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Crianças expostas à religião têm mais dificuldade em distinguir o que é real

Pesquisadores descobriram que os pequenos que frequentam instituições religiosas têm mais probabilidade de acreditar que elementos sobrenaturais, como animais falantes, podem ser reais

(foto: Flickr/Creative Commons/ Panoramas)

(foto: Flickr/Creative Commons/ Panoramas)

Publicado na Galileu

De acordo com um novo estudo, publicado na revista Cognitive Science, crianças que crescem próximas à religião têm mais dificuldade de separar fato da ficção. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores responsáveis analisaram 66 meninos e meninas com idades entre 5 e 6 anos. Metade ia a escola paroquial e a outra metade frequentava escolas laicas.

A metade que ia para a igreja com frequência tinha mais dificuldade de separar elementos sobrenaturais da realidade. Acreditavam, por exemplo, que animais falantes poderiam ser reais. E elas confiavam em elementos da religião para justificar esse tipo de crença.

O estudo refuta hipóteses anteriores de que crianças “nascem” com uma predisposição para a fé. Os autores sugerem que “a exposição a histórias sobre milagres, faz com que crianças tenham uma receptividade mais genérica para o impossível, uma aceitação maior de que coisas podem desafiar a realidade, sem relações causais”.

Via Huffington Post

Conheça a história da ‘santa feia’ que perderá o lugar no interior gaúcho

santa feia

Publicado na Folha de S. Paulo

Santa de devoção do ex-técnico da seleção Luiz Felipe Scolari, Nossa Senhora de Caravaggio está no meio de uma polêmica em Farroupilha, cidade da serra gaúcha.

Fiéis que visitam o santuário da cidade, o maior do país dedicado à santa, não escondem: a imagem da padroeira que adorna a entrada do município é feia demais.

Apresentada ao público em 2008, a imagem ajuda a atrair turistas –o santuário recebe cerca de 2 milhões por ano. Mas o fato é que a aparência da figura de sete metros, de espuma e fibra de vidro, não agrada –devotos afirmam que o rosto é desproporcional, para dizer o mínimo.

Por isso, ainda naquele ano, a santa foi submetida a uma “plástica” pelo autor da obra, Roberto Chiaradia, que afinou partes da imagem, como o nariz. “Falam que ela é feia. Cada um tem um gosto”, diz o escultor, sugerindo contrariedade com o encargo.

Como o tratamento estético emergencial não adiantou muito, a solução foi encomendar uma nova imagem.

O santuário promove uma vaquinha na internet para custear a empreitada –fiéis solidários à causa da santa já doaram R$ 25,4 mil dos R$ 100 mil necessários.

SANTA ESCONDIDA

A nova imagem –com seis metros, 20 toneladas e toda de concreto– substituirá a antiga na rótula da RS-453. A rodovia é conhecida como estrada dos romeiros, já que liga a estátua, num das entradas de Farroupilha, ao santuário.

O destino, porém, da imagem rejeitada é incerto.

“A santa é deles, eles fazem o que querem. Não tem problema nenhum desde não estraguem a minha”, afirma um resignado Chiaradia.

O secretário de Turismo do município, Fabiano Picolli, diz que a santa “feia” deverá ir para dentro da cidade, porém mais longe dos olhos do público. “O objetivo é colocá-la em local visível, mas que guarde distância. Se passar perto, você consegue ver os motivos da substituição”, diz.

O culto à Nossa Senhora de Caravaggio começou em 1432 na cidade italiana que leva o nome da santa. Já popularizada, a devoção chegou à serra gaúcha com os imigrantes italianos no início da colonização, a partir de 1875.

A romaria realizada todos os anos entre 24 e 26 de maio reúne cerca de 200 mil fiéis. A maioria se desloca a pé, cumprindo promessas.

BONECA DE OLINDA

“Como devoto me sinto ofendido com a estátua que está ali. Sofro muito”, diz o secretário Picolli. Segundo ele, a santa já foi apelidada de “boneca de Olinda” e até de “biscoito Trakinas”, aquele do rosto na bolacha.

O mais famoso devoto da santa e frequentador do santuário é o novo técnico do Grêmio, Luiz Felipe Scolari, que vai ao local desde os tempos de jogador, no final dos anos 60. Fez promessas à santa antes da Copa de 2002, quando a seleção comandada por ele foi pentacampeã, e agora, em 2014, antes da campanha no Mundial marcada pelos 7 a 1 contra a Alemanha.

Neste ano, até o goleiro titular da seleção, Júlio César, posou na capa da revista “Caras” com uma miniatura da santa depois de ele ter defendido pênaltis na classificação do Brasil contra o Chile.

O padre reitor do santuário, Gilnei Fronza, diz que a mudança segue a vontade da comunidade. “O protótipo já agradou. Ela é uma formosura. E os detalhes são muito ricos”, comemora, aliviado.

O trabalho de construção ocorre num pavilhão dentro do santuário, aberto à visitação. E a santa só sairá de lá com “aceitação total” da comunidade, afirma um precavido padre Fronza.

O artista incumbido de dar vida à nova santa promete fazer jus à responsabilidade. “As imagens sacras são símbolos que nos aproximam de Deus. Por isso ela tem que ser bonita, ter leveza, delicadeza”, diz Gilmar Pocai.

Para ele, a estátua antiga “ficou muito caricaturada” e “não transmite a figura de mãe que as pessoas gostariam de ver”.

Há, no entanto, quem defenda a imagem rejeitada. “A devoção vai além [da estátua]. É desnecessário trocar”, diz a comerciante Elizabete Ramires Ribeiro, 37.

Ironicamente, quem procura a imagem pelo serviço Street View do Google encontra o rosto da santa antiga desfocado. O Google diz, contudo, que se trata de um ajuste automático, feito por um programa que desfoca as imagens ao detectar rostos. Nada a ver, portanto, com a polêmica estético-religiosa da “santa do Felipão”.

10 dicas do Papa Francisco para a felicidade

Entre os conselhos que deu em entrevista a uma revista argentina, o pontífice incluiu não fazer as refeições assistindo a TV e não tentar converter as pessoas

Papa Francisco depois de uma visita à prisão de Castrovillari, na Itália, em junho deste ano: doação é um dos conselhos dele para a felicidade (foto: Adriana Sapone / AP)

Papa Francisco depois de uma visita à prisão de Castrovillari, na Itália, em junho deste ano: doação é um dos conselhos dele para a felicidade (foto: Adriana Sapone / AP)

Publicado em O Globo

Em entrevista à revista “Viva”, publicada aos domingos pelo jornal argentino “Clarín”, o Papa Francisco deu dez conselhos para a felicidade, incluindo desligar a TV para fazer as refeições em família e não tentar converter as pessoas, seja na religião ou no modo de pensar. “As religiões crescem por atração, não por proselitismo”, ele disse, acrescentando que a melhor maneira de atingir as pessoas é com diálogo. Veja outros ingredientes da receita do Papa:

1. “Viva e deixe viver”. Cada um deveria ser guiado por este princípio, ele disse, citando uma expressão similar em Roma: “Ande para frente e deixe que os outros façam o mesmo”.

2. “Doe-se aos outros”. As pessoas precisam ser abertas e generosas com as demais, porque isso “as afastará de si mesmas, deixando de lado o risco de egocentrismo”. “E água estagnada fica podre”.

3. “Vá com calma na vida”. O Papa, que costumava ensinar literatura, usou uma imagem de um romance rural argentino de Ricardo Guiraldes, no qual o protagonista Dom Segundo Sombra lembra o passado e avalia como viveu a vida: com ética, lealdade e respeito ao próximo.

4. “Um saudável senso de lazer”. O Papa disse que “o consumismo nos trouxe a ansiedade”, e disse que os pais devem reservar um tempo para brincar com seus filhos e desligar a TV quando sentarem para comer.

5. Domingos deveriam ser feriado. As pessoas não deveriam trabalhar aos domingos porque “domingo é para a família”, ele disse.

6. Encontrar maneiras inovadoras para criar postos de trabalho para os jovens. “Precisamos ser criativos com os jovens. Se eles não tiverem oportunidades entrarão no mundo das drogas” e serão mais vulneráveis ao suicídio”.

7. Respeito e cuidado com a natureza. A degradação ambiental “é um dos maiores desafios que temos”, disse o Papa. “Acredito que não estamos nos perguntando ‘a Humanidade não está cometendo suicídio com esse uso tirãnico e indiscriminado da natureza?”.

8. Deixe de ser negativo. “Falar mal dos outros indica baixa autoestima. Isso quer dizer ‘eu me sinto tão mal que em vez de me levantar vou colocar os outros para baixo’. Abandonar a negatividade rapidamente é saudável”.

9. Respeite a crença dos outros. “Podemos inspirar as pessoas por testemunho, mas a pior coisa é o proselitismo religioso, que paralisa. A igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10. Trabalhe pela paz. “Estamos vivendo em uma época de muitas guerras, e devemos gritar pela paz. A paz às vezes dá a impressão de ser calma, mas nunca é quieta, a paz é sempre proativa e dinâmica”, disse o Papa.

Universal usa Velho Testamento para reviver relação do ‘povo eleito’ com Deus

Templo de Salomão, da Universal, no bairro do Brás, em São Paulo (foto: Marlene Bergamo - 30.jul.2014/Folhapress)

Templo de Salomão, da Universal, no bairro do Brás, em São Paulo (foto: Marlene Bergamo – 30.jul.2014/Folhapress)

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Por que os neopentecostais são apaixonados pelo que os cristãos chamam de “Velho Testamento”?

O termo, recusado pelos judeus, que usam “Tanach” para o cânone hebraico, ou “Bíblia Hebraica”, no rastro do crítico literário judeu americano Harold Bloom, reúne o conjunto de textos que vem antes do Novo Testamento. Neste, Jesus, o Messias dos cristãos, anuncia a “nova aliança” do Deus de Israel com a humanidade, diferente da “antiga aliança”, que seria apenas com o povo eleito, os hebreus. Salomão foi um dos mais importantes reis hebreus.

A diferença de terminologia para se referir a este conjunto de textos não é mero detalhe de um obcecado por estudos bíblicos, mas encerra em si um equívoco, do ponto de vista judaico, do que significa a chamada “eleição do povo de Israel”. De certa forma, grande parte do cristianismo compreende a eleição de Israel de um modo equivocado. A eleição é uma responsabilidade, um peso, não a escolha de um caçulinha mimado fadado ao sucesso. Aqui nasce o equívoco e, ao mesmo tempo, a paixão neopentecostal pelo Velho Testamento.

O “Templo de Salomão” construído pela Igreja Universal do Reino de Deus, é uma peça de fé, não uma reconstrução arqueológica, nem precisa ser, uma vez que estamos falando de religião, instituição que nada tem a ver com as demandas de uma ciência como a arqueologia.

O templo original, supostamente construído pelo rei Salomão, filho do rei Davi, no século 9º antes de Cristo, teria sido destruído por volta 586 a.C. Pesquisas arqueológicas situam os fragmentos encontrados no Monte do Templo, que poderiam ser da primeira sede do culto hebraico antigo, há cerca de 3.000 anos atrás, o que coincide com a vida do personagem bíblico em questão.

Mas, de onde vem essa paixão? Vem do fato que os neopentecostais (que se diferenciam dos seus “antepassados” pentecostais pelo forte caráter de “espetáculo para as massas” nos cultos) leem a relação entre o Deus de Israel e seu povo eleito numa chave mágica. Os fatos narrados no “Tanach” (Velho Testamento) indicam uma forte presença de Deus nos destinos do povo, alterando círculos naturais, criando forças a favor do povo, enfim, fundando um mundo de “milagres”.

Daí que, revivendo o Templo de Salomão, supostamente, a Igreja Universal dá um importante passo simbólico no sentido de dizer que seus fiéis revivem a relação de povo eleito com seu Deus, Rei do Universo (“Melech HaOlam”). A imagem é forte, temos que reconhecer. Mas, aqui reside a chave da interpretação equivocada que leva a paixão dos neopentecostais por todos os signos vétero-testamentários.

O equívoco está no fato que o mundo mágico do Velho Testamento é apenas uma pequena parte da eleição de Israel. Mas os neopentecostais parecem crer que essa “mágica israelita” é a base para o sucesso, a felicidade, e, finalmente, para a teologia da prosperidade que marca o movimento neopentecostal. Dito de forma direta: quem vive com o Deus de Israel fica rico e feliz.

Ledo engano, basta ver a história dos judeus e os jornais atuais. A eleição do povo de Israel, para os judeus, significa muito mais que o povo é um povo de sacerdotes, que leva a mão de Deus sobre si, num mundo de agonias, que recusará e odiará esse povo justamente por isso. Não é por outra razão que se chama o massacre de judeus na Segunda Guerra de “Holocausto”. O povo é “um animal do sacrifício”, e cada vez que Deus quiser, Ele o lança ao fogo para “falar” com o mundo.

A eleição de Israel é muito mais um peso do que um ticket para o sucesso. Tem mais a ver com o conflito israelo-palestino, através do qual muitos odeiam Israel, do que com ficar rico e feliz. Se perguntarmos a muitos judeus religiosos em Israel e no mundo, dirão que o desespero que passa Israel hoje, o medo do ódio do mundo e da destruição do Estado de Israel, é mais uma marca da sofrida eleição.

Por isso, não é difícil encontrar judeus que pediriam a Deus, assim como profetas o fizeram, que escolha outro povo para ser Seu eleito, porque Israel já cansou.

Edir Macedo inaugura megatemplo em SP com “recado” para Dilma e Alckmin

A presidente Dilma Rousseff (no centro), o vice Michel Temer (à esquerda), o bispo Edir Macedo (no centro, de barba), o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (à direita) e o governador de São Paulo Geraldo Alckimin (à esquerda) participam da cerimônia de inauguração do Templo de Salomão

A presidente Dilma Rousseff (no centro), o vice Michel Temer (à esquerda), o bispo Edir Macedo (no centro, de barba), o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (à direita) e o governador de São Paulo Geraldo Alckimin (à esquerda) participam da cerimônia de inauguração do Templo de Salomão

Publicado no UOL

O líder da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), o bispo Edir Macedo, foi o último a subir no altar na noite na inauguração do Templo de Salomão, nesta quinta-feira (31), em São Paulo.

Em frente à presidente Dilma Rousseff e ao governador Geraldo Alckmin, o bispo deu um recado aos governantes ao afirmar que “só orando” é possível e ter acesso à segurança e à saúde.

Antes de Macedo, o bispo Rogério Formigoni ambém cutucou os políticos presentes ao falar sobre o combate as drogas.

Formigoni, que se declarou um ex-viciado em crack e responsável por cultos em que combate o vício, disse que o governo “investe tanto em tratamentos que não dão certo”, enquanto a religião oferece a cura.

Igreja chegou a armar púlpito para Dilma, que saiu sem falar

Apesar de Macedo anunciar que Dilma faria um pronunciamento, e da instalação de um púlpito em frente ao templo a pedido do Planalto, a presidente não quis falar com a imprensa.

Enquanto estava fora do palco, Macedo acompanhou o início da cerimônia sentado na primeira fila, ao lado de Dilma.

Além da presidente e do governador, também estavam presentes o vice Michel Temer, o prefeito Fernando Haddad, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o ex-prefeito Gilberto Kassab, entre outras autoridades.

Artistas da Rede Record, como os apresentadores Brito Júnior e Ticiane Pinheiro, também estavam no salão com capacidade para 10 mil pessoas.

Líderes da IURD utilizaram indumentária judaica na inauguração

A avenida Celso Garcia, endereço do novo complexo religioso, teve uma das faixas bloqueadas e cobertas por um tapete vermelho para a passagem da arca da aliança, um símbolo do antigo testamento, carregada por seis homens vestidos com togas.

Vídeos com a história bíblica do povo judeu, da história de Jesus, do protestantismo e da fundação da IURD em 1977, por Macedo, foram projetados na faixada do prédio.

Macedo e os outros pastores que conduziram a cerimônia subiram ao altar cobertos por indumentárias judaicas: o talit, uma espécie de xale sagrado, e o quipá, um pequeno chapéu, sob a cabeça.

Ambos os adereços são comuns à fé judaica, assim como os candelabros que adornam as paredes internas do templo. Cantores, uma orquestra e um coral africano também participaram da cerimônia.