Até que as eleições nos separem

Mariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo

charge: Internet
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Na contabilidade do barraco eleitoral, nesta guerra de farpas verbais, deixei de ler os posts de uma amiga, que virou uma maleta desbocada, e deletei dois colegas que se achavam cientistas políticos. Em época de eleição, todo mundo se acha e esfrega, sem cerimônia, sua estupidez, sua prepotência e sua ignorância na timeline alheia.

Quando vejo alguém panfletando, sempre penso: prefiro você bêbado às 5h da manhã, gritando “toca Raul”. Detesto Raul Seixas, mas não terminaria amizade com ninguém por causa do seu desgosto musical. Convivo com gente que curte pagode, sertanejo, funk. Nenhuma amizade desfeita. Uma vez peguei carona com uma amiga e vi no carro um adesivo escrito “sou chicleteira”. É pessoa do bem, apesar disso. Só não ando mais de carro com ela.

É claro que também caio na cilada de me achar bem mais sabida do que alguém que pensa diferente de mim. Não é raro ler um post e pensar: que imbecil. Eu mesma devo ter me revelado imbecil para algumas pessoas, apenas porque não penso, não voto e não quero para mim o mesma que elas. Todo mundo certo. Todo mundo errado. Todo mundo mordido pela mosquinha da vaidade de ter razão, de ser mais inteligente do que os outros.

Prometi que evitaria embates por causa das eleições. Que iria escolher bem as brigas e só gastar o latim se valesse a confusão, porque está difícil ficar do lado de qualquer candidato. Mas as discussões entre os apaixonados são piores que briga de torcedor de time que caiu pra série B. O sujeito insiste que “meu escolhido é menos ruim que o seu”.

A sua candidata é arrogante e incompetente. O seu é cheirador e baladeiro. A sua é pau-mandado de pastor. Só não arruma encrenca quem diz que vai votar no Eduardo Jorge porque ele é muito engraçado no Twitter. Ninguém fala do que interessa. Só observo a rinha.

Sempre gostei de política. Quis ser jornalista pra escrever sobre o assunto, mas meus chefes nunca botaram fé. Eles me achavam loira demais, alegre demais e baladeira demais para cobrir um assunto tão árido. Escalavam a loira para fazer o tricô, os assuntos menos nobres do jornal. Ainda bem. Talvez eu estivesse me engalfinhando pela internet se continuasse tão entusiasmada pela pauta.

Sigo praticamente em jejum nas redes sociais para evitar desentendimentos. Afora um quiproquó aqui, outro acolá. Ninguém mais respeita a timeline alheia. Pessoal entra de sola, sem pedir licença, e economiza na educação. Ninguém quer conversar, debater, trocar ideias. Todos só querem provar suas teorias e fazer valer suas opiniões.

Quer bater boca? Me chame no inbox. Abro uma cerveja e faço de conta que estou no bar. O bom e renegado bar, reduto para falar de política, concordar e discordar de tudo, dividir a conta e ir embora na paz. Quando paramos de ir ao bar falar de política? Agora é tudo dentro de casa, atrás do computador.

Estou contando os dias para o fim dessa eleição. De um ano para cá, é muito assunto polêmico e pouca maturidade da nossa parte para debater. Visita do papa, futebol e eleição, tudo na sequência. Não sei como as amizades resistem. Que acabe logo esse ano para que a gente possa voltar a postar o que realmente interessa nas redes sociais: dieta, vida alheia, pratos de comida e pores do sol.

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Jovem de 17 anos lidera protestos em Hong Kong

Fã dos protestos pacíficos, Joshua Wong diz que às vezes é preciso lançar mão da ‘desobediência civil’

Joshua Wong tem apenas 17 anos, mas se tornou um dos principais líderes dos protestos pela democracia (foto: Getty)
Joshua Wong tem apenas 17 anos, mas se tornou um dos principais líderes dos protestos pela democracia (foto: Getty)

Publicado no G1

Ele vem sendo chamado de “extremista” e de “fanfarrão” por muitos chineses. Mas Joshua Wong, um estudante de 17 anos, parece não se importar. Ele está mais interessado em tentar liderar uma revolução social em seu país.

Joshua vive em Hong Kong, uma ex-colônia britânica que foi devolvida à China em 1997 e hoje é uma região autônoma com alguns direitos, como liberdade de expressão e eleições locais.

Mas críticos dizem que o governo chinês está tentando minar algumas das autonomias obtidas quando o poder foi transferido – e muitos, como Joshua, vêm protestando contra isso.

“O povo não devia ter medo do governo”, diz o jovem, citando o filme V de Vingança (2005). “O governo é que deve ter medo do povo.”

Seu ativismo político, no entanto, teve início bem antes da atual onda de protestos.

Com apenas 15 anos, ele e alguns amigos criaram um grupo, chamado Scholarism, para, segundo ele, dar aos estudantes uma voz política.

Em uma entrevista recente a um jornal local, ele explicou melhor sobre essa iniciativa. “Apesar de os estudantes serem menores de idade, ainda não terem uma profissão nem um status social, eles têm, sim, um papel para influenciar nas políticas do governo.”

E suas ações já tiveram um impacto na política de Hong Kong.

Em 2012, seu grupo liderou um protesto de 120 mil estudantes que ocupou a sede do governo, ajudando a derrubar um programa nacional de educação que era visto como pró-China.

‘Semi-democracia’
Agora, dois anos depois, ele está liderando os protestos novamente, em um movimento contra a decisão de que a China escolha o candidato à eleição em Hong Kong.

Em 2007, o governo chinês prometeu aos residentes de Hong Kong que eles teriam direito ao “sufrágio universal”, no qual todos poderiam votar.

Essa era a teoria. No entanto, na prática, os eleitores de cada região podem apenas selecionar seu candidato de uma lista pré-selecionada por Pequim.

A China alega que liberar o voto direto e aberto causaria uma “sociedade caótica”.

Joshua diz que isso faz com que Hong Kong seja apenas “semi-democrática” e por isso acredita que outros estudantes precisam “se importar mais” com a política.

Para ele, estudante são as pessoas ideais para divulgar essa mensagem porque eles são, por natureza, “idealistas”.

Sua mensagem é clara: ele quer uma sociedade livre em que todos tenham a possibilidade de nomear e votar em candidatos para o executivo de Hong Kong. Ele quer democracia.

Joshua acredita que uma manifestação específica é o ideal, mas que às vezes é preciso lançar mão da “desobediência civil”.

Assim, ele e seus colegas tomaram as ruas e estão bloqueando a região central de Hong Kong.

Os protestos foram inicialmente planejados pelo movimento Ocuupy Central para começarem nesta semana, mas seus membros se juntaram às manifestações antes.

“Em vez de encorajar os estudantes a se unirem (aos protestos), fomos encorajados pelos estudantes a nos unirmos a eles”, disse Benny Tai, um dos líderes do Occupy.

“Estamos impressionados e comovidos com o trabalho desses estudantes.”

Ameaça
Joshua foi oficialmente classificado como uma ameaça à segurança pelo Partido Comunista. Ele foi uma das 78 pessoas presas durante um protesto na sede do governo, e ficou detido por mais de 40 horas.

Apesar de ter liberado o estudante, a polícia deixou claro que tem o direto de voltar a prendê-lo.

Temendo que as redes de celular fossem derrubadas, ele – em outro ato de desobediência – orientou seus seguidores a baixar o aplicativo Firechat.

O app permite que os usuários se comuniquem por mensagens mesmo sem acesso à internet e já foi baixado mais de 100 mil vezes desde domingo.

Ao deixar a prisão, cansado e com alguns ferimentos, o estudante prometeu se unir novamente aos protestos:

“Você precisa encarar cada batalha como se fosse a batalha final. Só assim você terá determinação para lutar.”

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Fidelix diz ser vítima de ‘conspiração’ e recusa pedir desculpas a gays

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Publicado no G1

O candidato à Presidência da República pelo PRTB, Levy Fidelix, afirmou ao G1 nesta terça-feira (30) que não pedirá desculpas à população LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros] por declarações feitas durante debate entre presidenciáveis no último domingo (28). Ele disse ser “vítima de conspiração”.

Durante o debate, após pergunta da presidenciável do PSOL, Luciana Genro, sobre a união entre pessoas do mesmo sexo, Fidelix disse que o crescimento do número de casamentos homoafetivos pode reduzir o tamanho da população brasileira e sugeriu que homossexuais precisam de “ajuda psicológica”.
“Se eu não fiz nada, por que tenho que pedir desculpas a alguém? Eu não ofendi ninguém. Se eles fizerem esse movimento [Beijaço Gay, em São Paulo] eu vou ter pena, porque eles estarão sendo induzidos pela molecagem da senhora Luciana Genro”, afirmou o presidenciável.

“Eu não falo contra homossexuais, eu falo em defesa do homem e da mulher. Não sou contra a união homoafetiva. Não sou homofóbico e nunca farei isso. Nunca ataquei ninguém. Eu só disse que é eles lá e eu, cá”, completou.

No debate de domingo, ao questionar Fidelix, Luciana Genro relacionou a violência contra a população LGBT com o reconhecimento de famílias oriundas de uniões homoafetivas. “O Brasil é campeão de morte da comunidade LGBT. Por que que as pessoas que defendem tanto a família se recusam a reconhecer como família um casal do mesmo sexo?”, indagou a presidenciável do PSOL ao adversário do PRTB.

“Jogo pesado agora”, ironizou Levy Fidelix. “Tenho 62 anos e, pelo que vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais: me desculpe, mas aparelho excretor não reproduz. É feio dizer isso mas não podemos jamais deixar esses que aí estão achacando a gente no dia a dia, querendo escorar essa minoria à maioria do povo brasileiro”, enfatizou.

“Vítima de conspiração’

Ao G1, o candidato afirmou que seu passado mostra que “jamais” teve atitudes contra gays e ressaltou que em sua fala no debate na TV não incitou a violência ou incentivou o assassinato. Ele disse, ainda, ser vítima de “conspiração” por ser um homem “centrado na família”, e que a fala no debate entre presidenciáveis foi natural, por citar o que está na Constituição. O candidato afirmou que há “armação” contra ele.
“Meu sentido e minha consciência me permitem dizer que jamais fui homofóbico. Minha opinião é a democracia. Eu tenho minhas convicções. Sou hétero e se não aceitarem minha opinião, eles estarão sendo heterofóbicos. Cada um se expressa como quer e faz do seu corpo o que deseja. E os contrários devem conviver juntos numa nação”, disse.

O presidenciável do PRTB afirmou ainda que, se eleito, irá proteger a todos que estiverem sob o Estado brasileiro, sem distinção. O candidato disse também se considerar um homem “tradicional, conservador e religioso, mas, acima disso, estadista”.
“Esse assunto não iria ter essa amplitude toda se ela [Luciana Genro], logo que terminou o programa, não ficasse fazendo passeata contra mim. Ninguém nunca teve uma atitude dessa contra mim. Sou um senhor de 62 anos e nunca tive uma ação contra mim, nunca precisei entrar numa delegacia para me explicar. Agora, imagina que nesse momento da vida eu estou tendo um dessabor como esse”, disse.

Segurança da PF

Conforme o Decreto nº 6.381/2008, os candidatos à Presidência da República terão direito a segurança pessoal, exercida por agentes da Polícia Federal, a partir da homologação da candidatura em convenção partidária. Questionado sobre se pedirá a segurança, Levy Fidelix disse considerar que a medida não é necessária.
Segundo o candidato, “não faz sentido” pedir a segurança à PF, pois é um homem livre e tem a consciência tranquila. “Não há motivo para tal atitude e as pessoas são livres. Eu sou homem, tenho minha consciência tranquila dos meus atos e eles estão perfeitamente dentro da lei. Minhas práticas e palavras mostram isso”, concluiu.

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Marina inclui Agência Nacional de Voluntariado em seu programa de governo

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A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, incluiu em seu programa de Governo um projeto que nasceu no Recife. A presidenciável ficou encantada com a proposta de criação da Agência Nacional de Voluntariado, criada pelo idealizador da ONG Novo Jeito, Fábio Silva.

A exemplo do projeto que já foi implantado pela Prefeitura do Recife, a proposta prevê a criação de um cadastro nacional de entidades e voluntários, para os brasileiros interessados em se engajar em diferentes causas e projetos, possam ter acesso às vagas e informações sobre os projetos existentes. “Já ficou claro, com as últimas mobilizações sociais no Brasil, que existe um sentimento coletivo de solidariedade. Há muitas pessoas interessadas em construir um Brasil mais justo e solidário, mas não sabem como agir. A agência terá esse papel: unir pessoas a causas que necessitem de voluntários.”, explica o empreendedor social Fábio Silva, coordenador do Projeto Transforma Recife, implantado pela Prefeitura.

Marina aproveitou a vinda a Pernambuco para conhecer o idealizador do projeto e garantir que ele será implantado, independente das eleições.

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Álcool pode aumentar expectativa de vida, diz pesquisa

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Publicado no Extra

Bruxelas – O consumo moderado de bebidas alcoólicas ajuda a aumentar a expectativa de vida. Essa é a conclusão de um estudo apresentado no simpósio Beer and health (Cerveja e saúde), realizado nesta terça-feira, na capital da Bélgica, pela pesquisadora italiana Simona Constanzo, do Departamento de Epidemiologia e Prevenção do Instituto Neurológico Mediterrâneo. De acordo com o trabalho, a ingestão de quatro doses diárias por homens e de duas por mulheres reduz em 17% e 18%, respectivamente, o risco de mortalidade por qualquer causa.

Em pacientes com doenças cardiovasculares, o álcool também mostrou fazer bem à saúde. O consumo de cinco a dez gramas da substância por dia resultou em 20% a mais de proteção para o coração.
O estudo concluiu que, para se obter benefícios, o ideal é consumir até 150mL de vinho por dia. Para cerveja, o recomemendado é beber, no máximo, a quantidade que contenha 43 gramas de álcool. Nessa faixa, é possível diminuir em cerca de 40% o risco de doença cardíaca.

Segundo Simona Constanzo, a pesquisa deixou evidente que o álcool desempenha um papel cardioprotetor independentemente de outras substâncias presentes no vinho e na cerveja, como os polifenóis, embora eles também sejam importantes para a saúde.

– O consumo moderado de bebidas alcoólicas traz uma série de benefícios em termos de redução do risco cardiovascular e de mortalidade, não só para a população em geral como em pacientes cardíacos. Dessa forma, as pessoas devem ser orientadas a evitar a ingestão excessiva de álcool, assim como aquelas com história de doença cardiovascular não devem ser proibidas de beber – destacou a pesquisadora, alertando ainda que “beber uma taça de vinho ou um copo de cerveja deve ser visto como um prazer, não um tratamento”.

*A repórter viajou a convite do Brewers of Europe.

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