Conheça a carne que vamos consumir no futuro

publicado no http://revistapegn.globo.com/Startups/noticia/2017/08/uma-startup-criou-carne-que-vamos-consumir-no-futuro.htmlPEGN

Desmatamento de coberturas vegetais naturais, compactação do solo, redução da biodiversidade regional, elevado consumo de água e produção e liberação de gás metano pelo gado. Esses são alguns dos prejuízos ambientais desencadeados a partir das práticas pecuárias como conhecemos em dias atuais – além de, é claro, o desenfreado sacrifício de animais. Somado a esse cenário de produção, o consumo do alimento também é custoso e restrito às classes mais abastadas. Essa realidade mundial foi o que motivou o advogado norte americano Joshua Tetrick, 37, de Birmingham, no Alabama, a fundar a Hampton Creek, startup de alimentação sustentável.

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“Quando éramos mais jovens, eu e meu irmão não tínhamos recursos financeiros para comer bem. Por isso, nos momentos em que tínhamos alguns dólares no bolso, comíamos refeições saborosas e acessíveis, ou seja, fast-food. E, normalmente, quando o alimento tem um sabor e bom e um preço ok, ele também é dotado da capacidade de aumentar riscos de doenças crônicas e acelerar mudanças climáticas. Mas eu só percebi isso quando já era adulto”, diz Tetrick.

Mais especificamente, Tetrick constatou essa realidade enquanto realizava um trabalho voluntário na África subsaariana. “Foi então que notei que o setor privado e organizações não lucrativas e não governamentais têm o maior potencial de resolver os maiores desafios mundiais”, afirma. De volta aos Estados Unidos, com aproximadamente R$ 6 mil (3 mil dólares) em seu saldo bancário, o advogado decidiu tentar resolver o problema da produção de carne no mundo e recorreu a seu amigo, Josh Balk. Juntos, em 2011, a dupla criou a startup Hampton Creek.

Sediada na próspera região de São Francisco, na Califórnia, a Hampton Creek tem como missão construir um método que permita que todos possam se alimentar bem. “Comer bem significa consumir alimentos nutritivos, alimentos que fortalecem o planeta, que sejam excepcionalmente saborosos e acessíveis a todos”, diz o CEO.

Atualmente, o catálogo de produtos da Hampton Creek – presentes em 20 mil lojas espalhadas pelos Estados Unidos e pela Cidade do México – conta com uma maionese vegana. Mas o maior e mais ambicioso projeto da startup é uma carne sintética, produzida em laboratório e com previsão de ser lançada até o final de 2018.

A proposta inovadora do grupo tem exigido trabalho. Para desenvolver o alimento, o grupo de pesquisas da empresa – composto por bioquímicos, biólogos computacionais, chefs gastronômicos e engenheiros – está estudando o reino vegetal, catalogando os componentes das plantas, legumes e vegetais e explorando as proteínas, gorduras boas e nutrientes destes alimentos. “Começamos essa catalogação manualmente, mas agora já estamos automatizados. Quanto mais dados reunimos, mais descobriremos proteínas, gorduras e carboidratos em plantas que irão melhorar nosso sistema alimentar”, afirma Tetrick.

Além de catalogadas, as propriedades dos alimentos vegetais também estão sendo testadas e aplicadas em células animais. “A carne e os frutos do mar são, basicamente, uma combinação de células musculares e de gordura que precisam de nutrientes para crescer. E nós encontramos nas plantas uma fonte de nutrientes sustentável e econômica. Assim, as plantas “alimentam” as células para carne e frutos do mar, produzindo alimentos sem confinar ou abater um único animal, com redução de emissão de gases de efeito estufa e uso de água”, diz o fundador. Com o recente aumento populacional e busca por recursos, a Hampton Creek apresenta os a carne animal feita a partir de nutrientes vegetais.

A “carne limpa” da Hampton Creek ainda não saiu de dentro do laboratório. A previsão é que o lançamento do produto, que possivelmente será frango, chegue ao mercado dos Estados Unidos até o final de 2018.

Ainda antes da carne, a startup irá introduzir no mercado o “Just Scramble”, um substituto de ovo. “Feito à base de feijão, o ovo contém 20% a mais de proteína que um ovo de galinha, não possui colesterol e sem usar ingredientes lácteos ou animais”, afirma o CEO.
Desde a criação da startup até os dias atuais, a Hampton já acumulou aproximadamente R$ 660 milhões (220 milhões de dólares) com investimentos externos.

Para expandir o negócio, Tetrick está buscando empresas de carnes mundiais que queiram se associar ao seu negócio, com o objetivo de investir nas tecnologias da startup e, consequentemente, usá-las. No momento, a Hampton Creek já está estudando acordos com indústrias internacionais da América Latina, Europa e Ásia.

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