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Motorista de ônibus nega transporte a catador de latinhas e gera revolta em passageiros

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Publicado em O Globo

“Me manda embora, ué”. Com esta frase um motorista de ônibus do Rio de Janeiro, da linha 474 (Jacaré – Jardim de Alah), respondeu aos passageiros que estavam no veículo quando foi criticado por não querer transportar um catador de latinhas.

O episódio aconteceu no último domingo, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, e foi filmado por um dos passageiros. Para ver o vídeo, clique aqui.

O catador de latinhas teria entrado pela porta de trás do veículo e tentou pagar sua passagem, mas foi impedido pelo motorista. Os passageiros se revoltaram com a situação e reivindicaram a permanência do catador no veículo.

“Sai não. Ele está trabalhando com as latinhas dele lá atrás. Ficou o dia inteiro catando lata na areia. Desumano! Que negócio é esse?”, diz uma das passageiras.

Outros também se solidarizaram afirmando que se tratava de uma discriminação. Na publicação no Facebook, o autor do vídeo afirma que o motorista alegou que o ônibus não era caminhão de lixo.

Após a resistência do profissional, o catador resolveu sair do veículo, o que gerou mais revolta entre os passageiros, que passaram a pedir o dinheiro da passagem de volta para também deixarem o carro.

O motorista continuou a negar a continuou a viagem, dizendo que os passageiros poderiam utilizar o metrô mais próximo.

“Não falta empresa para mim”, respondeu ele ao ser criticado.

O consórcio Intersul, responsável pela linha 474, afirma que a conduta do motorista foi inadequada, “em desacordo com o treinamento que recebeu e as normas de conduta previstas para situações de conflito”.

Em nota, o consórcio ainda afirma que o profissional passará por um processo de requalificação e lamenta os transtornos causados aos passageiros.

8 tipos de candidatos que você vai ver nas eleições esse ano

publicado no Terra

Passou a Copa e chegou a hora de ver, pelo menos até outubro, aquela infinidade de posts sobre eleição na timeline do seu Facebook e Twitter. E no clima #VaiTerEleições a gente aproveita pra conhecer melhor alguns candidatos engraçados e bizarros que vão aparecer nas urnas esse ano. Enquanto a propaganda eleitoral não é liberada, separamos alguns com nomes curiosos pra você ficar de olho:

1) Os candidatos super heróis:

CORTA pra cenas reais do Batman Capixaba trabalhando no Congresso:

2) Os candidatos que preferem se identificar por algum objeto… ou animal… ou comida…

…que aliás fez uma participação em “Family Guy” esses tempos:

3) As candidatas que resolveram investir no girl power:

…também conhecida pelo nome artístico “Aracy da Top Therm”.

 

4) Os candidatos que resolveram usar da sua semelhança física com alguém pra criar um nome:

#MOZÃO

#SOUMAISEU

 

5) E os que não tem semelhança nenhuma, mas… por que não?

 

 

6) Os candidatos alto astral, que dá vontade de votar só lendo o nome:

 

COUTINHO O NOVO DOLLYNHO!

7) Aliás, “amigo” parece uma palavra frequente nessas eleições:

 

UMA MÃO AMIGA? Hmmm…

8 ) Os candidatos que resolveram juntar duas palavras aleatórias e criar um nome:

Ah, e lembra daquele boy lindo que você encontrou no metrô e nunca mais viu? Pois é, ele também se candidatou:

Tá quase lá amigo!

 

E aí, em qual você (não) votaria?

ONU elogia Brasil por Bolsa Família e cotas nas universidades

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Publicado em O Povo

País sobe uma posição no ranking de desenvolvimento humano, e Nações Unidas elogiam programas de transferência de renda e de redução das disparidades sociais.

O Brasil subiu uma posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2013, para o 79º lugar, num total de 187 países, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano da ONU, divulgado nesta quinta-feira, 24, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Com IDH 0,744, o País registrou a mesma nota da Geórgia (república da região do Cáucaso) e de Granada (país do Caribe). Pela metodologia das Nações Unidas, o Brasil é considerado um país de alto desenvolvimento humano por ter nota acima de 0,7. O IDH varia de 0 a 1, grau máximo de desenvolvimento.

O relatório do Pnud, com o título Sustentar o Progresso Humano: reduzir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência, aponta o Brasil como o autor de boas medidas na área de desenvolvimento humano. Uma das iniciativas elogiadas é o Bolsa Família, que, segundo o documento, “é um programa de transferência de dinheiro que tenta minimizar efeitos negativos a longo prazo, mantendo as crianças na escola e protegendo a sua saúde”.

“[O programa] custou apenas 0,3% do Produto Interno Bruto entre 2008 e 2009 e foi responsável por 20% a 25% de redução da desigualdade (…) e está ligado a uma redução de 16% da pobreza extrema”, diz o documento, acrescentando que muitos países “têm descoberto que um investimento inicial de uma pequena parte do PIB tem benefícios que em muito o ultrapassam”.

O relatório garante que fornecer benefícios de segurança social básicos aos pobres “custaria menos do que 2% do PIB mundial” e contraria a ideia de que apenas os países ricos podem oferecer serviços universais.

Ao lado dos frequentemente elogiados países escandinavos, como a Dinamarca, a Noruega e a Suécia, a Coreia do Sul, a Costa Rica e o Brasil surgem na lista dos países com boas práticas. “Esses países começaram a implementar medidas de proteção social quando o seu PIB per capita era inferior ao da Índia ou do Paquistão.”

A ONU diz ainda que o Brasil está tentando reduzir as disparidades raciais para os mestiços e afro-brasileiros, que constituem mais de metade da sua população. Como exemplos, diz que o país aprovou em agosto de 2012 uma lei que exige cotas de admissão preferencial para essa população nas 59 universidades e 38 escolares técnicas federais. Em 1997, apenas 2,2% de negros e mestiços entre os 18 e 24 anos frequentavam universidades. Em 2012, essa percentagem subiu para 11%. O número de estudantes desprivilegiados também aumentou, de 30 mil para 60 mil, no mesmo período.

“O Brasil embarcou para o desenvolvimento e consolidação democrática com divisões étnicas e raciais e desigualdade como pano de fundo. O governo implementou uma mistura de intervenções políticas destinadas a incentivar o mercado de trabalho, expandir o ensino universal e enfrentar disparidades de gênero e raça”, escrevem os autores do relatório.

O Pnud entende que esses esforços são responsáveis por efeitos como a queda da mortalidade infantil, que foi cortada para quase metade entre 1996 e 2006, e a proporção de meninas na escola primária, que subiu de 83% para 95% entre 1991 e 2004.

Melhora significativa
Apesar da melhora do IDH, o Brasil continua abaixo de outros países latino-americanos, como Chile (41º lugar, com nota 0,822), Cuba (44º, com nota 0,815) e Argentina (49º, com nota 0,808), considerados com grau muito alto de desenvolvimento humano por terem obtido nota acima de 0,8. A Noruega lidera o ranking, com nota 0,944, seguida de Austrália (0,933), Suíça (0,917) e Holanda (0,915). Os últimos lugares são ocupados por Níger, Congo e República Centro-Africana.

O índice é calculado com base em três aspectos do desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e qualidade de vida. Para isso, são levados em conta fatores como a esperança média de vida, anos de escolaridade de cada cidadão e PIB per capita. Em 2013, o Brasil registrou 73,9 anos de expectativa de vida, 7,2 anos de média de estudo, 15,2 anos de expectativa de estudo para as crianças que atualmente entram na escola e renda nacional bruta per capita de 14.275 dólares, ajustada pelo poder de compra.

O IDH do Brasil em 2013 subiu 36,4% em relação a 1980. Naquele ano, a expectativa de vida correspondia a 62,7 anos, a média de estudo era de 2,6 anos, a expectativa de estudo somava 9,9 anos, e a renda per capita totalizava 9.154 dólares. “O Brasil é um dos países que mais evoluíram no desenvolvimento humano nos últimos 30 anos”, disse o representante do Pnud no Brasil, Jorge Chediek. Ele destacou que as mudanças são estruturais e têm ocorrido em todos os governos.

Israel rejeita crítica do Brasil a ação em Gaza e diz que país é ‘irrelevante’

Diogo Bercito, Natuza Nery e Carolina Linhares, na Folha de S.Paulo

O governo de Israel reagiu duramente nesta quinta-feira (24) às críticas feitas pelo Brasil à operação militar na faixa de Gaza.

À Folha, a Chancelaria de Israel afirmou que o “comportamento” do Brasil “ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante”. Além disso, o governo disse que o país escolhe “ser parte do problema, em vez de integrar a solução”.

O “comportamento” ao qual Tel Aviv se refere é um comunicado distribuído na noite desta quarta (23) em que o Itamaraty condena o “uso desproporcional da força” por parte de Israel e não faz referência às agressões de palestinos contra israelenses.

No dia 17, comunicado similar afirmava condenar “igualmente” os bombardeios israelenses e os ataques de Gaza. Daquela vez, o Brasil também expressava “solidariedade” com vítimas “na Palestina e em Israel”. Agora, fala somente no “elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças” deixado pelos ataques israelenses.

Também nesta quarta, o governo brasileiro chamou o embaixador de Israel em Brasília, Rafael Eldad, para expressar seu protesto, e convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Henrique Pinto, de volta a Brasília. Na linguagem diplomática, o protesto feito a Eldad e a convocação de Pinto são sinais fortes de desagrado.

Em seu site, a diplomacia israelense acusou o Brasil de fornecer “suporte ao terrorismo” e afirmou que isso, “naturalmente”, afeta “a capacidade do Brasil de exercer influência”.

Na nota, Israel se diz “desapontado” com a convocação do embaixador brasileiro e observa que a atitude “não reflete” o nível das relações entre os países, além de “ignorar o direito de Israel de se defender”. “Israel espera o apoio de seus amigos na luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países ao redor do mundo”, afirma.

Horas após a forte reação israelense, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, minimizou a crise, dizendo que a “discordância entre países amigos é natural”. Em visita a São Paulo, ele disse que o comunicado do Itamaraty nesta quarta –e que contou com aval da presidente, segundo a Folha apurou– não apaga as críticas feitas anteriormente ao Hamas só porque não as menciona. Ele afirmou ter escrito o texto.

“O gesto que tinha que ser feito foi feito. O Brasil entende o direito de Israel de se defender, mas não está contente com a morte de mulheres e crianças”, explicou.

Sobre a crítica de Israel, Figueiredo disse que o Brasil não é um “anão diplomático” e mantém relações com todos os países da ONU.

Fontes ouvidas pela Folha afirmam que o Itamaraty e o Palácio do Planalto ainda estudam a melhor reação para um comentário considerado “tão duro”. Se, de um lado, alguns diplomatas brasileiros alertam para que não se “bata boca” com Tel Aviv, outros analisam ser necessário uma resposta enérgica da própria presidente da República para responder a crítica à altura.

GAZA

Em Gaza, o gesto brasileiro foi recebido com festa. Palestinos se aproximaram da reportagem da Folha para expressar gratidão ao governo Dilma Rousseff. “Obrigado por convocar seu embaixador”, disse Tawfiq Abu Jamaa, em Khan Yunis. “O Brasil é melhor do que os países árabes, como o Egito, que não fazem nada.” Outro palestino, Sabri Abu Jamaa, disse que “a população civil, em Gaza, não precisa de recursos. Precisa de palavras de apoio, como as brasileiras”.

O porta-voz do Hamas Ihab al-Ghussein confirmou à Folha, em Gaza, ver com bons olhos o gesto diplomático brasileiro. “O passo do Brasil é muito importante. O Brasil está sempre ao lado da justiça”, disse. “Pedimos que todos os países façam o mesmo.”

A facção palestina Fatah, que controla a Cisjordânia, louvou também a atitude do Itamaraty, mas fez ressalvas à abrangência da medida. “O Brasil entende que a responsabilidade da comunidade internacional não é apenas emitir notas”, afirmou o porta-voz Xavier Abu Eid. “O que foi feito pelo Brasil é um de diversos passos que todo Estado deveria tomar.”

Desde que a operação israelense batizada Margem Protetora começou, no último dia 8, mais de 700 palestinos -na maioria civis- foram mortos. Do lado israelense, foram 32 militares e três civis, sendo um cidadão tailandês. O intuito da operação é desmantelar o movimento radical islâmico Hamas, que governa Gaza.

Para pagar viagem, jovem junta R$ 9 mil em 3 meses vendendo brigadeiros

O árbitro de basquete oão Ricci mostra brigadeiro feito por ele (Foto: João Ricci/Arquivo pessoal)

publicado no G1

Com R$ 20 no bolso e o sonho de viajar para a Espanha para assistir a um campeonato mundial de basquete que custaria R$ 15 mil, o árbitro João Ricci, de 26 anos, decidiu apostar em uma ideia inusitada para juntar dinheiro: produzir e vender brigadeiros na rua. Em três meses, trabalhando quatro dias por semana, Ricci conseguiu juntar R$ 9 mil. Ele já comprou as passagens e os ingressos para o Mundial.

“Tinha R$ 20 no bolso e fiz duas panelas de brigadeiro. Pensei: bom, o máximo que pode acontecer é ninguém querer comprar e eu comer tudo sozinho”, disse. “Comecei a vender no terminal do Cruzeiro e passei pelos comércios do Sudoeste e, em 40 minutos, havia vendido os 50 brigadeiros. Voltei para casa com R$ 50.”

Com a renda, o brasiliense comprou mais leite condensado e achocolatado e passou a vender o doce em restaurantes, parques e comércios da área central de Brasília.

Ricci diz que reservou os dias entre quinta e domingo para vender os brigadeiros. Por dia, ele vende, em média, 220 brigadeiros a R$ 1 – o que rende quase R$ 900 por semana. Segundo ele, é possível fazer a massa, enrolar os brigadeiros e vender todos em menos de cinco horas.

“Gasto uma hora para fazer a massa, que faço no dia anterior, para dar tempo de esfriar. Depois, gasto uma hora e meia para enrolar e duas horas para vender”, diz. “Meu objetivo inicial era juntar R$ 1 mil por semana, mas é muito desgastante. O [ato de] vender cansa, mas é satisfatório porque você conversa com um monte de gente, o pessoal gosta, quer saber da história. Mas o que cansa, rotineiramente, é o fazer.”

A Copa do Mundo foi uma grande oportunidade de vendas para o árbitro. Durante a final do campeonato, ele chegou a vender 450 brigadeiros. Os estrangeiros, segundo ele, aproveitaram a oportunidade para conhecer o doce. “Na mesa do bar a pessoa amiga, quando brasileira, sempre falava ‘é chocolate brasileiro, prova’, e apresentava para os gringos, que experimentavam e gostavam, porque é um doce que não existe lá fora”, diz.

Apesar de ter se tornado um “expert” na produção de brigadeiros, Ricci não atribui o sucesso das vendas ao produto em si, mas à história por trás das vendas, que motiva as pessoas a contribuírem com seu projeto. Árbitro de basquete da categoria nacional do país, Ricci acredita que assistir ao campeonato mundial pode aumentar suas chances de conseguir se tornar um árbitro de categoria internacional.

“Meu tipo de serviço não é nem tão sofisticado quanto o de gente que vende doce à noite em Brasília. Tem qualidade, vem bastante dinheiro, mas tenho certeza de uma coisa: o que faz vender é a história em si e o preço. Não é uma coisa vazia. Se chego até a mesa e ofereço o brigadeiro a R$ 1, ninguém quer comprar. Mas quando falo que vendo brigadeiro para juntar dinheiro para pagar minha viagem de intercâmbio, tem outra conotação, tem a identificação de pessoas que já foram ou têm vontade de ir para fora. Isso é unânime, todo mundo tem vontade de viajar.”

Apesar de afirmar ser sempre bem tratado aonde vai, Ricci conta que já chegou a ser expulso de um bar na Asa Sul. “O dono disse que os clientes poderiam passar mal e que seria responsabilidade dele. Ele foi bem grosseiro”, disse.

Ele conta que garçons, gerentes e proprietários de bares são clientes fiéis. “Tem história de gente comprando 30 brigadeiros numa mesa só, tipo aniversário que iam comprar um bolo, mas decidiram não comprar e pediram tudo de brigadeiro”, diz. “Uma senhora que bebe cerveja toda sexta-feira com o marido, toda vez que me encontra pede dez brigadeiros. Os garçons do Beirute também sempre compram dez de uma vez só, cada vez um paga.”

Além da viagem conquistada, o árbitro afirma que vai levar como bagagem da experiência a liberdade de poder viver como ele decidir. “O que consegui perceber desse tempo é que a gente cria paradigmas no estilo de emprego e na forma de ganhar dinheiro que a gente tem que ter em Brasília. Existe uma cultura muito grande de concurso público, de formação acadêmica muito exacerbada, em que a gente tem que ser superformado, mas tem milhares de graduações e não sabe fazer nada”, afirma.

“O que a gente precisa de verdade é sobreviver, é ganhar seu dinheiro para fazer suas coisas, seu projeto. Dizem que você pode ficar velho e que precisa ter um projeto de vida, mas esse projeto pode acontecer sendo funcionário público, tendo um restaurante ou vendendo brigadeiro.”