Juízes serão investigados por supostas adoções irregulares da Igreja Universal

Alfredo Paulo Filho, ex-bispo da Igreja Universal e um dos entrevistados pela TV portuguesa (Marina Dias/Folhapress)

Giuliana Miranda, na Folha de S.Paulo

Autoridades portuguesas intensificaram as investigações do suposto esquema irregular de adoção de crianças envolvendo a cúpula da Igreja Universal —incluindo as duas filhas do bispo Edir Macedo.

A conduta dos juízes nas sentenças em que os menores foram retirados de suas famílias biológicas e entregues a pastores da igreja será analisada será escrutinada pelo Ministério Público e pelo Conselho Superior da Magistratura do país.

Especialistas têm apontado que pode ter havido falhas graves no material usado no embasamento das decisões.

As duas entidades reforçaram a intenção de investigar o assunto após vir à tona que a atual procuradora-geral da República de Portugal, Joana Marques Vidal, coordenava a equipe de magistrados do Ministério Público no Tribunal de Menores de Lisboa na época em que as adoções suspeitas foram autorizadas.

Em nota oficial, o Ministério Público afirmou que “nada deixará de ser investigado, o que permitirá apurar todos os fatos e eventuais responsabilidades”.

O Conselho Superior da Magistratura de Portugal declarou que também vai recolher material sobre as decisões judiciais do caso, mas ressaltou que, até agora, não há indícios de responsabilidade: “não foram suscitados quaisquer casos colocando diretamente em causa decisões de juízes”-

A instituição diz ainda que “determinou a recolha de todos os elementos pertinentes para avaliar os procedimentos prévios às decisões judiciais e os procedimentos de interação dos tribunais com as instituições com responsabilidade no percurso de preparação das decisões”.

O CASO

Uma série de dez reportagens exibida em dezembro pela TVI, a emissora de maior audiência de Portugal, acusa Igreja Universal do Reino de Deus de operar um esquema de adoção irregular e de tráfico internacional de crianças em Portugal na década de 1990.

Batizado de “O Segredo dos Deuses”, o trabalho detalhou o funcionamento irregular por vários anos de um orfanato mantido pela Universal na capital portuguesa. O “Lar Universal” está no centro da polêmica das acusações.

Segundo as reportagens, várias crianças, muitas vezes retiradas de seus pais biológicos de forma arbitrária, eram entregues a figuras proeminentes da Universal, usando o lar como fachada para encobrir o caráter ilegal das operações.

O trabalho acusa as duas filhas do bispo Edir Macedo, Viviane Freitas e Cristiane Cardoso, de terem recorrido a artifícios ilegais -incluindo mentiras à Justiça e até o uso de testas-de-ferro- para conseguir a guarda das crianças.

As reportagens exibiram diversas entrevistas com os supostos pais biológicos das crianças, além de ex-funcionários e jovens que viveram na instituição.

O caso tem tido ampla repercussão em Portugal.

OUTRO LADO

Em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus diz que houve um “ataque sórdido” com o objetivo de atingir a honra do bispo Edir Macedo.

Leia a íntegra:

*

Ao fim do ataque sórdido perpetrado ao longo de semanas pela TVI, emissora de televisão de Portugal criada por grupos ligados à Igreja Católica, fica a certeza de que a intenção era atingir a honra do Bispo Edir Macedo e do corpo eclesiástico da Igreja Universal do Reino de Deus, promovendo o ódio religioso contra mais de 9 milhões de adeptos da Universal em todo o mundo.

Manipulação de entrevistas, mentiras, ocultação de provas, exploração de mães fragilizadas e atormentadas pela perda judicial da guarda de seus filhos embaladas em um sensacionalismo sem precedentes, produziram uma aberração que nada tem de jornalismo.

Por exemplo, a reportagem repete a mentira de que os pais não foram legalmente citados no processo judicial de adoção, quando consta nos autos que eles estavam, sim, informados.

As jornalistas da TVI também esconderam dos telespectadores que enquanto as crianças viveram com os pais biológicos, estavam desnutridas, doentes e moravam em uma casa sem móveis, suja, sem eletricidade e inabitável.

Também ocultaram que consta do processo judicial que os pais biológicos dos irmãos citados com destaque eram viciados em drogas e que abandonaram os filhos na casa de uma conhecida.

Em mais uma mentira, a reportagem também afirmou que os irmãos viajaram aos Estados Unidos ilegalmente, quando, na verdade, saíram de Portugal com autorização judicial que consta do processo.

Todas estas informações estão em documentos dos processos judiciais que tramitaram no Tribunal de Família e Menores de Lisboa.

A Igreja Universal e as pessoas injuriadas, difamadas e caluniadas pelas reportagens da TVI tomarão todas as medidas judiciais – nas esferas cível e criminal – a fim de que a Justiça venha dar a devida punição por essas imputações falsas, criminosas, que desabonam a honra dos citados.

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