Maior e menor homens do mundo se encontram em Londres

publicado no R7

O menor homem do mundo, Chandra Bahadur Dangi, se encontrou com o maior, Sultan Kosen, nesta quinta-feira (13) em Londres, Inglaterra. Esta foi a primeira vez que o nepalês de 54,6 cm e o turco de 2,51 m se reuniram e posaram para fotos.

Os dois participaram do evento anual do Guinness Book que comemora o Dia Internacional dos Recordes. A comemoração realizou sua décima edição neste ano e aguarda a visita de milhares de pessoas.

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Catolicismo perde força e um em cada cinco é protestante na América Latina

Uma pesquisa da Pew revela o crescimento do evangelismo nas últimas quatro décadas

Publicado no El País

O catolicismo está perdendo força na América Latina. Em quatro décadas – entre 1970 e 2014 –, os católicos, que representavam 92% da população na região, agora são 69%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo instituto Pew Research, de Washington, nos Estados Unidos. Nesse mesmo período, a proporção de protestantes passou de 4% para 19% da população, com o crescimento das igrejas evangélicas na região e a procura por experiências religiosas mais pessoais. Também aumentou o número de pessoas sem filiação religiosa – que se declaram ateias, agnósticas ou nada em particular –, passando de 0% para 8%.

As variações nas últimas quatro décadas foram muito mais repentinas que nas seis décadas anteriores. Em 1910, o catolicismo era a religião de 94% dos latino-americanos, apenas dois pontos a mais que em 1970, segundo os dados citados pelo Pew. Apenas 1% da população era protestante, três pontos a menos que 60 anos mais tarde. Os cálculos históricos citados no comunicado vêm do World Religion Database, uma base de dados elaborada por vários institutos independentes, e dos censos do Brasil e México.

A sondagem foi baseada em 30.000 entrevistas presenciais realizadas entre outubro de 2013 e fevereiro de 2014 em todos os países de língua espanhola e portuguesa da América Latina e do Caribe, com a exceção de Cuba e incluindo Porto Rico. O relatório emprega o termo “protestante” em sentido amplo, abrangendo membros de igrejas protestantes históricas (batistas, adventistas do sétimo dia, metodistas, luteranas e presbiterianas), de igrejas pentecostais (Assembleia de Deus, Igreja Pentecostal de Deus e Igreja Evangélica Quadrangular) e outras. Menos de um quarto dos protestantes consultados pertence a uma igreja histórica, e mais da metade faz parte de uma igreja pentecostal.

Os resultados da pesquisa revelam diferenças significativas entre países e faixas etárias, permitindo vislumbrar tendências subjacentes. Mais de 425 milhões de católicos vivem na América Latina – quase 40% da população católica mundial. O continente é a região com mais católicos do mundo.

Desde março, ele conta com um papa latino-americano, o argentino Jorge Mario Bergoglio. Mas, como ainda não há dados prévios recentes, ainda é cedo para saber se o efeito do novo papa vai conseguir frear o retrocesso do catolicismo na região. A pesquisa revela apoio maciço ao papa Francisco entre os católicos, mas esse apoio varia de acordo com o país, sendo 78% dos católicos da Bolívia e 98% dos católicos argentinos favoráveis ao papa. Entre os ex-católicos, porém, apenas na Argentina e no Uruguai os que têm visão favorável do papa Francisco formam a maioria.

Um dos maiores problemas do catolicismo é a perda de fiéis. Na pesquisa, 84% dos adultos latino-americanos dizem que foram criados no catolicismo, 15 pontos percentuais mais que os que hoje se identificam como católicos. Em contrapartida, 9% dos latino-americanos foram criados em igrejas protestantes, mas 19% se descrevem como protestante. E entre os não crentes, a transição vai de 4% a 8%.

Por países, o Paraguai é o mais católico (89% da população) e o Uruguai, o menos (42%). O catolicismo predomina em países como o México (81%), Colômbia (79%), Equador (79%), Bolívia (77%) e Peru (76%). É majoritário no Chile (64%), em Costa Rica (62%) e no Brasil (61%), o país com o maior número de católicos do mundo (cerca de 120 milhões). E chega à metade ou menos de metade da população em El Salvador (50%), Guatemala (50%), Nicarágua (50%) e Honduras (46%).

É nesses países centro-americanos, onde o catolicismo está menos presente, que o protestantismo encontra mais adeptos. Honduras e Guatemala lideram o ranking: 41% de seus habitantes se afirmam protestantes. Esses países são seguidos pela Nicarágua (40%), El Salvador (36%) e, já fora da América Central, Porto Rico (33%).

O Uruguai é um caso à parte. É o país com a menor proporção de católicos da América Latina, mas não porque o protestantismo esteja muito presente (chega a 15% da população), mas devido ao grande número de não crentes (37%). Depois do Uruguai, a República Dominicana (18%) e Cuba (16%) são os países latino-americanos com a maior proporção de pessoas sem filiação religiosa.

Embora não vivam num país latino-americano, a situação dos hispânicos nos Estados Unidos merece ser citada, porque as tendências vistas na pesquisa refletem algumas das tendências reveladas em outra sondagem do instituto Pew em 2013 sobre esse grupo. De acordo com essa pesquisa, 55% dos hispânicos nos EUA são católicos, 22% são protestantes e 18% são ateus ou agnósticos. Cerca de 24% dos latinos adultos nos EUA foram educados no catolicismo mas abandonaram essa religião, enquanto apenas 2% que foram criados com outra religião se converteram ao catolicismo.

Por trás da virada do catolicismo para o protestantismo há razões que se repetem. A explicação mais vista na pesquisa sobre a América Latina é a busca de uma ligação mais pessoal com Deus, citada por dois terços do total na maioria dos países. Também é visível o sucesso dos esforços de evangelização das igrejas protestantes: 58% dos que se converteram do catolicismo ao protestantismo dizem que a nova igreja os procurou. E a pesquisa assinala que os protestantes são muito mais propensos a compartilhar sua fé com pessoas de fora de seu grupo religioso.

Por hábito ou opinião, os católicos na América Latina tendem a ser menos conservadores que os protestantes em assuntos como o aborto, o casamento gay, as relações sexuais antes do casamento e o consumo de álcool. Já os protestantes tendem a ser mais praticantes que os católicos: 83% dos protestantes e 62% dos católicos vão à igreja uma vez por mês.

Nesse sentido, a maioria dos católicos gostaria que a igreja católica fosse mais aberta, algo que pode ser crucial para decidir se a mensagem reformista do papa Francisco atende aos desejos desse grupo. Cerca de 66% dos católicos pedem que a igreja apoie o uso de anticoncepcionais artificiais. A proporção chega a 72% nos EUA e a aproximadamente 80% no Chile, Venezuela, Argentina e Uruguai. São maioria – 60% – os católicos latino-americanos que pedem o fim da proibição do divórcio pela igreja. E, novamente, o apoio a essa posição é mais alto no Chile, Uruguai e Argentina.

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“Os racistas não entram no Reino dos Céus”, diz pastor

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Publicado no Portal Geledés

Por Douglas Belchior

Há alguns anos eu participava de uma das inúmeras e intermináveis reuniões de preparação da Marcha da Consciência Negra de 20 de Novembro, quando um homem negro, alto, barbudo e com um vozeirão potente pede a palavra para falar sobre a importância de, em um espaço amplamente dominado por representações das religiões de matriz africana, haver também espaço para os evangélicos. Foi incrível! Evangélicos pentecostais em meio ao movimento negro brasileiro? Mas os pentecostais não são reacionários e alguns até mesmo racistas em suas práticas religiosas? Não! Aliás, aprendi isso com ele, neopentecostais reprodutores de valores reacionários, machistas, homofóbicos e racistas são minorias barulhentas.

Esse homem era o Pastor Marco David, autor do livro “A religião mais negra do Brasil“, onde expõe os motivos que levaram 8 milhões de negros a preferirem as religiões pentecostais no Brasil. Essa semana ele organiza a Conferência Nacional Negritude e Evangélicos: Reflexão, Resistência e Engajamento, no Rio de Janeiro, com participação especial do Reverendo John Perkins. Abaixo um registro do portal Ultimato, que entrevistou o religioso.

De Ultimat0

As palavras são duras, nascidas de um pastor batista negro que enfrenta as barreiras do preconceito no Brasil. Marco Davi é pastor da Igreja Batista em Parque Dorotéia, São Paulo, mestre em Ciências da Religião e coordenador-fundador da ANNEB (Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil). Na entrevista a seguir, Davi fala sobre a luta por uma “reconciliação racial” e sobre a Conferência Nacional Negritude & Evangélicos que começa nesta quinta-feira, dia 13, e termina no sábado, dia 15, no Rio de Janeiro (RJ).

Portal Ultimato – Qual o objetivo da Conferência Nacional Negritude e & Evangélicos?

Marco Davi – Temos como objetivo consolidar o Movimento Negro Evangélico enquanto organismo agregador de todos os movimentos e iniciativas evangélicas de negritude. Para isto, precisamos tornar realidade o objetivo do Movimento Negro Evangélico: engajar, agregar, motivar e potencializar todos os organismos e grupos evangélicos que trabalham, discutem e mobilizam em torno da questão racial no Brasil, a partir da Igreja Evangélica e nos movimentos sociais.

A Conferência Nacional Negritude & Evangélicos não é um evento único, mas o início de um processo que culminará na formação de uma rede de organizações, pessoas e igrejas que trabalham a temática da população negra no Brasil e fora dele. Queremos realizar em 2015 o Congresso Nacional Negritude & Evangélicos e, se Deus permitir, em 2016, o Congresso Latino Americano Negritude & Evangélicos.

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Portal Ultimato – Um dos preletores será John Perkins, uma das grandes vozes na defesa da reconciliação racial. O que Perkins poderá acrescentar à Igreja Evangélica Brasileira?

Marco Davi – A presença do Rev. John Perkins por si só já é um presente para nós como negros e como igreja. A sua história de luta pelos Direitos Humanos, na organização da população negra do Mississipi e nos Estados Unidos já o qualifica para estar entre nós. Suas propostas de reconciliação que não deixam de lado a necessidade de igualdade farão com que tenhamos novas perspectivas. Até, quem sabe, novos discursos sobre a questão negra entre nós.

Portal Ultimato – Quando falamos de “reconciliação racial” do que estamos falando?

Marco Davi – Creio que, no Brasil, precisamos elaborar mais o assunto. Precisamos lutar pela reconciliação. Mas para que isto aconteça duas coisas são necessárias e importantes. Primeiro, os negros devem gostar de serem negros. Há uma autoestima baixa entre os negros do Brasil em geral. Muitos têm dificuldades até de discutir o assunto sobre raça. Outros procuram se juntar mais e mais com brancos, não porque acham natural, mas porque têm dificuldades com a sua cor da pele, sua raça. Não é porque eles sejam racistas, , como afirmam alguns preconceituosos (até porque os racistas sempre são aqueles que fazem parte do grupo de maior poder econômico, politico e sistêmico). Portanto, é impossível, de forma radical, que os negros sejam racistas. Mas quando alguns têm sentimentos racistas, como sabemos de alguns que nutrem esse sentimentos pecaminosos, o fazem talvez porque não se aceitam como são: imagem e semelhança de Deus.
Outra realidade importante para que haja reconciliação entre negros e brancos no Brasil são os brancos compreenderem que eles têm vantagens no Brasil. Os brancos pobres ou ricos já nascem com vantagens nesta nação. A raça dos brancos não foi escravizada por mais de 350 anos. Os brancos têm vantagens emocionais, psicológicas, econômicas, sociais, geográficas, etc. Os brancos não são o objeto principal da violência policial, mas sim os negros. São os negros que precisam conversar com os filhos que sofrem angústias por serem discriminados no país. E muitas outras coisas.
Não estou legitimando a postura de “coitados” para os negros, mas sim mostrando que se os brancos não reconhecerem isso, que o Estado brasileiro deve à população negra, não conseguiremos muitas avanços. A reconciliação sem direitos é imposição da Injustiça.

Portal Ultimato – Quando defendemos os negros, desvalorizamos os brancos?

Marco Davi – De maneira nenhuma. Os brancos e os negros são imagem e semelhança do Pai. O que queremos falar com a defesa dos negros – e que causa sim muitas dificuldades para brancos e negros pelos motivos ressaltados acima – é a busca dos direitos diante desta sociedade que evidencia o racismo e a sua exclusão. O Estado do Brasil deve muito aos negros que trabalharam muito sem nada receberem, somente alimentação horrível, violência, estupros, segregação, imposições de leis que favoreciam aos brancos da época, principalmente, aos ricos e fazendeiros, etc. Quando os negros estavam prontos e preparados para o trabalho e próprio ganho pessoal e não para seus senhores, o Estado do Brasil criou outras formas de prejudicar os negros, como a lei do ventre livre, o branqueamento que posteriormente se tornou uma política a partir da qual muitos brancos de outros países vieram para cá subsidiados pelo governo. Foi muita covardia. Se o Brasil não reparar isto continuará sob o juízo de Deus.

Portal Ultimato – Um assunto urgente é a violência que tem os jovens negros como as maiores vítimas. Para este assunto, haverá uma mesa de debate. Qual a gravidade do tema?

Marco Davi – Agora mesmo saiu uma pesquisa que mostra que os negros jovens são as maiores vítimas da violência. O Mapa da Violência no Brasil 2014 revela isto. Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).
Isso é muito grave, porque basta ser negro. Ninguém está preocupado se ele é evangélico, do candomblé, ou católico. É negro e ponto. O que é muito triste é ler alguns comentários nas redes sociais de gente que é racista, mas nunca tem coragem de avisar ao outro. Nesta hora, esta gente se sente livre e detona o seu azedume racista. Gente de igreja também que diz não ser bem assim, que isso é notícia plantada. Ora, quem vai plantar uma desgraça dessa? Qual objetivo? Isso é uma realidade, e a violência pode atingir também aos cristãos, como já tem acontecido.
Confesso que tenho medo, pois tenho um filho de 18 anos e uma filha de 16. Negros lindos por sinal, estudiosos, dedicados. Quando eles saem, eu fico com muito medo do que pode acontecer. Como cristão e pastor, coloco, é claro, nas mãos do Senhor. Mas digo a Ele que o medo existe, porque moro no Brasil onde os negros – como em outros lugares – são preteridos em muitas coisas. O negro é objeto de violência em primeiro lugar.

A igreja brasileira denominou alguns problemas no Brasil como coisas do diabo, tais como: homossexualismo, casamento gay, aborto, etc. Mas tantos jovens negros são assassinados no Brasil e isso nunca foi motivo para levante midiático, campanhas no Youtube, Facebook, televisão , etc. Ou seja, o genocídio aos negros pode continuar, desde que não atinja os dogmas religiosos das igrejas. Mas o que será o que o Senhor Jesus dirá à nossa igreja do Brasil? Racismo é pecado. E quando você que é racista e acha que os negros devem morrer mesmo, não devem nem falar sobre direitos, e devem continuar no seu lugar, estiver lendo este texto, peça perdão ao Senhor e peça a ele que tenha misericórdia de sua vida. Porque talvez você, no juízo final diante do Senhor, o encontre negro. E isso acontecendo, ele dirá “apartai de mim maldito para o fogo eterno”, pois racistas não entram no reino dos céus.

Serviço:
Conferência Nacional Negritude & Evangélicos
Tema: Reflexão, Resistência e Engajamento
Data: 13, 14 e 15 de novembro
Local: Seminário Teológico Batista do Sul (RJ)

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Noivo é levantado de sua cadeira de rodas para surpreender esposa no dia do casamento

 

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publicado no Catraca Livre

O sargento Joey Johnson passou os dois últimos anos de sua vida em uma cadeira de rodas. Ele havia acabado de voltar de uma missão de 10 meses no Afeganistão quando sofreu um acidente de moto e perdeu o movimento das pernas.

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Mas no dia de seu casamento ele quis surpreender a noiva Michelle e dançar sem a ajuda da cadeira de rodas. Suspenso com a ajuda de cordas, Johnson levou a noiva e os convidados às lágrimas. Confira as fotos do grande dia.

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Uma em 1 milhão

Precisamos muito falar sobre aborto

Publicado na Revista TPM

“Eu faço o trabalho que ninguém quer fazer, mas que precisa ser feito.”

O médico que diz isso está comigo no último andar de um prédio na zona de sul de São Paulo. Nos outros andares, a rotina é a de um grande hospital normal. No setor em que estamos, há um esforço para fazer tudo parecer corriqueiro: sala de espera, secretária que atende o telefone, faxineira que passa o pano úmido no chão, consultório de paredes brancas e maca forrada com papel. Mas tudo é diferente nesse último andar. Aqui, abortos são feitos todos os dias. E abortos são ilegais no país onde eu moro.

Ilegais, mas não ilegítimos. E tampouco raros: o doutor V. é velho conhecido de amigas minhas – e de amigas de amigas. Seu telefone e o endereço do hospital onde atende circulam livremente entre mulheres (e respectivos namorados, maridos, amantes, pais, parentes, amigos) que engravidaram, mas não queriam ter engravidado. E que, claro (o detalhe é importante), dispõem de algum dinheiro para resolver o problema de maneira limpa e sem riscos. No meu caso, R$ 3.500, cash.

O doutor V. me deu um desconto porque descobri a gravidez cedo: seis semanas, ou um embrião de 4 milímetros. Ele cita outras “clientes” que demoraram muito mais “e ainda ficam chorando por um preço menor”. Tenho vontade de dizer “não sou sua cliente” e sair correndo. Espio a lista no papel sulfite sobre a mesa, com outros 20 nomes de mulheres que ele vai atender só naquele dia. Por uns instantes não o ouço. Olho a janela, a vista é bonita, o céu está cinza. É um dia triste pra mim. Mas é o que precisa ser feito.

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Eu estou diante do doutor V. porque não quero ter mais uma criança. O fato de eu já ser mãe aumenta em muitos tons a complexidade dos sentimentos. Tenho a noção exata de que ter filhos é maravilhoso – tem sido para mim. Além disso, fiquei grávida do “cara certo” e não de um passante qualquer. Ainda assim, veio a certeza estranha e cruel: não quero esse bebê concebido num descuido. Infração gravíssima, eu sei. Sete pontos na carteira existencial. Para uma parcela considerável da população, eu deveria ser castigada em praça pública (ou ao menos numa sala de parto).

Só que eu não acho que a opinião pública tenha alguma coisa a ver com uma decisão que é minha, pessoal e intransferível, como são todas as dores. E que é, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, a decisão tomada por mais de 1 milhão de mulheres brasileiras todos os anos. Um milhão por ano é gente demais pra ser varrida pra debaixo do tapete. Principalmente quando, desse milhão, gente como eu – com acesso a médico, anestesista, sala limpa com vista e lanchinho no final – é minoria absoluta. A maioria se vira como pode. Talvez tomando um remédio, talvez perfurando o próprio útero em casa, talvez indo a clínicas como as que, recentemente, entraram no noticiário policial por terem sido os cenários de duas mortes.

O Brasil tem uma presidente mulher. Ela tem entre seus ministérios uma Secretaria de Políticas para as Mulheres, cuja titular ostenta um belo histórico de defesa dos direitos individuais (e da legalização do aborto especificamente). Mas é um país que tem se calado diante de propostas legislativas que são puro atraso. Um país que simplesmente finge que essa multidão não existe.

Esta revista não se conforma com isso e convoca a sociedade para o debate – ao menos ele: precisamos muito falar sobre aborto.

Micheline Alves, diretora do núcleo Trip e Tpm

dica do Guilherme Massuia

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