Sony/ATV vai processar Tiririca por uso de música de Roberto Carlos

Publicado na Folha de S. Paulo

A editora de música Sony/ATV Music vai processar o candidato a deputado federal Tiririca (PR-SP) pelo uso não-autorizado da música “O portão”, de Roberto e Erasmo Carlos, em sua propaganda no horário eleitoral.

Na versão, o deputado canta : “Eu votei, de novo vou votar. Tiririca, Brasília é o seu lugar.” O vídeo foi veiculado na noite da terça-feira (19) e novamente na tarde desta quinta (21).

Na quarta-feira (20), o YouTube retirou o vídeo do candidato de sua rede após reclamação da Sony/ATV.

Segundo o advogado da empresa, José Diamantino, o fato de Tiririca continuar utilizando a versão da música após a notificação ao YouTube foi uma “afronta” e, por isso, a Sony/ATV vai recorrer à Justiça. A empresa detém os direitos sobre as músicas de Roberto Carlos.

“A paródia é permitida, mas tem que estar em contexto engraçado, humorístico. Alterar uma letra de acordo com a conveniência de um candidato é mais grave que o uso da música original”, argumenta o advogado.

Para o advogado Ricardo Vita Porto, que representa o PR paulista, a paródia não infringe a lei de direitos autorais.

“O candidato não usou a música como jingle ou trilha de seu programa. Toda paródia musical altera uma letra dando a ela sentido jocoso, a lei permite isso”, argumenta.

Segundo a lei de direitos autorais brasileiras, “são livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito”.

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Crivella gera polêmica na internet ao ligar maconha a problemas em aviões da Fokker

Tema gerou pico de comentários no Twitter; candidato reafirmou o caso em entrevista nesta quarta-feira

Marcelo Crivella (PRB) durante debate na TV Bandeirantes - (foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP)
Marcelo Crivella (PRB) durante debate na TV Bandeirantes – (foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP)

Luciano Abreu e Danilo Motta, em O Globo

O tema era sério, mas arrancou risos. O candidato ao governo do Rio pelo PRB Marcelo Crivella, ao explicar porque é contra a liberação das drogas, no debate de terça-feira na TV Bandeirantes, ligou problemas em aviões da empresa holandesa Fokker, fechada na década de 1990, a um suposto consumo de maconha pelos funcionários da fabricante. Além da risada da plateia, a declaração do candidato repercutiu nas redes sociais, e o tema gerou pico de comentários no Twitter.

A resposta do bispo foi dada depois de o candidato Tarcísio Motta (PSOL) defender a legalização da maconha.

— Países e locais onde a maconha foi legalizada, o consumo diminuiu e o estado pôde controlar. E trataram o uso problemático como um problema de saúde pública — explicou Tarcísio sobre sua posição favorável.

Crivella, por sua vez, foi claro ao explicar sua discordância:

— Os países que adotaram isso retrocederam. A Holanda, por exemplo, teve empresas que foram fechadas porque seus funcionários estavam usando drogas, como a Fokker, por exemplo, e os aviões começaram a ter problemas. Inclusive no Brasil — explicou, arrancando risos.

Na internet, os argumentos de Crivella repercutiram. O debate sobre drogas gerou o maior pico de Tweets por Minuto (TPM): 442 postagens, de acordo com a rede social. Pelo Facebook, uma montagem do candidato com os dizeres “Bando de maconheiro derrubando aviões por ae” (sic) recebeu mais de cem compartilhamentos.

Ainda no microblog, usuários perguntaram se realmente o candidato havia ligado o consumo de maconha a problemas nos aviões da Fokker; outros replicaram a fala do candidato, sendo reprovada pelos demais internautas.

CANDIDATO CITA FOKKER EM ENTREVISTA

Em entrevista à rádio CBN na manhã desta quarta-feira, Crivella voltou a tocar no assunto. Ele reafirmou que funcionários da Fokker usavam drogas durante o trabalho — caso constatado, segundo ele, após “inspetoria internacional”:

— Existe uma grande empresa de aviação chamada Fokker, que começou a apresentar em diversas partes do mundo defeitos em seus aviões. Então houve uma inspetoria internacional. E verificaram que os funcionários, por conta de ser legalizada, usavam drogas durante o serviço. Como a montagem de um equipamento requer minúcias, milhares e milhares de pequenas peças, esses problemas acarretaram no seguinte. Caiu no mercado que a notícia de que haviam viciados em drogas montando avião. As ações despencaram, acabou com fornecedor, acabou pessoas que queriam ligação com aquele negócio e a empresa quebrou — disse.

Em nota, a Rede Pense Livre, criada em 2009 com o objetivo de qualificar o debate sobre drogas, rebateu a afirmação de Crivella. De acordo com o grupo, “a legislação holandesa proíbe expressamente o uso de qualquer substância, inclusive o álcool, para o exercício da atividade de piloto de avião, carro ou qualquer outra modalidade motora”.

A rede também informou que não existe documentos oficiais ou pesquisas acadêmicas que ligam “a legalização da maconha na Holanda com o aumento do consumo ou mesmo de quedas de aviões”.

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Acusados de ligação com o crime, policiais viram cabos eleitorais de Garotinho no Rio

Álvaro Lins, ex-chefe de Polícia do Rio que chegou a ser preso, faz campanha em áudio por vitória de candidato no PR no primeiro turno. Inspetor acusado de ligação com máfia dos caça-níqueis envia mensagens pedindo votos para Garotinho e avisando que vai acabar a “palhaçada de UPP”

VELHOS CONHECIDOS – Anthony Garotinho, na época em que era governador do Rio de Janeiro, apresentando o novo chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, em 24/11/2000 (foto: Ricardo Leoni/Agência O Globo/VEJA)
VELHOS CONHECIDOS – Anthony Garotinho, na época em que era governador do Rio de Janeiro, apresentando o novo chefe de Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, em 24/11/2000 (foto: Ricardo Leoni/Agência O Globo/VEJA)

Thiago Prado, na Veja on-line

Diga-me com quem andas e te direi quem és. O provérbio clichê é valioso em uma campanha para projetar como seria o governo de um candidato em caso de vitória. Nas últimas semanas no Rio de Janeiro, tornaram-se cabos eleitorais do ex-governador Anthony Garotinho (PR) dois condenados por envolvimento com a máfia dos caça-níqueis que tiveram papel crucial nas políticas de segurança do seu governo e da mulher, Rosinha. Preso em 2008 pela Polícia Federal, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins, chegou a ser condenado a 28 anos de prisão por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Recentemente, ele gravou um áudio e enviou para várias pessoas no Estado conclamando “vingança” e pedindo a vitória do seu candidato no primeiro turno. O inspetor Fábio Menezes Leão, o Fabinho, condenado no mesmo processo de Lins, foi ainda mais escrachado: em uma mensagem de celular enviada para dezenas de colegas, afirmou que Garotinho terá o apoio dos “amigos das vans” e que “acabará com essa palhaçada de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora)”.

Em mensagem no whatsapp, Fábio Leão, condenado por formação de quadrilha, pede votos a Garotinho
Em mensagem no whatsapp, Fábio Leão, condenado por formação de quadrilha, pede votos a Garotinho

O áudio de Álvaro Lins que está circulando na rede revela o rancor do ex-delegado com o governo de Sérgio Cabral (PMDB), que o expulsou da Polícia Civil em 2009. Álvaro não cita Garotinho, mas ressalta que quer a vitória no primeiro turno. Hoje, segundo a última pesquisa Datafolha, o ex-governador é o primeiro colocado com 25% das intenções de voto, sete pontos a frente de Marcelo Crivella (PRB). “Bem aventurados aqueles que têm sede de justiça, pois serão saciados. Essa é a única expressão que vem à minha cabeça quando vejo uma notícia como essa. Eu espero que cada um de vocês nos ajude nessa luta. Eu sou apenas mais um dos muitos que sofreram na mão dessa corja que tem que ser varrida do Rio de Janeiro. Essa é a oportunidade que nós temos, não vai haver outra oportunidade. Daqui um ano, dois anos, quatro anos, dez anos. Acabou. Ou é agora ou nunca. Vamos varrer essa gente do Rio de Janeiro. A gente tem que conseguir isso. Eles é que são bandidos, eles é que roubaram o povo do Rio de Janeiro. Eles não têm nada contra nós. A gente vai dar o troco. Então, vai para rua hoje, telefona para a sua família, para o seu amigo, para pessoa que você não vê há muito tempo. Convence aquele cara que ainda está na dúvida.  E vamos ganhar isso, se possível até no primeiro turno. Essa é a minha voz, eu espero que seja a sua também”, diz Álvaro. Procurado pelo site de VEJA, o ex-chefe de Polícia não se manifestou.

Já as mensagens enviadas pelo celular de Fábio Leão assumem compromissos maiores que os de Álvaro. Ele é integrante do grupo dos inhos – como ficou conhecido um núcleo formado por ele e outros dois inspetores chamados Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho, e Hélio Machado da Conceição, o Helinho. Os três foram condenados em 2012 pela juíza Karla Nanci Grando, da 4ª Vara Federal do Rio após a operação Gladiador da PF. “Irmãos, estive com nosso chefe, Dr Álvaro (Lins) esta manhã e o que ele me pediu para passar é o seguinte: com apoio dos amigos das vans, das comunidades que foram impedidas de terem suas próprias seguranças e foram tomadas por traficantes entre outros casos, provavelmente o nosso governador Garotinho ganhará no primeiro turno”, enviou para um grupo de amigos no Whatsapp. Quando fala em “seguranças próprias”, Fábio está se referindo às milícias que dominam favelas do Rio de Janeiro há anos, contrapondo-se ao tráfico de drogas. Segundo o relatório de 2008 da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, o poder de tais grupos paramilitares – que fazem justiça com as próprias mãos e faturam com a venda de gás, pirataria na TV por assinatura e transporte alternativo – cresceu exponencialmente no estado durante os governos Rosinha e Garotinho.

Mas a mensagem de Fábio que mais chama atenção é a que põe em xeque o discurso de Garotinho de que não vai acabar com as UPPs: “Dr Alvaro esteve com o governador Garotinho essa manhã e o mesmo garantiu que reintegra todo o nosso grupo a PCERJ (Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro) nos primeiros dias de 2015!!! Garantiu que acabará com essa palhaçada de UPP!!! Irmão, vamos ajudar! Garotinho na cabeça! Não se envergonhe! Gardênia, Rio das Pedras e todas de Jacarepaguá já declararam apoio e voto a Garotinho. Vamos para cima deles! Essa é a hora! Conto com a ajuda e o apoio de vocês. Ass: Fábio Leão”, afirmou na mensagem. Procurado, Fábio nega que tenha enviado as mensagens. Chegou a alegar clonagem do seu celular e montagem das imagens. No entanto, admite que encaminhou para alguns amigos o áudio de Álvaro Lins pedindo votos para Garotinho. VEJA tem o print screen de várias mensagens enviadas por Fábio nos últimos dias. ​

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Marina atrai eleitor jovem, escolarizado e mais rico

Marina Silva no voo que a levou do Recife, onde acompanhou o velório de Campos, a São Paulo (foto: Joel Silva/Folhapress)
Marina Silva no voo que a levou do Recife, onde acompanhou o velório de Campos, a São Paulo (foto: Joel Silva/Folhapress)

Ricardo Mendonça, na Folha de Paulo

O eleitor típico da ex-ministra Marina Silva, provável candidata do PSB à Presidência, é jovem, bem escolarizado e mora em cidade grande. Na comparação com a média dos brasileiros, tem renda alta.

Os dados do Datafolha por segmento mostram os perfis em que cada candidato vai melhor ou pior. Ajudam a mapear forças e fraquezas dos concorrentes e, nas mãos dos marqueteiros, acabam servindo para ajustar os discursos e a propaganda eleitoral.

Feita imediatamente após a morte de Eduardo Campos, a pesquisa mostra Marina com 21%, em empate técnico com Aécio Neves (PSDB), 20%. A presidente Dilma Rousseff lidera com 36%.

Eleitores com ensino superior formam o grupo em que Marina apresenta sua melhor performance: 30%, um ponto a menos que Aécio, nove acima de Dilma. O segundo melhor desempenho de Marina está entre os que vivem em famílias com renda entre 5 e 10 salários mínimos, 29%.

Marina destaca-se ainda nas cidades grandes e entre aqueles que têm até 24 anos, grupo no qual marca 28%.

“É um público muito parecido com o dos protestos de junho de 2013, que rejeita os partidos e os políticos que eles identificam como tradicionais”, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

“Pesquisas daquela época já mostravam que Marina era a maior beneficiada pelos protestos. Sem ela candidata, aumentam as taxas de nulo, branco e indecisos”, afirma.

Os dados segmentados da pesquisa também ajudam a entender porque Marina é uma rival mais perigosa para Dilma no segundo turno.

Contra a petista, ela herda 70% dos eleitores que votam em Aécio no primeiro turno. Já o tucano herda 54% dos eleitores originais de Marina.

Nos resultados totais, Marina tem 47% contra 43% de Dilma, empate técnico nos limites máximos da margem de erro, que é de dois pontos.

Nessa simulação de segundo turno, o contraste de perfis fica ainda mais evidente.

Em vários segmentos Marina vence Dilma com folga. Entre os que têm ensino superior, por 65% a 24%. Entre os jovens, por 57% a 38%.

A vantagem aumenta conforme crescem a renda e o porte do município. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes, Marina ganha por 55% a 35%.

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Com Marina, intenções de voto no PSB sobem 300% entre jovens e pentecostais

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Wellington Ramalhoso, na Folha de S.Paulo

A pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (18) mostra que a possibilidade de a ex-senadora Marina Silva encabeçar a chapa do PSB faz crescer as intenções de voto no partido e que o aumento é ainda mais expressivo entre os evangélicos pentecostais e os jovens. Nos dois segmentos, o salto é de 300%.

No total da amostra de 2.843 entrevistados, Marina aparece com 21% das intenções de voto, quase o triplo dos 8% que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos tinha no levantamento anterior do instituto, divulgado em 17 de julho.

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, permaneceu na liderança com 36%. O senador Aécio Neves (MG), candidato a presidente pelo PSDB, se manteve com 20%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, mas ela sobe nos estratos por causa do número menor de entrevistas feitas dentro de cada um deles.

Entre os evangélicos pentecostais, Campos estava com 6% em julho e Marina obtém agora 24%, o que a coloca em empate técnico com Dilma no primeiro lugar.

A petista tem 32% entre os pentecostais, mas o empate com Marina acontece porque a margem de erro no segmento é de quatro pontos para mais ou para menos.

Neste estrato religioso, Aécio aparece em terceiro lugar, com 15%, e a soma de indecisos e eleitores dispostos a votar em branco ou nulo despencou de 31% em julho para 17% em agosto.

Entre os eleitores de 16 a 24 anos, Campos possuía 7% no mês passado e Marina angaria o apoio de 28% em agosto. Neste segmento, a margem de erro é de cinco pontos. Dessa forma, a ex-senadora fica em empate técnico com Dilma, que soma 32%, mas também com Aécio, que tem 18%.

Com a hipótese de Marina ser candidata a presidente, a proporção de eleitores indecisos ou dispostos a votar em branco ou nulo caiu praticamente pela metade nesta faixa etária: de 29% para 15%.

Mesmo com a margem de erro mais elevada, o resultado indica o potencial de Marina nos dois segmentos. Candidata a vice, a ex-senadora deve ser elevada à condição de candidata a presidente depois da morte de Eduardo Campos em um acidente de avião na semana passada em Santos (SP).

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