele afirma que os economistas conhecem há muito tempo as ‘horas redundantes’ contidas em muitos dias úteis, com funcionários efetivamente subutilizados em seus locais de trabalho e a persistente questão do “presenteísmo” – onde os colaboradores são avaliados pelos superiores por horas registradas e não por produtividade.

“Nada disso acontecerá da noite para o dia. Mas, se você tiver a sorte de ter [hoje] uma segunda-feira, não esqueça que o dia extra em casa ou no parque não é apenas divertido, mas vai ajudar a combater a mudança climática”, conclui Alex.

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