Salve, simpatia

Sérgio Pavarinigente-simpatica

Segundo pesquisas, deixamos de prestar atenção na letra a partir de um certo número de vezes que entoamos a canção. Felizmente, ao menos neste final de semana o tal “piloto automático” não deu as caras.

Cantamos na celebração dominical da manhã “Unidade e diversidade” (Guilherme Kerr e Jorge Rehder), uma das minhas músicas favoritas. Órfão da comunidade “Eu ouço a mesma música mil vezes” no finado Orkut, passei o dia repetindo os versos da inspiradíssima composição.

Lucas relata no capítulo 2 de Atos que a igreja primitiva era sensível às necessidades do povo. Mais ainda: todos mantinham-se unidos e mostravam alegria e sinceridade de coração, “tendo a simpatia de todo o povo”. #bingo

Nem preciso desfi(l)ar alguns itens da lista gigante de motivos que tornaram a igreja uma das instituições mais antipáticas para boa parte da população. Para o marketing, percepção é realidade. Ou seja, é de pouca valia discutir se em determinados aspectos a vox populi está equivocada a nosso respeito.

Um dos meus mantras reza que “o fato de alguém ser capaz de identificar problemas mostra que faz parte da respectiva solução”. Sem saber ao certo o poder de fogo das minhas pedrinhas lisas, não tenho medo de avançar em direção ao golias Preconceito. E vou cantando pelo caminho: “na simpatia de todos nasce a igreja de novo”.

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Marília César fala sobre os bastidores do livro “Entre a cruz e o arco-íris”


Sérgio Pavarini

Colunista do Pavablog, a jornalista Marília César está lançando seu terceiro livro. Publicado pela Gutenberg, “Entre a cruz e o arco-íris” trata da complexa relação dos cristãos com a homoafetividade.

Durante cerca de dois anos, Marília percorreu o país para ouvir pessoas de vários lados do debate. Sobretudo, ouviu histórias de gente que sofreu e de pessoas que continuam sendo alvo de intolerância e discriminação dentro de igrejas cristãs.

Os personagens do livro não são identificados por pseudônimos. Com uma única exceção, todos abriram a vida (e o coração) com uma sinceridade que desconcerta os que preferem manter a discussão no campo teórico. A escritora mostra que esse tipo de sofrimento no meio do rebanho tem nome e sobrenome.

A obra será lançada em SP na próxima segunda-feira (14/10) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional a partir das 18h30. Estarei lá para dar meu abraço nessa amiga querida cuja pena corajosamente exala o bom perfume de Cristo onde quer que suas páginas sejam lidas.

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Influência de blogueiros atrai anunciantes

Pavarini: “Somando tudo, o alcance de minhas redes é de cerca de 5 milhões de pessoas por semana”.

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Martha Funke, no Valor Econômico

O tamanho exato é incerto. Mas o universo dos blogs no Brasil é imenso e cada vez mais rentável. O autor Marcos Lemos, que assina o e-book “Blogar: O processo de criação de Blogs”, e que criou o “Ferramentas Blog”, estimou a existência de mais de 2,5 milhões de blogs em português, com mais de 55 milhões de páginas criadas ou atualizadas nos seis meses anteriores, indexadas pelo Google.

A empresa de anúncios em mídias digitais Boo Box contabiliza 80 mil blogs entre os mais de 430 mil sites de nicho que monetiza no país. “Tem blog feito como hobby que só conosco tira mais de R$ 5 mil por mês”, diz o fundador do serviço, Marcos Gomes.

Muitos blogueiros já ultrapassaram esse status há muito tempo. A atividade movimenta verbas em anúncios, patrocínios, direitos de imagem, participação em eventos e até licenciamento. Alguns já criaram suas páginas virtuais de olho no rendimento. Com estruturas mais ou menos turbinadas e diferentes níveis de conhecimento sobre tecnologia ou técnicas de internet, mídia, planejamento, jornalismo ou comunicação, eles têm em comum a escolha de um tema segmentado no qual se tornaram referência para seus leitores.

Veja o exemplo de Samantha Shiraishi, a Sam, jornalista com dez anos de prática que ao se mudar de Curitiba para São Paulo, em 2005, com filhos de 2 e 4 anos, começou a escrever sobre consumo de cultura em família, descrevendo passeios e dicas. A atividade com o blog “A Vida como a Vida Quer”, hoje hospedado no portal do grupo pernambucano “Diário do Nordeste”, avançou, passou a incluir cidadania, carreira, consumo, educação e casa e a levou a ser reconhecida como especialista no ramo, o que rendeu convites para projetos relacionados.

Um deles foi o M de Mulher, da Editora Abril, que chegou a abrigar mais de um centena de blogueiros. Hoje, Sam é curadora de 35 blogueiros no portal Viva Positivamente, da Coca-Cola, e dona da produtora Otagai (reciprocidade, em japonês), focada em mídias sociais. Seu blog, na semana passada, exibia logotipo da Coca-Cola e banner da Schutz. “A publicidade já está em decadência. Os patrocínios, no geral, têm a ver com a chancela de algum produto”, diz.

Samantha costuma usar um selo criado por um grupo de blogueiros para assinar ações patrocinadas. Outros, como Camila Coutinho, do “Garotas Estúpidas”, o GE, focado em moda, estilo e entretenimento, coloca a observação com mais sutileza em imagens e tags, palavrinhas que organizam o tema dos textos publicados, ou posts. “No início não sinalizava. Todo mundo começou como amador e era normal uns errinhos. Agora com mercado maior tem coisas mais éticas”, pondera Camila, cujo blog, criado em 2006, hoje tem cerca de 70 mil visitantes únicos diários e é abrigado no portal NE10, do grupo pernambucano ” Jornal do Commercio “.

Aquilo que começou como uma brincadeira entre amigas hoje tem suporte de estrutura comercial em Recife e em São Paulo, colunista de beleza, gerente financeiro e webmaster. “Estão surgindo coisas de licenciamento. Adoro criar novos produtos, inclusive que não dependam de mim”, diz Camila.

Outros já começaram de olho no faturamento. O “Blog da Mimis”, hoje com 213 mil seguidores, surgiu depois que a fisioterapeuta Michelle Franzoni emagreceu 30 quilos e resolveu se concentrar na divulgação de temas relacionados a qualidade de vida e publicar uma espécie de reality show de seu dia a dia de alimentação e treinos.

No início do ano, contratou uma empresa de mídia digital para reformular o site e uma agência de assessoria de imprensa para divulgá-lo. O esforço rendeu verbas em anúncios e posts de marcas que vão de roupas a hotéis e viagens – a primeira fatura, no valor de R$ 1,5 mil, foi emitida para a etiqueta Fit and Chic. Michelle mantém olho atento nos resultados do Google Analytics para conhecer dados como reação e horários de preferência do público e chegou a recusar anunciantes como uma marca de maionese. “Não quero me queimar”, diz ela, que está desenvolvendo um aplicativo para celular a ser oferecido a operadoras que queiram divulgar conteúdos relacionados a qualidade de vida.

Ainda pequeno, o “Blog do Caminhoneiro” foi criado em 2011 pelo motorista de ônibus Rafael Brusque Toporowicz, de São Mateus do Sul (PR), também com algum espírito negocial, além do gosto por caminhões. Segundo ele, o site conta com patrocínios eventuais – recentemente ele fechou com a Volvo banner e divulgação – e estimulou seu ingresso no mundo das comunicações.

Hoje ele produz textos institucionais e press releases para a empresa em que trabalha. A chegada dos anunciantes foi resultado de persistência. “Corri atrás das equipes de marketing e relacionamento com a imprensa, tentando parcerias para sorteios de brindes e divulgação.” Depois começou a ser convidado a participar de eventos. Hoje com cerca de 7 mil acessos diários, Rafael tem como meta a autossuficiência do blog, para não precisar do emprego. “Vou começar um programa de rádio falando de caminhoneiros e agregar serviços, como empregos ou compra e venda de caminhões”, antecipa.

Pavarini: newsletter tem 208 mil assinantes e 240 mil seguidores no Twitter foto: Alex Fajardo
Pavarini: newsletter tem 208 mil assinantes e 240 mil seguidores no Twitter
foto: Alex Fajardo

Já o “Pavablog”, do jornalista Sérgio Pavarini, teve origem menos amadora. Ex-editor e gerente de marketing do meio editorial, ele assumiu os veículos eletrônicos de orientação evangélica que assinava para uma editora, vendida a um grupo estrangeiro. Passou a assinar tudo com seu próprio nome e hoje só na newsletter publicada duas vezes por semana soma 208 mil assinantes. São mais 240 mil seguidores no Twitter. “Somando tudo, são cerca de 5 milhões de pessoas por semana”, diz.

Além de anunciantes, principalmente do meio editorial, o blogueiro criou uma empresa, com apoio de uma equipe de dez pessoas, para gerenciar iniciativas de mídia social e a interface com outros blogueiros. Hoje sua rede Pavablogs soma 2 mil endereços. “Um blogueiro é um formador de opinião”, diz.

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Marina Silva, a ~conservadora~

O "ato" da Rede no evento gospel.
O “ato” da Rede no evento gospel.

Sérgio Pavarini

Na última quarta-feira foi publicado no blog do Fernando Rodrigues um texto intitulado “Rede, de Marina, coleta assinaturas em passeata anti-gay“.

Assinada por Bruno Lupion, a pretensa reportagem informava que o “o partido de Marina Silva, Rede Sustentabilidade, aproveitou a multidão reunida em ato evangélico para coletar assinaturas”. O texto mencionava a participação de Malafaia, Feliciano e Bolsonaro no evento, além das aspas de um jovem evangélico “que mostrava discurso afinado contra o projeto que criminaliza a homofobia”. Somente no último parágrafo apareceu o desmentido da assessoria da Rede afirmando que não organizou a tal coleta.

Escaldado com a lambança recente de um jornal sobre a palestra de Marina Silva no Recife, me chamou a atenção que a foto e o texto mostravam apenas UM militante. Mesmo assim, o post recebeu + de 5 mil curtidas e ~inspirou~ outro texto no Estado de Minas, na mesma vibe do outro.

Hoje voltei ao post e, surpresa, o militante fotografado registrou alguns esclarecimentos na área de comentários: “Meu ato foi individual! Desconheço as lideranças dessa macha! (…) O blogueiro Bruno Lupion, responsável pela matéria agiu de má fé ao escrever comentários maliciosos e mentirosos. Em nenhum momento conversei c/ esse cidadão mal intencionado”. Em outro comentário, ele finaliza: “se fiz algo de errado, peço desculpas aos integrantes da #rede”.

Há algum tempo a ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, colocou o dedo na ferida: “Não há dúvida de que existe na grande imprensa brasileira uma visão estereotipada e preconceituosa dos evangélicos”. #bingo

Forçar a barra para tentar rotular Marina e a Rede como megaconservadores não é exatamente bom exercício de jornalismo. Há inúmeros cristãos que não compactuam com a liderança personalista, interesseira e, sim, anticristã, de alguns personagens citados na matéria. O mesmo senso crítico usado para analisar as bobagens mensagens proferidas por eles nos púlpitos (e fora deles) também é usado para perscrutar cada linha e, principalmente, as entrelinhas.

PS: De manhã recebi a foto abaixo, postada no Flickr da Rede. Será tema de post no nobilíssimo blog do Fernando Rodrigues?

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dica do Sidnei Carvalho de Souza

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