Em Nome de Deus

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Publicado na Rolling Stone

Temidos e, ao mesmo tempo, cobiçados. Os evangélicos brasileiros estão prestes a protagonizar um momento-chave nas eleições deste ano, com a força de aproximadamente 23 milhões de eleitores. Cerca de 22% da população (42 milhões de pessoas, ou quase um em cada quatro brasileiros) se declarou evangélica no último censo, realizado em 2010. Conectados às redes sociais e abastecidos por uma máquina midiática poderosa, os políticos que representam essa massa sabem que, nas igrejas, têm mais do que um rebanho de fiéis – têm possibilidade de votos. Se parte dos brasileiros ainda não sabe se segue em direção à esquerda ou à direita, os eleitores da bancada evangélica parecem ter em mente exatamente para onde ir e em quem votar.

Em 2010, por exemplo, foram eleitos 70 deputados federais e três senadores que levantaram a bandeira da religião na hora de arregimentar votos. Se fossem todos do mesmo partido, seriam tão fortes quanto gigantes como o PT e o PMDB. Apesar de defenderem interesses comuns, na política e fora dela os evangélicos compõem uma massa heterogênea, dividida em diversos outros grupos. Há pelo menos três grandes ramificações: os evangélicos tradicionais (que podem ser batistas, presbiterianos, protestantes, luteranos ou metodistas), os pentecostais (Assembleia de Deus, Deus é Amor, Igreja do Evangelho Quadrangular) e os neopentecostais (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo). Este último grupo é o que mais cresce no Brasil, e se diferencia dos pentecostais por adotar, segundo eles, hábitos mais “liberais”, e acreditar na chamada Teologia da Prosperidade, que enfatiza o caráter abençoado da riqueza.

A participação de religiosos na política brasileira não é novidade e os católicos foram os pioneiros. Mas, ao longo das últimas décadas, a Igreja Católica mudou seu modo de atuação, preferindo os bastidores. Os evangélicos, por sua vez, passaram a disputar eleições em números cada vez maiores: em 2014, pelo menos 270 pastores vão concorrer a cargos eletivos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “Antes, representantes religiosos não se envolviam em disputas eleitorais ou políticas porque isso fazia parte da estrutura de pensamento deles à época”, diz o filósofo Roberto Romano, um dos maiores especialistas brasileiros na relação entre religião e política. “A separação da esfera do sagrado e do secular era um elemento importante.”

O chamado mais claro para que os evangélicos saíssem do isolamento político parece ter vindo de um velho conhecido do público: o bispo Edir Macedo, fundador e dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus. No livro Plano de Poder (editora Thomas Nelson Brasil, 2008), Macedo conclama os fiéis a participar da vida política e a pôr em prática um projeto que é “de Deus”. Parecendo ter tirado inspiração de clássicos como O Príncipe, de Maquiavel, e de passagens bíblicas, Macedo é didático: “Mobilização é poder”. Para especialistas, o crescimento da bancada evangélica no Congresso acontece dentro de uma intrincada combinação de fatores, entre os quais estão o crescimento da população evangélica no Brasil, que triplicou entre 1980 e 2010; a dubiedade do Estado laico brasileiro; e o desgaste do velho debate político entre esquerda e direita. “A Constituição diz que o Brasil é laico, mas pede a proteção de Deus. Isso é muito irônico”, afirma Romano. Christina Vital, socióloga e professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), enfatiza que o debate entre esquerda e direita perdeu o sentido para algumas pessoas. “Hoje, a forma de mobilização social mais forte no Brasil e em vários países do mundo não se dá mais em torno de partidos ou sindicatos. Hoje ela é religiosa”, constata.

Para o pastor Everaldo Pereira, candidato do PSC à Presidência da República, a divisão entre direita e esquerda “é ultrapassada”. “O Brasil é um país diferente. Talvez isso fizesse algum sentido na Europa, quando começou, mas o país é hoje uma mistura de coisas”, ele acredita. Pereira é pastor da Igreja Assembleia de Deus do Rio de Janeiro e, durante o governo de Anthony Garotinho (1999-2002), foi subchefe da Casa Civil. Pesquisas recentes lhe dão em torno de 3% das intenções de voto. Parece pouco, mas o candidato conta com aliados poderosos – ao que indica a força de alguns de seus apoiadores, ele poderá surpreender. Em julho deste ano, Silas Malafaia, um dos mais midiáticos pastores do Brasil, divulgou um vídeo apoiando Pereira. O aval de Malafaia é um dos mais desejados entre os políticos evangélicos. Presente sobretudo na TV e na internet, ele não tem o menor pudor em indicar e criticar políticos. Foi Malafaia quem protagonizou um duelo com a jornalista Marília Gabriela durante o programa de entrevistas De Frente com Gabi, em fevereiro do ano passado, no qual disse amar os gays “da mesma forma que ama os bandidos”. Mas não só Everaldo Pereira está disposto a olhar para eleitores evangélicos – os principais candidatos à Presidência já deram início a tentativas de abocanhar fiéis em um jogo de xadrez no qual os “bispos” é que são as peças mais importantes. Todos atrás de um eleitorado que, segundo pesquisa do Datafolha, é três vezes mais propenso a votar em candidatos indicados pela igreja do que os católicos.

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, vem mantendo conversas com líderes da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro e em outros estados. Em 2010, parte dos representantes da Assembleia, uma das mais poderosas igrejas entre as pentecostais, seguiu com o então candidato José Serra (PSDB). O time de Dilma Rousseff (PT) também se articula para buscar votos nessa esfera. Em 2010, a então candidata obteve o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Um dos principais líderes da IURD, Marcelo Crivella (PRB-RJ), foi alçado ao cargo de Ministro da Pesca e hoje é um dos principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro. “Os principais candidatos dialogam, e muito, com esse segmento”, explica Christina Vital. “Eles procuram as lideranças, porque sabem que elas podem influenciar o voto, ainda que seja ingênuo imaginar que os fiéis votem o tempo todo da forma como o pastor indica.”

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Estudo avalia conflitos de jovens que se casam virgens

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Publicado por Jairo Bouer

Manter a abstinência sexual antes do casamento é algo que, por muito tempo, esteve associado ao universo feminino. Mas hoje há muitos garotos que tomam a decisão e defendem essa bandeira, especialmente nos Estados Unidos. Por causa disso, uma socióloga da Universidade de Washington decidiu pesquisar como homens que fazem essa opção lidam com sua sexualidade antes e depois do casamento.

Sarah Diefendorf avaliou um grupo de 15 jovens cristãos evangélicos e percebeu que, antes de se casar, eles têm bastante abertura para falar sobre sexo com os amigos de confiança ou nos grupos de apoio ligados à igreja. Mas, uma vez trocadas as alianças, não há mais espaço para esse tipo de discussão, segundo a pesquisadora.

No início do estudo, em 2008, os participantes estavam perto dos 20 anos. Ao longo de um ano, a socióloga assistiu às reuniões do grupo de jovens e realizou entrevistas individuais. Alguns anos mais tarde, em 2011 e 2012, 14 deles estavam casados, e ela retomou as conversas para saber como estavam as coisas.

Os resultados mostraram que esses jovens casados não têm com quem compartilhar questões relativas à vida sexual e se sentem confusos em vários aspectos. Segundo a pesquisadora, falar sobre isso com amigos ou nos grupos da igreja é encarado como uma forma de desrespeito à esposa.

Eles também não se sentem confortáveis para discutir o assunto de forma aberta com suas mulheres. E, para piorar, muitos desses jovens ficam atordoados ao perceber que as tentações continuam depois do casamento e da vida sexual regular, conforme concluiu o trabalho.

Os resultados foram apresentados no último fim de semana na reunião anual da Sociedade Americana de Sociologia, em São Francisco. Diefendorf espera que eles ajudem a incentivar mais conversas sobre sexo, especialmente no contexto da educação sexual voltada para a abstinência.

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Cantora gospel americana revela que é gay e diz que Deus a ama do mesmo jeito

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Publicado em O Globo

Fãs evangélicos da cantora gospel Vicky Beeching, de 35 anos, podem levar ao susto ao ler os jornais nesta semana. Em entrevista ao periódico inglês “The Independent”, Beeching declarou que é gay, e que mesmo assim, Deus a ama do jeito que ela é.

A artista é um dos maiores ícones dentro da Igreja Anglicana. Formada em Teologia em Oxford, na Inglaterra, Beeching também se popularizou ao comentar aspectos religiosos do dia a dia, conquistando hordas de fieis. Escrevendo canções gospel desde os 11 anos, a cantora já fechou contrato com duas gravadoras internacionais e vendeu milhões de discos no chamado “Cinturão da Bíblia” dos Estados Unidos.

Na entrevista, Beeching diz que foi criada por pais evangélicos conservadores. Na escola, livros diziam que a homossexualidade era pecado, “coisa do demônio”. Mas isso não foi o suficiente para que ela não começasse a se sentir atraída por outras meninas, ainda aos 12 anos:

– Perceber que eu estava atraída por elas foi uma sensação horrível. Eu estava tão envergonhada! Era uma luta, porque eu não podia contar a ninguém – confessou.

Ao se dar conta de sua homossexualidade, Beeching entrou em depressão, acreditando que estava pecando e que não poderia ser “curada”. Aos 13, ela chegou a pedir a Deus que ou tirasse a vida dela, ou a atração por outras meninas. Com 16, durante uma colônia de férias cristã no interior da Inglaterra, a cantora chegou a se submeter a uma sessão de exorcismo, em vão.

– Lembro de muitas pessoas colocando as mãos nos meus ombros, orando muito alto e, em seguida, gritando coisas tipo: ‘Nós ordenamos que Satanás saia! Saia fora, corja de demônios! Nós falamos a vocês, demônios da homossexualidade: deixem a menina em paz!’.

Isso foi a gota d`água para Beeching, que se sentiu humilhada com a situação. Na entrevista, a cantora contou que o episódio serviu para que ela se tornasse mais introspectiva, buscando outras soluções por conta própria. Dedicou-se aos estudos, formando-se em Teologia em Oxford e seguindo logo depois para Nashville, no Tennessee, atraída pela carreira de compositora. Por lá, imersa no centro do conservadorismo evangélico americano, gravou discos e percorreu grandes igrejas do país para mostrar suas canções.

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Mas amores frustrados por amigas e outras mulheres a perseguiam como uma sombra. Nesse meio tempo, Beeching teria tentado até começar relacionamentos com homens, todos sem sucesso.

Em 2008, aos 29 anos, ela decidiu se mudar para a Califórnia, esperando que San Diego fornecesse um ambiente mais liberal. Mas este foi o ano em que a Proposição 8, lei estadual que proíbe o casamento homossexual, estava para ser votada. Em paralelo, Beeching cumpria sua série de shows agendados em igrejas do estado.

No início de 2014, a artista descobriu ter uma doença rara de pele, que deixava a epiderme com marcas de cicatriz, podendo levar até a morte. Durante uma sessão de quimioterapia, a cantora pensou consigo mesmo que deveria resolver sua situação pessoal. Ela já tinha 35 anos:

– Olhei para o meu braço com a agulha da quimioterapia, olhei para a minha vida, e pensei: ‘tenho que entrar em acordo com quem eu sou’ – afirmou Beeching na entrevista. – Trinta e cinco é metade de uma vida, e eu não posso perder a outra metade. Perdi tanta vida como uma sombra de uma pessoa.

Até então, Beeching nunca tinha mantido um relacionamento homossexual. O tratamento da doença a fez refletir e aceitar gradualmente sua homossexualidade. Na Páscoa, ela revelou aos seus pais a situação, que acabaram se desculpando por fazerem ela passar pelos constrangimentos. Beeching e eles concordaram em discordar sobre a teologia.

Ao final da entrevista, a cantora afirmou que espera agora que a Igreja Anglicana siga o exemplo acolha fieis homossexuais.

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Valdemiro Santiago se diz perseguido pelo Imposto de Renda

Publicado no UOL

Muita gente reclama que acha indecente o fato de igrejas terem isenção de Imposto de Renda, mas não é isso que pensa o apóstolo Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus. Em desabafo na TV, o pastor afirma estar sendo “perseguido” pela Receita Federal. “Por que não me deixam em paz?”, bradou ao lado dos principais ajudantes e da mulher, a bispa Franciléia.

Em seu desabafo, Valdemiro disparou contra o governo, contra a Fifa e o que considerou a “herança maldita” da Copa do Mundo ocorrida em junho e julho no Brasil. Sobrou até para Ronaldo Fenômeno.

“Bilhões e bilhões dados à Fifa [pelo governo] e sem resultados. Pelo contrário, fomos humilhados”, declarou Valdemiro, enquanto todos à sua volta assentavam positivamente com a cabeça.

“E os bilhões de isenção que deram para a Fifa? Só R$ 50 milhões já resolveriam o problema da Santa Casa. E aí ainda [a Receita] vem me perseguir? Sai do meu pé! Me deixa em paz. Com a Fifa é isenção e com a gente vem no pescoço cobrar imposto?”

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Valdemiro Santiago pode estar revoltado principalmente porque teria chegado ao fim um longo processo de investigação por parte da Receita Federal, iniciado dois anos atrás, depois que a TV Record, da Igreja Universal, fez longa reportagem acusando-o de desviar dízimos de fiéis para comprar fazendas e viver em luxo ilícito. Depois da matéria, Ministério Público e Receita iniciaram investigações que quase “quebraram” o religioso financeiramente.

Ele foi obrigado a vender fazendas e se desfazer de muitos bens. Nesse ínterim acabou perdendo praticamente todo o espaço que havia obtido na TV aberta brasileira –quase 1.600 horas mensais em vários canais.

Entre outros prejuízos, perdeu a locação da Rede 21 e todas as madrugadas da Band para a Igreja Universal de Edir Macedo –seu maior desafeto.

“E esse cara que ainda vem dizer que Copa do Mundo não se faz com hospital, mas com estádio, Que vergonha! Um cara que saiu da sarjeta, como eu, dizer absurdo desses”, protestou o líder da Mundial em referência a uma controversa e criticada declaração de Ronaldo Fenômeno, membro do Comitê Organizador Local (COL) em defesa da realização da Copa no Brasil.

Santiago tem atualmente duas horas semanais na RedeTV! e um número cada vez maior de horas na TV Ideal, vendida no ano passado pela Abril ao Grupo Spring.

No Brasil, igrejas em geral recebem isenção total de imposto. Isso faz com que todo o dinheiro doado por fiéis fique livre da cobrança de qualquer taxa ou imposto por parte do governo.

Em lugares como o Reino Unido, por exemplo, não só há isenção de imposto, mas o governo também dá dinheiro líquido às igrejas de acordo com o volume doado por seguidores. Ou seja, quanto mais dinheiro é doado a um pastor, mais dinheiro o governo dá de subsídio a sua igreja.

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Templo de Salomão muda a rotina do Brás

Publicado no Estadão

Bairro de tradição operária e de imigrantes, onde há quase três décadas se formou o maior polo de venda de roupas do País, o Brás, na região central de São Paulo, vai ganhando nova paisagem. A região vive um boom sem precedentes do turismo religioso e do mercado da fé. Inaugurado na semana passada, o Templo de Salomão, da Igreja Universal, já recebe, por dia, o dobro de visitantes do Cristo Redentor, no Rio, o ponto turístico mais famoso do Brasil.

Até o fim de agosto, cerca de 400 mil pessoas devem passar pelo megatemplo da Universal, para ver os cultos ou só para visitá-lo, numa média de 13.300 pessoas por dia. Só como comparação, o Cristo recebeu seu melhor público neste ano em janeiro, com 282.625 visitantes. Entre fevereiro e maio, o público mensal nunca ultrapassou 200 mil pessoas. Em 2013, o cartão-postal carioca recebeu 1,5 milhão de visitantes, média de 125 mil por mês, ou 4.200 pessoas por dia. Já o Pão de Açúcar, outra grande atração carioca, recebe, em média, de 3 mil a 4 mil visitantes na baixa temporada, e de 8 mil a 9 mil nos períodos de férias, segundo a prefeitura do Rio.

Longas filas para conhecer o local
Longas filas para conhecer o local

Concorrentes. A nova casa do bispo Edir Macedo tem vizinhos concorrentes de sobra. Num raio inferior a quatro quilômetros, o Brás concentra 6 megatemplos evangélicos e 14 igrejas. Só num trecho de 300 metros da Avenida Celso Garcia, são três templos, onde cabem cerca de 22 mil fiéis – dois da Universal e um da Assembleia de Deus.

O Templo de Salomão, o maior deles, erguido num terreno de 100 mil metros quadrados, no primeiro mês está aberto somente para convidados e fiéis em caravanas. São cerca de 10 mil fiéis/dia a visitar, desde a inauguração, o maior espaço religioso do País. Eles aguardam em filas enormes, que começam de madrugada nas calçadas da Celso Garcia. Outras centenas de curiosos e de turistas se aglomeram do lado de fora, para observar a grandiosidade da construção, com colunas de mais de dez metros de altura. Quase não dá para andar ou atravessar as faixas de pedestres no entorno da igreja. Até motoristas de ônibus reduzem a velocidade e tentam fazer fotos com o celular.
A transformação nas ruas da região tem sido rápida. Lojas de artigos religiosos e novos restaurantes não param de abrir as portas. Alguns desses estabelecimentos estão ocupando imóveis antes fechados ou que vendiam retalhos de tecidos.

As ruas ali vivem engarrafadas, com ônibus de caravanas. O movimento começa às 5 horas e se estende até as 23 horas. “Eu abri aqui no mesmo dia do templo. Vou deixar meu escritório um pouco de lado a partir de agora. Aqui o movimento não para, é fila o dia todo”, afirma a advogada Danielle Amaral, de 27 anos, que abriu uma casa de coxinhas e sucos na frente do templo. Ao lado da lanchonete, a fila para entrar no restaurante por quilo Skina do Templo tinha mais de 40 pessoas.

Aparecida. O Templo de Salomão receberá neste mês quase a metade dos 830 mil visitantes mensais de Aparecida, onde está a Basílica Nacional, da Igreja Católica. A cidade do Vale do Paraíba, a 130 quilômetros da capital, tem o maior movimento de turismo religioso da América Latina. A tendência também é de que o número de visitantes e de turistas caia no megatemplo da Universal após os três primeiros meses da inauguração.

De qualquer forma, a nova igreja tem como vizinhos outros grandes templos de igrejas evangélicas, que devem manter impulsionado o mercado da fé no Brás. Aos domingos, esses seis megatemplos vão receber, durante todo o dia, uma média de 100 mil pessoas. Pela Times Square de Nova York, ponto turístico mais visitado dos EUA, passam cerca de 98 mil pessoas por dia. Na capital paulista o Parque do Ibirapuera, na zona sul, local mais visitado da cidade, recebe diariamente, em média, 75 mil pessoas.

Nos últimos dias, os fiéis com Bíblias na mão já estavam em maior número do que os sacoleiros que normalmente lotam as ruas do Brás e do Pari. Camelôs trocaram as bugigangas eletrônicas por tudo o que lembre o templo: pano de prato, casaco, cachecol, camisa, roupa de bebê, todos com a estampa da igreja da Universal. Cabos eleitorais de pastores candidatos nas eleições de outubro ficam nas esquinas da Celso Garcia distribuindo santinhos para quem entra nos templos.

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