De “Patinho Feio” a Cisne: história da equipe Camber de Brasília ganha os cinemas

Publicado no Globo Esporte

O brasileiro é um povo conhecido pelo improviso em situações de dificuldade, isso vale tanto para o mal, como para o bem. Nesse contexto, de tempos em tempos surgem histórias, no mínimo, curiosas e que representam a capacidade criativa do ser humano para alcançar determinado objetivo. “O Fantástico Patinho Feio”, filme de Denilson Félix, com estreia prevista para o dia 22 de novembro, é uma dessas histórias.

– Eu costumo dizer que resgatar essa história é uma obrigação cinematográfica e uma necessidade histórica. Tenho para mim que esses quatro jovens, por tudo que eles fizeram e da forma como tudo aconteceu, estavam dentro de onda cósmica, uma energia ímpar, que assolou o mundo no ano de 1967 – diz o diretor.

Um sonho

O quarteto idealizador do Patinho Feio — Foto: Divulgação

Em 1967, quatro amigos fanáticos por automobilismo resolveram se unir em uma garagem na capital federal para tentar transformar o sonho em realidade. Alex Dias Ribeiro, Helládio Toledo, Zeca Vassalo e João Luis são os nomes dos personagens dessa aventura. Com apenas 21 dias de prazo, eles deveriam construir um carro de corrida pronto para disputar os 500 km de Brasília, segunda prova mais importante do esporte a motor brasileiro.

– A grana era zero, mas a criatividade de graça – brinca Alex Dias Ribeiro, em entrevista ao Esporte Espetacular no ano passado.

O carro

Apesar do sonho, faltava um pequeno detalhe… o carro. No ano anterior à prova, o pai de Alex Dias Ribeiro sofreu um grave acidente com um Fusca, ficando internado durante seis meses. O carro? Destruído. Passada a emergência, Alex não pensou duas vezes, pediu os “restos” do Fusca emprestados. Apesar de relutante, o pai cedeu, e dos restos de uma batida perigosa, surgiu a faísca para que um sonho se materializasse.

– Se tivesse que ficar a noite inteira trabalhando nisso, para nós era uma alegria, uma diversão. Todos queriam ajudar, não éramos só nós – afirma João Luis.

Na pista

Em ação nos 500 km de Brasília — Foto: Reprodução/Youtube

Competindo em um grid com 33 carros, muitos deles de grandes marcas internacionais, o Patinho Feio iniciou a competição saindo da última colocação. Depois de mais de seis horas de corrida, em uma sequência incrível de ultrapassagens, o quarteto conseguiu cruzar a linha de chegada em uma impressionante segunda colocação. Depois do feito, os jovens fundaram a lendária Oficina Camber, que abrigou posteriormente nomes como Nelson Piquet e Robeto Pupo Moreno.

– Quando passei na linha de chegada ouvi o berro da torcida, coisa que você não costuma ouvir quando está no carro. Me arrancaram de dentro do carro e saíram me carregando para lá e para cá. Literalmente nos braços da torcida – comenta Alex.

Alex Dias Ribeiro, ex-F1 — Foto: Divulgação

Tela grande

Apesar de ter acompanhado grande parte da carreira de Nelson Piquet, o diretor Denilson Félix afirma não ser um grande entusiasta do mundo dos carros. Entretanto, como um bom contador de histórias, a saga do Patinho Feio não passou despercebida aos olhos dele. Em meio a pesquisas para o projeto de um filme que contaria a vida do tricampeão brasileiro da Fórmula 1, Félix teve a atenção chamada pelo história da Camber.

– Em minhas pesquisas sobre a vida de Nelson Piquet, soube dessa oficina que ele teria trabalhado como mecânico na juventude, a Camber, e que iria acontecer uma festa de comemoração dos 40 anos da Camber no Hotel Brasília, em Brasília. Com um palco armado, onde as pessoas discursavam, subiram quatro senhores, Alex Dias Ribeiro, Helládio Toledo, Zeca Vassalo e Jean Luis, e eles começaram a narrar como tudo se passou na vida deles.

A perseverança dos quatro garotos para conseguirem alinhar no grid dos 500 km de Brasília tocou o diretor, e ele resolveu que aquilo deveria ganhar as telas dos cinemas mundo afora.

– Falaram da construção do protótipo, o Patinho Feio, da corrida dos 500 km de Brasília, do sucesso alcançado, depois da fundação da oficina Camber, da chegada do jovem Nelson Piquet à oficina, depois de Roberto Pupo Moreno. E eu ouvindo tudo aquilo, pensei “meu deus, isso é cinema!” e que essa história não poderia ficar restrita ao salão de festas, tem de virar filme.

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