Como uma espinha espremida pode colocar em risco sua vida

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Publicado no UOL

Sabe quando você espreme uma espinha e o pus esguicha? O líquido também estoura para baixo, abrindo um canal profundo na pele. Caso uma bactéria adentre por esse caminho, ela poderá causar uma forte infecção, que pode evoluir de forma grave e provocar até a morte. Nos EUA, uma jovem quase ficou cega.

O problema é chamado de celulite infecciosa –e não tem nada a ver com a celulite estética. É uma infecção bacteriana do tecido subcutâneo, a parte mais profunda da pele. Ocorre em qualquer lugar do corpo, sendo mais comum nas pernas e no rosto. É também diferente da erisipela, infecção mais superficial que afeta as pernas.

Apenas uma porta de entrada e bactérias por perto é o necessário para causar a infecção profunda.

Não é tão comum em pessoas saudáveis, cujo sistema imunológico combate bem invasores. Mesmo assim, casos mais graves ocorrem quando não se cuida bem de feridas e machucados.

“Alguém que teve um corte na pele, furou o pé na praia com uma espinha de peixe, machucou o rosto na cerca de arame farpado e foi deixando, pode ter uma celulite infecciosa”
Gilvan Ferreira Alves, dermatologista

Ao infeccionar, o machucado na pele começa a inchar e fica dolorido. Depois vem vermelhidão que até deixa a pele quente. “O que está ocorrendo é uma batalha no corpo entre as bactérias e as defesas do organismo”, conta Paulo Olzon, infectologista da Unifesp. Ao se proliferar, a bactéria vai soltando toxinas. A pessoa fica com febre e sente mal-estar. É a bactéria ganhando a briga.

As consequências dessa forte evolução podem ser graves. “No rosto, as bactérias podem invadir o globo ocular e causar cegueira”, conta Alves. Ao atingir nervos da face, podem causar paralisia facial. Se chegarem no cérebro, causam lesões neurológicas e encefalite. “Microtraumas no canal auditivo causados por cotonete podem evoluir para celulite infecciosa”, completa o dermatologista.

Os médicos dizem que quando a infecção não é contida e tratada corretamente, ela toma todo o corpo e leva à morte.

O tratamento de celulite infecciosa é feito com antibióticos que matam as bactérias.

Bactérias ferozes e presentes em todo o lugar

Feridas permitem que bactérias entrem na camada mais profunda da pele, a região subcutânea (em amarelo)

Feridas permitem que bactérias entrem na camada mais profunda da pele, a região subcutânea (em amarelo)



As bactérias causadoras da celulite infecciosa são estreptococos, estafilococos e hemofilos. E são bastante comuns, estão presentes na nossa pele e em materiais de uso pessoal e cotidiano, como pentes, alicates de unha e buchas de tomar banho.

Por isso, para evitar o problema é importante cuidar bem da higiene pessoal e não compartilhar objetos de uso pessoal e utensílios que servem para coçar e para lixar a pele. Também é fundamental sempre lavar bem machucados e feridas para evitar o contágio.

“A jovem dos EUA pode ter tido a infecção ao pegar pente de pessoa que tinha bactéria e feito a lesão no rosto com ele”, diz Alves. O dermatologista recomenda não espremer espinhas e não usar cotonete no ouvido.

Em jovens saudáveis, pode ser sinal de doença

A celulite infecciosa é comum em pessoas com imunidade mais baixa, como crianças e idosos. Também se manifesta de forma rápida em pessoas com doenças que enfraquecem o sistema imunológico, como a Aids, diabetes e tratamentos contra o câncer.

“Em pessoas mais jovens, a celulite infecciosa preocupa. Nesses casos, é preciso investigar se há doença de base”, diz Alves. O médico também explica que o avanço desse tipo de infecção também pode estar associado a problemas de nutrição.

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