Entrevista com Sergio Viula, teólogo ateu e ex-ex-gay

Liga Humanista Secular do Brasil Há mais de cem anos, num Reino Unido ainda legalmente homofóbico, Alfred Douglas, amante do grande Oscar Wilde, chamou a homoafetividade de “o amor que não ousa dizer seu nome”. O verso foi usado como prova para incriminar Wilde e sentenciá-lo a trabalhos forçados. E aqui, hoje, este amor ousa dizer seu nome? Quem ainda o impede?

Sergio Viula - Muitos avanços foram feitos desde então. Os Direitos Universais do Homem, promulgados pela Organização das Nações Unidas depois da 2a. Guerra Mundial têm conquistado cada vez mais espaço na legislação de cada país filiado à mesma. E até nos países que ainda não comungam com a ONU existem pressões internas e externas para que o ser humano seja cada vez mais respeitado em seus direitos, independentemente de seu sexo, raça, religião, orientação sexual, etc.

No campo da homoafetividade, os maiores avanços ocorreram a partir de 1969, quando da intervenção policial num bar gay de Nova York, o Stonewall Inn. A resistência dos gays ali presentes gerou o moderno movimento pelos direitos civis dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Graças aos desdobramentos desse movimento (quem desejar compreender melhor seu começo, veja o fime americano “Milk, a Voz da Igualdade”), o amor que não ousava dizer o nome passou a ter orgulho do nome que tem. Milhões de homossexuais vivem hoje assumidamente. Ainda há os que temem o preconceito e os que internalizam a homofobia com a qual convivem desde que se conhecem por gente, os quais resistem a se expor e chegam até a agir de modo antipático aos outros gays tentado se diferenciar. Porém, cada vez mais, as pessoas vão compreendendo que o amor é igual, as dinâmicas são as mesmas. A diferença está apenas nos gêneros envolvidos nesse amor. Ambos são do gênero masculino ou do gênero feminino, mas as alegrias e sofrimentos que o amor produz tanto para gays como para heterossexuais são as mesmas.

LiHS Você é ateu e teólogo. Pensa que uma religiosidade moderada poderia ser benéfica à situação dos gays no Brasil? Afinal de contas, sendo a Bíblia a compilação de livros diversos que é, tem tanto passagens em que condena a homossexualidade quanto descrições de homoerotismo entre Jônatas e Davi e entre Noemi e Rute. Estes personagens não poderiam servir de exemplos para um cristianismo sem homofobia? Há cristianismo sem homofobia?

Sergio - Atualmente, algumas denominações consideradas “inclusivas” estão fazendo esse trabalho. Elas procuram vivenciar um cristianismo sem homofobia ou outros preconceitos. Existe, sim, a meu ver, espaço para esse tipo de comunidade de fé. Considero benéfica a existência desses espaços para aqueles que realmente não conseguem viver sem religião. É melhor que sejam religiosos moderados e mais equilibrados do que acabar vivendo entre fundamentalistas cegos. Eu, porém, abandonei totalmente o cristianismo, não por considerá-lo incompatível com minha orientação sexual, mas por perceber que ele não leva vantagem em termos epistemológicos, digamos assim, sobre qualquer outra religião, mitologia ou sistema de fé. (mais…)

Comentários

Leia Mais

A oração simples

Ed René Kivitz

Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.

O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão “coisa alguma” inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center até o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa até a enfermidade de uma pessoa querida.

Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar “é legítimo pedir isso a Deus?” ou “será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?”. Simplesmente orar.

A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.

O maior fruto da oração não é o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.

fonte: Blog do Ed René Kivitz

Comentários

Leia Mais