Pesquisou um produto na internet e anúncios te perseguem? Entenda o motivo

Publicado no UOL

Vamos supor que você esteja usando a internet para pesquisar uma nova TV. Basta navegar por alguns sites para que passe a ser perseguido por anúncios de produtos relacionados ao que procurou, especialmente em banners de redes sociais, como o Facebook.

A sensação é de que estamos sendo espionados. Falamos aqui sobre a possibilidade de as empresas ouvirem o que falamos para oferecer produtos, também já explicamos como seus dados e rastros online podem ser usados e vendidos.

Mais que conspiração, há um culpado por isso ocorrer: o cookie.

Os cookies funcionam como um registro dos dados que você envia para o seu navegador. Ele serve para facilitar sua navegação, lembrando suas buscas, suas preferências e configurações, links clicados, itens pesquisados, coisas deixadas nos carrinhos das lojas online e, quando permitido, até suas senhas de acesso.
Esses dados são usados para melhorar os serviços, por indicar quais são os recursos mais usados e aqueles que precisam ser corrigidos, e inicialmente servem para facilitar e agilizar a navegação.

Também ajudam na segurança –detectam, por exemplo, logins suspeitos e movimentação anormal.

Mas há outros usos possíveis. Os cookies são particularmente úteis para a publicidade e ao desenvolvimento de sites, porque os dados revelam o seu perfil e podem ser usados para testar a eficiência das campanhas publicitárias e direcionar anúncios.

Imagine que você esteja em uma página de comércio eletrônico e coloque um produto no carrinho. Esses sites funcionam com sessões de uso e isso ocorre porque o estoque dessa loja é finito. Então é importante que ela rastreie as ações do usuário, por exemplo, para evitar o risco de as pessoas tentarem comprar mais unidades do que as que estão disponíveis

Rodrigo Tafner, analista de marketing e coordenador do curso Tech da ESPM

Então, sim, acontece uma perseguição intencional.

Se uma loja online sabe que você pesquisou um produto, mas não levou, pode usar essa informação para tentar convencê-lo a fechar a compra.

A estratégia não é nova. Trata-se de uma técnica de marketing chamada “retargeting” (em português, “mirar novamente”), que seria o equivalente ao vendedor insistente do mundo real.

“Como não há negociação na internet, oferecer novamente um produto pesquisado acaba tendo uma função de convencimento. Muitas vezes essa insistência é feita juntamente com um desconto, o que pode acabar sendo interessante para o consumidor”, diz Tafner.

Há diversas maneiras de se fazer isso. Uma delas é a loja enviar um email para o comprador em potencial, já que a empresa possui informações sobre a sessão desse usuário no site. Outra envolve usar os cookies, “cruzando” essas informações com plataformas de propaganda.

Isso explica por que um produto que você pesquisou “misteriosamente” aparece no seu Facebook ou na sua caixa de entrada no email.

É perigoso?
Além da sensação de perseguição, há outra dúvida comum que permeia discussões sobre a publicidade em plataformas digitais: a segurança dos dados. Essa desconfiança fica ainda maior quando envolve o Facebook, uma vez que a rede social foi alvo das recentes polêmicas sobre o uso indevido de dados de usuários.

Procurada para comentar o assunto, a empresa afirmou que não vende os dados de seus usuários, tampouco informa aos anunciantes da plataforma quem são as pessoas individualmente. Os anunciantes só têm acesso a dados agrupados e anonimizados, o chamado “big data”.

Eles dizem que a criação de peças publicitárias na rede só pode ser feita utilizando o gerador de anúncios da plataforma, que determina grupos específicos de pessoas (por gênero, faixa etária ou local onde o público que se deseja alcançar está, por exemplo).

O Facebook também nega que monitore o microfone dos dispositivos para oferecer produtos e conversas privadas que acontecem via Messenger ou Whatsapp, outra empresa do grupo.

Há, entretanto, o chamado Facebook Pixel. Trata-se de uma extensão que, quando instalada em um site, permite que os anunciantes criem propagandas personalizadas que miram quem visualizou recentemente páginas e produtos em seus sites.

Ainda que seja automático, funcionando como uma espécie de cookie, é o tipo de situação que reforça a sensação de monitoramento. Vale ressaltar que não é um app que acessa seus dados via login, como os polêmicos testes que roubavam dados via rede social.

Dá para evitar?
Por mais que a estratégia possa ser benéfica para anunciantes e consumidores, ela também pode ser inconveniente.

Há exagero. Como, por exemplo, quando você já comprou o produto, mas ainda recebe o anúncio. Acaba gerando indisposição com a marca e causa um efeito contrário

Tafner

Mas, segundo o especialista, já existem tecnologias e metodologias para evitar a oferta de um produto a quem já o comprou ou para impedir uma sequência grande de anúncios parecidos.

Além disso, depois que vários países endureceram a lei de controle de dados, como foi o caso dos países europeus, as empresas têm adotado cada vez mais boas práticas, como avisar quando seus cookies são utilizados.

Dificilmente a propaganda online vai sumir, mas há formas de ficar “invisível”.

Independentemente do programa usado e do nome, a navegação anônima faz com que o navegador deixe menos rastros de navegação, o que inclui o histórico de visitas, dados de preenchimento automático de formulários e informações de cookies. Em contrapartida, o carregamento de algumas páginas pode ficar mais lento.

“A navegação anônima identifica apenas o IP de saída, mas não outros detalhes. Neste caso, o usuário só é identificado se fizer algum tipo de login em alguma página”, diz Tafner.

Outra opção é limpar os cookies de seu navegador com frequência ou, ainda, utilizar um programa para bloquear anúncios.

Por fim, tanto Google quanto Facebook permitem configurar o quanto de anúncios você irá ver. No Google, acesse o site adssettings.google.com.br/authenticated para ativar ou desativar o aparecimento de anúncios personalizados em plataformas da empresa.

Já no Facebook, clique em www.facebook.com/ads/preferences e escolha assuntos de interesse. Também dá para ativar ou desativar sugestões de produtos de acordo com as suas preferências.

Seja navegando de forma anônima ou não, Tafner alerta que, em ambiente de internet, não há privacidade total. “Isso só ocorre se você não usar a rede ou tecnologias modernas, como o celular. O que existe é uma expectativa de que as empresas irão tratar os seus dados de forma profissional. Se incomodar ou não com isso é algo que varia de pessoa para pessoa, mas, em geral, quando essas ‘intromissões’ são úteis, pouca gente reclama”, diz.

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