Papiro citando a Santa Ceia pode ser o mais antigo amuleto do cristianismo

Fragmento indica que cristãos adotaram costume egípcio de usar amuletos contra perigos (foto: University of Manchester, John Rylands Research Institute)
Fragmento indica que cristãos adotaram costume egípcio de usar amuletos contra perigos (foto: University of Manchester, John Rylands Research Institute)

Publicado no UOL

Um fragmento de papiro com referência à Santa Ceia pode ser o mais antigo amuleto do Cristianismo. O pedaço de papel foi descoberto por uma pesquisadora entre milhares de papiros mantidos na biblioteca da Universidade de Manchester, no Reino Unido.

A responsável pelo achado, Roberta Mazza, diz que ele provavelmente foi usado dobrado em um pingente como amuleto de proteção. “Foi uma descoberta importante e inesperada. Trata-se de um dos primeiros registros de uso de magia no contexto do cristianismo e o primeiro amuleto com referência à Santa Ceia”, diz Mazza.

O fragmento é provavelmente originário de uma cidade do Egito. Seu texto traz uma mistura de trechos dos Salmos e do evangelho de Matheus. “Na época, cristãos começaram a utilizar passagens da Bíblia como amuleto de proteção”, diz Mazza. “Por isso, este achado marca o início de uma importante tendência”, completa.

Análises de carbono indicam que o papiro data de período entre os anos de 574 e 660. O criador provavelmente transcreveu trechos da Bíblica de que lembrava de cabeça, ao invés de copiá-los. Segundo a pesquisa, há erros de ortografia e palavras que não estão na ordem correta, como estão na Bíblia.

A íntegra do texto diz:

“Temei o que governará sobre a terra.

Saibam nações e povos que Cristo é o nosso Deus.

Pois ele falou e tudo veio a ser, ele mandou, e tudo foi criado; ele colocou tudo sob os nossos pés e nos libertou da cobiça de nossos inimigos.

Nosso Deus preparou uma Ceia Sagrada no deserto para o povo e deu o maná da Nova Aliança para comermos, o corpo imortal do Senhor e o sangue de Cristo derramado por nós para a remissão dos pecados”.

A passagem foi originalmente escrita na parte de trás de um recibo usado para pagamento ou cobrança de imposto. Um texto quase ilegível faz referência à coleta de tributos da vila de Tertembuthis, localizada no interior de Hermópolis, cidade da antiguidade onde hoje está localizada El Ashmunein, no Egito.

“Provavelmente, a pessoa que utilizou as costas do papiro para escrever o texto do amuleto era dessa mesma região”, diz Mazza.

A descoberta será apresentada por Roberta Mazza em conferência internacional. Em seu estudo, ela mostra que cristãos adotaram a prática egípcia de usar amuletos para proteger seu portador e afastar perigos. Segundo a pesquisadora, a prática pode ser verificada ainda hoje, no uso de escapulários e orações em santinhos.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik.it.

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Fernando Meirelles: “Marina paga o pato, mas PT e PSDB não puniram homofobia”

Meirelles: "Eles [a equipe do programa de governo] erraram e vão ter que absorver o tranco, engolir o choro e seguir"
Meirelles: “Eles [a equipe do programa de governo] erraram e vão ter que absorver o tranco, engolir o choro e seguir”
Luciano Máximo, no Valor Econômico

Leia os principais trechos da entrevista com Fernando Meirelles:

Valor: Você apoiou a Marina em 2010 e está com ela agora também.

Fernando Meirelles: Sim, com mais convicção. Nestes quatro anos, a Marina não parou de se reunir com pessoas de todas as áreas para compreender mais profundamente o país e se preparar para uma possível eleição. Os estudos que dão sustentação às ideias da Marina estão disponíveis no site do Instituto Democracia e Sustentabilidade [IDS].

Valor: O que o motivou a optar por ela nessas duas ocasiões?

Meirelles: A plataforma que mira desenvolvimento sustentável. Leio bastante sobre aquecimento global, crise da água, segurança alimentar, matrizes energéticas, esgotamento dos biomas naturais e dos recursos do planeta. Nada me tira mais o sono do que perceber que estamos numa rota de colisão e ver que a turma continua querendo acelerar e crescer. Marina tem visão de estadista, pensa no país que ficará para os nossos netos. Isso que faz toda a diferença.

Valor: Teve/tem participação efetiva nas campanhas de Marina?

Meirelles: Em 2010 queriam que eu fizesse o programa [de TV], mas eu não quis transformar minha vontade de participar em um trabalho, então ajudei a montar uma equipe de produção e dei uma de palpiteiro sem compromisso. Na campanha atual, como seria feita pelo pessoal do Eduardo, não me envolvi. Mas só participaria mesmo como voluntário.

Valor: As eleições deste ano serão diferentes do pleito de 2010?

Meirelles: Já estão e as chances de Marina vencer são grandes. Em 2010, Dilma era a continuação dos anos dourados que o Brasil viveu graças à China no mercado de commodities. A festa acabou e está cada vez mais claro que investir só em consumo deu errado. Pesquisas mostram que ninguém aguenta mais o velho pensamento político do confronto e da oposição.

Valor: Marina também está diferente de lá para cá? Vê evolução?

Meirelles: Como ela gosta de filosofia e psicologia, costumava ser muito analítica, conceituava cada ideia tornando seu discurso acadêmico e mais difícil. Agora está mais sintética e assertiva. Os quatro anos estudando o Brasil e conversando com gente de Norte a Sul deram-lhe estofo e segurança.

Valor: O que achou da decisão de Marina de se aliar ao PSB?

Meirelles: Calou quem dizia que ela era intransigente e sem cintura para o jogo político. Que outro político no Brasil com um cacife de 20 milhões de votos toparia ser vice numa chapa, só para poder ver algumas ideias que acredita contempladas no programa de governo? O negócio dela é o seu programa e não o poder.

Valor: Gostou do programa de governo de Marina?

Meirelles: Gostei. Pena que ninguém leia o programa. Ele propõe uma grande mudança para o país. São três eixos principais: o primeiro será manter as conquistas dos outros governos, tentando aprimorá-las, sem se importar se quem as inventou pode estar na oposição. Não se desperdiça boas ideias só por não serem de autoria do partido. O segundo é democratizar a democracia, que significa criar instrumentos, incluindo redes sociais, para que as decisões do governo reflitam de fato a vontade dos brasileiros. O terceiro é criar as bases para um desenvolvimento ambientalmente sustentável para podermos ter um país justo, com cidadãos livre e criativos. Diria que o capítulo sobre educação é o que mais me animou. A Marina quer recuperar a qualidade do ensino das escolas públicas, com ciência e cultura como pilares.

Valor: O que achou das mudanças anunciadas momentos depois?

Meirelles: Foi uma tremenda comida de bolas eles terem publicado a versão errada e depois voltado atrás. O fato de ter recuado foi um vacilo. Mas o programa toca em tantos pontos importantes que é uma pena que essa questão, também importante, esteja se tornando o fiel da balança. É tão difícil pegar a Marina no pulo que quando aparece um aluguel de avião ou a troca de “casamento” por “união estável” num documento, a turma aproveita e sai gritando. Faz parte, eles erraram e vão ter que absorver o tranco. Engolir o choro e seguir.

Valor: Marina é mais visada que os outros candidatos na abordagem de certos temas polêmicos, como direitos civis, religião, aborto?

Meirelles: Me parece que sim. Nem PSDB e nem PT criminalizaram a homofobia em seus governos e nem lançaram cartilhas com noções de tolerância em escolas, mas a Marina é quem paga o pato com o eleitor. Tanto a Dilma quanto o Aécio, que não creem, usam o nome de Deus em suas falas. Há duas semanas, na Assembleia de Deus, a Dilma começou seu discurso citando o salmo de Davi. Foi falsa como uma nota de dois dólares. Já a Marina, que crê de fato, paradoxalmente é a única que não usa Deus em seu discurso, mas é a única criticada por isso.

Valor: Como interpreta essa “nova política” que Marina tanto fala?

Meirelles: Parece ser o seu tema central, mas no programa a reforma política que ela propõe é só um instrumento para chegar ao que realmente interessa, que é a construção de um país afinado com os valores e a cultura do milênio em que estamos e não mais com a visão desenvolvimentista do século XX. Ela sabe que governar não é mais abrir estradas nem construir ferrovias. Claro que ferrovias precisam ser construídas e serão, mas um presidente precisa ter visão de país e de futuro, e é isso que ela tem de sobra e é isso que encanta quem a escuta com atenção.

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Ir para cama com celular ou tablet pode tirar o sono

Luz azul emitida por dispositivos eletrônicos suprime a produção de hormônio responsável por controlar os ciclos do sono

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Publicado na Veja on-line

Acessar o Facebook ou assistir a um vídeo no YouTube na cama, antes de dormir, pode não ser uma boa ideia se o objetivo é ter uma noite tranquila de sono. Segundo o pesquisador Richard Hansler, da Universidade John Carroll, a luz azul emitida pelos dispositivos eletrônicos tem efeitos negativos que podem causar insônia e outros males à saúde.

Em entrevista ao site americano Gigaom, Hansler, que durante 42 anos trabalhou na divisão de iluminação da GE, afirmou que seus estudos associam a cor azul, presente nas telas de eletrônicos, à supressão da melatonina, o hormônio do sono. Essa substância não só contribui para que as pessoas durmam bem como tem influência na saúde. A falta da melatonina no organismo pode levar o usuário a desenvolver diabetes, obesidade, doenças do coração e alguns tipos de câncer.

A luz azul é muito brilhante e por isso é usada em larga escala em aparelhos como smartphones, tablets, notebooks e TVs. As primeiras pesquisas que relacionam esse tipo de iluminação à melatonina foram realizadas em 2001. Os estudos mais recentes afirmam ainda que a exposição à luz azul à noite causa insônia e aumenta a incidência de doenças como lúpus e enxaqueca.

Há alguns meses, a American Chemical Society divulgou um vídeo que explica como a luz azul à noite engana o organismo, fazendo-o acreditar que é dia. Isso aumenta o ritmo dos batimentos cardíacos e faz com que a pessoa fique alerta. O melhor a se fazer antes de dormir, garante Hansler, é evitar o uso de gadgets na cama.

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Novas comidas gourmet são uma forma cafona de distinção social

 

Publicado no UOL

A gastronomia tem hoje, provavelmente, o mesmo peso que atribuímos aos concertos ou às exposições de arte. Sem exagero e do mesmo modo, tanto quanto “parecer” intelectual tinha e tem algum apelo em determinados nichos sociais, ser “entendido” em artes da cozinha e do serviço do vinho, por exemplo, também é um elemento de distinção social.

Ingredientes ou produtos têm sido requalificados como gourmet. Veja o caso de marcadores culturais como a cachaça, que ganha distinção com o selo de premium e deixa de ser associada apenas aos consumidores mais populares. De forma análoga, frequentar determinado restaurante, pagar por isso, observar quem o frequenta e, principalmente, ser visto, é uma experiência de significado muito semelhante ao de ir a uma ópera no século 19.

O lado risível desse processo é a necessidade de muitos em estabelecer a diferença. Por exemplo, o consumo dos produtos da terra não é enaltecido pelos seus valores intrínsecos, como tradição, história ou território – ou terroir, se preferir -, mas por atributos que podem nos distinguir perante a outros consumidores.

A indústria parece ter percebido isso muito rapidamente, destacando determinadas qualidades (legítimas ou não), mas sempre mirando a sanha de consumidores ávidos por se destacarem em seu meio social. Muitas vezes, pelo consumo de produtos que se autodenominam gourmet.

Outros víveres apontam para o “comfort food” de forma exagerada. Pipocas e brigadeiros, que sempre tiveram espaço em nossa memória afetiva, agora são gourmets e marcam presença em festas vips.

O consumo dos produtos da terra não é enaltecido por valores como tradição, história ou território, mas por atributos que podem nos distinguir perante a outros consumidores

O mesmo se aplica às varandas, que agora são “gourmets” e ao fenômeno recente das cozinhas que norteiam projetos de arquitetura, pois cresce a percepção de que a cozinha é o elemento principal da casa.

Tudo isso pode ser muito cafona, e nos coloca em saias justas quando refletimos sobre o que torna um produto gourmet ou o que significa a palavra gourmet para nós.

Entre a nascente burguesia brasileira, essa expressão começou a fazer mais sentido nas décadas de 1960 e 1970, quando começam a aparecer chefs franceses representantes da nouvelle cuisine. Ele começaram a revitalizar e popularizar a gastronomia francesa, menos codificada, mais livre e, principalmente, calcada na excelência dos ingredientes.

Curiosamente, o que de mais importante esses chefs nos legaram, para além das técnicas gastronômicas, foi a valorização de nossos alimentos típicos, seu frescor, sua versatilidade. E mais: fazer com que as pessoas se atentem à origem dos alimentos. Cuidados que favorecem não só a saúde e a qualidade de vida, como também a ideia poderosa e legítima de que alimento é cultura. Por que precisamos que estrangeiros nos digam isso?

O movimento Slow Food é um dos inúmeros exemplos de esforços nesse sentido. Nele, algumas ideias se destacam: o bom -qualidades organolépticas dos alimentos-, o limpo -produtos orgânicos, sazonais e livres do uso de agrotóxicos (somos campeões mundiais no consumo desses venenos)-, e o justo – defende o agricultor, valorizando seu trabalho.

É preciso valorizar alimentos e bebidas que sempre foram nobres quanto ao cuidado com que são feitos, contam com ingredientes de excelência e que são identificados com a nossa cultura

Coincidentemente, em uma justa homenagem, 2014 é o Ano Internacional da Agricultura Familiar, e um dos principais eventos do de gastronomia do país, o Semana Mesa São Paulo, terá como tema a conexão entre o produtor familiar e a cozinha.

Penso que está na hora de valorizarmos determinados procedimentos culinários e produtos da terra. Alimentos e bebidas que sempre foram nobres quanto ao cuidado com que são feitos, contam com ingredientes de excelência e, principalmente, que são identificados com a nossa cultura. Tais produtos são gastronômicos, independente da nossa voracidade por rótulos. Nossos chefs têm trabalhado arduamente nisto, precisamos dar visibilidade a essas iniciativas.

O termo gourmet pode também significar a valorização da denominação de origem, coisa que os europeus há muito já fazem. É o reconhecimento da importância da produção artesanal e de excelência, que começa a ser certificada e destaca aquele que efetivamente produz esse tipo de alimento, muitas vezes, o pequeno produtor.

Pagar mais por tais produtos pode trazer outro tipo de satisfação: dar sustentabilidade econômica, preservar sabores, difundir culturas e defender biodiversidades. Há um enorme caminho a trilhar para que isto se efetive amplamente.

Voltando ao meu exemplo inicial, a cachaça. Quando Lima Barreto (ou um de seus personagens), no início do século passado pedia uma “Paraty”, ele não estava se referindo a uma cachaça gourmet ou prime, mas à tradição de excelência na produção de uma cachaça artesanal. Fruto da simbiose entre terra, homem e seu saber fazer.

Em outras palavras, à tradição dos antigos engenhos de cana-de-açúcar, ao clima daquela região específica e ao conhecimento acumulado ao longo de séculos de produção desse destilado legitimamente brasileiro. Quer expressão melhor daquilo que hoje identificamos como gourmet e expressão autêntica de seu terroir?

Nosso famoso literato -crítico da república velha e autor de obras como “Os Bruzundangas” e “Triste Fim de Policarpo Quaresma”- queria na realidade pedir uma cachaça, mas que tinha o gosto da nossa história, tradição e território. Enfim, tudo isso que desde aquela época já era considerado chic!

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Proposta de governo de Levy Fidelix para 2014 é de 2010 ¯\_(ツ)_/¯

publicado no BuzzFeed

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Com direito a uma aba especifica para a proposta.

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Para nossa surpresa, a do Levy Fidelix é de 2010.

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O programa conta com informações desatualizadas, como o valor do salário mínimo.

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E ainda fala da Copa.

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Ao R7, Fidelix explicou que, como sua candidatura foi registrada no dia 2 de julho, próximo ao prazo final (dia 5 de julho), não houve tempo para concluir o documento.

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