Criança protesta contra o racismo em prova da escola e faz sucesso na web

foto: Reprodução/Facebook
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Publicado no Extra

A professora Joice Oliveira Nunes teve uma surpresa ao receber a prova bimestral de um de seus alunos do 5º ano, da Escola Municipal Professora Irene da Silva Oliveira, no bairro Vila Cava, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Ao ver mais uma vez um desenho com personagens que não se pareciam com ele, a criança, identificada como Cleidison, resolveu fazer uma manifestação artística contra a falta de representatividade para as crianças negras e pintou todos os personagens.

Joice abraçou a causa do menino e compartilhou a imagem no Facebook. Na mensagem, ela dá a entender que vai procurar diversificar os desenhos.

“Todo bimestre tem votação na minha sala para escolher a capa da prova. A capa desta vez foi da Turma da Mônica. Meu aluno Cleidison me entrega a capa da prova me avisando: ‘Pintei da minha cor, tá? Cansei desses desenhos diferentes de mim’. Recado dado”, escreveu a professora no Facebook.

A história, claro, fez sucesso entre os usuários das redes sociais. Alguns deles brincaram com a professora, torcendo por uma nota dez para o aluno engajado. A imagem já foi compartilhada mais de 1.200 vezes.

foto: Reprodução/Facebook
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Prática de automutilação entre adolescentes se dissemina na internet e preocupa pais e escolas

Em página com mais de 10 mil curtidas, jovens mostram cortes feitos no corpo; psiquiatra fala em tons de epidemia

A psicóloga Elisa Bichels faz palestra sobre aumento dos casos de depressão e automutilação na escola Sagrado Coração de Maria, no Rio (foto: Ivo Gonzalez / Agência O Globo)
A psicóloga Elisa Bichels faz palestra sobre aumento dos casos de depressão e automutilação na escola Sagrado Coração de Maria, no Rio (foto: Ivo Gonzalez / Agência O Globo)

Lauro Neto, em O Globo

Cortar na própria carne não é uma metáfora para muitos adolescentes. A disseminação da prática da automutilação em redes sociais dá uma pista sobre um problema que, no Rio, preocupa um número crescente de especialistas e escolas, que têm organizado palestras e eventos sobre o tema. Psiquiatras cariocas já falam em “epidemia” de um castigo autoinfligido para, na ótica dos jovens, minorar sofrimentos emocionais ou psicológicos. E alertam: grande parte dos pais sequer percebe que os filhos têm se cortado com canivetes, lâminas de barbear e até lâminas de apontadores de lápis.

Administradora de uma das páginas sobre automutilação no Facebook, com mais 10 mil “curtidas” em menos de um mês de criação, A., de 15 anos, diz que o intuito não é incentivar, mas ajudar os jovens que sofrem do mesmo problema, sem julgá-los. Na rede, eles postam fotos das feridas e trocam experiências e telefones para formar “grupos de autoajuda” pelo aplicativo Whatsapp. A menina conta que fez o primeiro corte com um compasso há três anos e, desde então, só conseguiu ficar sem se mutilar por, no máximo, cinco meses.

— Começou na sala de aula, e me arrependo bastante. Falo muito com os curtidores da página para nunca darem o primeiro corte, pois se torna um vício. Depois desses meses, meus cortes, que antes eram leves, acabaram só aumentando e ficando fundos, deixando cicatrizes — conta A., aluna de um colégio estadual do Rio que diz ter aderido aos cortes por conta de traumas de infância e familiares, sobre os quais se recusa a falar.

O pai dela mora em Minas Gerais, e a mãe, no Rio, não desconfia do problema. Há uma semana, a adolescente foi chamada pela direção de sua escola, que percebeu o comportamento:

— As diretoras conversaram bastante comigo, e implorei que não contassem para minha mãe. Prometi que não ia me cortar mais lá dentro. Mas (ao fazer isso), sinto alívio na dor sentimental, troco-a pela física. Pelo menor por um momento eu me sinto livre de tudo. Esse é o problema: acaba dando vontade de me cortar compulsivamente.

Na última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM-5, na sigla da Associação Americana de Psiquiatria), a automutilação sem intenção de suicídio ficou sob observação para ser tratada como um transtorno isolado, apesar de estar comumente associada a comportamentos obsessivos compulsivos e outras síndromes, como a de Borderline. De acordo com o psiquiatra Olavo de Campos Pinto, membro do International Mood Center e ex-professor da Universidade da Califórnia (EUA), o principal público atingindo são meninas de 13 a 17 anos. A internet tem papel preponderante na disseminação atual da prática, que ele chama de epidêmica.

— Nessa idade, a pessoa não tem a personalidade formada e assume um comportamento de grupo altamente perigoso. As redes sociais são multiplicadores, o principal combustível, e (a automutilação) está se tornando uma epidemia. É uma maneira de lidar de forma impulsiva e destrutiva com frustrações e ansiedades. Tenho visto cada vez mais casos na pré-adolescência. É assustador — diz Campos Pinto. — Estudos de condução nervosa sugerem que, quando há uma sensação de frustração, o corte alivia a dor psíquica. Há um alívio imediato, mas, quando passa, vem uma sensação de vergonha, de arrependimento, de ser descoberto no seu ato.

Anteontem, o Colégio Sacré-Coeur de Marie, em Copacabana, Zona Sul do Rio, realizou uma palestra sobre o tema com psicólogas. O público-alvo eram alunos do 7º ano, e a programação fez parte de um evento em que os adolescentes escolhem os assuntos debatidos. Alguns choraram, outros saíram do auditório durante a apresentação. Orientadora educacional do ensino fundamental II, Clícia Belo conta que os primeiros casos surgiram quando a cantora teen Demi Lovato assumiu que se automutilava. As redes sociais trouxeram de novo o fenômeno à tona.

— Há uma percepção de que está numa crescente muito grande, sobretudo por causa das redes sociais, como produção de autossubjetividade. Muitos acabam praticando algum episódio para tentar acompanhar um grupo. A escola é espaço de possibilidades de coisas que, em casa, não se pode conversar pela sensação de incompreensão, inutilidade, culpa, desamparo e desamor — explica Clícia.

Aluno do 7º ano, X., de 12 anos, faz terapia há quatro e diz que às vezes sente vontade de se cortar, mas que nunca teve coragem:

— Penso em me cortar, mas sinto que não posso fazer isso e sinto dores de cabeça, nervosismo, aflição, muito estresse. Fico tremendo às vezes, e o pensamento dói. Mas sinto que não posso me automutilar porque seria muito torturante. Não posso contar para os meus pais para não envergonhá-los. Contei para minha terapeuta, e ela fez com que eu pensasse que não vai durar para sempre. Procuro me distrair e ver um filme.

A psicóloga clínica Elisa Bichels diz que já atendeu a mais de 80 pacientes de 13 a 16 anos com casos de automutilação, todos de classe média e alunos de escolas particulares do Rio. Segundo ela, além dos cortes, há outras formas de autoagressão como queimaduras, menos usuais. Ela também afirma que o aumento da incidência está ligado às redes sociais.

Automutilação: foto postada por adolescente mostra cortes em braço (Reprodução do Facebook)
Automutilação: foto postada por adolescente mostra cortes em braço (Reprodução do Facebook)

‘ANIVERSÁRIO’ DA CICATRIZ

— Há quem se utilize de um ato autolesivo pela dor, mas outros (o fazem) porque todo mundo está fazendo, para ver qual é. Há blogs que ensinam qual a melhor lâmina, em que parte do corpo você tem mais alívio. A questão maior é convencê-los de que as informações da internet não são verdadeiras. Para dar vazão instantaneamente àquela angústia enorme, eles deslocam o sofrimento. Por isso, vira uma compulsão. Eles ficam prestando atenção ao corte, comemoram o aniversário da cicatriz…. Muitas vezes já consegui evitar lesões conversando com eles pelo WhatsApp — conta Elisa.

A terapeuta cognitivo-comportamental explica que a duração do tratamento depende da gravidade das lesões e do tempo das práticas de automutilação. Para além do óbvio risco de infecções e doenças, há as marcas psicológicas, mais difíceis de apagar. Aluna de uma escola particular de Santa Cruz, Zona Oeste da cidade, Y., de 15 anos, está se tratando há um ano, mesmo período em que está sem se cortar, depois de sua mãe ver as marcas e cicatrizes em suas coxas. Ela conta que descobriu a prática em páginas no Tumblr.

— No meu caso, foi para aliviar frustrações. Quando criança, eu era bem gorda. Apesar de ter emagrecido, me comparava muito com meninas da minha escola. Via posts de garotas que se autoflagelavam por não conseguir atingir metas de dietas. Vi nisso um Norte. Fazia os cortes com lâmina e apontador. É como se estivesse tirando tudo dentro de mim. Hoje, tenho ajuda de uma psicóloga e estou bem melhor. Mas já passei por momentos complicados em que pensei em me cortar de novo. É uma recuperação para o resto da vida.

Coordenadora de saúde da escola municipal do Ginásio Experimental Olímpico Juan Antonio Saramanch, em Santa Teresa, Angélica Bueno diz que o problema já foi detectado ali:

— São meninos e meninas de, às vezes, 12 anos. Estamos tratando dessa questão com as famílias e com profissionais da saúde.

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Saudade do PT na oposição

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título original: Silêncio ensurdecedor

Eliane Cantanhêde, na Folha de S.Paulo

Com esse papo de direita e esquerda, o PT conseguiu esconder uma triste realidade dos governos Lula e Dilma: os movimentos sociais sumiram. E como fazem falta!

A UNE virou puxa-saco do poder. A CUT nunca ficou tão fora dos microfones. O MST está esperando sentado a alternância no governo para voltar a infernizar.

A Petrobras é dilapidada e não se ouve um só grito de estudantes e de sindicatos. O silêncio é ensurdecedor. Se há pressão, é das redes sociais e do novato movimento dos Sem-Teto, que passa ao largo de partidos e polarizações e agita a cena social.

E, já que o próximo domingo é o dia latino-americano de defesa do aborto seguro: até os avanços pela descriminalização, para proteger milhares de mulheres pobres por ano, estão congelados.

Os movimentos feministas eram nervosos e provocativos em aliança com o PT. Bastou Lula botar o pé na rampa do Planalto para amortecê-los. E nem com a posse da primeira mulher na Presidência retomaram o rumo.

Dilma nomeou para a Secretaria da Mulher Eleonora Menicucci, de longas batalhas feministas, de corajosa defesa do direito da mulher sobre seu corpo. Eleonora assumiu e virou mais uma figurante no poder.

Saudade do PT na oposição, das forças vivas, da pressão legítima, da indignação produtiva. Saudade de jovens críticos, não cooptáveis.

Foi por esse vácuo de representação, e não só da partidária, que milhões foram às ruas em junho de 2013. Por direitos, contra a pasmaceira. Os vândalos acabaram com a brincadeira e lá ficamos nós sem UNE, sem CUT, sem MST e sem as manifestações de junho, dependendo só da imprensa para incomodar os poderosos de plantão, questionar dados e versões, pressionar por avanços, exigir de volta a nossa Petrobras.

É hora de lembrar que governo é governo, imprensa é imprensa, movimentos sociais são movimentos sociais. Na democracia, “cada macaco no seu galho”.

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Brincadeira do Desmaio volta a circular nas redes sociais; entenda os perigos

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Luiza Toschi, no Extra

Mais um vídeo da Brincadeira do Desmaio está circulando nas redes sociais e reacende a luz vermelha para os perigos do jogo. A moda entre os adolescentes é chegar à perda de consciência pela apneia. Com pressão no peito que impeça a respiração, os colegas provocam a falta de oxigenação no cérebro e por isso o desmaio. O jogo é consentido e parece ter como pano de fundo a sensação de se aventurar pelo desligamento do corpo.

— A prática que brinca com a suspensão de uma função essencial do corpo é uma roleta russa. Eles fazem sem parar até que uma hora dá errado. O desmaio pode ser irreversível — diz o pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador do serviço de Pediatria do Hospital Balbino (RJ) e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

No vídeo postado esta semana nas redes sociais, uma menina tem o peito apertado por três jovens até o desmaio. Ela é escorada pelos colegas e fica desacordada por cerca de dez segundos, até conseguir ser levantada com dificuldade.

O médico explica que a pressão forte no peito na direção do osso esterno, que fica sobre as costelas, diminui o espaço da caixa toráxica e impede que o pulmão se encha na inspiração. A dificuldade de respirar provoca queda de pressão, diminui o fluxo de entrada de oxigênio do organismo e no cérebro, levando à perda de consciência. Durante a brincadeira, o adolescente pode ter uma parada cardiorrespiratória grave, de mais de três minutos, e não voltar às suas funções normais.

— Mesmo em pessoas jovens, não oxigenar qualquer parte do tecido do cérebro pode comprometer as funções dos órgãos, provocar sequelas neurológicas ou mesmo levar à morte.

O pediatra alerta ainda que a força feita pelos colegas para pressionar a caixa toráxica pode provocar hematomas e, pior fraturar uma das costelas. Além disso, o desmaio provoca queda e tontura, o que provoca situações em que o jovem pode se machucar e bater com a cabeça.

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‘Não me sinto segura para voltar à escola. Colegas dizem que mereci agressão’

Casos de meninas agredidas por serem “bonitas demais” se espalham. Aluna de Sorocaba teme mais violência

Marina Cohen, em O Globo

Sorocaba (SP). Júlia Apocalipse, de 13 anos, em casa. Ela perdeu dois dentes e ainda tem medo de voltar à escola (foto: Michel Filho)
Sorocaba (SP). Júlia Apocalipse, de 13 anos, em casa. Ela perdeu dois dentes e ainda tem medo de voltar à escola (foto: Michel Filho)

“Quero ver quem vai te querer, quero ver você ser bonita agora”. Com essas palavras, uma menina de 16 anos deu início a uma série de agressões físicas a Júlia Apocalipse, de 13 anos, dentro da Escola Estadual Hélio Del Cístia, em Sorocaba (SP), na semana passada. Assim como ela, outras duas adolescentes foram recentemente atacadas nos arredores de escolas, em São Paulo e Santa Catarina, em atos que, segundo testemunhas, foram motivados pela “inveja” da beleza das vítimas. Em comum ainda aos casos, a exposição nas redes sociais — “palco” de discussões prévias entre as envolvidas e da publicação de vídeos dos espancamentos —, no que especialistas classificam como um novo tipo de espetacularização da humilhação.

Júlia perdeu dois dentes e ficou com hematomas no rosto depois do episódio, no último dia 9. O inchaço na boca ainda a incomoda, e ela tem dificuldade para comer. Por conta do trauma, não quer voltar para a escola. Aluna do sétimo ano, corre o risco de ser reprovada por faltas.

— Não me sinto segura para voltar. Tenho recebido nas redes sociais mensagens de colegas que acham que eu mereci a agressão. Sei que nada mudou lá dentro e que, se alguém se aproximar de novo, não vou ter socorro — afirma.

Ela conta que, dias antes do embate, recebeu uma ameaça no celular pelo aplicativo WhatsApp. A agressora, que só a conhecia por redes sociais, avisara que a atacaria na saída da escola.

— Ela já chegou falando que eu era muito metida e que não gostava de mim. Pediu para eu ajoelhar e pedir desculpas. Eu me recusei. Foi aí que veio o primeiro soco — lembra Júlia, que correu para a escola, onde a agressão continuou. — Apanhei mais na escola do que na rua. Lá dentro, nenhum inspetor interferiu. Só recebi ajuda quando já estava desmaiada.

A menina atribui à “inveja” dos selfies que posta no Facebook a ira da agressora:

— Tirar fotos era meu passatempo, mas agora tenho vergonha do meu rosto e medo de despertar raiva nas pessoas.

A garota que a espancou alega que defendia uma amiga chamada de “macaca” pela adolescente. Júlia nega.

Vídeo de espancamento compartilhado

Num caso parecido em Florianópolis, além de dar socos e chutes em uma estudante de 13 anos, duas jovens cortaram o cabelo dela em frente à Escola Estadual Padre Anchieta, no bairro de Agronômica, no fim do mês passado. O vídeo da agressão circulou pelas redes sociais. Enquanto uma adolescente segurava o cabelo da vítima, outra fazia os cortes. É possível ouvir as agressoras xingando a vítima de “vagabunda”. O pai da menina, Alcerir Weirich, pediu que o nome da filha não fosse publicado. Ele diz que o ataque foi por ciúmes:

— Dizem que o namorado da menina que bateu nela arrasta asa para a minha filha. Foi uma vingança mesmo. Ela tem um cabelo lindo, e elas queriam deixá-la feia e colocar na internet para todo mundo ver.

As agressoras não estudam na mesma escola da vítima e a emboscaram no portão de saída. Com hematomas no rosto, ela só voltou a estudar 20 dias depois.

— Preciso levá-la e buscá-la todos os dias. Ela ficou traumatizada — lamenta o pai, que aguarda uma audiência marcada para novembro para que o caso seja resolvido judicialmente.

Limeira (SP). Ágatha Roque, também espancada no colégio: sequelas neurológicas (foto: Arquivo pessoal)
Limeira (SP). Ágatha Roque, também espancada no colégio: sequelas neurológicas (foto: Arquivo pessoal)

Já a agressão a Ágatha Luana Roque, em abril, deixou sequelas neurológicas. A menina de 16 anos sofreu traumatismo craniano e, segundo sua mãe, “pisca sem parar, por conta da pancada forte”. Ela também teve os cabelos cortados. O espancamento, a cargo de duas outras garotas, ocorreu dentro da sala de aula na Escola Estadual Castelo Branco, no bairro Vila Cláudia, em Limeira (SP). Depois de quase um mês em casa para se recuperar das lesões, ela voltou às aulas, desta vez em outra escola, onde ainda sofre com o bullying dos colegas.

— Muita gente fica rindo — relata a mãe, Edineia Demarco, para quem a agressão foi motivada pela beleza da menina. — Falaram que Ágatha andava de nariz empinado, mas isso é inveja. Por que mais teriam arranhado todo o rosto dela e cortado o cabelo?

A socióloga Miriam Abramovay, que coordenou o projeto “Violência e convivência nas escolas brasileiras”, diz que as agressões físicas partem de uma necessidade de afirmação de poder e precisam ser discutidas no ambiente escolar, algo que hoje é falho. Já o papel das redes sociais torna o controle dessas agressões mais difícil. Numa busca rápida, encontram-se inúmeros registros de brigas entre garotas em escolas de diversas regiões do país.

— Os vídeos de espancamento são um fenômeno criado pela sociedade do espetáculo. Para o jovem, não basta mais agredir, é preciso exibir para o mundo inteiro. É a humilhação globalizada — observa Miriam.

A insegurança típica do adolescente — sobre o próprio corpo e as relações sociais — ainda é um fator que intensifica a reação do indivíduo à inveja e pode levar o jovem a ter uma resposta agressiva à pressão para corresponder ao ideal de beleza. É o que diz a coordenadora do curso de Especialização em Psicologia Clínica com Crianças da PUC-Rio, Silvia Zornig:

— Isso, é claro, se o adolescente não tiver as ferramentas para elaborar esse sentimento de inveja, como, por exemplo, conversar com colegas, professores ou a família. É importante abrir um canal para que a questão seja discutida sem julgamentos dentro da escola, com a intermediação de professores.

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