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Record quer Wagner Moura como Edir Macedo em superprodução

Wagner Moura em cena de A Busca, filme de 2013; ele volta aos cinemas em maio com Praia do Futuro

Wagner Moura em cena de A Busca, filme de 2013; ele volta aos cinemas em maio com Praia do Futuro

Daniel Castro, no Notícias da TV

Após inaugurar o Templo de Salomão, em junho deste ano, a Record e a Igreja Universal do Reino de Deus vão juntar esforços para levar a vida do bispo Edir Macedo para os cinemas. A Record Entretenimento, braço de licenciamento da emissora, já trabalha no projeto de um filme contando a história de Macedo, ex-bancário que fundou a igreja e se tornou dono da rede de TV e de uma fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão.

Previsto para chegar aos cinemas em 2016, o filme será baseado principalmente nas três recentes biografias de Edir Macedo: O Bispo e Nada a Perder 1 e 2, todas escritas por Douglas Tavolaro, vice-presidente de jornalismo da Record.

O filme será uma megaprodução. Para interpretar Edir Macedo, a Record quer o ator Wagner Moura. Para dirigir o filme, já convidou José Padilha, mas o diretor de Tropa de Elite e do novo Robocop recusou, alegando falta de tempo devido a outros compromissos já assumidos.

A Record espera fazer pelo menos 5,1 milhões com o filme do bispo Macedo, o que colocaria o longa-metragem entre os dez mais vistos de toda a história do cinema nacional.

Jovens renunciam fast food, Facebook e até sexo nos 40 dias da Quaresma

A promotora de eventos Franciane Arnoni, que decidiu como "penitência" deixar de usar o Facebook (foto: Daniel Guimarães/Folhapress)

A promotora de eventos Franciane Arnoni, que decidiu como “penitência” deixar de usar o Facebook (foto: Daniel Guimarães/Folhapress)

Publicado na Folha de S.Paulo

Uns deixam de ouvir música, outros param de tomar refrigerante e de frequentar lanchonetes. Mas também existem os que resolvem se desconectar das redes sociais, não tomar nada de álcool e abrir mão do sexo durante 40 dias.

Mesmo com propostas mais modernas, jovens continuam seguindo o princípio religioso de fazer algum “sacrifício” no período da Quaresma, que terminou ontem.

Estudante de engenharia química do Instituto de Tecnologia Mauá, Anderson de Oliveira, 22, decidiu não tomar cerveja. Também combinou com a namorada que eles não manteriam qualquer tipo de contato sexual durante a Quaresma, considerado pela Igreja um período de “reflexão e penitência”.

“É um desafio grande porque sou eu que costumo organizar as festas da minha turma na faculdade. Tive de resistir em umas duas baladas e em quatro churrascos nesse período, mas é algo que faço com convicção.”

De família católica, o universitário diz que os amigos costumam entender suas “missões” religiosas e que não teve problemas em combinar a privação do sexo com a parceira.

“Ela também é católica e não foi nenhum sacrifício para nós decidir essa questão. Fazemos na intenção de tentar melhorar algo na nossa maneira de ser, por respeito a um período importante para a nossa fé.”

Bispo auxiliar de Aparecida (SP), dom Darci José Nicioli, valida os sacrifícios modernos desde que eles não sejam “interesseiros”, prevejam uma “troca de benefícios” com Deus e que tenham finalidade de adquirir um “comportamento virtuoso”.

“Todo sacrifício ou esforço ascético [voltado ao espiritual] é válido, mesmo a renúncia ao corriqueiro da vida, como não usar as redes sociais, tomar refrigerante ou ouvir música, desde que sejam gestos de sentido.”

Religiosos alertam, porém, que não há sentido no sacrifício se, ao fim da Quaresma, a pessoa quiser “compensar” o período de abstinência.

A promotora de eventos Franciane Arnoni, 32, aproveitou a Quaresma para tentar acabar com o que considera um “vício”: ela parou de entrar no Facebook.

“Quis fazer algo que causasse muita diferença na minha vida, que provocasse reflexão. Por isso decidi deixar o Facebook. Ficava até de madrugada na rede social só para saber sobre os outros. Esquecia de mim, de conversar com minha família”.

A primeira semana foi a mais difícil, afirma Francine. Para matar a curiosidade sobre alguns fatos, como o casamento de uma amiga, pediu que mandassem fotos.

“Não sei se voltarei a navegar no ‘Face’. Pensei em tudo o que deixei de fazer para estar no mundo virtual e tomei um susto”, afirma.

FAST FOOD

As mais fortes penitências quaresmais, porém, continuam sendo relacionadas a deixar de comer algo –geralmente carne.

A analista de logística Géssica Morais Silva, 23, deixou de tomar refrigerante, o que fazia todos os dias, e abriu mão de comer lanches –sua refeição ao menos três vezes por semana.

“Faço para mostrar gratidão pela minha vida e ainda é muito pouco. Preciso fazer a outra parte, que é dar alimentos para outras pessoas.”

Segundo Géssica, que em anos anteriores deixou de comer chocolate e tentou não ser grosseira com as pessoas, o benefício que vê na ação é o sentimento de “paz”, de “dever cumprido.”

Aluna evangélica é proibida de estudar por usar saia em escola

Publicado em O Globo

Um impasse envolvendo o uso de uniforme está causando polêmica na escola estadual Caic Euclides da Cunha, em Rio das Pedras. Com o sonho de se formar no ensino médio, a diarista Ana Cristina Silva Torres, de 37 anos, contou que, há cerca de duas semanas, foi impedida de frequentar as aulas do curso de Educação Para Jovens e Adultos (EJA), à noite, porque a direção da unidade proibiu o uso de saia para as alunas. Nos últimos dias, Ana Cristina conseguiu voltar a estudar, mas ainda não sabe como sua situação será resolvida. A Secretaria estadual de Educação informou que existe um padrão de uniforme escolar na rede pública de ensino, composto por calça, camisa e tênis, que deve ser respeitado por todos os alunos.

— Sou evangélica e a saia é a vestimenta que eu costumo utilizar no meu dia a dia. Não é nem que a religião me obrigue a só usar saia, mas é como eu me sinto bem. A direção da escola foi trocada e o novo diretor disse para mim que não podia abrir mão do (uso) do uniforme, e que iria cortar o meu nome da lista de alunos matriculados no colégio. E ele nem quis conversar, ouvir meus argumentos. Foi uma situação que me deixou muito magoada — contou a diarista.

Ana Cristina era analfabeta até seis anos atrás, quando começou a estudar, pensando principalmente em poder acompanhar os estudos das duas filhas. Depois de completar a alfabetização, a diarista resolveu fazer o curso supletivo do ensino fundamental e agora se esforça para conseguir o diploma do ensino médio.

— Essa decisão me pegou de surpresa. (O diretor) falar que iria cortar meu nome da lista (dos matriculados) foi um golpe num sonho que eu tenho desde criança, de conseguir me formar. Os meus pais não me deixaram estudar. Hoje, é um objetivo não só meu como também das minhas filhas. É como se tivessem jogado um balde de água fria na gente — acrescentou Ana Cristina.

Em nota, a secretaria argumentou que “todas as escolas, (das redes) pública ou privada, têm que possuir regras, como o uso do uniforme, para garantir a segurança de toda a comunidade escolar. Os direitos e deveres são para todos, independentemente da religião que professem”.

Sobre o caso específico da diarista, a secretaria disse ainda que “caso o diretor abra exceção, terá que liberar para todos, acabando com o uso do uniforme”. E concluiu afirmando que a estudante foi a única pessoa que se recusou a frequentar a escola com o padrão exigido de calça, camisa e tênis.

Caso é comparado à proibição do uso de burca por alunas na França

Especialistas ouvidos pelo GLOBO foram unânimes em questionar a postura da escola e da secretaria. Consideram que o exercício da manifestação religiosa, refletido na roupa, não pode ser tolhido. O coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, compara a restrição de que a aluna foi vítima à situação das estudantes muçulmanas na França, que foram proibidas de usar a burca para ter acesso às escolas:

— É uma luta entre o sistema de ensino, querendo impor regras de comportamento, versus uma opção religiosa. A restrição é equivocada, e tanto a identidade individual quanto sua cidadania estão sendo desrespeitadas.

O educador destaca que a escola é laica, o que não significa que ela tenha que obrigar um padrão de comportamento e impedir a manifestação religiosa.

O sociólogo e diretor do Iuperj, Geraldo Tadeu Monteiro, chama atenção para semelhanças entre a situação carioca e a polêmica nas escolas francesas, em que “uma norma religiosa colide com uma outra norma, secular”:

— A estudante não está pedindo nada de mais, ela não quer ficar nua, por exemplo. E a obediência às normas religiosas não traz prejuízo aos outros alunos. Pelo que temos visto em termos de decisão judicial nos últimos tempos e pela nossa cultura, é possível que a Justiça se posicione favoravelmente à aluna.

Ao ser informada pelo GLOBO sobre a polêmica, a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ ofereceu amparo jurídico à estudante. O vice-presiente da comissão, Aderson Bussinger, defende que, frente a uma situação de convicção religiosa “profunda”, tem que haver flexibilidade. Diz que o caso deve ser tratado como algo de caráter excepcional, para que ela use a roupa que quiser.

— Considerando o preceito da liberdade religiosa como causa pétrea da nossa Constituição e uma questão internacional de direitos humanos, a escola tem que se adequar a essa realidade religiosa.

Saia e vestido rosa choque

Em fevereiro deste ano, sem ar-condicionado no local de trabalho e proibido de entrar de bermuda, o funcionário público André Amaral Silva foi trabalhar de saia no Rio e virou notícia.

Em 2009, Geisy Arruda foi hostilizada por causa de um vestido rosa choque, considerado curto demais por outros alunos de sua faculdade, em São Paulo, e tornou-se uma celebridade.

ExpoCristã é cancelada. De novo

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Pauloexpo_crista

A ExpoCristã, que por mais de uma década se manteve como maior feira gospel de negócios do Brasil, foi cancelada. De novo.

A Expo prometia voltar “com força total” para sua 12ª edição, que aconteceria em julho no Expo Center Norte, em São Paulo. O site ainda convida fiéis a serem um “líder de caravana” do “evento mais completo para cristãos”.

Entre apoios já anunciados, o banco Bradesco, a universidade Mackenzie, a seguradora Mapfre e a Universal Music Christian Group.

Marcas como Quinta da Glória (moda gospel) e Bom Pastor (editora) também estavam no barco.

Em 2013, a casa caiu após a feira ser despejada no pavilhão do Anhembi, com uma dívida de quase meio milhão de reais.

Neste ano, a ExpoCristã estava sob nova direção: Leo Ganem, ex-CEO de duas empresas da Globo (seis anos na Som Livre e três na Geo Eventos).

A organização diz, em nota à imprensa, que o evento não acontecerá neste ano “devido às dificuldades impostas pelo calendário, com Copa e Eleições”.

Um mapa das contradições na Bíblia

mapa-inconsistencias-biblia-838x502Cesar Grossmann, no HypeScience

A Bíblia moderna, adotada pela maioria das religiões cristãs, é uma coleção de livros escritos por diversos autores no período entre o século 8 aC e o século 1 dC. O cânon moderno compreende 45 livros no Antigo Testamento (no caso do adotado pela Igreja Católica, o adotado pelas igrejas protestantes tem menos livros), e 27 livros no Novo Testamento, reunindo o trabalho atribuído a cerca de 40 autores (existem mais autores ocultos, considerando o que o estudo do texto permite deduzir).

Tendo sido escrito por tantos autores diferentes e por um período de tempo tão longo, é natural que ocorram incoerências e inconsistências no texto bíblico. E é exatamente disto que trata o site BibViz – das contradições bíblicas.

Compilado a partir de coleções de contradições dos sites Skeptic’s Annotated Bible Contradictions (SAB), Infidels e EvilBible, o BibViz apresenta 63.779 referências cruzadas de diferentes versículos incoerentes entre si, como versículos dizendo que Deus pode fazer qualquer coisa, e passagens em que ele não consegue vencer habitantes de um vale porque eles tinham carruagens de ferro.

Além das contradições, também alguns temas polêmicos estão anotados, como afirmações cientificamente absurdas ou historicamente incorretas, por exemplo, em Levíticos 11:5-6, que afirma que coelhos e lebres são ruminantes. Entre estas coletâneas, estão as passagens que apresentam personagens bíblicos praticando crueldade e violência, misoginia, preconceito contra homossexuais, e outros assuntos que interessam mais do que quantos homens exatamente os capitães de Davi mataram (300 segundo as Crônicas 11:11, 800 segundo 2 Samuel 23:8).

As fontes para as contradições bíblicas são todas de sites ateus. Sites cristãos normalmente negam ou minimizam as contradições, mesmo considerando que existem compilações de inconsistências feitas por teólogos cristãos, como o estudioso Bruce Manning Metzger, que trabalhou na Sociedade Bíblica Americana e Sociedades Bíblicas Unidas.

BibleNetworksmallO site BibViz também fala sobre uma distância moral e ética que há entre o nosso século e o tempo em que foram escritos os textos bíblicos, uma época em que o genocídio, a misoginia, a violência contra mulheres, a intolerância religiosa, a intolerância contra homossexuais e a escravidão eram encarados como moralmente aceitáveis – em alguns casos eram até mesmo incentivados -, enquanto hoje são considerados crimes hediondos.

Para quem for navegar pelo BibViz, é interessante notar que ele é anglo-cêntrico, ou seja, utiliza traduções da Bíblia para o inglês, como a versão “King James”. Estão excluídos, portanto, alguns livros que são exclusivos da Igreja Católica, além de alguns versículos estarem traduzidos diferentes, como o Levíticos 11:20, que na tradução Kingt James fala em “four-legged fowls” (que poderia ser traduzido para o português como “aves de quatro patas” – morcegos?) e na tradução do padre Almeida, usada no Brasil, fala de “insetos com quatro patas” (que é uma coisa que não existe). [Friendly Atheist, BibViz]