Biochip, você ainda vai usar um

Implantado no organismo, o dispositivo eletrônico do tamanho de um grão de arroz promete ajudar em diagnósticos e tratamentos sofisticados. Por ora, ganha usos curiosos

Modelo de biochip vendido na internet (foto: Divulgação/Dangerous Things/VEJA)
Modelo de biochip vendido na internet (foto: Divulgação/Dangerous Things/VEJA)

Renata Honorato e Claudia Tozetto, na Veja on-line

Os wearables — gadgets usados como acessórios pessoais, como óculos, relógio e pulseira inteligentes — vêm ganhando terreno no planejamento das gigantes de tecnologia e também no coração dos usuários. Itens de fabricantes como LG, Motorola e Samsung (Apple também deve entrar no mercado em breve) já vêm equipados com sensores para coletar dados sobre a frequência cardíaca, consumo calórico e hábitos de sono. A ideia é cruzar informações e ajudar o usuário a levar uma vida mais saudável, além, é claro, de reunir detalhes sobre rotinas e preferências (de consumo, inclusive), o que pode render muito dinheiro. A oferta é, sem dúvida, atraente. Mas é pouco se comparado ao que vem por aí com os chamados biochips: este são, em certo sentido, a evolução dos wearables.

Com as dimensões de um grão de arroz, esses gadgets — na prática, pequenos circuitos eletrônicos envoltos em uma cápsula de vidro cirúrgico — já podem ser implantados em seres humanos, mas, por ora, com funções limitadas. Nos próximos dez anos, contudo, eles poderão fornecer dados sobre o organismo que o abriga. Informações como níveis de glicose, ureia, oxigênio, hormônios e colesterol devem ser as primeiras a serem obtidas a partir de fluidos corporais, como o sangue. Essas substâncias serão analisadas ao passar pelos microcanais presentes na cápsula de vidro: microssensores eletrônicos vão identificar a presença de biomarcadores, parâmetros biológicos que sinalizam se a pessoa está doente ou saudável. Isso permitirá, por exemplo, detectar o trânsito de células cancerígenas ou identificar sinais de um infarto iminente. “Os biochips vão acelerar o diagnóstico das doenças, porque são ultrasensíveis. Isso vai permitir exames de análises clínicas mais rápidos e baratos”, diz Idagene Cestari, diretora de bioengenharia do Instituto do Coração (Incor).

Para ter acesso às informações coletadas e analisadas pelo biochip, o médico precisará aproximar um gadget, como smartphone, do paciente: os dados serão transmitidos a partir do biochip por meio de ondas de radiofrequência e exibidos na tela do dispositivo externo. Além de tornar o diagnóstico mais eficiente, os biochips podem ajudar no tratamento de doenças crônicas, como diabetes. Os dispositivos diminutos poderão ser implantados no organismo com um “estoque” de insulina, que será liberada todos os dias, de forma automática. O mesmo pode ocorrer no caso de outras doenças, como pressão alta. “Poderemos fazer uma medicina personalizada”, diz Idagene.

O projeto desenvolvido por uma startup ligada ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) é o que existe de mais palpável nesse setor. Um biochip implantado sob a pele ou no abdômen da mulher libera diariamente uma pequena dose do hormônio contraceptivo levonorgestrel. A administração do remédio, que pode se estender por até 16 anos, é programada pela paciente ou seu médico através de controle remoto. Caso a mulher decida engravidar, o chip pode ser desativado.

Raio-x do americano Amal Graafstra: biochips de controle de acesso nas duas mãos
Raio-x do americano Amal Graafstra: biochips de controle de acesso nas duas mãos

Segundo Ricardo Ferreira Bento, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), especialidades como otorrinolaringologia são pioneiras na exploração de recursos dos biochips. Bento é um dos primeiros responsáveis do Brasil pelo implante coclear, pelo qual o dispositivo é introduzido no ouvido de pacientes surdos — quando não é possível fixar o aparelho no fundo do ouvido, o implante é realizado no tronco cerebral. Esse chip libera impulsos elétricos, normalmente produzidos pela estrutura de um ouvido sadio, que estimulam diretamente o nervo auditivo: o cérebro então interpreta essa informação, e o usuário restaura a capacidade de perceber sons — ainda que eles sejam “robóticos”. O paciente dificilmente consegue distinguir as vozes de pessoas diferentes, mas pode falar ao telefone ou acompanhar aulas normalmente. Estima-se que mais de 300.000 pessoas usem esse biochip no mundo.

Ulisses Melo, diretor do Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil, afirma que a tecnologia por trás dos biochips já está muito evoluída, mas ainda demanda pesquisas médicas. “É preciso que médicos e cientistas avaliem como conectar esses pequenos implantes ao corpo sem causar reações adversas”, diz o especialista. De acordo com Melo, os estudos mais avançadas de biochips estão sendo realizados na Universidade Stanford.

Nos Estados Unidos, a fabricante de biochips Veriteq Corp já tem aval da Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo responsável por regulamentar remédios, produtos farmacêuticos, alimentos e cigarro, para vender três modelos de circuitos. O primeiro é o Unique Device Identification (UDI), que possui apenas um número de indentificação que pode ser “lido” por um gadget externo: esse código dá acesso a um banco de dados onde está armazenado o procotolo médico do usuário. O segundo modelo é um chip implantado junto a próteses mamárias, cateteres vasculares e articulações artificiais. O equipamento armazena o número de série e lote dos implantes, dados importantíssimos em caso de recall ou quando a FDA identifica alguma falha nos produtos. Por fim, entre os projetos mais avançados da empresa, está um biochip que monitora a dosagem de radiação recebida por uma pessoa durante tratamentos de radioterapia. Ele evita que pacientes sofram overdose de radiação durante o tratamento de câncer de mama e de próstata.

O número de pedidos de registros de biochips cresce no mercado americano, segundo confirmação do FDA. No Brasil, a competência é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ainda não registrou nenhum biochip para uso humano. Entre os médicos, o tema ainda causa controvérsia, embora eles reconheçam o potencial da tecnologia. Para Mauro Aranha, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), os médicos podem implantar dispositivos, desde que sua eficácia esteja demonstrada pela literatura médica. “Antes de fazer o implante, é preciso consultar a comissão de ética do hospital ou o Conselho Regional de Medicina”, diz Aranha.

Enquanto as pesquisas seguem, usos mais simples do biochip se popularizam. Alguns fabricantes, por exemplo, investem na criação de biochips para automatizar tarefas do dia a dia. E vêm encontrando mercado. O americano Amal Graafstra, de 38 anos, implantou em sua mão um chip de identificação por rádio-frequência (RFID, na sigla em inglês) para substituir as chaves do carro e de casa. “Eu queria algo que fosse conveniente como a biometria e mais fácil e barato”, diz o consultor de TI. O microchip só funciona a alguns centímetros do leitor. Como o chip de controle de acesso não tem serventia sem um receptor, Graafstra teve que adaptar a casa, o escritório, o carro e até seu PC para “conversar” com o biochip. Depois, ele implantou um novo chip compatível com NFC, tecnologia presente nos gadgets mais avançados. Agora, ele é capaz de transferir seu cartão de visitas ao aproximar o celular de sua mão.

Hoje, Graafstra mantém uma loja virtual para vender biochips. Chamado de Dangerous Things, o site oferece dispositivos, seringas especiais e bisturis. Até o momento, cerca de 4.000 pessoas de países como Austrália, China e Rússia já adquiriram o produto. O kit básico contém o microchip e instrumentos necessários para o implante e custa 99 dólares. “A loja ainda é um hobby e rende pouco dinheiro. Estou interessando em explorar as possibilidades, não em ganhar uma fortuna”, diz Graafstra.

A moda já chegou ao Brasil. Um dos clientes da Dangerous Things é Raphael Bastos, de 28 anos, morador de Belo Horizonte, Minas Gerais. Depois de buscar, sem sucesso, médicos dispostos a implantar o biochip, ele realizou o desejo em um estúdio de piercing. Hoje, destrava computadores, passa por catracas, destranca portas e liga o carro apenas encostando sua mão esquerda em um leitor. “O procedimento dura 20 minutos. No primeiro dia senti dor, mas no segundo já não sentia mais nada”, conta Bastos. Neste ano, ele vai abrir a Biotek, primeira revenda brasileira de biochips de controle de acesso.

Por aqui, já existe até uma profissional de piercing treinada por Graasftra para implantar os biochips para controle de acesso. Há um ano, Mary Jo, de São Paulo, foi procurada pelo americano para receber orientações sobre o procedimento. “A técnica é similar à aplicação de piercing. Cobro entre 1.000 e 1.200 reais pelo implante, além do custo do chip”, diz Mary. Desde que aprendeu a colocar o chip, a profissional fez apenas um procedimento, mas foi procurada por diversos interessados. “Os geeks e fãs de tecnologia são os que vão ao estúdio em busca do implante de biochip.”

A área de segurança também está de olho nos usos dos biochips. A empresa RCI First Security and Intelligence Advising, responsável pela segurança de 58 entre as cem famílias mais ricas do Brasil, trabalha há quase uma década no desenvolvimento de um modelo usado para rastreamento de usuários. “Implantamos o chip em 258 pessoas, sendo cerca de 48 brasileiros”, diz Ricardo Chilelli, diretor-presidente da companhia. Os implantes foram feitos na região próxima à clavícula para impedir a retirada por meio de amputação de membros. Em 2007, porém, os testes foram suspensos: era necessário aumentar a potência do sinal de localização dos usuários, o que aqueceria excessivamente a pele, causando rejeição. Todos os biochips foram retirados. Recentemente, a dimensão dos biochips foi aumentada, permitindo a colocação de uma bateria maior. “Até o início do ano que vem, queremos encontrar a forma de aumentar a intensidade do sinal sem causar rejeição”, diz Chilelli.

dica do Gerson Caceres Martins

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9 edições no Photoshop que falharam miseravelmente

Publicado no Techmundo

Usar um editor de imagens para retocar uma foto ou outra pode até ser uma boa ideia. Você pode deixar uma imagem mais clara ou ainda aplicar alguns efeitos bacanas e o resultado provavelmente vai agradar todo mundo. Entretanto, é preciso ficar atento a alguns detalhes que podem fazer toda a diferença.

A lista abaixo revela algumas imagens que foram publicadas no Facebook com alguns retoques, mas que infelizmente falharam miseravelmente em seu objetivo. Qual delas acabou resultando na pior edição possível? Escolha a sua preferida abaixo e boa diversão.

Cada um com seu fundo…

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Ele ficou milionário! Só que não!

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Barriga tanquinho na moleza

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Cintura fina! Não, péra!

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Tem algo errado no céu?

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Esse braço é mesmo dele?

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Essa porta esta torta?

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Esta imagem, ela é real?

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Tirando a “amiga” de cena

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Secret inspira marcas em posts de oportunidade

1SECRE

publicado no Adnews

O Secret segue sendo amado por uns e odiado por outros. O aplicativo que, basicamente, serve para você revelar segredos anonimamente foi baixado por milhares de brasileiros nas últimas semanas, desde sua tradução para o português anunciada no fim de julho. As marcas, é claro, resolveram pegar carona no buzz.

Lançado em janeiro nos EUA, o Secret funciona com uma plataforma social e o app é apenas uma das frentes. Ele foi criado pelos americanos Chrys Bader e David Byttow e conecta o usuário com os seus amigos utilizando os contatos do seu telefone para compartilhar pensamentos, sentimentos e ideias, anonimamente.

Você confere abaixo uma seleção de posts de oportunidade que seguem o layout do Secret. Se você viu alguma marca ou se sua agência fez alguma ação dentro do aplicativo, deixe o link nos comentários.

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Macarrão instantâneo faz mal?

macarrao-instantaneo-miojo-838x560publicado no HypeScience

Macarrão instantâneo, mais conhecido como miojo, é aquele tipo de refeição que parece tudo de bom: é conveniente, barato e, convenhamos, gostoso! Mas quão saudável é?

Bom, é aí que mora o problema.

O miojo, base alimentar de solteiros e estudantes, pode aumentar o risco de alterações metabólicas ligadas à doenças cardíacas e acidente vascular cerebral bas pessoas. É o que mostra um novo estudo sobre o assunto.

Miojo é bom, mas não faz bem

Para chegar a essa conclusão, Hyun Shin, doutorando na Universidade de Harvard (Estados Unidos) e seus colegas analisaram a saúde e a dieta de cerca de 11.000 adultos na Coreia do Sul entre as idades de 19 e 64 anos. O estudo foi realizado lá porque é uma área conhecida por ter o maior consumo de miojo do mundo – as pessoas chegaram a consumir até 3,4 bilhões de pacotes de macarrão instantâneo em 2010 no país.

Os participantes relataram o que comeram diariamente, e os pesquisadores categorizaram a dieta de cada participante com critérios como “centrada em alimentos saudáveis” ou “centrada em alimentos fast food”, bem como o número de vezes por semana que eles comeram miojo.

Depois de acompanhá-los por um determinado período de tempo, os pesquisadores constataram que as mulheres que comiam mais miojo eram mais propensas a ter “síndrome metabólica”.

Pessoas com síndrome metabólica podem ter pressão arterial alta ou níveis elevados de açúcar no sangue e enfrentam um risco maior de ter doença cardíaca, derrame e diabetes. Nada bom, não é?

Quanto aos homens, Shin e seus colegas descobriram que as diferenças biológicas entre os sexos, como o efeito de hormônios sexuais e do metabolismo, pode explicar a falta de uma aparente associação entre comer macarrão instantâneo e desenvolvimento de síndrome metabólica neles.

Ou seja…

Apesar de miojo ser um alimento prático e delicioso, ele vem com um brinde que é melhor a gente recusar. De acordo com Shin, o alimento contém altos teores de gorduras saturadas e carga glicêmica, e todos esses fatores podem contribuir para problemas de saúde.

Isso não significa que cada pessoa vai reagir da mesma forma e obrigatoriamente vai desenvolver problemas de saúde ao consumir miojo. Mas temos que ter em mente que não se trata de um alimento saudável. É na verdade um alimento processado que, preferencialmente, não deve ser a base alimentar de ninguém.

Alimentos processados geralmente contêm grandes quantidades de açúcar e de sal, principalmente porque eles são projetados para ter uma vida útil longa.

Ainda quer comer miojo?

Tudo bem, não precisa largar mão do miojo para sempre. Mas tome alguns cuidados, como:

- Não coma todos os dias;

- Incremente a receita. Uma boa ideia é misturar legumes frescos ou outros alimentos saudáveis e não processados. Fica até com um toque gourmet;

- Lembre-se do macarrão tradicional. Não é tão mais difícil assim de preparar, não é? Se você caprichar, pode ficar até muito mais gostoso.

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Alemanha tem uma cidade tropical dentro de um galpão para fugir do frio europeu

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publicado no Criatives

Se você já visitou algum país na Europa, deve saber que o frio por lá não é brincadeira. Os Europeus sofrem com as baixas temperaturas, não podendo ter um dia de lazer fora de suas casas, como nós brasileiros :)

Aqui no Brasil, utilizamos parques temáticos para nos refrescar quando o verão resolve aparecer de verdade, já na alemanha, eles criaram um galpão gigante com uma cidade tropical quente por dentro, dando a possibilidade dos Europeus se divertirem como se estivessem na Praia ou em um Clube com piscinas.

Construido a mais de 10 atrás, o Tropical Islands fica situado na cidade de Krausnick e funciona o ano inteiro. As suas principais atrações são piscinas, lagoas, florestas, bares e uma mini-praia, para os visitantes sentirem o clima tropical que nós temos por aqui :)

Com ajuda de um super aquecedor, as temperaturas dentro do Tropical Islands batem a faixa de 26°C, ideal para curtir uma boa praia.

Impossível não ter vontade de visitar, não é mesmo ?
Confira algumas imagens desse paraíso!

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