Cristãos comprometidos com um Brasil mais justo, solidário e sustentável reúnem-se com Dilma Rousseff

Teólogos cristãos e militantes de movimentos sociais que integram Grupo Emaús são recebidos pela presidenta Dilma Rousseff e apresentam sugestões para o segundo mandato

Presidente Dilma recebe integrantes do Grupo Emaús (foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Presidente Dilma recebe integrantes do Grupo Emaús
(foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Paulo Roberto Garcia, na AGEN

Promover uma reforma no sistema político brasileiro, reforçar um modelo econômico mais social e popular, proteger o meio ambiente e realizar a reforma agrária. Essas são algumas sugestões apresentadas por representantes do Grupo Emaús à presidenta Dilma Rousseff durante audiência realizada nesta quarta-feira (26) no Palácio do Planalto, em Brasília.

A carta, intitulada “O Brasil que queremos”, foi elaborada por teólogos, educadores, militantes de movimentos sociais e sociólogos de diferentes igrejas cristãs do país que se reúnem em torno do Grupo Emaús, que este ano completa 40 anos de parceria em comunhão, reflexão e ação por uma teologia e pastoral de compromisso social. Entre os integrantes, estão os teólogos Leonardo Boff e Frei Betto, além de pastores e lideranças católicas e evangélicas.

No contato com a presidenta, avaliado pelos participantes como “muito importante e significativo”, a tônica foi a de reconhecimento ao trabalho feito no primeiro mandato e de apoio às mudanças que precisam ser feitas nos próximos quatro anos de governo. “Tínhamos e temos a convicção de que a participação política, de cunho democrático, popular e libertador, se apresenta como um instrumento para realizar os bens do Reino de Deus”, destaca a carta entregue a Dilma Rousseff.

Na opinião do pastor e teólogo metodista, Claudio Ribeiro, a audiência evidenciou a disposição ao diálogo por parte da presidente:

“Como parte do grupo de teólogos e lideranças cristãs, católicas e protestantes, e como pastor evangélico, fico satisfeito pelo fato de ela [Dilma Rousseff] ter nos recebido e acolhido nossas proposições críticas, sem falar que se interessou pelas indicações práticas para aprimorar o seu governo, tendo em vista uma visão mais popular, democrática e centrada na justiça social e nos direitos das pessoas mais pobres e da terra”, afirmou. Ele acrescentou que essa “é a nossa compreensão do Evangelho que, esperamos, possa contribuir para um Brasil mais justo”.

O que mais chamou a atenção da psicóloga luterana Rosileny Schwantes, que também participou do encontro com a presidenta, foi a atenção e o interesse demonstrado por ela quando o grupo apresentou as sugestões. “Ela fez a gente se sentir muito necessário neste momento do segundo mandato”, destacou.

Para Leonardo Boff, a conversa na qual foram reconhecidos acertos e equívocos também sinalizou a importância do diálogo com movimentos sociais e outros atores comprometidos com um país mais igual e democrático.

“Nada pedimos, não nos moveram interesses corporativos ou pessoais. Apenas oferecemos nossos préstimos, caso sejam solicitados pela presidenta”, comentou o teólogo e escritor. Segundo Boff, Dilma Roussef se mostrou “comovida e aberta a outros encontros mais sistemáticos, pois se deu conta de nossa vontade de colaboração na construção de uma sociedade mais humana, mais justa e cooperativa, onde seja menos difícil a vontade de transformação social e o amor humano entre todos”.

O DOCUMENTO – O apoio do Grupo Emaús à presidenta Dilma veio acompanhado de algumas sugestões para que o governo “continue implementando o projeto que tanto beneficia a sociedade brasileira, especialmente os mais vulneráveis”.

A reforma no sistema político está entre os itens que precisam merecer a atenção no próximo mandato. Na avaliação do grupo, é necessária uma “reforma que acabe com o financiamento de campanhas eleitorais e de partidos políticos por empresas privadas, estabeleça o financiamento público, que possibilite a participação dos cidadãos e cidadãs no processo de tomada de decisões sobre a política econômica, sobre todo e qualquer projeto que tenha forte impacto social e ambiental e sobre a privatização de empresas estatais e de serviços públicos”.

Uma nova política de segurança pública e a reforma do sistema prisional são também reivindicações de teólogos, sociólogos e militantes sociais do Emaús. Ao destacar que a segurança pública deve ser “exercida para proteger a vida e os direitos dos cidadãos, e não apenas a propriedade”, o grupo chama a atenção para os 50 mil homicídios dolosos cometidos anualmente no país, em que a maioria das vítimas é jovem, pobre, negra e do sexo masculino. “Esse genocídio precisa acabar, e temos meios para isso”, ressalta o documento.

O reforço a um modelo econômico mais social e popular, a reforma tributária e a agrária, a democratização dos meios de comunicação, a universalização dos direitos humanos, a valorização do trabalhador e da trabalhadora, o controle social da gestão pública e a defesa do meio ambiente e dos direitos de povos indígenas e quilombolas também são sugestões presentes no documento entregue à presidenta Dilma.

Leia Mais

Café da manhã é a refeição mais importante do dia?

Se você acha que um desjejum reforçado é indispensável, pense de novo

foto: Stéfan / Flickr/ Creative Commons
foto: Stéfan / Flickr/ Creative Commons

Ana Freitas, na Galileu

Lembra daquele tempo quando o café-da-manhã era, segundo todos os nutricionistas e estudiosos, além (claro) do senso-comum, a refeição mais importante do dia? É, tipo, até agora há pouco. Essa é a boa notícia que temos pra você, pessoa que por acaso não gosta de comer de manhã: tá tudo bem. Mesmo.

Na última semana, a colunista de nutrição do jornal norte-americano The New York Times, Gretchen Reynolds, falou de dois estudos que contestam essa versão de que o café da manhã seja a refeição mais importante do dia e que seja tão importante pra perda de peso, por exemplo. Um deles, da Universidade do Alabama, recrutou 300 voluntários tentando perder peso, que aleatoriamente foram orientados para pular o café-da-manhã, tomar sempre café-da-manhã ou apenas seguir com seus hábitos, seja eles quais fossem. Seis semanas depois, os voluntários voltaram ao laboratório: ninguém perdeu mais de 500 gramas. Comer ou não comer café da manhã não afetou o peso de ninguém.

O outro estudo, da Universidade de Bath, conferiu a taxa metabólica, níveis de colesterol e de açúcar no sangue de 33 participantes e então designou, aleatoriamente, que parte deles comesse ou pulasse a refeição da manhã. Depois de seis semanas, o peso, taxa metabólica em repouso, colesterol e a açúcar no sangue dos voluntários não foram afetados, independente se o café-da-manhã fizesse parte de seus hábitos ou não. A única diferença: quem comia de manhã parecia se movimentar mais nessa parte do dia.

A conclusão de alguns estudiosos é que, para a perda de peso, o café da manhã é só mais uma refeição: as calorias dele valem tanto quanto as calorias de qualquer outra refeição, e o consumo delas não influencia no que você come no resto do dia. Ou seja: se você curte comer de manhã, ótimo. Pode continuar. Mas se não gosta, tudo bem também. Não parece que a diferença é tão grande assim. No entanto, de acordo com o artigo do NY Times, cientistas concordam que mais experimentos precisam ser feitos antes que tenhamos certeza sobre a real influencia do café-da-manhã em nosso metabolismo.

Leia Mais

Milionário chinês constrói vila de luxo para antigos vizinhos

Empresário deu imóveis a 72 famílias de vilarejo onde cresceu

A vila de edifícios com apartamentos de luxo construídos pelo chinês (foto: Reprodução Internet)
A vila de edifícios com apartamentos de luxo construídos pelo chinês (foto: Reprodução Internet)

Publicado em O Globo

Um milionário chinês trocou as cabanas de madeira e estradas lamacentas do vilarejo onde cresceu por imóveis de luxo para abrigar as pessoas que viviam ali. Tudo de graça, informou o Daily Mail.

Além dos imóveis para morar, idosos e famílias carentes recebem ainda três refeições diárias (foto: Reprodução internet)
Além dos imóveis para morar, idosos e famílias carentes recebem ainda três refeições diárias (foto: Reprodução internet)

O empresário do ramo do aço Xiong Shuihua nasceu na aldeia Xiongkeng, na cidade de Xinyu, no sul da China. Segundo ele, sua família tinha sido sempre bem cuidada e apoiada pelos residentes do lugar durante sua infância. Por isso, aos 54 anos, depois de fazer milhões na indústria do aço, o magnata resolveu retribuir a gentileza dando aos moradores um lugar melhor para viver.

São 72 famílias que agora moram em apartamentos de luxo na vila construída pelo milionário. Já as 18 famílias mais “amigas” do empresário ganharam suas próprias vilas para morar. Todo o projeto custou cerca de R$ 16 milhões.

O chinês também garantiu a alimentação das famílias mais pobres e dos idosos. Todos receberão três refeições por dia bancadas por ele.

dica do Gerson Caceres Martins

Leia Mais

Veja a lista dos 10 produtos mais buscados antes da Black Friday

Oito entre 10 itens são smartphones, aponta Hitwise Serasa Experian.
Em 2013, lista incluía itens que não se enquadravam como eletrônicos.

Publicado no G1

Movimentação de consumidores durante a Black Friday, na zona Oeste de São Paulo (foto: Avener Prado/Folhapress)
Movimentação de consumidores durante a Black Friday,
na zona Oeste de São Paulo (foto: Avener Prado/Folhapress)

O consumidor brasileiro gosta de comprar com descontos e procura com antecedência os produtos mais desejados, concluiu um levantamento da Hitwise, ferramenta de inteligência em marketing digital da Serasa Experian.

Os smartphones aparecem no topo da lista, respondendo por oito em cada 10 itens mais procurados nas quatro semanas que antecedem a semana da Black Friday, marcada para 28 de novembro.

De acordo com a Serasa, o termo “Moto G”, modelo de smartphone da fabricante Motorola, foi o mais requisitado nas buscas feitas nas lojas de departamento, categoria em que se enquadram os grandes varejistas, que impulsionam o Black Friday.

Em seguida, aparecem os termos “iPhone 5s”, “Moto X”, “Celulares”, “iPhone 5”, “iPhone 4s”. Somente a partir da sétima posição é que entram itens de outras categorias, como “Notebooks”, seguido por “Xbox 360” (videogame). Em seguida, aparecem novamente os dispositivos móveis “celular Moto G” e “iPhone 6”.

No último ano, concluiu a pesquisa, o domínio dos smartphones não era absoluto nas buscas. A mesma lista dos 10 itens mais cobiçados em 2013 contava com tablets, perfumes importados, secadores de cabelo, vestido de casamento, pendrive e impressora a laser, mostrou o levantamento.

No mesmo período, a busca por  termos relacionados à Black Friday cresceu 230%, apontou a Hitwise. Entre as categorias mais acessadas, “lojas de departamentos”  responde por 31,76%, seguida por “concursos e competições” (sites de jogos promocionais e sorteios), com 11,5%, “redes sociais e foruns”, com 9,32%, “recompensas e diretórios” (incluem compras coletivas, cupons de desconto e outros), com 8,31%, e “sites de e-mail”, com 6,41%.

Confira a lista dos produtos mais buscados antes da Black Friday, segundo a Serasa:

1- Moto G

2- iPhone 5S

3- Moto X

4- Celulares

5- iPhone 5

6- iPhone 4S

7- Notebooks

8- Xbox 360

9- Celular Moto G

10- iPhone 6

Leia Mais

Desdentados da Cracolândia também merecem atenção, diz assistente social

Ex-modelo encontrada na Cracolândia agora é disputada por televisões e jornais, que prometem "rehab"
Ex-modelo encontrada na Cracolândia agora é disputada por televisões e jornais, que prometem “rehab”

Ricardo Senra, no BBC Brasil

Com mais de quatro décadas de apoio à população de rua do centro de São Paulo e pelo menos duas circulando pela Cracolândia, a assistente social Tina Galvão, de 71 anos, está preocupada: “A exposição dessa modelo só traz mais revolta e frustração para os demais, que vão continuar invisíveis”.

Para Tina, “a figura da Loemy não traz reflexão sobre o resto da Cracolândia. Lá circula gente feia, pobre, desdentada. A estes, que também precisam de ajuda, fica a sensação de que não merecem atenção.”

Tina, que conhece boa parte dos usuários pelo nome e costuma ser recebida com abraços em visitas semanais ao local, se refere à ex-modelo viciada em crack que ganhou fama após ser capa da revista Veja São Paulo no último fim de semana.

Uma fotomontagem que espelha o rosto de Loemy Marques nos tempos de passarela com suas feições atuais, marcadas pelo uso da droga, foi reproduzida em sites, jornais e na televisão. Programas vespertinos dedicaram horas ao tema – um deles, no próximo domingo, promete custear sua internação em uma edição especial sobre a trajetória da moça.

A repercussão causou frisson nas redes sociais. De um lado, elogios e torcida pela “jovem-símbolo” da degradação causada pela droga, “que também pode vitimizar a classe média”. Alguns apontam que o destaque conseguido na mídia pela história da ex-modelo tem o aspecto positivo de aumentar a conscientização da população para as condições enfrentadas pelos dependentes de crack em São Paulo.

Por outro lado, circulam críticas à escolha da “loira magra, de 1,79 metro de altura e olhos verdes”, nas palavras da revista, em detrimento da maioria – que em geral não atende aos padrões tradicionais de beleza.

A assistente social concorda com a última opção.

“Acho tudo isso cruel. Com ela (Loemy) e com os outros”, diz. “Você passa anos invisível e, de um dia para o outro, é disputada por camarins e holofotes. Programas de televisão trazem deslumbramento, mas não oferecem estrutura para quem está doente.”

craco2

Holofotes

Tina ficou conhecida pela população de rua nos anos 1970, quando se mudou de Jaú, interior de São Paulo, para a capital. Desde então, trabalhou com diferentes grupos que vivem em situação de vulnerabilidade na região central.

Primeiro, se aproximou de pessoas que dormiam em praças e sob viadutos. Depois, na antiga Febem (Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor), ofereceu apoio a menores acusados de delitos e suas famílias. Mais tarde, dedicou-se às travestis e prostitutas expostas à violência e aos riscos do recém-chegado HIV. Nos anos 1990, conheceu o cotidiano dos usuários de crack da alameda Cleveland – onde até hoje eles se reúnem.

A assistente social ganhou fama no ano passado graças à “terapia do abraço” que implantou na região frequentada pelos craqueiros.

Em passeios noturnos, sozinha, ela passa horas conversando com os usuários e agindo como ponte entre suas demandas e o poder público. Tudo sempre depois de um longo abraço – ela considera o gesto importante para mostrar que “a conversa é de igual para igual”.

Tina, que diz conhecer a ex-modelo “de vista”, afirma temer pelo dia em que “os holofotes se apagarem”.

“Já vi casos parecidos: a família descobre o parente, leva o cara para uma clínica particular com tudo do bom e do melhor, mas não quer saber que tipo de terapia o usuário prefere encarar. Em todos, a pessoa voltou para a rua depois. Quando não parte do usuário, a droga costuma vencer. Por isso o meu lema: quem pita é quem apita.”

Uma pesquisa feita pela fundação Oswaldo Cruz com usuários de crack de todos os estados do país e no Distrito Federal endossa a opinião de Tina. O estudo, divulgado neste ano, indica que menos de 5% dos entrevistados completam seus tratamentos contra a dependência.

Nos últimos 40 anos, Tina Galvão trabalhou com mendigos, menores infratores, travestis, prostitutas e usuários de crack
Nos últimos 40 anos, Tina Galvão trabalhou com mendigos, menores infratores, travestis, prostitutas e usuários de crack

Mulheres

A assistente social lamenta que a discussão não se estenda aos demais frequentadores na Cracolândia – especialmente as mulheres.

“Elas são sempre as mais vulneráveis. Para algumas, vai surgir a esperança de ser a próxima Loemy. Mas a maioria vai sofrer e continuar se prostituindo e se sujeitando a violências. Vão se perguntar: ‘Por que não estão preocupados comigo? Porque eu sou feia, porque tenho o rosto machucado, porque tenho varizes’.”

O estudo da Fiocruz mostra que 20% dos frequentadores de cracolândias são mulheres. Depois de entrevistar e realizar testes com 32.359 usuários, a pesquisa indicou que, entre as mulheres, 8,17% eram portadoras de HIV e 2,23% tinham hepatite C. Entre os homens, respectivamente, os índices foram 4,01% e 2,75%.

A assistente diz concordar “em parte” com o projeto Braços Abertos da prefeitura de São Paulo, que oferece trabalho e hospedagem em hotéis da região para usuários dispostos a abandonar a droga.

“Para as pessoas mais estáveis, com mais autocontrole, vale algo como o Braços Abertos, que retoma a dignidade e traz oportunidades de trabalho e moradia que são raros para quem está na rua. Mas tem uma grande parcela que não tem a menor estrutura psicológica e uma dependência muito grande da droga”, afirma.

Para estes, segundo Tina, é preciso “um trabalho intenso de saúde mental”.

“Mas sempre respeitando as vontades e limites do usuário, do contrário não dá certo”, diz. “É um processo lento, cuidadoso, mas que traz resultado.”

craco3

Leia Mais