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Conselho de Dilma decide criar comitê evangélico para sua campanha

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Eurípedes Junior, do PROS, será um dos responsáveis pela organização do comitê evangélico – André Coelho / Agência O Globo

Publicado em O Globo

Em reunião com presidentes dos nove partidos que integram a aliança pela reeleição da presidente Dilma, na terça-feira à noite, no Palácio do Alvorada, foi definida a criação de um comitê evangélico. Ele será organizado pelos presidentes do PRB, Marcos Pereira, do PSD, Gilberto Kassab, e do PROS, Eurípedes Júnior.

A decisão foi tomada após Pereira reclamar com Dilma e com os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) da falta de interlocução do governo com os pastores evangélicos. Ele relatou que há muita resistência dos fiéis à reeleição de Dilma por causa da defesa pelo PT e pelo governo de temas desprezados pelo segmento, citando o aborto. A presidente disse ao dirigente que sua gestão não mudou nenhuma lei com relação ao tema e que isso deve ser esclarecido aos fiéis. Ficou acertado que ela se reunirá com pastores, além da criação do comitê.

Os presidentes dos partidos reclamaram de estarem alijados das decisões da campanha.

- Somos tratados como os primos pobres – disse o presidente do PDT, Carlos Lupi.

A partir das reclamações, foram definidas algumas formas de participação dos aliados na campanha. Dilma propôs reuniões semanais até o começo da propaganda eleitoral no rádio, que se inicia dia 19 de agosto. Depois desta data, elas passarão a ser quinzenais. Na próxima terça-feira, o grupo se reunirá com o marqueteiro João Santana, responsável pela propaganda, para saberem as linhas gerais da publicidade e, segundo disse Dilma na reunião desta terça-feira, opinarem.

Cada partido terá um representante em cada área da campanha, como logística e mobilização. Também designarão partidários para, com o PT, fazer ampliações no programa de governo.

Antes de ouvir os dirigentes, Dilma abriu a reunião falando que seu governo “está perdendo a batalha da mídia”, mas que apesar de todas as críticas, afirmou que sua gestão está boa. Usando a expressão “apesar de” ao falar da economia, da Copa do Mundo, do programa Mais Médicos.

- Apesar das críticas, o Mais Médicos é um sucesso, está funcionando. Apesar de dizerem que o país iria quebrar, ele está em boas condições. A Copa foi um sucesso contra tudo e contra todos – avaliou a presidente.

O presidente do PP, Ciro Nogueira, criticou a falta de diálogo com os empresários e com a sociedade.

- Temos que buscar mais interlocutores na sociedade, não só entre os empresários. Tem gente no agronegócio, por exemplo, que defende a presidente. A presidente não tem a mesma disponibilidade que os candidatos de oposição, mas o conselho político da campanha, nós, os presidentes de partidos aliados, temos que nos desdobrar – afirmou Nogueira.

Dirigente do PR, o deputado Luciano Castro (RR) seguiu ponderando que o governo não se comunica bem e que a estratégia deveria ser mudada. Dilma concordou com as reclamações.

- Sinto essa dificuldade – afirmou ela, ponderando que durante a campanha terá condições de reverter o quadro com a melhor divulgação das ações do governo.

Na reunião no Alvorada, os aliados reclamaram que Dilma passa a imagem de ser candidata do PT, e não de uma coligação. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, sugeriu que Dilma melhore a imagem:

- A senhora tem que ser menos presidenta e mais candidata. Não pode parecer cansada, com olheiras. A senhora está com o aspecto muito cansado – avaliou, ao que Lupi emendou:

- Tem que sorrir, presidenta. Tristeza não paga dívida – brincou. Dilma reagiu às considerações com bom humor.

- É uma vivadice sua, Kassab, bem colocado. É verdade, Lupinho, tristeza não paga dívida – respondeu.

Participaram da reunião do conselho político Dilma, Mercadante, Berzoini, Michel Temer (PMDB), Gilberto Kassab (PSD), Marcos Pereira (PRB), Carlos Lupi (PDT), Rui Falcão (PT), Ciro Nogueira (PP), Luciano Castro (PR), Eurípedes Júnior (Pros) e Renato Rabelo (PCdoB).

dica do Sidnei Carvalho

Led Zeppelin: clássico é usado em campanha da Igreja Universal

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Publicado no Whiplash

O bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, aprontou mais uma em campanha publicitária para divulgar uma de suas maiores obras, em promoção ao Templo de Salomão.

Desta vez, ele usou trecho do clássico “Kashimir”, do LED ZEPPELIN, com um quê de canto gregoriano, para dar ênfase à construção do local de adoração e louvor, que pretende ser uma réplica do citado no Velho Testamento.

No vídeo institucional, o pastor diz: “Você tem que sacrificar tudo, tudo… para alcançar!”. Engajado, Edir Macedo parece não saber dos flertes do guitarrista JIMMY PAGE com o ocultismo outrora.

A canção, presente no sexto álbum de estúdio da banda, Physical Graffiti, lançado em 1974, seria chamada de “Driving to Kashimir” (Viajando para Kashimir, em tradução livre) e fala de um suposto viajante do espaço e do tempo, onde relata que um dia “tudo será revelado”.

Veja a campanha abaixo.

As regras do Templo de Salomão

Vista aérea do Templo de Salomão (IURD)

Por Anna Virginia, na Folha de S. Paulo

A Igreja Universal do Reino de Deus divulgou um manual de etiqueta para quem quiser conhecer o Templo de Salomão, “o lugar que Deus escolheu para habitar”.

Entrar lá exige dresscode.

Nada de boné, camiseta de time, roupa com mensagem política ou comercial, chinelo, bermuda, decote, minissaia e óculos escuros. “Vista-se como se fosse se encontrar socialmente com uma pessoa muito importante”, orienta o bispo Renato Cardoso em vídeo divulgado nesta terça (15) na internet.

O bispo Edir Macedo designou Renato, seu genro, para ditar as regras aos visitantes da réplica da obra bíblica, que abrigará até 10 mil pessoas em 74 mil m² de área construída na zona norte de São Paulo.

Entrar lá não é para qualquer um.

Após inaugurada, em 31 de julho, a nova igreja se fecha a visitantes sem credencial por um tempo –possivelmente, até 2015. Ou você entra como convidado ou paga para participar de uma das caravanas organizadas pela igreja.

Pastores vendem ingresso para os ônibus nas igrejas –sair do centro de São Paulo, por exemplo, custa R$ 45. O lote de agosto está quase esgotado.

Entrar lá tem preço. Mas nenhuma selfie para contar a história.

O bispo Renato explica que não será permitido fotografar dentro do santuário e que todos os visitantes serão revistados. Serão barrados no baile gospel aqueles que levarem iPhone, celular, máquina fotográfica, iPod etc.

Nenhum Instagram, contudo, será ferido durante a realização desta caravana: do lado de fora, fotógrafos da Universal estarão à disposição para registrar o momento, diz o bispo. O retrato poderá ser baixado na internet.

Dilma Rousseff está entre os convidados confirmados para a inauguração. Autoridades, por sinal, foram orientadas a não levar celular.

Deus e o “diabo” no mesmo espaço

O bispo Denis Almeida "ungiu" o lugar e orou por sete dias

O bispo Denis Almeida “ungiu” o lugar e orou por sete dias

Publicado na Carta Capital

A rua ilha da juventude já abrigou um “inferninho” daqueles. Aos domingos, o salão reunia até 1,5 mil funkeiros para o pancadão mais famoso do Jardim Paulistano, na zona norte de São Paulo. Os carros e motos turbinados, os rapazes com cueca à mostra e correntes no pescoço, as moças no rebolado até o chão, a truculência policial para dispersar a multidão… Nada disso existe mais. Hoje, quem passa pela Ilha da Juventude ouve outro som: os gritos dos fiéis e os cânticos da Igreja Evangélica Obra Vida com Deus – Conhecereis a Verdade e Ela Vos Libertará. O funk ostentação cedeu lugar à teologia da prosperidade.

Antes de abrir as portas do templo, o bispo Denis Almeida “ungiu” o lugar e orou durante sete dias. Elson Pereira de Souza, promotor dos antigos bailes funk e dono do galpão agora alugado ao pastor, brinca: “Vai demorar um ano para exorcizar. Era um ambiente tenso”.

Almeida, que antes de pregar no Jardim Paulistano atuava no Jaraguá, na zona oeste, define-se como um “soldado de Cristo”. Sério, embora entusiasmado, gesticula intensamente, enquanto conta a própria história. Perdeu os pais cedo. À época morava em Campo Grande (MS) e sofria de depressão. Oprimido, carente, sonhava em ser jogador de futebol. Aos 19 anos, garante, foi curado da doença por Jesus e descobriu a vida dedicada à fé. Mudou-se para São Paulo e atuou em outras congregações até chegar ao seu destino atual e empenhar-se em uma cruzada contra o funk. “Ele destrói as famílias, é o eixo do mal, o próprio diabo. A jovem de 10, 12 anos sai escondida da mãe. Isso veio causar a divisão familiar. O mal veio para promover esses tipos de eventos. As letras vulgares, uma baixaria.

O bispo afirma ter “salvado” vários jovens do funk, entre eles uma ex-interna da Fundação Casa frequentadora de seus cultos. “Quero falar para os jovens que Jesus liberta, dá uma vida de paz. Quantas mães não perderam seus filhos? A igreja trouxe paz para a comunidade.” Segundo ele, um dia o funk chegará ao fim, pela graça divina. E cita seu próprio exemplo. “Os moradores esperavam tudo aqui neste lugar, menos uma igreja.”

Deus o colocou nessa missão, prossegue, para trazer paz à comunidade. “Eu acredito que São Paulo vai mudar muito sem o funk, os pais veem os filhos com problemas de drogas porque estão no funk, que também atrai a sensualidade.” Se as meninas não estiverem “sensuais”, afirma, não são bem-vistas. “Elas precisam ser vulgares e isso tem atraído muita destruição.”

Os moradores jovens da região têm opiniões diferentes sobre o fim do baile. Bruno Gabriel Adamczuk, de 16 anos, é indiferente à igreja, mas deixou de frequentar bailes e não procurou outra opção. “É melhor ficar em casa. Muita violência, polícia jogando bomba.” Segundo Milena de Souza Raimundo, 20 anos, o funk era bom, mas rolava muita coisa ruim. “A igreja é boa também.”

O fiscal de lotação Pedro Henrique dos Santos, de 29 anos, diz sentir raiva da transformação, pois gosta da “bagunça”. “Não gosto de lugar queto (sic), gosto de ver tumulto e fechar a rua e já era, tio.” Mayra Tainá de Souza, 21 anos, concorda: “O funk vai deixar saudades. Agora é uma igreja, fazer o quê?” Ela passou a frequentar um baile no Jaraguá. O motoboy Jonas Moisés da Silva, 25 anos, descreve a mudança na “balada” provocada pela igreja. A alternativa é o pistão, um espaço ao longo da rua no qual diversos carros mantêm o som ligado até o último volume. “Num lugar onde era um funk virar igreja não acho certo, muita coisa ruim aconteceu ali.”

O pastor não se abala: “Me sinto um predestinado por estar aqui”. Ele acredita que a igreja vai fazer bem. “Não cumpri nem um terço da minha missão. Vou fazer um trabalho benfeito nesse bairro. Oro pelo dono para ele vender o salão. Que ele seja tocado por Deus.” Como foi a escolha do lugar? “O Espírito Santo me tocou quando passei em frente.” Ele insiste: “Por todas as igrejas onde congreguei, esta é a mais marcante. Louvar onde era um funk. Oh, glória meu Deus! É um privilégio. Todos querem saber quem é o pastor que congrega onde era o baile funk”.

Souza, o antigo promotor do baile, reflete: “É interessante. De repente, você vê um pessoal de alma tão boa para limpar o ambiente. O baile funk é pesado. No dia que a vizinhança queria descansar, eu abria as portas. Mas não me arrependo. Financeiramente foi muito bom e gerei emprego para muita gente”. Souza não pode reclamar. No seu caso, Deus ou o “diabo” tanto faz. O milagre da multiplicação de dinheiro está garantido.

Cantor de ‘heavy metal cristão’, Tim Lambesis admite ser ateu

Publicado no G1

Tim Lambesis, vocalista da banda cristã de heavy metal As I Lay Dying, revelou que é ateu e que fingiu ser religioso para vender discos, segundo informações do site da “NME”.

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Em entrevista ao “Alternative Press”, Lambesis ainda disse que ele não é o primeiro integrante do grupo a deixar de ser cristão. Segundo o cantor, dois de seus colegas abandonaram a religião antes dele.

“A primeira vez em que traí a minha mulher, minha interpretação de moralidade era agora conveniente para mim. Eu me sentiria menos culpado se eu decidisse: ‘Bem, o casamento não é uma coisa real, porque o cristianismo não é real. Deus não é real”, declarou o vocalista.

Em fevereiro deste ano, Lambesis foi condenado a nove anos de prisão. Ele confessou que tentou contratar um pistoleiro – na verdade, um policial disfarçado – para matar sua ex-mulher.

Histórico
Em maio de 2013, Lambesis foi detido em Oceanside, ao norte de San Diego, sob a acusação de tramar a morte de sua ex-mulher, Meggan Lambesis, que havia pedido divórcio um ano antes, após um casamento de oito anos. Na ocasião, Lambesis se declarou inocente.

O cantor admitiu que chegou a entregar US$ 1 mil ao agente disfarçado, junto com uma foto da mulher, o endereço dela e os códigos do sistema doméstico de segurança. Ele também forneceu uma lista de datas em que estaria com os três filhos adotados do casal, o que facilitaria o crime e serviria como álibi.

De acordo com os promotores, Lambesis pediu ajuda a um colega de ginástica para achar um pistoleiro, mas esse colega em vez disso organizou um encontro do artista com o policial disfarçado.