Os perigos do veganismo, se você estiver fazendo errado

Publicado no Hypescience

A crescente onda do veganismo, a dieta que recusa qualquer alimento de origem animal e se baseia em plantas, frutas e grãos, veio para ficar. No caso do Brasil, o mercado vegano cresce 40% ao ano e a estimativa é que o país já tenha 5 milhões de veganos. A tendência segue pelo mundo afora. No Reino Unido, desde 2008 houve um crescimento de 350% de pessoas que se autodeclaram veganas. Nos Estados Unidos, segundo uma pesquisa da Global Data, esse crescimento foi ainda mais acentuado: em 2014, 1% da população americana se declarava vegana, valor este que atingiu 6% em 2017, um impressionante crescimento de 600%.

Os motivos que levam uma pessoa a seguir essa dieta são diversos, variando desde preocupações com direitos animais, meio-ambiente, saúde ou até justificativas religiosas.

Com o crescimento acelerado dessa dieta é preciso ficar atento com a saúde e balancear corretamente os hábitos alimentares. De acordo com Sophie Medlin, professora de Nutrição e Dietética no King’s College em Londres, se planejada corretamente uma dieta vegana pode levar a diversos benefícios à saúde bem como a diversas mudanças no seu corpo.

Em um texto publicado no site The Conversation, Medlin explica o que acontece com o corpo quando passamos por essa mudança na dieta. Ela separa suas explicações em três períodos de tempo:

As Primeiras Semanas
Segundo a especialista, uma das primeiras prováveis mudanças sentidas por um recém convertido ao veganismo será uma maior disposição e energia devido a eliminação da carne processada na dieta e sua substituição por frutas, legumes e nozes, levando a um aumento nos níveis de vitaminas, minerais e fibras no corpo.

Mudanças no funcionamento do intestino já devem ocorrer logo nas primeiras semanas, que podem ser para melhor, com um padrão mais regular e saudável, ou mais desregulado e ocasionando inchaços, flatulência, ou intestino solto. O motivo está no aumento do consumo de fibras em conjunto com uma ingestão maior de carboidratos, que fermentam no estômago e podem levar a síndrome do intestino irritável.

A alimentação correta é crucial nesse momento. Se a dieta vegana for composta apenas de carboidratos ou comidas processadas este problema pode se agravar, mas caso a ingestão de fibras e frutas seja regular os resultados serão positivos devido a um aumento na diversidade das bactérias no cólon.

Três a Seis Meses Depois
Vários meses de uma dieta vegana, se acompanhada de um aumento na ingestão de frutas e vegetais e uma diminuição de comidas processadas, pode acarretar em melhorias na pele e na redução de acne. Um contraponto, no entanto, está no risco de carência de Vitamina D, um nutriente majoritariamente encontrado em carnes, peixe e laticínios. Nas palavras da nutricionista Sophie Medlin, “a vitamina D não é totalmente compreendida, mas é essencial para manter ossos, dentes e músculos saudáveis e sua deficiência tem sido associada a câncer, doenças cardíacas, enxaquecas e depressão”.

Além disso, a vitamina D permanece apenas dois meses no corpo e talvez seja necessário buscar suplementos para evitar riscos maiores, especialmente se você mora em uma região fria e com pouco sol.
Se a dieta vegana for bem balanceada, acompanhada de uma redução no sal e alimentos processados, ela pode gerar significantes benefícios para a saúde cardiovascular, ajudando na prevenção de doenças cardíacas, derrames e reduzir o risco de diabetes.

Alguns meses adentro e a dieta pode vir acompanhada de uma queda nos níveis de ferro, zinco e cálcio. Ainda que nossos corpos geralmente se adaptam e aprendem a absorver esses nutrientes do intestino, há casos em que suplementos se tornam necessários para garantir níveis adequados.

De seis meses a vários anos
Ao atingir a marca de um ano de uma dieta vegana, o nível de B12 no sangue pode cair a níveis críticos ou até se exaurir por completo. A carência de vitamina B12, um nutriente essencial para o funcionamento saudável das células sanguíneas e nervosas e apenas encontrado em produtos de origem animal, é um notório problema enfrentado pelos veganos e pode levar a falta de ar, exaustão, falta de memória e formigamento nas mãos e nos pés. No entanto, este problema é facilmente solucionado através da ingestão de suplementos específicos.

Após alguns anos de uma dieta vegana e os ossos podem começar a sentir os efeitos. O nosso esqueleto é um repositório de minerais, porém a partir dos 30 anos de idade os nossos ossos já não absorvem mais minerais pela dieta. Por isso é fundamental adquirir uma quantidade satisfatória de cálcio enquanto ainda somos jovens, pois após essa idade o nosso corpo busca o cálcio diretamente nos ossos, que podem se enfraquecer no caso de uma ausência no reabastecimento deste nutriente através da dieta.

Vegetais ricos em cálcio, tais como couve e brócolis, podem ser fortes aliados nessa hora e ajudar na proteção dos ossos. No entanto, o cálcio oriundo de plantas é de difícil absorção e às vezes torna-se necessário o uso de suplementos ou alimentos fortificados para garantir essa reposição.

Uma dieta vegana pode trazer grandes benefícios à saúde, porém muitos desses benefícios podem se perder se a dieta não for cuidadosamente administrada. No longo prazo, equilíbrio é a palavra-chave e com alguns cuidados, preparação certa e atenção uma dieta vegana pode ser ótima para a saúde humana, destaca Medlin. [The Conversation]

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