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Jovens estão cada vez mais exibicionistas, mas gente boa

Após publicação americana dizer que jovens são preguiçosos e exibicionistas, tema foi assunto mais comentado nas redes sociais

FêCris Vasconcellos e Kamila Almeida, no Zero Hora15015004

Tão excitantes quanto ameaçadores. Foi desta forma que a revista americana Time classificou, na edição desta semana, os jovens nascidos entre 1980 e 2000. Eles fazem parte da geração Millennials – chamada de Eu Eu Eu (em inglês, Me Me Me): muito conectados, preguiçosos e extremamente narcisistas. Mas que também são gente boa, acreditam em Deus, sem se apegar a religiões, e otimistas.

Todos estes adjetivos movimentaram as redes sociais, dividindo opiniões. Viviane Mondrzak, presidente da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, é contrária ao hábito popular de atribuir quase todos os problemas dos jovens à internet e às novas tecnologias. Para ela, este comportamento “eu futebol clube” tem muito mais a ver com a estrutura familiar e com as bases formadas ao longo da vida, de limite e de orientação, do que com a proximidade com a web.

– Nossa cultura ocidental tende a reforçar posições narcisistas, porque valoriza a rapidez, aparências, autossuficiência. É a cultura do pode tudo, tu vais conseguir tudo – diz Viviane.

Ao contrário do que dizem as fontes consultadass na publicação americana, Viviane não considera que os jovens estejam mais preguiçosos. Ela prefere falar em intolerância à frustração:

– Temos jovens despreparados para enfrentar as frustações do mundo real.

Paulo Berél Sukiennik, médico psiquiatra e psicanalista, lembra que Freud cunhou o termo narcisismo para designar algo necessário, em certa dose, para o desenvolvimento do ser humano. É preocupante, entretanto, quando se torna patológico – ligado ao egocentrismo. O médico reforça que, neste sentido, são os adultos o foco de preocupação.

– A sociedade adulta está vivendo momentos infantis. Você vê isto no trânsito, nas relações de trabalho, onde há importância para o seu próprio umbigo em detrimento de respeitar o outro. O adolescente está copiando este modelo – diz o psiquiatra.

E é na arrogância que Sukiennik busca explicações:

– O adolescente que se acha, pensa que não precisa aprender com os mais velhos ou ler porque ele sabe tudo.

Lucas Liedke, diretor de tendências da Box1824, empresa de pesquisa, enxerga estes assuntos por outro prisma. Para ele, o poder da “registrabilidade” dá a estes jovens novas dimensões, como maior consciência do que colocam para o mundo.

As caras da nova geração

Quando se coloca uma lupa sobre as criaturas que compõem a nova geração, as verdadeiras cores do “eu, eu, eu” – assim como as justificativas para seus bons e maus comportamentos característicos – acabam aparecendo. Na página de Facebook de Gabriela Guerra, 26 anos, por exemplo, se encontra fotos dela nos mais diferentes ambientes sociais, mas também se percebe que ela está sempre engajada em alguma causa para melhorar o universo ao seu redor, desde ajudar a organizar um cinema na Praça da Matriz, até levar um grupo de amigos com mantimentos e tintas para alimentar o corpo e a alma das crianças da Vila Liberdade, na Capital. Ela acredita que há individualismo na sua geração, mas também vê uma energia para mudar as realidades ao redor. Mudar e postar na rede social o resultado, claro.

– Vejo muita gente mais individualista, que reclama de protesto, mas acho que até essa segurança do momento do país e a internet fazem a causa do coletivo mais evidente – diz.

Gabriela, que é cofundadora do projeto Porto Alegre Como Vamos, enxerga, sim, o reforço da autoimagem, mas não acredita que isso reflita um grupo de narcisistas.

Talvez seja por esse motivo que Carolina Lopes, 19 anos, tire tantas fotos de si mesma para postar nas redes sociais. Mais fã do Instagram que do Facebook – o que evidencia outra característica de sua geração, a obsessão por imagens – ela registra lá e compartilha com 600 seguidores sua própria figura, sempre impecável, em diversos momentos da vida. As selfies (do termo self shots, em inglês) são sempre as mais curtidas.

– Se estou me achando bonitinha tiro uma foto, se não, não (risos). Mas não fico prestando atenção em quem curte, publico e deixo – conta.

Receber 20, 30 ou 100 likes em uma postagem só não é mais emocionante que ver a notificação na rede social que avisa quando eles chegam. Um sinal, mesmo que silencioso, de que alguém está “te dando bola”.

Renata Fortes, estudante de administração, poderia estar lendo receita de bolo no telefone que, mesmo assim, sua ansiedade seria claramente perceptível. Enfileirando palavras em uma velocidade que só os seus 19 anos poderiam permitir, conta que chega a dormir com o celular debaixo do travesseiro e acorda quando ouve o barulho de uma nova mensagem para responder. O frenesi já rendeu até crise de choro no supermercado por ficar sem bateria no celular.

Outra característica dessa nova geração é a falta de paciência com os mais velhos. Renata confessa que chegar a fazer os trabalhos de faculdade sozinha quando fica em um grupo com algum colega muito mais velho:

– Geralmente faço a parte deles, senão fico muito nervosa e pensando “ah, por que essa pessoa é tão lenta?”.

COMO A NOVA GERAÇÃO MUDA O MUNDO

— O estudo o sonho Brasileiro, da Box1824, empresa de pesquisa especializada no mapeamento de tendências de comportamento, em parceria com o Instituto Datafolha, investigou jovens entre 18 e 24 anos e mostrou que 8% deles são caracterizados como jovens-ponte. Seriam estes os que vão canalizar todas as características para fazer algo que sempre foi dito como tarefa da juventude: mudar o mundo.

— A média das pessoas se relaciona de forma mais intensa com três ou quatro grupos: família, trabalho, estudo e mais algum. O jovem que está age pelo coletivo transita por muito mais grupos. Mais do que isto: recolhe ideias e pensamentos destes grupos, para evoluir seu próprio pensamento e suas ações.

— Seu papel mais importante é o de redistribuir estes pensamentos e ideias, conectando redes e pessoas que nunca se falariam.

— Não aceitam os discursos que velam o preconceito.

— Dá nova dimensão ao trabalho. Além da felicidade e realização pessoal, quer fazer diferença na sociedade por meio da sua profissão.

— A política partidária e institucionalizada não o representa. Vê muito mais sentido em agir politicamente no seu dia a dia, seja no consumo ou em atitudes mais proativas.

Ser obeso aos 20 anos duplica o risco de morrer antes dos 55

Publicado originalmente no UOL

Jovens obesos apresentam risco oito vezes maior de ter diabetes e quatro vezes maior de ter um coágulo sanguíneo fatal em relação a quem tem peso normal

Jovens obesos apresentam risco oito vezes maior de ter diabetes e quatro vezes maior de ter um coágulo sanguíneo fatal em relação a quem tem peso normal

Jovens que estão obesos aos 20 e poucos anos têm um risco significativamente maior de ter doenças graves e não chegar aos 55 anos de idade. É o que mostra um estudo publicado nesta terça-feira (30) pelo British Medical Journal Open.

Há muito se sabe que a obesidade durante a fase adulta aumenta o risco de ter diabetes e doenças cardiovasculares mais tarde, mas até agora não estava claro se o excesso de peso adquirido já na juventude poderia elevar ainda mais essa propensão.

Pesquisadores rastrearam a saúde de 6.500 dinamarqueses do sexo masculino que estavam com 22 anos em 1955. Os jovens que participaram da pesquisa tinham passado por exames para o serviço militar, portanto os pesquisadores puderam analisar dados como peso, condições físicas e psicológicas.

A maioria, ou 83%, estava com o peso considerado normal (ou seja, com Índice de Massa Corporal entre 18,5 e 25). Mas 97 dos jovens (ou 1,5%) apresentavam obesidade (Índice de Massa Corporal de 30 ou mais). Aos 55 anos, quase a metade havia sofrido patologias diversas (como diabetes, hipertensão, trombose, ou infartos), ou havia morrido.

Os resultados indicam que jovens obesos apresentam risco oito vezes maior de ter diabetes em relação aos indivíduos com peso normal, e quatro vezes maior de sofrer tromboembolismo (coágulo sanguíneo que pode levar à morte). Além disso, eles têm duas vezes mais propensão a ter pressão alta, sofrer um ataque cardíaco ou morrer.

Cada unidade a mais no Índice de Massa Corporal representa um risco 5% maior de ataque cardíaco, 10% maior de pressão alta e tromboembolismo, e 20% maior de diabetes, de acordo com a pesquisa.

“A morbidade e a mortalidade relacionadas à obesidade vão colocar uma carga sem precedentes sobre os sistemas de saúde em todo o mundo nas próximas décadas”, concluem os autores.

Brincadeira em que jovens ingerem canela em pó pode fazer mal

Vídeos na internet mostram pessoas tentando engolir canela pura.
Testes feitos em camundongos mostram que pó pode afetar pulmão.

Sequência de vídeo publicado na internet mostra uma garota tentando engolir uma colher de canela em pó, como manda o 'cinnamon challenge', como é chamada em inglês essa brincadeira (Foto: Reprodução/YouTube/SoxRox18)

Sequência de vídeo publicado na internet mostra uma garota tentando engolir uma colher de canela em pó, como manda o ‘cinnamon challenge’, como é chamada em inglês essa brincadeira (Foto: Reprodução/YouTube/SoxRox18)

Publicado por AFP [via G1]

O chamado “desafio da canela”, brincadeira que virou febre entre jovens na internet,  que filmam a si próprios enquanto engolem uma colher de sopa cheia de canela em pó em um minuto, pode ser perigoso para a saúde, alertam pediatras americanos.

Segundo um artigo publicado na edição online da revista “Pediatrics”, a canela é “um pó cáustico, composto de fibras de celulose, biorresistentes, que não se dissolvem, nem se degradam nos pulmões”.

Estudos feitos em camundongos mostram que as partículas podem causar, três meses após inaladas, lesões graves na elasticidade dos pulmões, o que poderia provocar, inclusive, uma fibrose pulmonar.

“Tentar engolir uma grande quantidade de canela seca representa um verdadeiro risco de ser aspirada, o que pode provocar inflamações pulmonares, pneumonias ou crises de asma”, afirmaram.

O estudo diz que os centros de intoxicação americanos receberam 51 ligações em 2011 – depois que estes desafios viraram moda – e 178 no primeiro semestre de 2012, quando a mania se disseminou no YouTube. Nenhum dos jovens tratados sofreu graves consequências, diz o estudo.

“Mesmo sem termos registrado sequelas pulmonares confirmadas em humanos, é prudente advertir que o desafio da canela tem altas probabilidades de fazer mal aos pulmões”, concluiu o estudo.

Mais jovens preferem acessar a internet pelo celular, diz pesquisa

Um em cada quatro adolescentes entre 12 e 17 anos se conecta via telefone, enquanto menos de 15% dos adultos utilizam esse meio

Meninas com idades entre 14 e 17 anos são as que mais utilizam smartphones para se conectar à web (Foto: Jonathan Ernst / Reuters)

Meninas com idades entre 14 e 17 anos são as que mais utilizam smartphones para se conectar à web (Foto: Jonathan Ernst / Reuters)

Setenta e oito por cento dos jovens com idades entre 12 e 17 anos usam telefones celulares e quase a metade de seus aparelhos têm acesso à internet, cifra que tende a crescer e que está mudando a maneira de se conectar à rede mundial.

Pesquisa da Pew Internet & American Life Project revelou que um em cada quatro menores acessa a internet pelo telefone celular, uma proporção que aumenta para quase a metade quando se trata de proprietários de smartphones.

Por outro lado, apenas 15% dos adultos disseram que se conectam à internet usando seus telefones móveis.

“Hoje em dia é parte da vida cotidiana”, afirmou Donald Conkey, estudante do ensino médio em Wilmette, ao norte de Chicago, que tem celular com acesso à internet. “Todo o mundo está usando telefone da mesma maneira, e usam o tempo todo.”

Conkey e outros jovens afirmam que se for somado o tempo que passa usando seus celulares — com aplicativos, buscas na internet, mensagens de texto ou baixando músicas e vídeos — o resultado será pelo menos duas horas diárias.

“Quando esqueço o telefone em casa, me sinto nu”, disse Michael Weller, estudante da escola secundária New Trier, onde também estuda también Conkey. “Realmente, preciso me sentir conectado o tempo todo”.

Até no banho e na cama

Ano passado Stephen Groening, professor de estudos de cinema e comunicação na Universidade George Mason, na Virgínia, promoveu um curso sobre “a cultura do telefone celular”. Pediu aos alunos para fazer seus trabalhos usando os telefones: com vídeos, fotos, envio de textos e de tweets.

“Tenho alunos que me dizem que tomam banho e dormem com seus telefones celulares”, disse Groening.

Segundo o estudo da Pew Internet & American Life Project, as adolescentes entre 14 e 17 anos são as que mais usam telefone celular para se conectar à internet. E embora os jovens com menos recursos financeiros continuem sendo os menos propensos a utilizar a rede, os que tinham celulares também disseram usar essa ferramenta para se conectar.

Isso significa que, à medida que esta geração for amadurecendo, as grandes corporações terão que trocar as estratégias de publicidade e mercado que utilizam, assim como as formas com que os pais vigiam as comunicações de seus filhos.

Já existem telefones celulares que permitem aos pais bloquear certos conteúdos. As companhias telefônicas oferecem serviços como os que permitem ver a lista de textos que seus filhos recebem. E há vários aplicativos que dão aos pais o controle de conteúdos disponíveis em um navegador de internet, embora muitos especialistas concordam que esses recursos às vezes podem falhar.

“Há os dois extremos: por um lado, os pais que monitoram tudo e bloqueiam grande quantidade de coisas, e os que se rendem y dizem ‘isto me dá muito trabalho’”, disse Mary Madden, pesquisadora do Centro Pew e coautora do estudo.

‘Tempos difíceis para ser pai’

Ela acrescenta que muitos pais também se negam a retirar os telefones de seus filhos porque querem manter contato com eles.

“Os adultos, todavia, estão tentando se ajustar a novas regras, para si mesmos e para seus filhos”, comentou Mary. “São tempos difíceis para ser pai.”

A chave, dizem especialistas em comunicação e tecnologia, está no diálogo familiar, em conversar com os filhos.

“A tecnologia em si, creio eu, não é má. Há muito mais vantagens que desvantagens. Mas os pais têm que estar conscientes da situação”, destaca Daniel Castro, analista da Fundação para a Informação e a Tecnologia, um centro de pesquisas com sede em Washington, D.C.

Castro diz ainda que “parte da solução é conversar e perguntar a eles o que estão fazendo e por quê. “É comum adultos não entenderem bem como funcionam os smartphones, ou como seus filhos poderiam usá-los.”