Falar com estranhos te deixa mais feliz

(foto: Michael Tapp / flickr/ creative commons)
(foto: Michael Tapp / flickr/ creative commons)

Ana Freitas, na Galileu

Se você é daquelas pessoas mal-humoradas que não faz contato visual com velhinhos no metrô e que vira os olhos quando alguém puxa papo com você, atenção: você pode estar perdendo uma dose diária de felicidade. É o que indica um novo estudo feito no transporte público de Chicago. Passageiros tiveram que falar com estranhos em um trem, sentarem-se sozinhos e calados, ou então fazer o que fariam normalmente. Em seguida, eles responderam um questionário falando como se sentiam.

Aqueles que conversaram com estranhos relataram ter experiências mais prazerosas do que aqueles que ficaram sozinhos e caladinhos (esses, aliás, relataram as piores experiências). As respostas foram comparadas com um grupo que não fez nada, mas teve que imaginar como se sentiria em situações parecidas. A maioria concordou que conversar com estranhos no metrô faria os dias delas bem mais feliz.

Se falar com estranhos faz bem, porque tanta gente foge desse tipo de situação como diabo foge da cruz? É que aparentemente, ainda de acordo com esse estudo, a gente acha que os outros não têm vontade de conversar. Pois bem, não é verdade: talvez com exceção dos mal-humorados ou dos que tiveram um dia ruim, parece que bater um papo com estranhos na rua deixa melhor o dia de qualquer um.

Via Scientific American

Comentários

Leia Mais

Em Nome de Deus

img-1025274-em-nome-de-deus

Publicado na Rolling Stone

Temidos e, ao mesmo tempo, cobiçados. Os evangélicos brasileiros estão prestes a protagonizar um momento-chave nas eleições deste ano, com a força de aproximadamente 23 milhões de eleitores. Cerca de 22% da população (42 milhões de pessoas, ou quase um em cada quatro brasileiros) se declarou evangélica no último censo, realizado em 2010. Conectados às redes sociais e abastecidos por uma máquina midiática poderosa, os políticos que representam essa massa sabem que, nas igrejas, têm mais do que um rebanho de fiéis – têm possibilidade de votos. Se parte dos brasileiros ainda não sabe se segue em direção à esquerda ou à direita, os eleitores da bancada evangélica parecem ter em mente exatamente para onde ir e em quem votar.

Em 2010, por exemplo, foram eleitos 70 deputados federais e três senadores que levantaram a bandeira da religião na hora de arregimentar votos. Se fossem todos do mesmo partido, seriam tão fortes quanto gigantes como o PT e o PMDB. Apesar de defenderem interesses comuns, na política e fora dela os evangélicos compõem uma massa heterogênea, dividida em diversos outros grupos. Há pelo menos três grandes ramificações: os evangélicos tradicionais (que podem ser batistas, presbiterianos, protestantes, luteranos ou metodistas), os pentecostais (Assembleia de Deus, Deus é Amor, Igreja do Evangelho Quadrangular) e os neopentecostais (Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Renascer em Cristo). Este último grupo é o que mais cresce no Brasil, e se diferencia dos pentecostais por adotar, segundo eles, hábitos mais “liberais”, e acreditar na chamada Teologia da Prosperidade, que enfatiza o caráter abençoado da riqueza.

A participação de religiosos na política brasileira não é novidade e os católicos foram os pioneiros. Mas, ao longo das últimas décadas, a Igreja Católica mudou seu modo de atuação, preferindo os bastidores. Os evangélicos, por sua vez, passaram a disputar eleições em números cada vez maiores: em 2014, pelo menos 270 pastores vão concorrer a cargos eletivos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “Antes, representantes religiosos não se envolviam em disputas eleitorais ou políticas porque isso fazia parte da estrutura de pensamento deles à época”, diz o filósofo Roberto Romano, um dos maiores especialistas brasileiros na relação entre religião e política. “A separação da esfera do sagrado e do secular era um elemento importante.”

O chamado mais claro para que os evangélicos saíssem do isolamento político parece ter vindo de um velho conhecido do público: o bispo Edir Macedo, fundador e dirigente da Igreja Universal do Reino de Deus. No livro Plano de Poder (editora Thomas Nelson Brasil, 2008), Macedo conclama os fiéis a participar da vida política e a pôr em prática um projeto que é “de Deus”. Parecendo ter tirado inspiração de clássicos como O Príncipe, de Maquiavel, e de passagens bíblicas, Macedo é didático: “Mobilização é poder”. Para especialistas, o crescimento da bancada evangélica no Congresso acontece dentro de uma intrincada combinação de fatores, entre os quais estão o crescimento da população evangélica no Brasil, que triplicou entre 1980 e 2010; a dubiedade do Estado laico brasileiro; e o desgaste do velho debate político entre esquerda e direita. “A Constituição diz que o Brasil é laico, mas pede a proteção de Deus. Isso é muito irônico”, afirma Romano. Christina Vital, socióloga e professora da UFF (Universidade Federal Fluminense), enfatiza que o debate entre esquerda e direita perdeu o sentido para algumas pessoas. “Hoje, a forma de mobilização social mais forte no Brasil e em vários países do mundo não se dá mais em torno de partidos ou sindicatos. Hoje ela é religiosa”, constata.

Para o pastor Everaldo Pereira, candidato do PSC à Presidência da República, a divisão entre direita e esquerda “é ultrapassada”. “O Brasil é um país diferente. Talvez isso fizesse algum sentido na Europa, quando começou, mas o país é hoje uma mistura de coisas”, ele acredita. Pereira é pastor da Igreja Assembleia de Deus do Rio de Janeiro e, durante o governo de Anthony Garotinho (1999-2002), foi subchefe da Casa Civil. Pesquisas recentes lhe dão em torno de 3% das intenções de voto. Parece pouco, mas o candidato conta com aliados poderosos – ao que indica a força de alguns de seus apoiadores, ele poderá surpreender. Em julho deste ano, Silas Malafaia, um dos mais midiáticos pastores do Brasil, divulgou um vídeo apoiando Pereira. O aval de Malafaia é um dos mais desejados entre os políticos evangélicos. Presente sobretudo na TV e na internet, ele não tem o menor pudor em indicar e criticar políticos. Foi Malafaia quem protagonizou um duelo com a jornalista Marília Gabriela durante o programa de entrevistas De Frente com Gabi, em fevereiro do ano passado, no qual disse amar os gays “da mesma forma que ama os bandidos”. Mas não só Everaldo Pereira está disposto a olhar para eleitores evangélicos – os principais candidatos à Presidência já deram início a tentativas de abocanhar fiéis em um jogo de xadrez no qual os “bispos” é que são as peças mais importantes. Todos atrás de um eleitorado que, segundo pesquisa do Datafolha, é três vezes mais propenso a votar em candidatos indicados pela igreja do que os católicos.

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, vem mantendo conversas com líderes da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro e em outros estados. Em 2010, parte dos representantes da Assembleia, uma das mais poderosas igrejas entre as pentecostais, seguiu com o então candidato José Serra (PSDB). O time de Dilma Rousseff (PT) também se articula para buscar votos nessa esfera. Em 2010, a então candidata obteve o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus. Um dos principais líderes da IURD, Marcelo Crivella (PRB-RJ), foi alçado ao cargo de Ministro da Pesca e hoje é um dos principais candidatos ao governo do Rio de Janeiro. “Os principais candidatos dialogam, e muito, com esse segmento”, explica Christina Vital. “Eles procuram as lideranças, porque sabem que elas podem influenciar o voto, ainda que seja ingênuo imaginar que os fiéis votem o tempo todo da forma como o pastor indica.”

(mais…)

Comentários

Leia Mais

Exame de DNA em xale revela identidade de Jack, o Estripador

xale-ajudou-cientistas-a-chegarem-a-identidade-de-jack-o-estripador-1410114884009_615x470

Uma análise de DNA pode ter revelado a verdadeira identidade de Jack, o Estripador, o serial killer responsável por, ao menos, cinco assassinatos em Londres em 1888.

Um xale achado em torno do corpo de Catherine Eddowes, uma das vítimas do criminoso, continha o DNA dela e do assassino e ajudou na retomada das investigações do caso por interesse de um “detetive de poltrona”.

A descoberta foi possível depois que o empresário Russel Edwards, 48, comprou o xale em um leilão e o colocou à disposição de Jari Louhelainen, um renomado especialista em análise de evidências genéticas de crimes antigos que atua na Interpol. Por meio de análises, Louhelainen — que em seus momentos de folga do trabalho como professor de Biologia na Universidade John Moores, de Liverpool– conseguiu confirmar a compatibilidade do DNA da vítima e do criminoso, segundo o diário britâncio “Daily Mail”.

Investigação

O especialista fez análises fotográficas para estabelecer onde as manchas estavam no xale. Com uma câmera de infravermelho, Louhelainen conseguiu confirmar que as marcas escuras não eram apenas sangue, mas respingos de sangue arterial advindos de cortes, justamente a causa da morte de Catherine.

Outra descoberta em função do xale deixou a tão aguardada resposta ainda mais próxima. Com uma fotografia UV, um conjunto de manchas fluorescentes apareceu. Segundo o especialista, elas teriam características de esperma. “Eu nunca esperei encontrar evidências do próprio estripador, o que foi emocionante”, contou Edwards, o dono da peça. Na investigação, também foram encontradas evidências de partes de células de corpo humano no tecido. No ataque, um dos rins de Catherine foi removido pelo assassino.

Para retirar as evidências e poder analisá-las, o especialista usou um método chamado “aspiração”, que utiliza uma pipeta com um líquido especial de tamponamento, o qual remove o material genético do tecido sem danificá-lo.

Com a possibilidade de se realizar o exame, a tarefa do empresário Edwards passou a ser descobrir um descendente direto de Catherine. “Por sorte, uma mulher chamada Karen Miller –três vezes tataraneta da vítima– havia aparecido em um documentário sobre o estripador e concordou em oferecer uma amostra de seu DNA”, relembra. “Quando Louhelainen testou o DNA, ele formou um par perfeito com o de Karen”, que se animou com a descoberta, confirmando a autenticidade do xale. “Nada mais havia sido conectado cientificamente à cena de nenhum dos crimes”, pontua Edwards.

Identidade de Jack

Para investigar o esperma encontrado no tecido, o especialista pediu o auxílio de David Miler, outro renomado cientista forense. Juntos, eles conseguiram identificar células do criminoso no xale. Elas eram do epitélio, um tipo de tecido que reveste órgãos. A amostra teria vindo da uretra, durante a ejaculação.

O mesmo trabalho de investigação precisou ser feito na busca por um parente de Jack, o Estripador. Até hoje, acredita-se que ele tenha sido Aaron Kosminski, um cabelereiro polonês, que tinha 23 anos na época. No início da década de 1880, ele e sua família se mudaram para Londres fugindo de um massacre russo em seu país natal. Kosminski tinha problemas mentais e, provavelmente, era um misógino, homem que odeia as mulheres. Após ser preso como um dos suspeitos –nunca houve prova suficiente para incriminá-lo–, ele passou o resto da vida internado em hospícios.

Edwards identificou uma descendente de uma irmã de Kosminski, Matilda. Ela aceitou dar uma amostra de seu DNA para a investigação. Segundo as análises de Louhelainen e Miler, o esperma encontrado no xale era, sim, de Kosminski, com o exame apontando 100% de certeza. “Agora que acabou, estou animado e orgulhos pelo que conseguimos, e satisfeito que tenhamos estabelecido, o máximo que pudemos, que Aaron Kosminski é o culpado”, conta Louhelainen.

Edwards, por sua vez, se diz satisfeito por ter conseguido respostas sete anos após a compra do xale. Com a certeza de quem era o estripador, o empresário já buscou informações de sua biografia. “Ele era uma criatura patética, um lunático que alcançou a satisfação sexual cortando mulheres da forma mais brutal. Ele morreu no hospício de Leavesden, de gangrena, aos 53 anos, pesando apenas 44 quilos”.

“Detetive de poltrona”

Até ver um filme que conta a história de Jack –“Do Inferno”, estrelado por Johnny Depp, de 2001–, o empresário se considerava mais um dos “detetives de poltrona” do caso. “Eu me juntei ao exército daqueles fascinados pelo mistério e pesquisar sobre o estripador virou um passatempo”. Depois de visitar museus e procurar todas as evidências ainda existentes sobre o crime, Edwards estava certo de que “havia algo em algum lugar que estava faltando”.

Em 2007, quando sentia que havia esgotado todas as possibilidades, ele viu em um jornal o anúncio da venda do xale ligado ao caso de Jack. Incrivelmente, a peça foi guardada por 126 anos sem nunca ter sido lavada.

O xale foi adquirido por Edwards em março daquele ano. Quando comprou a peça, não havia a certeza de que ela pertencia a Catherine. O antigo proprietário do xale, David Melville-Hayes, acreditava que o item estava com sua família desde o crime. Seu ancestral, o sargento Amos Simpson, perguntou a seus superiores se poderia levar o xale para casa e dá-lo à sua esposa, uma costureira.

O empresário queria, então, certificar-se de que a peça era original. “Eu, certamente, não tinha ideia de que esse frágil, incompleto e extremamente manchado xale levaria à solução do mais famoso mistério de assassinatos de todos os tempos: a identificação de Jack, o estripador”, escreveu Edwards ao “Daily Mail”. “Não há dúvida de que uma enorme quantidades de livros e filmes surgirão para especular a personalidade e a motivação de Kosminski. Eu não tenho vontade de fazer isso. Eu quis proporcionar respostas verdadeiras usando evidência científica, e estou impressionado de que, 126 anos depois, eu resolvi o mistério”.

Comentários

Leia Mais

Nos dai hoje: sujeito se apresenta como bispo da igreja evangélica e oferece a candidatos votos dos fieis em troca de dinheiro

imagem-face-bispo-victor

Lauro Jardim, no Radar on-line

Políticos paulistas vêm sendo procurados por um sujeito que se apresenta como Bispo Victor, da igreja evangélica Apostólica Atos do Espírito Santo.

O que ele oferta: votos de fieis em troca de dinheiro. O pacote inclui visitas a dezoito igrejas, onde o cliente é anunciado candidato oficial da paróquia, e distribuição de santinhos nos templos.

Victor cobra 6 500 reais, mas negocia com o currículo e a influência sobre 7 000 eleitores. Segundo ele, seu séquito já ajudou a eleger um vereador, há dois anos, e deputados, em 2010.

Comentários

Leia Mais

Idosa é xingada e agredida por causa de assento em ônibus em São Vicente

Cena foi gravada por um passageiro que presenciou a discussão.
Idosa foi chamada de ‘velha nojenta’ e levou um empurrão.

Mariane Rossi e Orion Pires, no G1

Uma mulher xingou e empurrou uma idosa após não ceder a poltrona preferencial a ela em um ônibus metropolitano que circula em São Vicente, no litoral de São Paulo. A cena foi gravada por um passageiro do coletivo, que ficou indignado com a atitude da mulher e resolveu postar o vídeo em uma rede social.

O socorrista Rildo Ramos, de 33 anos, conta que entrou na linha 21, no Centro de São Vicente, por volta das 16h30 da sexta-feira (5). Durante o trajeto, ele presenciou a discussão entre uma mulher e uma idosa, que gostaria de se sentar em uma das poltronas preferenciais. “Foi uma cena lamentável”, comenta Ramos que, na hora, começou a gravar a situação com o celular.

Mulher ameaça idosa em ônibus (foto: Reprodução/G1)
Mulher ameaça idosa em ônibus
(foto: Reprodução/G1)

Muitos passageiros estavam de pé no ônibus. A mulher disse que não iria ceder o assento à idosa. “Se eu estou sentada aqui eu tenho um motivo. Não vou me levantar”, falou. Em seguida, a idosa disse que a moça era tão inteligente que não sabia ler, já que estava sentada onde não deveria e que não respeitava uma pessoa com mais idade. A mulher mandou a idosa calar a boca. Depois, xingou a idosa de “velha nojenta”, “mal criada” e disse que poderia “ferrar” com ela.

Revoltada, a mulher resolveu sair do ônibus e ainda ameaçou a idosa. “A senhora vai pagar. Engole o banco. Mal criada é a senhora. Engole o banco, velha nojenta”, falou. Na saída, ela empurrou a idosa, que rebateu a agressão. “Não me empurra que eu te meto a mão. Não vem com a sua velhice querer abusar”, disse ela ao descer do coletivo próximo à rua Lima Machado.

Ramos conta que os passageiros do ônibus acharam um absurdo a atitude da mulher e também a criticaram quando ela saiu do ônibus. “Ela a agrediu com um monte de palavras e deu um empurrão ainda. Independente de estar marcado ou não para idoso tem que ceder o espaço”, opina.

Ele diz que gravou o vídeo porque ficou com medo de que algo pior acontecesse à idosa. “Eu fiquei esperando. Eu ia utilizar o vídeo se fosse uma agressão. Eu levava ela para uma delegacia e apresentava para o delegado essas imagens”, afirma.

Ele diz não ter informações sobre a idosa e a mulher e lamenta que uma situação dessas ainda ocorra nos dias atuais. Ramos acredita que a passageira ainda pode ser identificada no vídeo e que o relato dele pode resultar em alguma atitude sobre casos de agressão a idosos. “Depois de divulgar o vídeo, quero que ela seja identificada até mesmo pelas imagens e alguém faça alguma coisa”, diz ele.

Lei
O Estatuto do Idoso determina que as empresas detentoras do transporte público municipal reservem duas vagas gratuitas às pessoas com 60 anos ou mais.

Comentários

Leia Mais