Estou de bem com Deus

Ricardo Gondim

Quando era mais jovem, acreditei que Deus havia me criado com um molde; ele teria me determinado exatamente como sou. Agora vejo diferente. Eu não passo de esboço, rabiscos precários de um arquiteto qualquer. Depois de tudo o que absorvi, de tudo o que chorei, de tudo o que me alegrei, permaneço um andaime pingente.

Desejei, acolhi, aprendi, neguei, aceitei e não me descobri por completo. Na bagunça dos quartos em que a minha alma vive, moram saudades, esperanças, angústias, decepções. Sou um caos previsível e totalmente insólito. Minha finitude permanece bela e inquietante.

Sou paradoxal. Ainda não sei como misturar paciência e indignação ética. Arrojo pessoal e ócio se colaram dentro de mim. Desejo e resisto. Perco-me e sou salvo. Sinto-me grande. Ouço, não sei porquê, Deus dizer: – Este é meu filho em quem o meu coração está satisfeito. Afinal de contas, quem é grande?

Quem não desiste mesmo tendo caído na fundura do fracasso.
Quem não azeda depois de provar o amargo da decepção.
Quem não se envergonha de medir o tamanho da exaustão.
Que não hospeda o orgulho que o proíbe de pedir ajuda.

Quem vence a doce tentação da vingança.
Quem aprende novas dimensões do riso.
Quem odeia o ódio.
Quem ama amar.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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