‘Pseudopastor deselegante’ criticou bancada evangélica, diz Feliciano

Publicado na Folha de S. Paulo

“‘Pastor’ progressista critica bancada nos 500 anos da Reforma.” Não foi gratuito o uso de aspas no título de um vídeo divulgado na quarta (1º) nas redes sociais do deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

Ele rebatia um ataque contra aquele que, à Folha, disse ser um “pseudopastor que perdeu a chance de ficar calado, foi deselegante, oportunista e desleal”. Referia-se ao pastor titular da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, Valdinei Ferreira, que um dia antes criticou a bancada evangélica da Câmara, na data em que o segmento comemorou meio milênio da Reforma Protestante.

A igreja de Ferreira –o mais antigo templo evangélico de São Paulo, de 1865– lançou na terça (31) o manifesto político Reforma Brasil, que inclui reprimendas a “candidatos que se pretendem representantes dos cristãos religiosos”.

Para Feliciano, um dos 80 membros (15,5% dos 513 deputados) da frente evangélica, ele “prestou um desfavor à comunidade evangélica” e fala por uma ala da religião que, “em grande maioria, é progressista e não apoia nem se mistura com ninguém”.

O presidente da bancada evangélica na Câmara, pastor Hidekazu Takayama (PSC-PR), também condenou a fala do presbiteriano. “Esses ataques de Valdinei e Modesto Carvalhosa me parecem um pano de fundo para disfarçar uma busca enlouquecida de holofotes, para que este último se lance em cargos políticos, como o próprio relatou à Folha.”

Presente no ato que lançou o Reforma Brasil, o jurista Carvalhosa se declarou disposto a concorrer a presidente no ano que vem, caso candidaturas avulsas sejam aceitas.

“Ora, muito me admira ver um cristão nos atacando de forma leviana e destemperada”, disse Takayama. “Há representantes de Deus em todas as Casas de lei espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Todas com a meta de atuar em pautas que dizem respeito à família e a sociedade cristã.”

Continua o pastor: “Ele questiona o fato de buscarmos privilégios para as igrejas no Congresso. Ora, se nós não fizermos, quem fará por nós? Uma coisa é lutar por privilégios, outra, completamente diferente, é negociar”.

Ferreira “destilou seu veneno contra políticos evangélicos, mas não apresentar alternativa que pudesse ser de valia para uma mera reflexão”, disse Feliciano em vídeo no qual usa uma camisa que parodia a marca de uísque Jack Daniel’s (vira Jacó & Daniel e é acompanhada da passagem “enchei-vos do espírito”).

Entre os 80 deputados da bancada atacada por Valdinei, três se dizem presbiterianos –como ele.

Um deles, Edmar Arruda (PSD-PR), também é da Primeira Igreja Presbiteriana Independente –mas a de Maringá (PR), sendo que o manifesto é iniciativa do conselho de São Paulo, segundo Ferreira.

Em tréplica à réplica dos colegas pastores, ele disse que o Reforma Brasil “é abrangente, e a menção à bancada evangélica” é apenas “um aspecto da contextualização da crise do nosso sistema político”.

Ferreira preferiu não se manifestar sobre a fala dos parlamentares. “Tornar isso um embate pessoal vai tirar o foco das propostas de reforma sistêmicas que o Brasil precisa.”

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