As superstições, nossas e de Picasso

Roberto Gomes

Qualquer um de nós já evitou passar por debaixo de uma escada. Dá azar, é o que diz a tradição. Em meus momentos de lucidez racionalista – que não são muitos – penso que isso é bobagem; tal medo deve ter origem no fato de que em muitas ocasiões alguém passou por baixo de uma escada e lhe caiu na cabeça um pincel, um balde de tinta ou um pintor. Com o tempo, o medo de ser atingido se generalizou para toda e qualquer escada. Pode ser. Mas é bom evitar.

Na biografia que Françoise Gilot escreveu sobre Picasso, com quem foi casada por dez anos – Vivre avec Picasso, 1964 – encontramos lá pelas tantas duas páginas curiosas e divertidas. É quando ela nos conta das superstições que assombravam aquele espanhol metido a ateu e racionalista.

Por exemplo: deixar um chapéu sobre a cama seria um desafio fatal, que disparava a ira de Picasso, pois ele temia que tal descuido determinasse que até o final do ano alguém da casa fosse morrer. Deve ser uma variante espanhola, pois eu passei a infância ouvindo o que poderia ser uma versão portuguesa: deixar o chapéu sobre a mesa causava desgraça e morte. Se meu pai fazia tal coisa, minha mãe sofria arrepios de pavor e atirava o chapéu a um canto, benzendo-se três vezes em seguida.

Meu pai também fazia pose de descrente, mas quando ele, soldado raso, se viu, durante a revolução de 1924, no meio do mato, à noite, durante um fogo cruzado feroz, esmagou-se contra o chão e jurou que, se saísse vivo daquela, iria em romaria a Aparecida do Norte cumprir promessa. Esfomeado, as roupas em frangalhos, mas sem uma só bala no corpo, ele saiu do mato pela madrugada e chegou a uma casa de fazenda dois ou três dias depois. Estava salvo, mas levou uns quarenta e tantos anos para cumprir a promessa. Mas cumpriu.

Ainda no domínio das superstições que Françoise chama de espanholas, a mais pitoresca é aquela que era desencadeada pela abertura de um guarda-chuva dentro de casa. Nesse caso, era preciso, para evitar maiores desgraças, que todos saíssem pela casa fazendo figa nas duas mãos e gritando (não me perguntem a razão): Lagarto! Lagarto!

Mas, tendo sido casado com a bailarina Olga Koklova, Picasso juntou fobias russas ao seu estoque de medos espanhóis. Antes de partir em viagem, era preciso que todos se reunissem numa sala e ficassem em absoluto silêncio por dois minutos para que se pudesse partir livre de acidentes e com o coração tranquilo. Caso alguém risse ou falasse, era preciso repetir todo o ritual novamente, recontando-se os dois minutos.

Outra superstição da qual Françoise não indica a origem, afirma que pedaços de unhas ou mechas de cabelos nas mãos de outras pessoas constituíam um perigo enorme. Alguém mal intencionado poderia usá-los para provocar infortúnios ou dominar sua vida. Assim, era preciso sumir com restos de unhas ou de cabelos. O mais seguro seria levá-los ensacados a um lugar remoto e lá abandoná-los em segurança. Por isso Picasso costumava ele mesmo cortar os próprios cabelos, o que só deixou de fazer quando encontrou um barbeiro espanhol no qual passou a confiar. O tal barbeiro era chamado a sua casa de tempos em tempos e os dois se trancavam num quarto. Picasso saía de lá tosquiado. Françoise diz que jamais encontrou o menor traço de restos de cabelos – sumiam sem deixar rastros. Um mistério.

Pois posso acrescentar outras superstições ou manias a essas do célebre pintor. Uma delas pode ser considerada uma simpatia e é muito conhecida. Se há na casa uma visita indesejada ou que não percebe que já é hora de se despedir, o remédio é colocar uma vassoura de ponta cabeça atrás de uma porta. Vi muitas vezes minha mãe usar desse recurso estratégico. A vítima, posso garantir, pulava da cadeira em minutos, catapultada por uma incontrolável necessidade de sumir porta afora.

Além disso, quando menino, me diziam que um chinelo virado representava um perigo de morte iminente para a pessoa de mais idade na casa. Ao encontrar um chinelo virado, minha mãe o desvirava, sem dispensar os três sinais da cruz, feitos de um modo bastante nervoso.

Eu ria muito desse medo boboca, mas, muitos anos depois, dando com um chinelo virado, percebi que, àquela altura, eu era a pessoa de mais idade na casa. Cuidando que ninguém percebesse, fui lá e desvirei o chinelo.

Fonte: Gazeta do Povo

E agora algumas das superstições evangélicas: lencinhos com suor do apóstolo fulano-de-tal, chave de abertura de portas para o ano de 2011, aliança de dedo, sabonete com sangue de cristo, manto da unção, e por aí vai…

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A paz não é para se saber

Caio Fábio

As Escrituras fazem diferença entre paz e paz. Sim! Para Deus uma é a paz do homem e outra é a paz do céu.

Foi por isto que Jesus disse “a minha paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo”.

Afinal, uma é a paz dos homens e outra a paz de Deus.

A paz dos homens tem a ver com conforto, equilíbrio de poderes, controle, domínio, bens, seguranças, sucessos, liberdade de expressão, determinações afetivas, reconhecimento, tranqüilidade, autodeterminação, boas sensações, etc.

Ora, tire-se qualquer dessas coisas de um homem e ele perderá toda paz que supostamente possua.

A paz de Deus, no entanto, não é assim. Pois se a paz dos homens decorre de muitas bênçãos e prosperidades, a paz de Deus, no entanto, decorre de Deus apenas, e não de circunstancias favoráveis.

A paz do homem é sempre emocional. A paz de Deus, entretanto, é ultra-circunstancial, visto ser um estado que transcende a tudo.

Jesus deixou claro que uma é a paz da terra e outra a do céu.

“A minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo”.

Assim, pergunto:

Qual é a paz que você busca?

A que depende do Paraíso se manifestar na terra, conforme os caprichos e ilusões do homem; ou aquela paz que excede ao entendimento, e que está presente em nós mesmo quando o mundo todo nos designa como azarões?

O conceito judaico de paz, o Shalom, é o de uma paz integral: corpo, alma e espírito.

A paz de Cristo, no entanto, é maior do que o conceito de Shalom.

Afinal, em Jesus, com sucessos ou não, a paz é real, e não se intimida e nem foge ante a angustia, a perda, a catástrofe, o cerco, a opressão, e qualquer outra coisa desta existência.

Sim! Jesus é a nossa paz; e nada mais além Dele!

Alguém lê isto e diz: Eu já sabia. Nada novo!

Ora, eu não estou aqui para pregar novidades, mas apenas para anunciar aquilo que, em sendo vivido pela fé, faz a pessoa viver em novidade de vida.

Portanto, pergunto:

Qual é a vantagem de dizer que sabe algo se você diz que sabe sem ter jamais provado?

A paz de Deus não é uma bandeira. Ela é apenas paz para ser vivida, e não pregada como discurso de sedução aos angustiados.

Paulo diz que tudo isto se transforma em fato e realidade em nós se aprendermos a pensar, a sentir, a imaginar e falar; pois, a paz de Deus enche o coração de quem pensa o que é bom e justo, e busca sentir e falar apenas aquilo que seja construtivo.

A esses se diz que a paz de Deus que excede a todo entendimento encherá suas mentes e coração.

Tudo isto que estou dizendo somente será verdade quando for verdade em você.

Pense nisto!

fonte: Caio Fábio

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Grupo desmente dicas de saúde ‘bizarras’ feitas por celebridades

Um grupo de campanha revelou nesta quarta-feira, 29, a verdade sobre algumas das mais duvidosas dicas de saúde e boa forma feitas por artistas, pondo fim a ideias como a reabsorção de esperma e o uso de braceletes de plástico para aumentar a energia do organismo.

Em lista anual de abusos contra a ciência, o Sense About Science (SAS) desmentiu sugestões feitas por atores, estrelas do pop e outras pessoas famosas sobre dieta e exercícios, um esforço “para ajudar as celebridades a perceber onde estão errando e para ajudar o público a entender as alegações de celebridades”.

Na seção de saúde e fitness, o SAS notou que o jogador de futebol David Beckham e a noiva do príncipe William, Kate Middleton, foram vistos usando braceletes com hologramas que, segundo os fabricantes, podem melhorar a energia da pessoa.

O grupo também mencionou uma dieta usada pela top model Naomi Campbell e os atores Ashton Kutcher e Demi Moore. Na rotina da dieta, os seguidores sobrevivem apenas com maple syrup, limão e pimenta por duas semanas. Em entrevista concedida à apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, em maio, a supermodel disse: “É bom limpar seu corpo de vez em quando.”

Muitas dessas alegações promovem teorias, terapias e campanhas que não fazem sentido científico”, disse o SAS.

A pop star Sarah Harding, ex-grupo Girls Aloud, disse à revista Now que ela polvilha carvão vegetal na comida, declarando: “Não tem gosto de nada e aparentemente absorve todas as coisas ruins e prejudiciais do corpo.”

John Elmsley, cientista da área de química e escritor, disse que o carvão vegetal absorve moléculas tóxicas quando usado em máscaras de gás e tratamento de esgoto, mas que é “desnecessário quando se trata de uma dieta, porque o corpo já é bem capaz de remover qualquer ‘coisa ruim e prejudicial’.” (mais…)

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