5 sons que a ciência não consegue explicar

Publicado no Hypescience

Sons misteriosos não são apenas matéria de filmes de terror. Eles também tiram o sono dos cientistas, às vezes por décadas.

Geralmente, ainda que demore, nós finalmente os desvendamos. Veja o caso do “Bloop”, um som extremamente poderoso de baixa frequência descoberto em 1997. Foi especulado que o barulho teria vindo de um animal ainda maior que uma baleia-azul, espreitando profundos inexplorados. 15 anos depois, porém, pesquisadores concluíram que o Bloop foi causado por uma enorme plataforma de gelo se quebrando na Antártida.

Hoje em dia, pelo menos 5 sons ainda inexplicáveis continuam aterrorizando mentes brilhantes. Confira:

1. Zumbido de Taos ou Hum

Um som constante e de baixa frequência tem atormentado pessoas ao redor do mundo desde pelo menos a década de 1960, do Canadá ao Novo México, da Escócia à Nova Zelândia.

A maioria das pessoas que escutam o tal zumbido diz que ele parece um motor de caminhão em marcha lenta. Protetores auriculares não ajudam a bloqueá-lo.

Conhecido como “zumbido de Taos” (o nome de uma cidade no Novo México, nos EUA) ou apenas “Hum”, o som é tão bem documentado que temos até algumas estatísticas: só pode ser ouvido por cerca de 2% da população, geralmente está presente em ambientes fechados, torna-se mais alto à noite, é ouvido mais frequentemente em áreas rurais e suburbanas, e tende a ser ouvido por pessoas de meia-idade.

Alguns duvidam que o Hum seja um som físico; em alguns casos, pode ser psicológico, ouvido por pessoas que se concentram muito no ruído ambiente.

Muitas fontes óbvias foram descartadas, como ruído da rodovia, equipamento industrial, rede elétrica e torres telefônicas. Outras ainda não puderam ser eliminadas, como tremores de terra, linhas de energia ou gás, tunelamento sob a Terra, dispositivos de comunicação sem fio e… aliens, é claro.

Um estudo do geocientista David Deming, da Universidade de Nebraska (EUA), sugere que o Hum pode ser o resultado de transmissões de rádio de muito baixa frequência usadas por militares.

Outras pesquisas sugerem que o Hum vem de fenômenos terrestres ou geológicos naturais. É um fato bem estudado que os animais parecem poder prever terremotos, então talvez alguns humanos, com uma audição mais poderosa, tenham o mesmo mecanismo.

2. Tremores do céu

Chamados em inglês de “skyquakes” (“tremores do céu”), esses sons são ouvidos em todo o mundo, como o Hum. Do rio Ganges na Índia ao Mar do Japão, esses “booms” misteriosos soam como uma bola canhão sendo atirada do céu.

São comumente ouvidos perto da água, ocasionalmente chacoalhando janelas e pratos. Alguns foram explicados por aviões militares que quebram a barreira do som, mas nem todos os skyquakes são gerados assim, pois existem relatos anteriores até a invenção desse meio de transporte.

Os cientistas teorizaram algumas causas prováveis, embora não possam determinar qual é a fonte certa do barulho.
Perto das costas, os booms podem ser causados por ondas gigantescas que atravessam penhascos. As dunas de areia também são capazes, através de mecanismos inexplicáveis, de produzir sons, incluindo, em raras ocasiões, grandes booms.

Outras opções são meteoros gerando booms sônicos à medida que aceleram pela atmosfera; ondas de choque causadas por ejeções de massa coronal do sol que rasgam o campo magnético da Terra; erupções distantes de vulcões; trovões distantes redirecionados pela atmosfera superior do planeta; terremotos profundos fazendo barulho por racharem a crosta terrestre; e gás erguendo-se de respiradouros subterrâneos sob os leitos de oceanos ou lagos.

3. Chamado de baleia a 52 Hz

Esse som é um chamado de baleia diferente de qualquer outro que conhecemos. Ouvido no Pacífico Norte por uma série de hidrofones secretos da marinha americana desde 1992, os pesquisadores nunca viram sua fonte de perto.

Pelo movimento do som, ele não parece estar relacionado com os de outras baleias, embora compartilhe certas semelhanças com baleias comuns e azuis. As chamadas curtas e frequentes estão em uma faixa incomum de 52 Hz, muito maior que outras espécies de baleias; as baleias-azuis geralmente emitem sons entre 10 a 39 Hz e as baleias-comuns a 20 Hz.

Os cientistas especulam que o som venha de um animal que pode possuir alguma má formação, ou que seja um híbrido, como a prole de uma baleia-azul com uma baleia-comum.

Outros pesquisadores simplesmente sugerem que o som seja algum dialeto, uma linguagem diferente usada por animais comuns.

Embora o som tenha sido apelidado de “o chamado da baleia mais solitária do mundo”, os especialistas em vocalização apontam que ele tem muitas das mesmas características de um chamado típico de baleia-azul, então outras baleias podem certamente ouvi-lo, e possivelmente até responder a ele.

4. Upsweep

Chamado em inglês de “Upsweep”, esse som é na verdade uma variedade de barulhos detectados nas profundezas do oceano, que corre repetidamente para cima como um uivo sobrenatural de baixa a alta frequência.

Foi detectado pela primeira vez no Pacífico em 1991, por hidrofones da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA. Curiosamente, ele muda ao longo do ano, atingindo o pico na primavera e no outono, embora os cientistas não tenham certeza se isso se deve a mudanças na fonte do som, ou mudanças no ambiente em que o som viaja.

O Upsweep tem uma explicação plausível, mas não confirmada: vulcões submarinos. É pensado que o som pode resultar de lava quente sendo derramada na água fria do mar.

Embora ainda possa ser detectado, o nível do Upsweep tem diminuído lentamente desde a sua descoberta inicial.

5. Canção dos Colossos de Mêmnon

Esse som estranho é um que foi ouvido milênios atrás. A oeste do rio Nilo, perto de Luxor, no Egito, duas grandes estátuas de pedra chamadas de “Colossos de Mêmnon” foram erguidas em tributo ao faraó Amenófis III.

Em 27 aC, um grande terremoto quebrou a parte inferior de uma das estátuas gigantes, bem como colapsou seu topo. Depois disso, as pessoas começaram a ouvir uma “canção” estranha vinda dela.

O som geralmente era ouvido ao amanhecer e foi relatado principalmente em fevereiro ou março, embora isso provavelmente se deva a temporada turística em vez de uma tendência real, já que o som misterioso atraía pessoas de todas as partes.

Para o historiador e geógrafo grego Estrabão, o som parecia como um sopro. Já o viajante e geógrafo grego Pausânias o comparou com a corda de uma lira quebrando.

Os cientistas hoje especulam que o som era causado por um aumento do calor e da umidade nas ruínas da pedra à medida que o sol se elevava. Mas eles não podem verificar sua teoria, porque, embora as estátuas ainda existam, o som não.

Em cerca de 199 dC, o imperador romano Septímio Severo ordenou o reparo das estátuas, e o canto desapareceu. [CosmosMagazine]

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