Sim, “alergias” ao sol existem e são mais comuns do que você pensa

Publicado no Buzzfeed

Há uns anos, recebi um diagnóstico que fez a alegria do meu eu adolescente gótico: eu tenho alergia ao sol.

Bem, não exatamente uma alergia, já que a condição é considerada mais uma sensibilidade do que uma reação alérgica (chegaremos lá daqui a pouco), mas a verdade é que, todo verão, minha pele fica cheia de bolinhas horríveis e começa a coçar.

Isso se chama erupção polimorfa à luz (EPL), e é uma erupção cutânea causada pela exposição ao sol. E, apesar de haver vários motivos para se ter reações cutâneas ao sol, a EPL é a forma mais comum de fotossensibilidade.

Geralmente, ela começa nas costas das minhas mãos e sobe pelos meus braços. Coçar só piora, mas a coceira é tanta que eu acordo no meio da noite coçando as minhas mãos. Também fica bem feio — uma vez, um babaca numa festa comentou que eu tinha mãos “de zumbi”.

Levou vários diagnósticos incorretos de eczema para chegar à causa do que eu vivia todo verão, contudo, a verdade é que a EPL é bem comum. De fato, em torno de 15% das pessoas têm essa condição, e ela é mais comum em mulheres na adolescência, ou na faixa etária dos vinte anos, que têm pele clara, vivem em regiões nórdicas e têm um histórico familiar dessa condição.

Abaixo, um guia que escrevi sobre a EPL com a ajuda de um dermatologista.

Para começar, a EPL não é exatamente o mesmo que uma alergia.
“Não é correto se referir à EPL como uma alergia”, diz Whitney High, diretor de dermopatologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado (EUA).

Contudo, é fácil entender o porquê de a condição ser chamada popularmente de “alergia ao sol”. Uma alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico às proteínas encontradas em alguma coisa, como alimentos, pólen ou pelos de animais. A EPL, por outro lado, é uma fotossensibilidade, ou uma reação do corpo à luz ultravioleta.

Os médicos ainda não têm certeza do porquê, mas para as pessoas com EPL, a luz ultravioleta do sol estimula uma reação imunológica que inclui inflamação, inchaço, coceira e uma variedade de erupções cutâneas, incluindo bolhinhas e lesões de pele salientes tipo placas.

“Até hoje, apesar dessa condição ser bastante prevalente, não sabemos exatamente por que as pessoas a têm”, disse High.

Mas o timing é tudo.
O timing da erupção é um grande indicador para distinguir se o que está acontecendo é EPL e não alguma outra condição cutânea.

“O quadro clássico é o desenvolvimento de inchaço e vermelhidão em torno de quatro a seis horas após a exposição à luz do sol”, disse High.

“Isso continua por dois ou três dias com erupção cutânea, vermelhidão, inchaço, coceira e coisas do tipo. Depois, o sistema imunológico se acalma e a pele volta ao normal.”

Ela também coincide com o começo do verão, quando estamos mais propensos à exposição solar. Para mim, a erupção cutânea começa no início da estação e dura cerca de um mês e meio. É uma situação comum, já que a EPL tende a diminuir gradualmente com a exposição prolongada ao sol.

Mas não é só no verão. Se eu sair de férias durante o inverno e viajar para um lugar quente, é garantido que eu vá ter uma crise dentro de 24 horas. Nada divertido.

Não existe cura, mas há tratamento.
Em vez de esperar até que a erupção cutânea suma, você pode forçar seu corpo a lidar com ela. High disse que uma vez ele teve uma estagiária com EPL que usava lâmpadas ultravioleta para forçar uma crise, de forma que ela terminasse mais cedo. (Contudo, leve em conta que câmaras de bronzeamento artificial estão associadas a um risco maior de câncer de pele. Apesar de luzes UV serem usadas para tratar algumas condições cutâneas, como a psoríase, converse com seu médico para saber se você pode usá-las para tratar EPL.)

Por outro lado, corticoesteroides de uso tópico são um tratamento facilmente disponível. Falando por experiência própria, um creme antipruriginoso também ajuda demais.

A prevenção também é importante, o que significa usar coisas como mangas compridas e chapéus largos. E, apesar de você poder pensar que protetor solar ajuda, na verdade, não adianta muito. Segundo High, a erupção é desencadeada com tão pouca exposição que o protetor solar acaba não fazendo muita diferença.

Mas a boa notícia é que não faz mal de verdade.
“Não faz nem um pouco mal,” disse High. “Não leva ao câncer ou infecção; não é possível passá-la para outra pessoa.”

A pior parte é a aparência mesmo.

E o risco tende a diminuir após a menopausa; alguns estudos sugerem que a condição está ligada ao hormônio feminino estrogênio.

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