Marina Silva declara apoio a Aécio Neves no segundo turno

“É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves,  declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.

Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos,  dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido…”

 

Publicado no G1

Após uma semana de negociações com o PSDB, a candidata derrotada à Presidência pelo PSB, Marina Silva, anunciou neste domingo (12) que apoiará o candidato tucano Aécio Neves no segundo turno. A decisão foi divulgada, em São Paulo, um dia depois de o presidenciável do PSDB assumir, por meio de uma carta aberta, uma série de compromissos para a área social, entre os quais parte das condições impostas pela ex-senadora para apoiá-lo na reta final da corrida pelo Palácio do Planalto.

Entre as promessas do tucano está, caso seja eleito, a adoção de uma política ambiental sustentável, a priorização do ensino integral no país e a criação de um fundo para tentar solucionar os conflitos entre índios e produtores rurais, além do compromisso de que irá trabalhar para que o Congresso Nacional aprove o fim da reeleição para cargos executivos.

Na quarta-feira (8), três dias depois do primeiro turno, a executiva nacional do PSB anunciou, em Brasília, apoio ao presidenciável tucano. Marina, entretanto, não participou da reunião e decidiu condicionar seu apoio à inclusão no programa de governo do PSDB de uma lista de pontos que ela considerava “fundamentais” que fossem adotados pelo candidato tucano para que ela abrisse o voto na candidatura dele.

Ela solicitou, por exemplo, que ele se comprometesse a acelerar a reforma agrária no país, manter os direitos dos trabalhadores, dar continuidade às demarcações de terras indígenas e de unidades de conservação, além de adotar uma política “progressista” em relação ao clima.
Marina também pediu que Aécio incluísse em seu programa de governo os compromissos de implantar escolas em tempo integral, oferecer passe livre a estudantes de escolas públicas e revisar a regra do fator previdenciário.

O texto divulgado pelo tucano no sábado, que ele disse que foi inspirado nas propostas divulgadas pela Rede – o grupo político da candidata derrotada do PSB –, contemplou parte das exigências de Marina. Não foram incluídas no programa tucano, por exemplo, as propostas envolvendo a gratuidade do transporte público e a reforma na regra previdenciária que inibe as aposentadorias precoces.

Ao final do evento na capital de Pernambuco, o deputado federal Beto Albuquerque (RS), que concorreu a vice na chapa de Marina, afirmou que o documento divulgado por Aécio contemplava as reivindicações apresentadas pela ex-senadora e abria caminho para ela declarar apoio ao tucano. “Esse documento responde as contribuições que o PSB, a Rede, eu, Marina e todos nós encaminhamos”, enfatizou.

Segundo o Blog do Camarotti, antes de fazer o pronunciamento deste sábado, o candidato do PSDB encaminhou os pontos de seus compromissos a integrantes da Rede, que aprovaram os termos programáticos do tucano para a área social. Integrantes do grupo político de Marina, informou o Blog, compararam os compromissos sociais de Aécio à Carta ao Povo Brasileiro, apresentada pelo ex-presidente Lula, na campanha eleitoral de 2002, na qual ele afirmou que iria garantir a ortodoxia na condução da política econômica.

 

 

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Jesus: preso por porte ilegal de arma?

Judas trai Jesus com um beijo em obra do mestre da pintura medieval, o italiano Giotto (Reprodução)
Judas trai Jesus com um beijo em obra do mestre da pintura medieval, o italiano Giotto (Reprodução)

Reinaldo José Lopes, no blog Darwin e Deus

Eu sei que a ideia é chocante, mas foi levantada recentemente num artigo acadêmico sério. Para ser mais preciso, trata-se de um texto na edição de setembro do periódico “Journal for the Study of the New Testament”, assinada por Dale Martin, professor de estudos religiosos da prestigiosa Universidade Yale, nos Estados Unidos. O sugestivo título do artigo é “Jesus em Jerusalém: armado, mas não perigoso”. E aí, é besteira da grossa escrita só para chamar a atenção ou, horror dos horrores, o cara está certo?

Nem uma coisa nem outra, eu diria, mas vamos por partes, porque a discussão é complicadinha.

Pra começar, é bom lembrar que Martin é um estudioso bastante respeitado das origens do cristianismo. Além de seus artigos acadêmicos, o curso introdutório dele sobre o Novo Testamento está disponível para download grátis no site de Yale e no iTunes. Já ouvi algumas vezes, vale a pena para quem sabe inglês. Ah, e não estamos falando de um ateu raivoso. Martin é membro da Igreja Episcopal (como são conhecidos os anglicanos dos EUA).

Passando para a argumentação do pesquisador, a primeira coisa a ter em mente são os relatos sobre a prisão de Jesus nos Evangelhos. Os textos bíblicos afirmam que, quando Judas Iscariotes leva os homens do sumo sacerdote do Templo de Jerusalém para prender o Nazareno, algum dos companheiros de Jesus (que não é identificado com precisão nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas que seria ninguém menos que Pedro, segundo o Evangelho de João) saca sua espada e corta a orelha de um servo do sumo sacerdote (chamado Malco, ainda de acordo com João).

É aqui que começa a complicação. Lembrem-se: apesar de levarem nomes de apóstolos, como “Mateus” e “João”, os textos dos Evangelhos são anônimos (os nomes dos autores foram adicionados mais tarde). Ou seja, nenhum deles foi escrito por testemunhas oculares dos fatos, embora possam incorporar tradições que, obviamente, foram legadas por essas testemunhas. Na verdade, o consenso entre os historiadores atuais é que a maior parte das narrativas sobre a morte de Jesus, incluindo essa parte da prisão, tem como fonte original o Evangelho de Marcos. Os demais Evangelhos ampliaram e modificaram Marcos de acordo com suas próprias tendências teológicas e literárias.

Em detalhe da imagem acima, apóstolo Pedro decepa orelha de servo do sumo sacerdote (Reprodução)
Em detalhe da imagem acima, apóstolo Pedro decepa orelha de servo do sumo sacerdote (Reprodução)

MODIFICAÇÃO PROGRESSIVA

Se isso for verdade, o episódio da espada foi sendo progressivamente modificado pelos evangelistas pós-Marcos, talvez porque pegasse mal para os seguidores de Jesus ficarem associados a esse ato violento. Exemplo: em Mateus, logo depois da espadada, Jesus manda seu discípulo guardar a arma com a célebre frase “Todos os que pegam a espada pela espada perecerão”. (Em João ocorre basicamente a mesma coisa, embora a fala de Cristo não seja tão eloquente.) E Lucas acrescenta o detalhe de que, imediatamente depois de a orelha ser decepada, Jesus cura milagrosamente o servo do sumo sacerdote. Falando em Lucas, ele também esclarece, pouco antes dessa cena, que os discípulos de Jesus estavam carregando “apenas” duas espadas.

Conclusão número 1 de Martin: se tivéssemos apenas o texto de Marcos, não teríamos nem as reprimendas de Jesus ao discípulo espadachim nem a informação sobre o armamento limitado dos seguidores do Nazareno. A maioria deles (ou mesmo todos!) poderia estar armada.

O segundo passo do pesquisador é se perguntar como a presença de um grupo de galileus armados com espadas seria recebida numa cidade com Jerusalém, ainda mais na época da Páscoa, quando a Cidade Santa ficava tensa e cheia de peregrinos. Ele, então, repassa uma série de textos antigos sobre as leis e costumes relativos ao porte de armas dentro de cidades do mundo greco-romano. O resumo da ópera é que, na capital imperial, ou seja, a própria Roma, havia uma lei explícita proibindo carregar espadas ou outras armas usadas para combate dentro dos limites da cidade. E, em outras cidades do Mediterrâneo, era no mínimo algo considerado altamente suspeito carregar armas em território urbano. Em várias rebeliões populares contra abusos de Roma dentro de Jerusalém, os judeus normalmente jogavam pedras nos soldados romanos, em vez de usar armas.

Conclusão número 2 do artigo: se os romanos descobrissem que os seguidores de Jesus estavam carregando armas no entorno de Jerusalém, isso já seria motivo para condená-lo à morte. Lembre-se: estamos falando de um não cidadão que representaria, do ponto de vista de Roma, uma ameaça à paz. O pessoal de Roma era partidário da célebre frase “direitos humanos para humanos direitos”, ou até menos que isso…

OK, mas Jesus não era doido nem burro. Ele muito provavelmente sabia que 12 apóstolos com espadinhas made in Galileia não seriam suficientes para derrotar o poderio de Roma. No entanto, este é o argumento central de Martin, Jesus era um profeta apocalíptico. Ou seja, ele esperava a intervenção definitiva de Deus na história para libertar seu povo e instaurar um reino de paz e justiça.

Trata-se de uma crença comum entre os judeus do século 1º d.C. Os fariseus, parece, tinham crenças apocalípticas (o mais famoso deles acabou virando cristão: é o apóstolo Paulo). E a seita que escreveu os Manuscritos do Mar Morto — talvez sejam os chamados essênios — também acreditava nisso. E mais: achava que haveria uma guerra definitiva do bem contra o mal, ou dos “Filhos da Luz” contra os “Filhos das Trevas”, como eles diziam. Nesse combate, Deus mandaria um exército de anjos à terra, e os membros da seita, os “Filhos da Luz”, lutariam lado a lado com as hostes angélicas contra os romanos e os judeus aliados a eles.

Conclusão número 3 de Martin: Jesus pode ter tido essa visão do fim dos tempos também. Carregar espadas seria apenas um jeito de estar preparado quando os exércitos celestes entrassem em ação — nesse caso, Jesus e seus discípulos estariam prontos para lutar do lado “do bem”.

A morte de Jesus, e a crença na ressurreição dele, teria mudado tudo isso, levando os discípulos a redefinir sua visão do fim dos tempos. Mas a crença original deles teria ficado preservada, em parte, como “fósseis” nas narrativas dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos.

PROBLEMAS DE MONTÃO

OK, é uma argumentação interessante. E está claro que a pregação de Jesus tinha uma dimensão política que soava ameaçadora tanto para a elite judaica quanto para Roma. Se você prega o Reino de Deus, é porque implicitamente, ao menos, está condenando os reinos da Terra. Mas a maioria dos estudiosos não compra o argumento de Martin, pelos seguintes motivos:

1)A ideia de que a maioria dos discípulos estava armada é plausível, mas simplesmente especulativa; não dá para saber, no fundo, se eles eram mesmo um bando armado até os dentes;

2)A questão da proibição do porte de armas dentro de Jerusalém é controversa: não temos evidências diretas dessa proibição, e pode ser que o costume das cidades romanas e gregas simplesmente não fosse seguido numa metrópole judaica;

3)Igualmente especulativa é a ideia de que Jesus fosse adepto da teoria “temos de ajudar os anjos na batalha apocalíptica final”.

Esse, creio, é o ponto mais importante. Os Manuscritos do Mar Morto defendem essa visão, mas outra corrente muito importante do pensamento apocalíptico judaico da época, representada pelo livro de Daniel, por exemplo, dá a entender que o “serviço de limpeza” do mal será feito totalmente por Deus no fim dos tempos. Ou seja, os judeus fiéis não precisariam se unir como guerreiros às forças celestiais. Bastaria que eles se mantivessem fiéis a Deus.

Considerando a influência importantíssima do livro de Daniel sobre os primeiros cristãos, desconfio que Jesus se inclinasse por essa segunda opção.

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Aécio dispara e abre 17 pontos de vantagem sobre Dilma, mostra pesquisa Istoé/Sensus

Primeiro levantamento após divulgação de áudios da Petrobrás mostra que escândalo atingiu em cheio campanha da petista

aecim

Mário Simas Filho, na IstoÉ

Primeira pesquisa ISTOÉ\Sensus realizada depois do primeiro turno da sucessão presidencial mostra o candidato Aécio Neves (PSDB) com 58,8% dos votos válidos e a petista Dilma Rousseff com 41,2%. Uma diferença de 17,6 pontos percentuais.

O levantamento feito entre a quarta-feira 7 e o sábado 10 é o primeiro a captar parte dos efeitos provocados pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o detalhamento do esquema de corrupção na estatal. “Além do crescimento da candidatura de Aécio Neves, observa-se um forte aumento na rejeição da presidenta Dilma Rousseff”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus.

Segundo a pesquisa, o índice de eleitores que afirmam não votar em Dilma de forma alguma é de 46,3%. A rejeição de Aécio Neves é de 29,2%. “O tamanho da rejeição à candidatura de Dilma, torna praticamente impossível a reeleição da presidenta”, diz Guedes. A pesquisa também capta, segundo o diretor do Sensus, os apoios políticos que Aécio recebeu durante a semana, entre eles o do PSB, PV e PPS.

As 2000 entrevistas feitas em 24 Estados e 136 municípios mostra que houve uma migração do eleitorado à candidatura tucana mais rápida do que as manifestações oficiais dos líderes políticos. No levantamento sobre o total dos votos, Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%, tudo com margem de erro de 2,2% e índice de confiança de 95%. Nos votos espontâneos, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Aécio soma 52,1%, Dilma fica 35,4% e os indecisos são 12,6%. “A análise de todos esses dados permite afirmar que onda a favor de Aécio detectada nas duas semanas que antecederam o primeiro turno continua muito forte”, diz Guedes.

O tucano, segundo a pesquisa ISTOÉ\Sensus, vence em todas as regiões do País, menos no Nordeste. No PSDB, a expectativa é a de que a diferença a favor de Dilma no Nordeste caia nas próximas pesquisas, principalmente em Pernambuco, na Bahia e no Ceará. Em Pernambuco devido o engajamento da família de Eduardo Campos na campanha, oficializado na manhã do sábado 10. Na Bahia em função da presença mais forte do prefeito de Salvador, ACM Neto, no palanque tucano. E, no Ceará, com a participação do senador eleito Tasso Jereissati.

Além da vantagem regional, Aécio, de acordo com o levantamento, supera Dilma em todas as categorias socioeconômicas, o que, segundo a análise de Guedes, indica que a estratégia petista de apostar na divisão do País entre pobres e ricos não tem dado resultado.

PESQUISA ISTOÉ|Sensus

Realização – Sensus

Registro na Justiça Eleitoral – BR-01076/2014

Entrevistas – 2.000, em cinco regiões, 24 Estados e 136 municípios do País

Metodologia – Cotas para sexo, idade, escolaridade, renda e urbano e rural

Campo – de 07 a 10 de Outubro de 2014

Margem de erro – +/- 2,2%

Confiança – 95%

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Roger Abdelmassih: “Mulher é um bicho desgraçado”

Em conversas telefônicas com seu psiquiatra gravadas pela promotoria, o ex-médico condenado a 278 anos por estupro admite que teve relações sexuais com suas pacientes

Roger Abdelmassih é preso no Paraguai (Divulgação/Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai/VEJA)
Roger Abdelmassih é preso no Paraguai (Divulgação/Secretaria Nacional De Antidrogas do Paraguai/VEJA)

Alexandre Hisayasu, na Veja on-line

Um dos pontos de partida para a investigação que prendeu o ex-médico Roger Abdelmassih em agosto foram números de telefone encontrados pela polícia civil em maio, em uma operação em uma fazenda da família dele.

Quando um dos agentes do Ministério Público salvou os números em um telefone e entrou no aplicativo de troca de mensagens Whatsapp, em um dos contatos apareceu a foto de Larissa Sacco, a mulher de Abdelmassih.

A Promotoria grampeou todos os números. As conversas que mais chamaram a atenção das autoridades foram as consultas do ex-médico com seu psiquiatra, por telefone.

Nas conversas, a que VEJA teve acesso, ele refere a si mesmo como “o grande comedor” e admite pela primeira vez que teve relações sexuais com várias de suas pacientes, embora negue as acusações de estupro.

Abdelmassih sugere que que apenas cedia ao assédio das pacientes: “A mulher jogava o milho e eu ia comer, e levei ferro (…) Mulher é um bicho desgraçado mesmo.”

Condenado a 278 anos de prisão, ele está preso no interior de São Paulo. Ouça aqui suas confissões.

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