Aulas para adolescentes deveriam começar depois das 8h30, diz estudo

De acordo com Academia Americana de Pediatria, mais horas de sono para adolescentes evitariam notas baixas e problemas de saúde

Segundo estudo, adolescentes que dormem pelo menos oito horas e meia por noite têm menos propensão a obesidade, diabetes e problemas comportamentais (foto: ThinkStock/VEJA)
Segundo estudo, adolescentes que dormem pelo menos oito horas e meia por noite têm menos propensão a obesidade, diabetes e problemas comportamentais (foto: ThinkStock/VEJA)

Publicado na Veja on-line

Uma nova recomendação da Academia Americana de Pediatria sugere que as aulas do ensino fundamental e médio comecem às 8h30 — ou mais tarde. Publicada nesta segunda-feira no periódico Pediatrics, a sugestão foi baseada em pesquisas que mostram que os adolescentes americanos dormem menos que o recomendado — de oito horas e meia a nove horas e meia por noite — e que a privação de sono é prejudicial para a saúde.

Segundo a instituição, apenas 15% das escolas americanas de ensino médio iniciam as aulas depois das 8h30. No caso do ensino fundamental, a maioria dos colégios dá o sinal às 8 horas — 20% começa antes disso.

De acordo com os médicos, adolescentes que dormem a quantidade de horas recomendadas têm menos propensão a obesidade, diabetes e problemas comportamentais como ansiedade e depressão.

Puberdade — O levantamento mostrou que essa medida seria mais eficaz do que mandar os filhos para a cama cedo. Nas mudanças hormonais da puberdade, o adolescente tende a mudar o seu relógio biológico e encontrar dificuldade para dormir antes das 23 horas. Nessa fase da vida, o jovem demora mais para sentir o cansaço acumulado durante o dia do que um adulto.

“O organismo dos adolescentes libera melatonina (um hormônio que induz ao sono) mais tarde do que dos adultos”, diz Judith Owens, líder da recomendação e diretora de medicina do sono do Centro Nacional de Medicina Infantil, nos Estados Unidos. Outro problema que favorece a falta de descanso adequado, segundo a pesquisa, é o excesso de tarefas dos adolescentes. “É importante eles terem menos coisas para fazer e poderem dormir antes da meia-noite”, diz

CONHEÇA A RECOMENDAÇÃO

Título original: School Start Times for Adolescents​

Onde foi divulgada: periódico Pediatrics

Quem fez: Judith A. Owens, Rhoda Au, Mary Carskadon, Richard Millman, entre outros

Instituição: Academia Americana de Pediatria

Recomendação: Segundo os médicos, as aulas dos adolescentes deveriam começar depois das 8h30. Desse modo, os jovens poderiam dormir a quantidade de horas recomendada por noite, o que evitaria problemas comportamentais e fisiológicos.

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Parceiro sexual de 5% dos jovens foi conhecido na internet, diz pesquisa

Entre os pais, 1% sabe que os filhos conheceram os namorados na internet.
Estudo do Portal Educacional ouviu 4 mil jovens entre 13 e 16 anos.

Brasileira acessa a internet em Garça (SP) (foto: Reprodução/TV TEM)
Brasileira acessa a internet em Garça (SP) (foto: Reprodução/TV TEM)

Helton Simões Gomes, no G1

Conversas iniciadas na internet foram o atalho para jovens brasileiros abrirem sua vida íntima a pessoas até então desconhecidas que se tornaram parceiros sexuais, de acordo com a edição 2014 da pesquisa “Este Jovem Brasileiro”, realizada pelo Portal Educacional e obtida com exclusividade pelo G1. Entre os jovens ouvidos, 5% disseram já ter feito sexo com pessoas conhecidas pela internet. Nem todos os contatos nascidos na internet, porém, terminam na cama, mas não são raras as relações que pulam do mundo virtual para o real: 11% dos adolescentes entrevistados já namoraram com alguém conhecido na internet. O mais comum, porém, é não passar de alguns beijinhos, coisa que 22% dos jovens disseram já ter ocorrido. Enquanto isso, os pais nem suspeitam: pouco mais de 1% sabe que os “ficantes” ou namorados dos filhos foram conhecidos na internet.

Para traçar o perfil sobre o comportamento dos jovens na internet, a pesquisa ouviu 4 mil estudantes de 13 a 16 anos, 300 pais e 60 professores de 36 escolas particulares em 14 estados brasileiros. Eles responderam às perguntas de forma anônima por meio de um formulário on-line entre 5 de maio e 27 de junho deste ano. O estudo foi feito em parceria com o psiquiatra Jairo Bouer.

As novas amizades virtuais geralmente são apresentadas por amigos, surgem nas redes sociais ou são feitas por meio de aplicativos para celular. Segundo a pesquisa, no entanto, 60% dos jovens não confiam nas pessoas conhecidas assim. Mas há os que confiam. Dos 4 mil jovens, 600 já abriram a webcam de seus computadores para completos desconhecidos. Quando encontram pessoas conhecidas pela internet, possuem estratégias para garantir a segurança: marcam em algum lugar público ou levam um amigo a tiracolo.

‘Stalkear’ pode

A internet é parte importante da vida desses adolescentes. A pesquisa aponta que 85% dos jovens passam ao menos duas horas conectados. A preponderância da internet na vida deles faz dela uma ferramenta para que construam seus relacionamentos. Isso porque pouco mais da metade dos jovens recorreram à rede para pesquisar a vida de potenciais “ficantes” ou namorados.

Mas também usam para miná-los. Entre os adolescentes que já estão comprometidos, mais de 40% não acha que paquerar na rede seja problema. Três em cada dez tiveram que discutir a relação com amigos ou namorados devido a alguma postagem em redes sociais.

Mentindo a idade

Estudantes em escola de Piracicaba (foto: Fernanda Zanetti/ G1 Piracicaba)
Estudantes em escola de Piracicaba (foto:
Fernanda Zanetti/ G1 Piracicaba)

Apesar de os pais não estarem a par do que os filhos fazem na rede, não quer dizer que não monitorarem as ações dos adolescentes de algum tipo. O problema é que quando controlam o acesso à rede, a tentativa não é aceita por um terço dos jovens. O controle ao acesso não é respeitado mesmo quando exercido pelos próprios serviços. Mais de 90% entraram em redes sociais antes dos 12 anos – a idade mínima permitida no Facebook, por exemplo, é de 13 anos. Como fizeram isso? Simples: 86% admitiram ter mentido a idade.

Quando os pais impõem alguma restrição, os jovens surgem com meios para driblar métodos de controle. Para 63% deles, é mais fácil evitar a vigilância paternal com o uso de tablets e smartphones. Quando querem privacidade, são esses os aparelhos usados por um a cada quatro jovens. Identificado como um aparelho pessoal, os celulares não são controlados pelos pais de 80% dos jovens.

A conexão frequente dos jovens causa atritos dentro de casa. Quatro a cada cinco pais dizem ter problemas com os filhos pelo uso exagerado da internet. E tem motivos para se preocupar: quase um terço dos jovens já compartilhou dados pessoais na rede, como telefone, endereço ou documentos. A maioria deles (65%), porém, sabe que o rastro digital pode ser usado para avaliá-los futuramente. Saber que expor informações pessoais pode prejudicá-los no futuro, mas, mesmo assim ir adiante, ocorre porque os jovens sofrem um apagão quando usam o celular. Um terço dos adolescentes diz que não pensam muito antes de postar pelo celular.

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Crise existencial na juventude

tristeza_imagemRosely Sayão, na Folha de S.Paulo

Conversei longamente com dois jovens. O primeiro é um rapaz que está com 25 anos, que me procurou para trocar ideias sobre sua vida, suas aflições, suas dúvidas. A outra conversa foi com uma garota de 17 anos, com quem dialoguei a respeito de suas expectativas sobre a vida, o presente e o futuro dela.

O rapaz e a garota são bem diferentes entre si: moram em Estados diferentes, com culturas regionais muito distintas. O rapaz já exerce sua profissão, sua família tem excelente nível socioeconômico, a carreira dele está em plena ascensão e ele se sente satisfeito em seu trabalho.

A garota mora em uma cidade do interior, acabou de ingressar em um curso universitário, tem namorado e sua família é bem simples. Estudou quase sempre em escola pública, e é muito esforçada: dá aulas particulares para crianças e participa de programas sociais como voluntária.

Aprendemos muito no exercício da escuta dos outros. Foi o que aconteceu com essas conversas: aprendi, elaborei novas interrogações, me preocupei, e compartilho com você, caro leitor, minhas reflexões.

O que há em comum entre esses dois jovens? Um vazio. Apesar de os dois estarem bem encaminhados na vida, eles vivem o que chamei de uma crise existencial: sentem enfado no cotidiano, não conseguem enxergar uma boa perspectiva na vida e, por mais que busquem, não encontram bons motivos para sustentar a vida que levam.

“Não se preocupe comigo: não tenho ideias suicidas, não estou deprimida, faço terapia e amo a vida. O problema é: que raios de vida é essa que eu vivo?” foi uma frase escrita pela garota em nossa troca de mensagens.

“Acordo, me arrumo para trabalhar, saio semanalmente com meus amigos e meus namoros não dão certo. No início achava que o problema eram as garotas, depois pensei que o problema fosse eu, agora acho que as atrapalhações são da vida”, me disse o jovem mais velho. E acrescentou: “Viver não pode se resumir a isso, é muita pobreza. Mas eu não sei o que mais poderia acrescentar para viver de bem comigo e com essa vida.”

O que aprendi com eles? Que estamos valorizando em demasia, para os mais novos, facetas da vida que não são suficientes para sustentar a fome de viver.

Lembrei-me de um verso de Adélia Prado: “Não quero faca nem queijo; eu quero é fome”. Temos cometido um equívoco: fazemos de tudo para oferecer aos mais novos a faca e o queijo. Mas isso eles saberão arrumar por conta própria, mais cedo ou mais tarde. Mas, sem fome, de que adianta? Precisamos ajudar os jovens a terem mais apetite, a tal fome de viver.

Por que me preocupei? Porque tem aumentado o número de jovens que cometem suicídio e que têm depressão. Mesmo que os dois jovens com quem conversei não demonstrem estar nesse caminho, quantos como eles não estarão, pelos mesmos motivos? E o que podemos fazer, além de oferecer tratamento profissional?

Finalmente, para esta conversa: todos os dias podemos fazer algo que torne o mundo um pouco melhor, que afete positivamente a vida dos outros, que facilite o convívio entre os que se relacionam. Creio que não temos colaborado com os jovens para que eles identifiquem o que fazem nesse sentido, inclusive no trabalho. E perceber isso ajuda a sustentar a vida, a aumentar o apetite de viver e permite perceber não apenas as dores da vida, mas suas delícias também.

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“Consegui convencê-lo pela canseira”, diz pai de black bloc

Motorista Osvaldo Baldi, de 50 anos, afirma que buscou o filho na manifestação para protegê-lo da reação da polícia

Pai tenta convencer o filho a deixar protesto e ir para casa (foto: Reprodução/Globo News)
Pai tenta convencer o filho a deixar protesto e ir para casa (foto: Reprodução/Globo News)

Mariana Zylberkan, na Veja on-line

Certo de que o pior poderia acontecer, o motorista Osvaldo Baldi, de 50 anos, não relutou em sair de casa e se infiltrar no meio de mascarados que se preparavam para ocupar a linha de frente do protesto que tentou fechar a avenida Radial Leste, principal via de acesso ao estádio Itaquerão, no dia de abertura da Copa do Mundo no Brasil, na última quinta-feira. Entre os mascarados, estava Renan Molina, seu filho de 16 anos. Ao avistá-lo no meio da multidão pela TV, com uma camiseta preta cobrindo o rosto, ao estilo da tática black bloc, o motorista o puxou pelo braço e deu início a uma longa discussão para convencê-lo a voltar para casa. Alguns mascarados até tentaram impedi-lo, mas ele repetiu firmemente: “Ele é meu filho”. O embate familiar foi flagrado pela imprensa mundial e o vídeo tornou-se assunto do dia nas redes sociais.

No vídeo, pai e filho rebatem argumentos por longos minutos. “Você é meu filho e eu não o criei para isso”, insistiu o pai. Em determinado momento, os manifestantes intervêm a favor do garoto e fazem coro de “Deixa, deixa”. “Consegui convencê-lo pelo cansaço. Sabia que a polícia não ia deixar barato uma confusão na abertura da Copa e fiquei com medo de ele levar um tiro de borracha no olho ou se machucar gravemente”, diz o motorista.

Ele conta que ficou tão nervoso que nem percebeu a multidão e a grande quantidade de câmeras que acompanharam a discussão entre pai e filho. “Só percebi depois, me senti o próprio palhaço no circo.”

Naquele dia, Renan havia dito para a mãe que iria andar de skate no CEU Aricanduva, na Zona Leste de São Paulo. A mãe só percebeu que o filho havia se mentido em encrenca quando o viu pela TV em meio ao protesto. Mesmo com o rosto coberto pela camiseta, a mãe reconheceu as roupas e o jeito de andar de Renan.

Renan já havia ido a outras manifestações, acompanhado pela mãe, mas a da última quinta-feira foi a primeira a participar com o rosto coberto. “Somos a favor dos protestos, desde que defendam causas justas, como a redução da tarifa do transporte público no ano passado, e sempre de cara limpa. A partir do momento que meu filho cobriu o rosto, ele perdeu o direito de reivindicar qualquer coisa”, diz Baldi.

No vídeo, uma das primeiras coisas que o pai faz ao ver o filho é lhe arrancar a camiseta preta do rosto. Segundo ele, o filho não é black bloc. Depois de muita discussão, o pai conseguiu demover o filho da ideia de participar do protesto da Copa e voltaram para casa. Demorou um pouco para o assunto ser retomado pela família. “Cheguei exausto, a descarga de adrenalina foi muito forte.”

Passado o nervoso, Baldi começou a se dar conta da dimensão da bronca que havia dado no filho. Ele ainda tenta entender os motivos por trás de tanta repercussão. “Cumpri meu papel de pai. Se tiver que ir de novo, eu vou.”

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Depressão é a doença mais frequente na adolescência, segundo OMS

Os três principais motivos de morte no mundo – entre jovens de 10 a 19 anos – são os acidentes de trânsito, a Aids e o suicídio

Psiquiatria: com a publicação do DSM-5, o luto passará a ser considerado como um sintoma da depressão. Com isso, volta o debate sobre o que são os sentimentos naturais do homem e o que é uma doença mental (foto: Thinkstock)
Psiquiatria: com a publicação do DSM-5, o luto passará a ser considerado como um sintoma da depressão. Com isso, volta o debate sobre o que são os sentimentos naturais do homem e o que é uma doença mental (foto: Thinkstock)

Publicado na Veja on-line

A depressão é a principal causa de doença e de inaptidão entre os adolescentes com idades entre 10 e 19 anos, anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento divulgado pelo órgão destaca que os três principais motivos de morte no mundo nesta faixa de idade são “os acidentes de trânsito, a Aids e o suicídio”.

Em 2012, 1,3 milhão de adolescentes morreram no mundo. Esta é a primeira vez que a OMS publica um relatório completo sobre os problemas de saúde dos adolescentes. Para elaborar o documento, a organização utilizou os dados fornecidos por 109 países. Os problemas nesta faixa de idade estão relacionados, com o cigarro, o consumo de drogas e bebidas alcoólicas, a Aids, os transtornos mentais, a nutrição, a sexualidade e a violência. “O mundo não dedica atenção suficiente à saúde dos adolescentes”, declarou a médica Flavia Bustreo, subdiretora geral para a saúde das mulheres e das crianças na OMS.

Os homens sofrem mais acidentes de trânsito que as mulheres, com uma taxa de mortalidade três vezes superior. A morte durante o parto é a segunda maior causa de mortalidade entre as jovens com idades entre 15 e 19 anos, depois do suicídio, segundo a OMS. Entre 10 e 14 anos, a diarreia e as infecções pulmonares representam a segunda e quarta causas de falecimento.

O documento destaca ainda que pelo menos um adolescente em cada quatro não realizam exercícios físicos suficientes, pelo menos uma hora por dia, e que em alguns países um em cada três é obeso.

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