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No Ceará, cabaré processa Igreja Universal

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Stella Maris, no Brasilianas.org

Em Aquiraz, no Ceará, dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas.

Em resposta, a Igreja Universal local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração em sua igreja, de manhã, à tarde e à noite.

O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da  reinauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção.

Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar “do grande poder da oração”.

Então,  Tarcília processou a igreja, o pastor e toda a congregação, com o fundamento de que eles “foram os responsáveis pelo fim de seu prédio e de seu negócio” utilizando-se da intervenção divina, direta ou indireta e das ações ou meios.”

Na sua resposta à ação judicial, a igreja, veementemente, negou toda e qualquer responsabilidade ou qualquer ligação com o fim do edifício.

O juiz a quem o processo foi submetido leu a reclamação da autora e a resposta dos réus e, na audiência de abertura, comentou:

“Eu não sei como vou decidir neste caso, mas uma coisa está patente nos autos. Temos aqui uma proprietária de um cabaré que firmemente acredita no poder das orações e uma igreja inteira declarando que as orações não valem nada!”.

Este link revela que a história é fruto do tradicional bom humor cearense. :)

Lobão e João Barone: roqueiros historiadores

Lobão e João Barone lançam livros em que revisam a história do Brasil. Será que eles têm credenciais para isso?

Luís Antônio Giron, na Época

Qualquer pessoa pode escreve o que quiser da forma que puder. Não me 42109234espanta que dois dos mais representativos músicos do rock brasileiro dos anos 80 estejam lançando livros. E que os livros tratem de momentos da história do Brasil. São eles João Barone, baterista da banda Paralamas do Sucesso, e o cantor e compositor Lobão. Barone lança 1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida (Nova Fronteira, 288 páginas, R$ 35,90), um compêndio que conta a história e analisa a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lobão envereda pelo ensaísmo cultural em Manifesto do nada na Terra do Nunca (Nova Fronteira, 248 páginas, R$ 39,90). Os dois chegaram à maturidade, estão com 50 anos, e agora podem tentar uma segunda carreira, ainda que tardia, na área cultural. Devem estar cansados de fazer as músicas de sempre. Conseguirão?

Minha dúvida é se Lobão e Barone possuem de fato credenciais para tratar dos respectivos assuntos a que se dedicam. Estarão eles cultural e intelectualmente preparados para isso? Entre os avatares do passado tropicalista, Caetano Veloso realizou o sonho de ser crítico cultural, lançou um ensaio importante – Verdade tropical – e ganhou um coluna semanal no jornal O Globo. Ora, virar intelectual é possível. Até mesmo os roqueiros coetâneos de Barone e Lobão já partiram para a literatura. É o caso de Tony Bellotto, que redige romances policiais de relativo êxito há mais de uma década. Bellotto tem pelo menos o consolo de ser um escritor péssimo, mas não pior do que sua atuação como integrante da banda Titãs. Contrariamente a Bellotto, Barone e Lobão são músicos de boa qualidade. O problema é que a comparação entre suas obras musicais e suas empreitadas analíticas pode ser desvantajosa para estas últimas.

Examinemos a obra “reflexiva” dos dois. Barone tornou-se fanático em Segunda Guerra Mundial por devoção ao tema e amor ao pai, que foi pracinha. Lobão dedica-se a praticar a difícil arte de polemizar a qualquer custo – e tem obtido sucesso em brigar com Deus e o mundo.

Barone revela-se dócil, domesticado. Ele se debruça sobre a participação dos pracinhas com interesse. Mas não se sai bem, já que não tira todas as consequências da pesquisa que realizou. Entre suas teses, a mais curiosa é a que afirma que cidadãos nascidos no Brasil lutaram dos dois lados da Guerra.. Mas ele não vai fundo. Em um tom de enciclopédia estudantil, passeia pelos fatos, arrola dados, apresenta caixas com informações pitorescas. E não sai disso. Conclui seu estudo afirmando que os pracinhas, “caboclos brasileiros”, foram bravos e deixaram boas lembranças entre a população do Sul da Itália. Uma conclusão sem graça. Sua obra é a de um louco louco pelo assunto. O livro poderia ter sido sobre a saga da bateria, o instrumento que Barone conhece como poucos. Talvez tivesse sido mais útil – e menos divertido para ele.

42110391Lobão merece atenção mais demorada pela pretensão e a destemperança que exibe. Adota o tom apocalíptico desde o prólogo versificado. O início parece promissor. Com a intenção de “mergulhar na alma do brasileiro”, define o Brasil como “pocilga” e manifesta o seu ódio à intelligentsia nacional. Em seguida, porém, descamba. Ao modo de um velho polemista à direita de Átila, o Huno – Olavo de Carvalho -, Lobão exala todo seu rancor para fenômenos como o da música popular brasleira dos anos 60 e 70. Diz ele que Gonzaguinha é, ao lado de Edu Lobo, “uma das figuras mais insuportáveis da nossa MPB. Talvez o ser mais emblematicamente MPBístico que já habitou este país, músicas politicamente engajadas, uma certa alteridade sexual e alguns sambões maníaco-depressivos. Música para se ouvir comendo linguiça com cachaça”. Os brasileiros não passam de “um bando de frouxos”.

A única coisa interessante produzida no Brasil, segundo Lobão, foi o modernismo, e, ainda assim, “terminou por se fixar como a doutrina dominante”. O ponto máximo do livor é o diálogo que ele trava com o escritor Oswald de Andrade (1890-1954), por quem ele nutre “carinho e admiração”, a fim de entender por que ele foi banido e “por que a gente é assim”. O diálogo resultante só podia ser de surdos egocêntricos: Oswald vomita seus manifestos para Lobão revomitá-los com constatações do tipo: “você ficaria apavorado ao testemunhar a asfixia intelectual, cultural e ideológica, o ufanismo vagabundo, descabido e paralisante, a morte da complexidade, da vontade, da ousadia, da excelência, da memória em detrimento do simplório”. Em Lobão, não há análise, apenas erupções de ódio com o Brasil No final, Lobão convida Oswald para beber no centro de São Paulo. Assim, Lobão nos presenteia com mais uma manifestação de frouxidão intelectual. Ele tem punch, mas não argumentos. Lamento muito. Teria dado um ótimo polemista.

Ainda que Barone e Lobão pareçam ter preparo intelectual para qualquer tipo de reflexão, nem um nem outro se mostra intérprete confiável dos universos que aborda. Eles são a prova de que envelhecer não traz sabedoria nem prudência a ninguém. Em vez de oferecer uma interpretação sobre o passado brasileiro, apresentam não mais que preconceitos e esboços mal delineados de ideias ligeiras sobre os assuntos. Por isso, vale fazer uma última pergunta: por que editoras de grande porte estão lançando esses títulos, ao mesmo tempo que refugam obras fundamentais de história ou romances importantes?

A resposta é pueril: as editoras creem que a mera menção de nomes de ídolos do rock é capaz de vender livros. E pode ser que os livros da dupla vendam como sucessos do iTunes. É menos pelo conteúdo das obras do que pelo sucesso popular de seus autores. Ou seja, Lobão e Barone poderiam se dedicar tanto a publicar livros como a vender cebolas, ou tomates, com suas marcas. Fariam sucesso de qualquer maneira.

Barone e Lobão me surpreenderam, embora negativamente. Cada um à sua maneira, mostram fragilidade e falta de formação. O fato de ser famosos credenciou-os a publicar suas obras. No entanto, não possuem pré-requisitos mínimos para lançar ensaios estéticos e historiográficos nem para se arvorar em intérpretes do Brasil. Barone é um historiador ruim. Lobão prega no vazio, o que o desautoriza como o autor controverso que gostaria de ser. Os dois produziram textos amadores. Agiram como fãs – logo eles que têm tantos fãs e não precisam passar para o lado de lá e muito menos cometer pecadilhos literários. Não se trata de menosprezar um e outro, e sim de reclamar da leviandade dos editores. Para usar o chavão, o leitor é que perde – o leitor desavisado, bem entendido.

Caetano Veloso: “As palavras de Ariovaldo Ramos são sobre o gosto da vida nestes tempos”

554920_10152712249940162_1724879106_nNo próximo dia 24 de abril (quarta-feira), vai rolar na Igreja Batista de Água Branca o lançamento de “Pare de conjugar o verbo sofrer”, o novo livro de Ariovaldo Ramos.

O texto preciso e instigante do colunista do Pavablog vem acompanhado de testemunhais dos teólogos Ed René Kivitz e Ricardo Bitun e dos compositores Chico Buarque e Caetano Veloso.

Prestigie o lançamento, compre o livro e desfrute de bons momentos de reflexão. #recomendo

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Carta ao meu filho que virá um dia

Pai caminhando com o filho

Claudio Figueiredo, no Blog do Cláudio Busu

Amado filho, seu Pai te ama. É com essas palavras que inicio essa mensagem.

Hoje estava lendo um debate sobre família, valores, ética e resolvi escrever esta pequena mensagem para que um dia possa ler.

Saiba que o mundo que você virá não será fácil, porém Papai estará sempre ao seu lado e enquanto eu estiver vivo estarei lutando para tornar esse lugar melhor.

Infelizmente algumas pessoas aqui irão tentar te fazer chorar, porém sempre haverá alguém bom para consolar.

Busque sempre em você a força para superar os desafios, porque tudo que você precisa Deus te deu.

Um dia eu escutei uma gravação de um Pastor Americano que mudou minha maneira de pensar. Ele disse: “Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!”.

Tudo começou porque suas filhas não podiam estudar na mesma escola que crianças brancas.

Tempos depois ele foi morto, porém o seu sonho sempre ficou vivo e sua luta conseguiu gerar resultados.

Acredita meu filho, que até certo tempo atrás era impossível o EUA aceitar um negro ser presidente? Chegaram inclusive a enforcá-los em árvores e queimar cruzes para comemorar.

Eu vi o primeiro e o nome dele é Barack Obama. Tudo começou com o sonho deste Pastor Americano que era negro e se chamava Martin Luther King.
As pessoas no mundo de hoje estão brigando porque um outro Pastor está na mídia.

Só que esse é branco, brasileiro e ao invés de lutar pela conquista de direitos para sua gente, ele batalha contra a luta que outras pessoas fazem por seus direitos.

Seu nome é Marco Feliciano, ele luta contra a União Homoafetiva e o seu reconhecimento pelo Estado.

Meu amado filho, não quero doutriná-lo, muito ao menos direcionar seu pensamento.

Porém deixo apenas os seguintes ensinamentos.

Seu Pai é um cristão Católico Apostólico Romano com muito orgulho e por isso faz questão de seguir a palavra de Jesus como seu supremo professor e Mestre.

Ele veio para esse mundo não por causa dos Doutores, intelectuais, ricos ou poderosos, mas pelas pessoas humildes e os pecadores humilhados.

Esse mundo meu filho amado é muito injusto. Aqui você será julgado pela sua cor, suas escolhas, seu local de morada, sua profissão, pela sua fé e pela sua opção sexual.

Para isso usarão as mais diversificadas doutrinas. Citarão intelectuais, autores e inclusive a Bíblia Sagrada.

Porém meu filho aprenda que Jesus veio para reescrever a nossa história, sendo que certa vez ele nos ensinou:

“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Marcos 12:28-31).

Então meu filho, jamais julgue alguém ou aponte o dedo. Se não concordares com uma atitude, ame aquela pessoa dobrado. Viva sua vida na caridade, justiça e amor.

Nunca acredite nas verdades do homem, mas sim em tudo aquilo que Deus tocar seu coração. Leia a bíblia, principalmente o Novo Testamento. Extraia dali o sentido da palavra e não trate os textos bíblicos como um manual de instrução.

Pensar que a Bíblia é um manual de instrução, significa enxergar Deus apenas como um Senhor barbudo sentado em um trono de ouro, brincando de Governar.

Não caia nesse erro. A família de Deus é como os dedos de uma mão. Todos são diferentes, porém o que seria do forte polegar, sem o pequeno mindinho para auxiliá-lo?

Por fim apenas ame as pessoas, respeite-as e siga o seu caminho. Não se preocupe com o outro, porque somente Deus tem a autoridade para julgar uma alma pecadora.