Quatro patentes do Facebook que farão você pensar sobre sua privacidade

Publicado no El País

Junho de 2016. Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, controlador do Instagram, publica uma foto para parabenizar a rede social por atingir a cifra de 500 milhões de usuários ativos por mês. Na imagem, é possível ver o jovem presidente-executivo sentado diante de seu laptop, no qual chama a atenção um detalhe: tanto a câmera frontal quanto o microfone estão cobertos com fita isolante. Quais razões o levam a pensar que alguém possa estar lhe espionando? É muito provável que a forma como a multinacional sob seu comando utiliza os dados de seus usuários seja uma delas.

Confira algumas das patentes mais preocupantes do Facebook nos últimos anos:

Sei onde você está e também para onde vai
Se você pensava que a intrusão das tecnologias em sua vida privada limitava-se apenas a saber onde você está em certos momentos, está desatualizado. A verdade é que o controle que elas têm sobre seus movimentos pode também prever onde você estará no futuro. Isso se reflete em uma série de patentes do Facebook, as quais descrevem como prever seu próximo destino com base nos lugares que você visitou no passado, e nas rotas de outros usuários que compartilham um mesmo padrão. Dessa forma, poderiam definir redes de locais a ser usadas, de acordo com a patente, para “enviar publicidade aos usuários com base na localização”.

O Facebook tem como deduzir se você tem um parceiro
“Inferir o grau de relação dos usuários de um sistema de redes sociais.” Sob este nome, a multinacional apresentou uma patente em 2014 na qual avisava sobre sua intenção de deduzir seu estado civil com base na frequência com que você visita a página de outros usuários, o número de pessoas que aparecem em sua foto de perfil e a porcentagem de amigos do sexo oposto. Dependendo de cada um desses parâmetros, a rede social atribui uma pontuação a cada usuário, cuja soma permite determinar se eles têm um parceiro.

Conhecendo sua personalidade para que você compre mais
Uma patente que agora tem seis anos, mas nem por isso é menos alarmante. Por meio da análise linguística de tudo o que você escreve em sua plataforma, o Facebook usa um modelo pensado para prever as características de sua personalidade — se introvertido, engraçado, muito falante ou desagradável — são e oferecer publicidade mais segmentada.

Bem-vindo à era da bolha de filtros
Em 2011, o ativista da internet Eli Pariser alertou sobre um fenômeno muito presente em nossos dias, que batizou como bolha de filtro. Foi definida como um ambiente digital em que as pessoas perdem acesso às fontes de informação com as quais não se identificam ideologicamente, o que limita sua compreensão do mundo. Os filtros que estabelecem as redes sociais para mostrar conteúdo personalizado baseiam-se em seus gostos, portanto, não mostrarão informações que, nessa avaliação, não sejam de seu interesse. “O que está dentro da bolha que te rodeia depende de quem você é e do que você gosta. Mas não é você quem decide diretamente o que entra nessa bolha, os algoritmos fazem isso”, Pariser explicou na época.

Um ano depois, o Facebook apresentava sua primeira patente nessa linha, embora tenha sido atenuada com o passar do tempo. A empresa descreve como utiliza as informações sobre as reações de usuários sobre os conteúdos mostrados no feed de notícias (quando clicam para acessar um artigo, compartilham ou marcam o botão “curtir”) para determinar o que lhes interessa. “Os usuários preferem ver notícias relevantes para seus interesses pessoais ou notícias interessantes para usuários de redes sociais conectados a eles, ou que tenham interesses relevantes”, defendiam na patente.

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