Relacionamentos que começam na internet duram menos, aponta estudo

A vasta oferta de parceiros em potencial que o território online dificultaria relacionamentos monogâmicos. (foto: Reprodução)
A vasta oferta de parceiros em potencial que o território online dificultaria relacionamentos monogâmicos. (foto: Reprodução)

Publicado no Extra

Sites e aplicativos de relacionamentos se multiplicam na tentativa de fazer seus usuários encontrarem o amor, mas uma pesquisa das Universidades Estaduais de Stanford e Michigan concluiu que relacionamentos que começam online duram menos do que aqueles cujos os envolvidos se conheceram “na vida real”.

O estudo considerou, além de casamentos (principal alvo de análises deste tipo), os namoros que começaram online e também as taxas de divórcio e rompimento entre as 4002 pessoas entrevistadas.

Os pesquisadores apontaram três fatores que poderiam justificar esta diferença na duração nos relacionamentos:

– A vasta oferta de parceiros em potencial que o território online oferece reduziria as possibilidades de firmar relacionamentos monogâmicos estáveis;

– A logística da comunicação na internet faz com que os relacionamentos que surgem na rede levem mais tempo para se desenvolverem;

– Por conta da variedade de perfis e personalidades que podem ser encontrados na web, as pessoas levam mais tempo para confiar nos outros, por medo de não saber o que esperar do possível parceiro.

De acordo com os cientistas, as intenções de cada um são mais importantes para o sucesso do relacionamento do que a forma como o casal se conheceu. “Para os casados, a qualidade do relacionamento garante a longevidade do casamento, enquanto os solteiros românticos acreditam que é o tempo gasto no desenvolvimento da relação que evita os términos”, diz o estudo.

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Chinês de 106 anos diz que o segredo para uma vida longa é… jogar videogames

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Fred Di Giacomo, no Newsgames

A gente já contou aqui que videogames podem aumentar sua massa cerebral, lembra? Pois bem, um idoso chinês de 106 anos parece comprovar essa teoria e ainda garante que os jogos ajudam a ter uma vida mais longa e com uma mente saudável.

O professor universitário aposentado Xu Fenghuan passa uma boa parte do seu dia jogando puzzles e jogos de raciocínio. E ele acredita que os games são um dos motivos dele ter chegado a velhice com uma mente tão ativa e saudável.

Porém, (sim, tem sempre um porém), Xu Fenghuan também é um ávido devorador de livros e segue uma rotina fixa que começa às 6:30 da manhã, inclui uma soneca na hora do almoço e cama às 21h.

De qualquer forma, é bom ver um ancião gamer tão bem, né?

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Pais sentem chutes de bebês em suas próprias barrigas

Publicado no Catraca Livre

O vídeo que mostra pais sentindo os chutes de bebês em suas próprias barrigas voltou a fazer sucesso na internet. O filme na realidade é uma campanha da Huggies da Argentina para o Dia dos Pais do ano passado.

A ação permitiu que os pais sentissem fisicamente em suas barrigas o mesmo que as mães, quando o bebê chuta ainda dentro do útero. Isso só foi possível graças a um cinto que reproduz em tempo real as sensações causadas pelos movimentos do bebê, oferecendo uma experiência inesquecível aos emocionados participantes. A criação foi da agência Ogilvy & Mather.

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Discussões políticas acabam com amizades nas redes sociais

Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos, mas são vistas de forma positiva (arte: Stefan Pastorek/UOL)
Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos, mas são vistas de forma positiva (arte: Stefan Pastorek/UOL)

James Cimino, no UOL

Em época de eleição, não é só no horário político e nos debates da TV que as divergências políticas ficam mais expostas. Na internet, as redes sociais acabam se tornando espaços antissociais, onde amigos se exaltam, se ofendem e, por fim se bloqueiam.

Que o diga a diretora de mídia mobile, Dede Sendyk, 46, que volta e meia recebe avisos de que será bloqueada.

“Uma vez foi por causa dos protestos do ano passado. uma colega de escola que eu não via havia anos me mandou uma mensagem explicando por que ia me bloquear. Aliás, isso é típico, sempre sou avisada, deve ser um padrão. Recentemente eu declarei meu voto. Fui avisada por um conhecido que odeia o PT que vai me adicionar de novo no futuro porque adora meus posts. Não deu tempo de explicar que ele podia apenas me seguir, nem que eu mudei meu voto uns dias depois. O povo adora meus posts fúteis, mas se incomoda com os engajados. Não é à toa que o Tiririca ganha sempre viu?”, afirmou.

Quem também sofre muito bullying nas redes sociais por suas opiniões é Rui Barbosa, um designer de 33 anos da cidade de Araraquara (SP). Segundo ele, os tópicos mais polêmicos das redes sociais hoje em dia, tanto quanto a campanha eleitoral, são a criminalização da homofobia, legalização da maconha e discussões sobre feminismo.

“Alguns amigos eu simplesmente escondi da minha timeline, mas um em especial eu tive que bloquear mesmo. Posição política de extrema direita realmente me incomodava. É aquele padrão: tudo culpa da Dilma, tudo culpa do PT… Do tipo que acha que bolsa-família é esmola, reclama de manifestação porque não consegue andar de carro… E ainda havia o ‘agravante’ de ele ser empresário. Na visão dele isso elevava ainda mais sua opinião. Agora, o mais engraçado foi ver gente me questionando por eu me chamar Rui Barbosa e ter opiniões de esquerda. Se eu me chamasse Roberto Carlos, eu teria de ser cantor…”, brinca.

Já o diretor de criação Eduardo Viola, 32, acha que os meses de agosto e setembro são um verdadeiro inferno. “O Facebook se transforma em um palanque! É de dar nos nervos!” No entanto, diz que por posições políticas nunca bloqueou ninguém, mas que já tomou um puxão de orelha válido.

“Uma vez fiz um post malcriado, ofensivo e generalizado sobre os crentes, e um colega de profissão, no mais alto da sua elegância e educação me escreveu umas mensagem privada para que eu refletisse sobre as palavras que havia dito. Se eu realmente pensava aquilo tudo etc. E acho que as redes sociais e seus debates políticos servem um pouco pra você trazer alguns assuntos a tona, colocar na mesa, inflamar e, às vezes, refletir ou repensar algumas coisas. É óbvio que sei que isso não é um padrão, mas enxergo que assim seria o melhor uso da ferramenta. É a mesa de bar on line! Infelizmente, sem cerveja!”

O peso da escrita

Um ponto levantado pelo produtor cultural Zeca Bral, 30, é o quanto as palavras escritas parecem mais agressivas do que seriam em uma conversa real. Ele, no entanto, procura não bloquear as pessoas. Apenas para de seguir.

“Acredito na possibilidade de ser mal interpretado nas redes, o que poderia ser evitado numa conversa tête-à-tête que dispõe de mais recursos dialógicos, além do infalível olho-no-olho. O tom de voz, a postura com que se estabelece a comunicação fora da rede muda toda a percepção. Por isso há que se ponderar algumas interpretações, praticar tolerância.”

Mesmo com tantas discussões, bloqueios, demonstrações de intolerância e preconceitos revelados, os entrevistados pela reportagem do UOL ainda acham que as redes sociais trouxeram um aspecto positivo para as relações.

Na opinião do roteirista Leonardo Luz, 34, as redes sociais incutiram nas pessoas uma vontade de emitir opiniões. “Isso obriga as pessoas a pensarem nessas opiniões, coisa que muita gente nao fazia. O problema é ter uma opinião baseada em manchetes ou em ‘o fulano me falou’, sem tentar se aprofundar mais.”

Luz conta que já recebeu diversas reclamações de suas postagens. “Dizem que sou radical demais, que eu sou muito ‘anti-PT’. Me chamam de tucano o tempo todo. Reaça, porque sou totalmente contra as drogas. Mas acho que se perdeu a amizade por causa de política, não devia ser amigo antes.”

O ator curitibano Diego Fortes, 32, também acha que de um modo geral a troca intensa de informações é benéfica.

“Pra quem tem cérebro, acho um instrumento bastante poderoso. Pra quem não tem… Bom, aí, só serve pra desfilar frustrações mesmo. Por isso que eu tiro uns e outros. Mas eu vejo um movimento interessante que é o de alguém comentar algo bem raso e preconceituoso, aí você rebate com argumentos, a pessoa fica naquela por algum tempo e depois termina dizendo que esse não é o lugar praquele tipo de discussão. Discussão que ela começou! (risos)”

Opinião semelhante tem a jornalista Carol Almeida, 36, que consideraria um elogio se a chamassem de partidária. “Nunca fui chamada de ‘partidária’, mas se fosse isso soaria pra mim como elogio. Mesmo porque um país sem partidos, até onde eu conheço da história, é um país em ditadura. Naturalmente, graças aos meus posts, acho que fica muito claro que posição eu tomo politicamente. Ainda sobre o partidarismo, gosto da ideia das pessoas se posicionarem claramente sobre que partido ou partidos elas se identificam.”

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Ataques de blogueira ao Starbucks provocam revolta por ‘vender medo’

Fenômeno viral por cyberativismo é criticada por distorcer informações sobre alimentos

Vani Hari, a blogueira “Food Babe”, no Green Festival in Los Angeles, California: cyberativismo contra ingredientes impróprios nos alimentos (foto: Jonathan Alcorn / Bloomberg)
Vani Hari, a blogueira “Food Babe”, no Green Festival in Los Angeles, California: cyberativismo contra ingredientes impróprios nos alimentos (foto: Jonathan Alcorn / Bloomberg)

Publicado por Bloomberg News [via O Globo]

Food Babe chega inesperadamente a uma estação pública de rádio de Charlotte, na Carolina do Norte, segurando um frasco de US$ 10 de suco natural e vestida com a roupa da ginástica matinal: regata da Lululemon, botas Uggs pretas com lantejoulas e um charmoso colar abençoado na Índia.

Food Babe é o pseudônimo da blogueira Vani Hari, uma consultora bancária de 35 anos de idade que se transformou em ativista alimentar e que construiu uma audiência on-line fiel, desafiando empresas como Starbucks e Chick-fil-A, por causa de ingredientes que ela considera prejudiciais. Hari tem aproveitado a crescente inquietação dos americanos a respeito de alimentos processados com uma pergunta simples e abrangente: e se todas as pequenas quantidades de ingredientes artificiais e sintéticos que ingerimos constituírem algo que pode nos fazer mal? Se é verdade que a dose faz o veneno, “não sabemos a dose”, diz ela.

Naquele dia do início de fevereiro, Hari estava saboreando seu golpe mais recente, humilhando a rede de sanduíches Subway por causa de um elemento químico em seu pão que é encontrado também em tapetes de ioga. Com seu blog atraindo até quatro milhões de visitantes por mês, Hari se acostumou a distribuir críticas, não a desviar delas. Na rádio pública, naquele dia, isso estava prestes a mudar.

Após uma amistosa introdução e um esquete de Jon Stewart, do The Daily Show, fazendo uma paródia com o pão-tapete de ioga do Subway, o apresentador da rádio pública disse:

— Bom, você não é cientista.

— Bem, eu sou cientista da computação, tive que fazer vários cursos de Engenharia para isso — respondeu Hari, com uma risada esquisita.

Ele se aborreceu:

— Mas você não é cientista de alimentos. Você não é química. Você não é cientista nesse aspecto.

E então ele citou um editorial no qual um neurologista da Faculdade de Medicina de Yale chama a acusação dela ao Subway de “o pior exemplo de comercialização pseudocientífica do medo que vi em muito tempo”.

VENDENDO MEDO

Os pés de Hari se mostravam inquietos sob a mesa. Quando o apresentador perguntou se na prática ela estava ameaçando o Subway, a voz dela mudou.

— Na verdade, o único que ameaça alguém aqui é o Subway ao dizer que estamos comendo alimentos frescos — disse ela.

Hari pertence a uma tribo crescente de ativistas da internet que usa métodos chamativos — alguns dizem extravagantes — para pressionar as empresas a efetuarem mudanças. Em Mississippi, a adolescente Sarah Kavanaugh contestou com sucesso os ingredientes do Gatorade, da PepsiCo. Do Texas, Sharon Wilson administra o Bluedaze.com, um site dedicado a acabar com o fracking hidráulico.

Embora seja legítimo perguntar se as campanhas, às quais se pode aderir com o clique de um mouse, têm poder de permanência e profundidade, os blogueiros ativistas têm colocado os holofotes sobre assuntos controversos do dia. Em alguns casos, eles forçaram as empresas a responderem. Após ser pressionada por Kavanaugh, a PepsiCo removeu o óleo vegetal bromado do Gatorade. Wilson, amplamente reconhecido por incentivar o movimento anti-fracking, forçou o setor a se defender.

CORANTES ARTIFICIAIS

A Kraft Foods Group removeu os corantes artificiais de algumas de suas massas Macaroni Cheese depois que Hari depositou 270.000 assinaturas exigindo a mudança na porta da sede da empresa, em Chicago. A rede de fast-food Chick-fil-A disse que removeria os antibióticos de seu frango depois que Hari disse ter encontrado mais de 100 ingredientes no sanduíche principal da rede.

A Kraft e o Subway dizem que as mudanças pedidas por Hari já estavam sendo consideradas. A Chick-fil-A informou que depois de discutir sobre os antibióticos com Hari em 2012, uma pesquisa feita na sequência convenceu a empresa de que muitos clientes compartilhavam suas preocupações. A PepsiCo disse que começou a reformular o Gatorade antes de Kavanaugh fazer uma petição à empresa e que decidiu anunciar a mudança depois que ela levantou questionamentos a respeito do óleo vegetal bromado.

Atrair a atenção em uma sociedade fragmentada muitas vezes exige uma dose pesada de hipérbole. Esse é o truque. As acusações de Hari a respeito de aditivos que soam ameaçadores mesmo se pouco utilizados, entre as quais uma que fala do derivado de uma glândula anal de um castor, se tornam virais. Elas também dão munição aos críticos para diluir e até desacreditar sua mensagem.

ATENÇÃO INDEVIDA

Após a entrevista para a NPR, um crítico que escreveu na web para a “Forbes“ acusou Hari de praticar “quackmail” (junção de charlatão, “quack”, com chantagem, “blackmail”). Outro a comparou à amplamente criticada ativista do autismo Jenny McCarthy e um terceiro a incentivou a “engasgar e morrer”. Como Hari vende anúncios em seu site, os detratores dizem que é de seu interesse gerar controvérsia em troca de atenção. A escolha do pseudônimo Food Babe (“Beldade da Alimentação”, em português) para a gestão do blog levou alguns críticos a dizerem que ela usa seu visual para atrair uma atenção indevida.

— Ela vai a todos esses programas de entrevistas em parte por causa do visual — disse Joe Schwarcz, que dirige o Departamento de Ciência e Sociedade da Universidade McGill, em Montreal, dedicado a triar pseudociência. — A formação científica dela é inexistente.

Em uma entrevista, Hari disse que subestimou as reações críticas e perguntou em voz alta se a indústria não estava realizando uma campanha silenciosa. Quando a pressão se intensificou, em agosto, ela desabafou com seus fãs no Facebook:

“Eles estão atacando os mensageiros que espalham a verdade. Eles esperam que eu e outros ativistas, incluindo você, simplesmente desistamos”.

O apelo de Hari é decorrente em parte de seu uso de vídeos na internet. Em um deles, ela começa fazendo um exercício de backbend (curvatura da parte superior do corpo para trás) com um top decotado. Ela cumprimenta o espectador, falando sobre o quanto gosta de ioga e como isso a deixa faminta. E então ela morde uma ponta de seu tapete de ioga. “Humm”, diz ela. “Acorda, gente. Deem uma olhada nos ingredientes do pão de nove grãos do Subway. Você sabia que um deles é o mesmo ingrediente encontrado nos tapetes de ioga?”.

CASTOR MARIONETE

A seguir, nesse vídeo, ela diz que o composto agressor, o azodicarbonamida, está proibido em alguns países como Cingapura, onde aqueles que são pegos usando-o são punidos com multas e prisão. “Sim, esta é uma substância muito perigosa que está ligada a problemas pulmonares em trabalhadores expostos a ela”.

Em outro vídeo, que pode ser confundido com um esquete do Saturday Night Live, Hari brinca e elogia um castor marionete por ajudar o meio ambiente. “Mas eles também dão sabor a uma tonelada de alimentos nos supermercados”, diz ela. “Sim, você faz isso com seu pequeno ânus. Não é mesmo, pequeno castor? Seu ânus”.

Hari se refere ao castóreo, que é retirado de uma bolsa localizada perto do ânus do castor e rotulada nos EUA como um condimento natural.

Steven Novella, o pesquisador de Yale mencionado na entrevista de rádio, diz que Hari distorce os fatos. Ele deu como exemplo o produto químico azodicarbonamida, usado para clarear e amaciar alguns pães do Subway e para criar bolhas de ar que tornam os tapetes de ioga flexíveis e espumosos. A pesquisa que ela cita se concentra na forma gasosa do produto químico e nos trabalhadores que o aspiram, não em alimentos. Novella diz que o Subway usa uma quantidade muito pequena do ingrediente para ser perigosa.

AUDIÊNCIA CRESCENTE

O FoodBabe.com atrai entre 2,5 milhões e quatro milhões de visitantes únicos por mês, segundo Hari. O Comscore estima que a audiência de Hari em julho, na internet e em dispositivos móveis, foi de 795.000 visitantes únicos. Os números contrastam com os quase 14 milhões de visitantes dos múltiplos sites e aplicativos móveis do Starbucks. Discrepâncias de lado — devido a sistemas de medição complexos e imperfeitos —, os dados da Comscore mostram que a audiência mensal de Hari, dominada por mulheres, quadruplicou nos últimos 12 meses, com picos e vales ao longo do caminho. Ela atingiu um pico em fevereiro e março, quando mirou o Subway. Novas investigações, previsivelmente, causam picos no tráfego.

Hari está apenas começando. Ela foi contratada por uma produtora para criar seu próprio programa de TV e publicará um livro chamado “The Food Babe Way” (“O estilo Food Babe”, em tradução livre), em fevereiro, detalhando sua jornada e filosofia. Manter uma empresa significa que as investigações precisam continuar sendo feitas. Inevitavelmente, elas também terão que ser mais ousadas. Isso significa réplicas certamente amplificadas e mais hostis também.

— Se eu lesse tudo o que sai na internet — disse ela, — eu ficaria louca.

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