Poupança cresce e sobra crédito para imóveis

Publicado no Terra

No primeiro semestre, firmou-se a tendência de recuperação dos depósitos de poupança, permitindo que, na maioria das instituições, a oferta de crédito imobiliário possa atender com folga à demanda. Se a retomada do mercado imobiliário é insatisfatória, isto se deve, principalmente, ao temor das famílias de classe média de se endividarem para adquirir casa própria.

Em 2018, quando se somam os depósitos no SBPE e na poupança rural, o saldo líquido positivo da primeira metade do ano atinge R$ 7,3 bilhões.

A recomposição dos saldos das cadernetas evidencia as dificuldades das famílias de aplicar recursos, dada a queda da rentabilidade oferecida pelos mercados de renda fixa. No primeiro semestre, a remuneração dos depósitos de poupança foi de apenas 2,32%, mas ainda assim as características da aplicação parecem atender um público específico, por exemplo, o dos que tratam as cadernetas como uma conta corrente bancária.

Cabe notar que junho de 2017 registrou uma captação mais elevada do que em junho de 2018. Mas isto parece se dever a dificuldades momentâneas dos poupadores, não afastando as previsões de que o segundo semestre deixará para trás um período muito negativo para a captação.

Resta saber se os mutuários potenciais voltarão a procurar crédito. Entre os primeiros cinco meses de 2017 e de 2018, os financiamentos pelo SBPE aumentaram 18,1% e se aproximaram dos R$ 20 bilhões. Em maio, as operações do SBPE foram de R$ 4,5 bilhões, superando em 26,1% as de maio do ano passado. São números modestos numa comparação histórica. Em 2014, o SBPE financiou o recorde de R$ 112,9 bilhões, montante que caiu para R$ 43,1 bilhões em 2017. Se o volume de crédito for próximo de R$ 50 bilhões em 2018, já será visto como um bom resultado.

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