Ministério da Pesca é suspeito de fraudar licenças

Andreza Matais, no Estadão [via A Tarde]

Um mês antes do início da campanha eleitoral, o Ministério da Pesca alterou norma interna e permitiu que carteiras de pescador, antes confeccionadas pela Casa da Moeda, fossem emitidas em papel comum. A medida permitiu que, desde junho, as próprias superintendências da pasta nos Estados, a maioria controlada pelo PRB, confeccionassem os documentos, que dão direito a salário durante os cinco meses do defeso e outros benefícios.

As carteiras impressas em papel moeda tinham uma marca d’água para evitar fraudes – uma proteção que as confeccionadas em papel comum não dispõem. O PRB, ligado à Igreja Universal, comanda a pasta desde março de 2012, quando o senador Marcelo Crivella (RJ) foi nomeado ministro. Ele deixou o cargo para disputar o governo do Rio. O ministério é chefiado hoje pelo pastor Eduardo Lopes, também do PRB e suplente de Crivella. A sigla trabalha para manter a pasta no próximo mandato de Dilma Rousseff. Das 27 superintendências, 17 estão sob a chefia de filiados e dirigentes do partido.

No Acre, a Polícia Federal e o Ministério Público investigam denúncia de que houve um derrame de carteiras no período eleitoral para pessoas que não praticam a atividade pesqueira. A distribuição teria beneficiado Juliana Rodrigues de Oliveira e Alan Rick, respectivamente eleitos deputados estadual e federal pelo PRB. Até março, doutora Juliana, como é conhecida, foi superintendente estadual do ministério. Ela já havia, sem sucesso, disputado uma eleição, antes de ocupar o cargo.

A Polícia Federal já tomou depoimento de eleitores que receberam as carteiras cinco dias antes das eleições – parte deles assentados da reforma agrária. Eles disseram ter vendido o voto em troca do benefício. A investigação está sob sigilo. O registro do pescador é como um “cheque pré-datado”. O seguro-defeso, que garante salário no período em que a pesca é proibida, só pode ser recebido um ano após a emissão da carteira. Há exigências como comprovação por meio de relatório da atividade pesqueira. O documento dá direito a linhas de crédito bancário e aposentadoria especial.

Dados do ministério mostram que, no Acre e no Maranhão, o número de carteiras emitidas no período eleitoral supera o dos demais meses. De agosto a outubro, foram confeccionadas 30.177 carteiras no Maranhão, mais que as 22.581 dos sete meses anteriores do ano.

A Polícia Federal tem 14 inquéritos abertos no Estado para apurar irregularidades no pagamento do seguro-defeso ou na distribuição de carteiras. O Ministério Público informou que tramita um recurso no Tribunal Regional Eleitoral relacionado à distribuição das carteiras, também sob sigilo. O número de pescadores artesanais registrados no País hoje é de 1.005.888. Dados do Ministério do Trabalho mostram que, de abril a setembro, o número de requerentes do seguro da pesca chegou a 281 mil – foram 198 mil no mesmo período de 2013. A pasta não informou quais Estados tiveram maior crescimento.

Charge: Nani

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Padre excomungado grava vídeo para questionar papa Francisco

Publicado na Folha de S.Paulo

Após ter a excomunhão oficializada pelo Vaticano, o ex-padre Roberto Francisco Daniel, de 49 anos, gravou um vídeo em que “conversa” com o papa Francisco e faz vários questionamentos sobre a punição determinada pela Igreja Católica.

Excomungado desde abril do ano passado pela Diocese de Bauru (a 329 km de São Paulo), o religioso ainda aguardava a confirmação da punição pela Santa Sé, o que ocorreu há uma semana.

Padre Beto, como é conhecido, foi punido por defender o casamento entre gays e divorciados e por questionar dogmas da igreja.

No vídeo gravado após a decisão do Vaticano, ele pergunta o que fez de errado e questiona a punição.

“O interessante é que você vem se mostrando aberto ao diálogo”, diz, dirigindo-se ao papa. “Aí vem a ratificação da minha excomunhão, que é uma postura de não dialogar. Se a igreja me excomunga porque refleti sobre ideias, onde está a igreja aberta que você está construindo?”

Beto também pergunta ao papa sobre os padres pedófilos que foram afastados da igreja, mas não excomungados.

Ele levanta a possibilidade de o papa Francisco ter assinado sem ler o seu processo de excomunhão e ataca uma parte dos católicos.

“Você tem um clero que muitas vezes não age com ética e transparência”, critica.

O ex-padre faz também uma campanha nas redes sociais, com o uso da hashtag “E aí Papa?”, baseada nos questionamentos feitos no vídeo. O vídeo já foi visto por quase cinco mil pessoas no Youtube.

Casamenteiro

Professor universitário e escritor, o ex-padre continua celebrando casamentos mesmo após ser excomungado. É contratado por casais gays, divorciados ou fiéis que querem fazer a cerimônia fora dos templos.

No comunicado que oficializa a excomunhão, o Vaticano pede aos fiéis que não participem dos cultos celebrados por Beto e informa que os matrimônios feitos por ele após a declaração da pena não têm validade.

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Dom Odilo diz que envolvidos em escândalo da Petrobras só recebem perdão se devolverem dinheiro

Cardeal de São Paulo disse que caso pode ser um marco para amadurecimento da política no Brasil

O líder católico admitiu também que a Igreja deve acolher as pessoas que fazem aborto e são homossexuais. foto:  Marcos Alves / Agência O Globo (Arquivo - 23/01/2014)
O líder católico admitiu também que a Igreja deve acolher as pessoas que fazem aborto e são homossexuais. foto: Marcos Alves / Agência O Globo (Arquivo – 23/01/2014)

Publicado em O Globo

O cardeal e Arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, afirmou nesta quarta-feira que os envolvidos no escândalo de corrupção da Petrobras precisaria devolver o dinheiro que desviaram para poderem ser perdoados. Durante almoço realizado pelo Lide, grupo de líderes empresariais, dom Odilo foi questionado por um integrante da plateia se poderia haver perdão dos envolvidos em caso de confissão.

- Em confissão, o perdão é dado mediante o ressarcimento do dano. Havendo arrependimento, reorientação da vida e reparação do dano, o perdão é dado – respondeu.

Em entrevista, depois do debate, o cardeal afirmou que o escândalo da Petrobras pode se transformar em um marco do combate à corrupção no país.

– O que se levanta como suspeita de corrupção é uma coisa muito impressionante. Se for bem conduzido esse processo, talvez possa realmente ser um marco na mudança da ética das relações entre economia e política. Talvez seja dolorido para o país encarar isso, mas é preciso e acredito que faz parte de um amadurecimento da política – afirmou o cardeal.

No almoço, dom Odilo também foi questionado sobre a possibilidade de a Igreja Católica flexibilizar suas posições com relação ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O cardeal disse que não há como aceitar as práticas.

- A questão do princípio não há o que flexibilizar. Entre pode matar e não pode matar não há o que flexibilizar. Eu considero o aborto a supressão da vida de um ser humano que já existe. Da mesma forma, em relação às pessoas que têm relacionamentos homoafetivos e querem que a união seja reconhecida como casamento. Existe casamento só entre dois diferentes.

O líder católico, porém, admite que é possível para a Igreja acolher as pessoas que fazem aborto e são homossexuais.

– Da parte da igreja, devemos olhar a situação humana dessas pessoas. Tratar de forma caridosa e respeitosa as pessoas que estão nessa situação. Isso não dignifica concordar com o que está acontecendo.

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Condenado no Mensalão, Pizzolato diz que aceitou Jesus e testemunha: Agora sei que o Senhor Jesus me ama

“Meu único desejo é fazer a vontade de Deus”

pizzolato

Publicado no JM Notícia

Henrique Pizzolato, o ex-diretor do Banco do Brasil condenado a mais de 12 anos no julgamento do Mensalão, diz que encontrou Jesus e agora frequenta a igreja todos os dias

APROXIMAÇÃO

Henrique Pizzolato encontrou Jesus. Pelo menos é o que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil condenado a mais de 12 anos no processo do Mensalão anda dizendo para os amigos mais próximos desde que deixou a Penitenciária de Sant’Anna, em Modena, na Itália, onde passou os últimos meses encarcerado. Praticamente recluso desde que conquistou a liberdade ao ter sua extradição para o Brasil negada pela Justiça italiana no dia 28 de outubro, o ex-diretor de marketing continua vivendo em Modena e se tornou um dos frequentadores mais assíduos da Igreja Pentecostal Cristã Carismática Fonte di Vita, uma denominação protestante localizada na região central da cidade italiana de 180 mil habitantes.

CONVERSÃO

Pizzolato tornou-se religioso na cadeia. O ex-diretor do Banco do Brasil passou a frequentar um grupo de orações e estudos bíblicos organizado pelo pastor Romulus Giovanardi, um dos líderes da Fonte di Vita. Lentamente, Pizzolato passou a frequentar com assiduidade os encontros promovidos pelo religioso todas as quintas-feiras na Penitenciária de Sant’Anna. “Quando chegou à prisão Pizzolato era um homem esfacelado, mal caminhava, não falava, tremia, era confuso, ansioso e tinha medo de tudo”, conta o pastor que se transformou em um amigo e espécie de porto seguro para o condenado pelo Supremo Tribunal Federal. “Depois que encontrou Jesus, Pizzolato é um outro homem, saiu da prisão de cabeça erguida”.

TESTEMUNHO

Na manhã do domingo 16, Pizzolato decidiu, pela primeira vez, dar um testemunho público de sua fé. Junto com a mulher, Andrea Haas. Henrique Pizzolato subiu no palco da pequena igreja por volta das 10 horas e durante 30 minutos contou como sua vida se transformou após aproximar-se da religião. “Uma noite, após ter participado da quinta-feira de oração e louvor, senti dentro de mim o desejo de pertencer a Jesus”, disse ele, emocionado e quase indo às lágrimas. “O aceitei como meu Senhor e Salvador e imediatamente me senti leve, cheio de paz e alegria. Eu estava atrás das grades, mas livre.”, disse ele, arrancando lágrimas da mulher, Andrea Haas, que acompanhava o testemunho do marido na primeira fileira.

Pizzolato aproximou-se da religião nos momentos que ele considerava mais difíceis na cadeia e que não tinha certeza se conseguiria realmente evitar a extradição. O executivo condenado a 12 anos de prisão passou a depositar na fé as esperanças de permanecer na Itália, país do qual é cidadão, e livrar-se da cadeia no Brasil. Pizzolato passou a ter certeza que seria liberto ao iniciar um período de leitura quase compulsiva da bíblia, que lia diariamente na prisão. “No dia anterior ao seu julgamento escrevi uma carta a ele dizendo que ‘Jesus é seu advogado’”, conta Giovanardi. “Ele, naquele dia, estava mais seguro que sairia do tribunal um homem livre do que seu advogado”.

LIBERDADE NA PRISÃO

Pizzolato e Andrea falam com o padre quase que diariamente. Não raro, saem para almoçar com o pároco e são presença frequente na igreja. Em seu testemunho no domingo, o ex-diretor do Banco do Brasil disse que se precisasse voltar à penitenciária não teria problema algum. “Se me perguntassem quais momentos da minha vida eu gostaria de reviver, não tenho dúvida: todos aqueles dias na (Penitenciária de) Sant´Anna, porque ali eu conheci Deus e sofri uma profunda mudança. Se antes conhecia um Deus distante, que às vezes o percebida como um juiz, agora sei que o Senhor Jesus me ama”, afirmou.

Pizzolato ainda não sabe seu destino final. Nesta segunda-feira o Ministério Público italiano entrou com um recurso na corte suprema do país pedindo novamente sua extradição para o Brasil, onde ele terá que cumprir sua pena em regime fechado. Diante dos fiéis da Fonte di Vita, Pizzolato, no entanto, disse que seu maior objetivo na vida não está mais relacionado a ambições terrenas. “ Hoje meu maior desejo é fazer a vontade de Deus e ajudar os outros.”

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Silas Malafaia diz: “A causa gay foi para o saco”

Felipe Patury, na Época

O pastor Silas Malafaia (foto: Nidin Sanches/Nitro/Editora Globo)
O pastor Silas Malafaia (foto: Nidin Sanches/Nitro/Editora Globo)

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus-Vitória em Cristo, diz: “Não daremos mole nos Direitos Humanos”. Ele afirma que a bancada evangélica ficou mais forte. Hoje, são 74, contra 88 do PT. Em 2015, serão 85 integrantes, contra 70.

A orientação é dar prioridade às comissões de Direitos Humanos e de Seguridade Social e Família, em que são discutidos os assuntos prioritários para seu público. “Com essa bancada, a causa gay foi para o saco”, diz Malafaia.

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