Cérebro pode ser ‘treinado’ a preferir sempre alimentos saudáveis

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Publicado em O Globo

Sim, é possível gostar só de salada ou produtos “light”. Basta fazer um esforço. Essa é a principal conclusão de um estudo publicado na revista “Nutrition & Diabetes”, que defendeu que nosso cérebro pode ser treinado a preferir comida saudável em detrimento de alimentos de alto teor calórico e gordurosos, desde que a dieta não deixe ninguém passar fome.

Há tempos, tinha-se a impressão que nossas preferências por fast-food como batatas fritas e hambúrgueres eram vícios construídos pela sociedade ocidental. No entanto, cientistas da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, puderam confirmar essa teoria a partir de imagens escaneadas da área cerebral ligada à recompensa e vício.

Ao todo, 13 homens e mulheres classificados como “acima do peso” e “obesos” participaram do experimento, oito dos quais faziam parte de um programa de perda de peso especialmente projetado. Quando seus cérebros foram escaneados usando ressonância magnética no início e no final de um período de seis meses, aqueles que seguiam o programa de emagrecimento demonstraram mudanças no centro de recompensa do cérebro.

Ao longo de seis semanas, imagens escaneadas no centro de recompensa do cérebro mostraram que as preferências alimentares desse grupo mudaram, focando em uma dieta rica em fibras e proteínas e pobre em carboidratos. Não foi permitido de modo algum que os participantes ficassem com fome, já que é nesse momento que os desejos de comida e alimentos não-saudáveis tornam-se mais incontroláveis.

Após a exibição de imagens de diferentes tipos de alimentos aos participantes, foram os alimentos saudáveis e de baixas calorias que produziram um aumento da reação cerebral. Segundo o estudo, isso indicava um aumento da recompensa e prazer da comida saudável. Por outro lado, o centro de recompensa do cérebro também mostrou diminuição da sensibilidade aos alimentos pouco saudáveis e de maior teor calórico.

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Animação comovente ajuda a compreender a depressão

Publicado no Catraca Livre

A depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo e não tem preconceito: homens, mulheres, crianças, velhos, jovens, ricos e pobres, todos podem ser afetados por ela.

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Apesar de afetar tantas pessoas, o preconceito e a falta de estratégias de prevenção faz com que apenas 10% com o problema tenham acesso ao tratamento.

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A OMS (Organização Mundial da Saúde), em parceria com o escritor e ilustrador Matthew Johnstone, produziu uma animação que mostra de forma simples e direta o que é a depressão e, o mais importante, como é possível se livrar dela.

Usando a metáfora do “grande cão negro”, que é utilizada desde o século 16, o vídeo explica alguns dos sintomas e como a depressão prejudica a vida de uma pessoa. O diálogo, a aceitação, o tratamento e até mesmo o exercício físico são grandes aliados na missão de transformar a assustadora fera em cão domesticado, por mais impossível que isso, às vezes, possa parecer.

A figura de um cão preto foi usada pelo escritor inglês Samuel Johnson, em 1780, para descrever sua própria depressão e popularizada primeiro-ministro britânico Sir Winston Churchill, que também enfrentou o problema.

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Baiano que nasceu com a cabeça virada para trás dá palestras motivacionais

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publicado no Extra

A anormalidade está nos olhos dos outros. Isso é uma convicção para Claudio Vieira de Oliveira, de 37 anos, que tem vasta experiência no assunto. O baiano de Monte Santo nasceu com uma anomalia física que quase arruinou sua vida, mas garante nunca ter sofrido preconceito ou discriminação. Um problema nas juntas, chamado artrogripose congênita, deixou seus braços e pernas deformados e sua cabeça virada para trás desde o nascimento, em 1976. Hoje, sua história de vida é a base para dar palestras motivacionais – em outubro, ele irá para os Estados Unidos contá-la em três cidades.

Seu primeiro desafio foi nascer. A cidade no interior do Bahia não tinha hospital e sua mãe não havia feito ultrassonografias durante a gravidez.
— Antes de eu nascer, ninguém sabia que eu ia ficar assim dessa forma. Eu nasci de parto normal, não foi num hospital, porque aqui não tinha. Foi com um médico, só que dentro de casa. Foi muito difícil — conta Claudio.

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Sua anomalia impressionou os moradores de Monte Santo. Os médicos chegaram a aconselhar sua mãe, Maria José, a deixar de alimentá-lo para que morresse. Ela, contudo, conseguiu dar cabo de criar os seis filhos, sempre tratando Claudio da mesma forma que os demais.

— Eu já ouvi relatos de outras pessoas com necessidades especiais que viviam ou vivem diferentes das demais. Vivem num mundo fechado. A pessoa sente a discriminação, o preconceito. Eu fui diferente. Desde cedo fui motivado por muitas pessoas da minha família, principalmente minha mãe — lembra ele, que perdeu o pai com 1 ano de idade.
Educação

Claudio foi alfabetizado em casa, com uma professora particular. Maria José temia que ele não conseguisse se adaptar ao ambiente escolar. A iniciativa de começar a escrever pegando o lápis com a boca foi dele.

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— Foi espontâneo, veio de mim. Eu deitei no chão com uma almofada, pus o lápis na boca e comecei a rabiscar sozinho. Hoje, consigo escrever normalmente. Com a boca — explica Claudio.

Ele chegou a estudar alguns anos em uma escola particular, pois sua mãe considerava a infraestrutura mais adequada, mas, diante das dificuldades financeiras, ele teve que largar a educação por um ano. Voltou a uma escola pública na 3ª série e ficou lá até concluir o ensino médio. Claudio ainda fez um curso técnico antes de mudar para Feira de Santana, onde cursou Contabilidade.

— Nessa época eu tive a ajuda de muitas pessoas. Consegui uma bolsa integral (da faculdade), consegui ajuda para o aluguel. Um vizinho foi me acompanhar e minha mãe me visitava a cada 15 dias para limpar a casa e preparar comida. Foi um esforço muito grande, mas tudo isso valeu a pena. Se fosse para fazer de novo, eu faria.
Acessibilidade

Claudio tenta tornar sua rotina o mais normal possível, mas costuma esbarrar nas dificuldades de acessibilidade. O baiano se deslocar para curtas distâncias de joelhos ou com um sapato especial, que vai da extremidade do joelho à ponta do pé. Para ir mais longe, ele precisa ser carregado por alguém.

— Eu já me acostumei. Às vezes, a gente imagina: ‘Será que estou incomodando?’. Mas nunca vi ninguém reclamar. Apesar disso, os anos vão passando e eu vou adquirindo peso. Com o passar do tempo, as pessoas não vão ter condições de me locomover. Infelizmente, eu não tenho transporte — lamenta.

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Torcedora gremista flagrada em caso de racismo pedirá desculpas em rede nacional, diz irmão

Patricia Moreira foi identificada como a torcedora que xingou o goleiro Aranha, do Santos, com atos racistas (foto: Reprodução de TV / ESPN BRASIL)
Patricia Moreira foi identificada como a torcedora que xingou o goleiro Aranha, do Santos, com atos racistas (foto: Reprodução de TV / ESPN BRASIL)

Publicado no Extra

Patrícia Moreira, a torcedora gremista flagrada chamando o goleiro Aranha, do Santos, de “macaco”, irá pedir desculpas ao jogador em rede nacional. Foi o que disse um dos irmãos da jovem em entrevista ao jornal “Zero Hora”. O rapaz, que preferiu não ser identificado, disse que a irmã admitiu ter errado ao xingar o atleta e está arrependida. Ele contou que a torcedora foi ameaçada de morte e de estupro por mensagens do whatsapp na sexta-feira, um dia após o jogo entre Grêmio e Santos, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, onde aconteceu o caso.

– Ela errou e admite. Nós temos consciência disso, mas ela nos disse que estava no embalo do jogo, da Geral do Grêmio. No momento certo, ela virá a público para se desculpar com o Aranha. É um momento muito difícil para nós todos, que nunca nos envolvemos em problemas com a Justiça – disse o irmão da torcedora ao jornal “Zero Hora”.

O caso é investigado pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, que irá intimar Patrícia Moreira nesta terça-feira. O depoimento da gremista deve acontecer entre quarta e quinta-feira, conforme disse o delegado Herbert Moura Ferreira, responsável pelas investigações.

– A menina é clara no xingamento. Nem precisa de recurso labial. Mas tem vários outros a serem responsabilizados. Se as imagens do clube e da arena não forem claras, vou recorrer à imprensa – falou o delegado.

Segundo o irmão da torcedora, ela irá se mudar de Porto Alegre com medo de represálias maiores, como já aconteceu com a casa dela, que foi apedrejada na noite de sexta-feira. Patrícia está na casa de parentes, na Região Metropolitana da capital gaúcha. A família acredita que a situação pode piorar se o Grêmio for punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) no julgamento que acontece nesta quarta-feira.

– Ela terá de se mudar, não tem mais condições de continuar no mesmo lugar. Queremos dizer ao Brasil que a Patrícia não é racista, ela agiu errado, mas tem muitos amigos negros, somos pessoas humildes, não merecemos todo esse linchamento que está ocorrendo – afirma o irmão dela ao jornal gaúcho.

O clube pode perder alguns mandos de campo e até ser excluído da Copa do Brasil. A partida de volta, na Vila Belmiro, foi suspensa até o julgamento acontecer. O Santos venceu o jogo de ida por 2 a 0.

Patricia, que xingou Aranha, posa para foto com um macaco com a camisa do Internacional (foto: Reprodução Twitter)
Patricia, que xingou Aranha, posa para foto com um macaco com a camisa do Internacional (foto: Reprodução Twitter)

O caso

Na noite de quinta-feira, durante a partida de ida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, torcedores do Grêmio chamaram o goleiro Aranha, do Santos, de “macaco” e outros termos pejorativos. O canal de TV “ESPN Brasil” gravou alguns torcedores fazendo o ato racista, inclusive Patricia Moreira, que foi identificada um dia depois.

A jovem trabalhava como auxiliar de dentista numa clínica de odontologia da Brigada Militar de Porto Alegre, e foi demitida na sexta-feira. A casa dela foi apedrejada na Zona Norte da capital gaúcha.

No início da tarde de sexta, antes de viajar para o Rio de Janeiro, Aranha prestou queixa na 4ª DP sobre injúria racial. Já havia um inquérito aberto sobre o caso, feito pela Promotoria do Torcedor do RS.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) suspendeu o jogo de volta entre os times e irá julgar o Grêmio pelos insultos de sua torcida. O clube foi denunciado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (“ato discriminatório relacionado a preconceito”) prevê a punição com perda de pontos ou até mesmo a exclusão do Grêmio da competição.

O árbitro nem relatou o caso na súmula. Somente depois de chegar ao hotel, enviou um adendo ao STJD.

Goleiro Aranha, do Santos, foi vítima de racismo por parte dos torcedores do Grêmio (foto: Divulgação / Santos FC)
Goleiro Aranha, do Santos, foi vítima de racismo por parte dos torcedores do Grêmio (foto: Divulgação / Santos FC)

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Bíblia é fonte de inspiração e decisões são racionais, diz Marina

Questionada sobre casamento gay, ela disse que é a favor da união civil.
Ao Jornal da Globo, candidata também falou de pré-sal e preço da gasolina.

Os jornalistas William Waack e Christiane Pelajo entrevistam Marina Silva para o Jornal da Globo (foto: Reprodução/TV Globo)
Os jornalistas William Waack e Christiane Pelajo entrevistam Marina Silva para o Jornal da Globo (foto: Reprodução/TV Globo)

Publicado no G1

A candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, afirmou que, para qualquer pessoa cristã ou judia, “a Bíblia é sem sombra de dúvida uma fonte de inspiração”, e que “as decisões são tomadas com base racional, para todas as pessoas”. A declaração foi feita em entrevista concedida nesta segunda-feira (1º) ao Jornal da Globo, quando a ex-senadora – que é evangélica – foi questionada se era verdade que tomava decisões lendo aleatoriamente a Bíblia.

“Todos nós agimos em base na relação realista dos fatos, mas os seres humanos, eles têm uma subjetividade. Uma pessoa que crê, obviamente que tem na Bíblia uma referência. Assim como tem na referência a arte, a literatura. Às vezes você pode ter um ‘insight’ assistindo um filme. O quanto nós já avançamos, do ponto da ciência, da tecnologia, pela capacidade antecipatória que você encontra, enfim, na indústria cinematográfica…”, disse.

“Mas a senhora toma decisões lendo a Bíblia aleatoriamente, é verdade isso?”, questionou a jornalista Christiane Pelajo.

“Olha, isso é uma forma que as pessoas foram construindo, ou estão construindo, para tentar passar uma imagem de que eu sou uma pessoa que é fundamentalista, essas coisas que muita gente de má-fé acabam fazendo”, afirmou Marina.

“Qual é o tamanho desse amparo que a senhora toma em preceitos religiosos, frente ao que a senhora pretende ser, que é governante de todos os brasileiros, tomando decisões nacionais?”, indagou então o jornalista William Waack.

“O mesmo amparo que você pode tomar a partir de outros referenciais. A Bíblia é, sem sombra de dúvida, uma fonte de inspiração para qualquer pessoa que é cristã ou que é um judeu, enfim, e que não vai negar que é uma fonte de inspiração, mas existem outras fontes de inspiração, às quais eu já me referi. As decisões são tomadas com base racional pra todas as pessoas”, respondeu Marina.

A candidata disse em seguida, porém, que “dificilmente você vai encontrar uma pessoa que diga que ela é 100% racional”.

“Essa pessoa estaria presa à realidade, e com certeza, se os especialistas do comportamento forem avaliar uma pessoa como essa, vai ver que ela tem uma subjetividade muito pobre. Qualquer pessoa forma, toma as suas decisões considerando vários aspectos. Ele é atravessado pela cultura; se tem crença, pela espiritualidade; se é da ciência, pelo conhecimento científico. O ser humano não é uma unidade, digamos, pura de alguma coisa não é? Somos seres subjetivos, e a subjetividade é uma riqueza interior, para qualquer ser humano”.

Os principais candidatos à Presidência foram convidados para a entrevista ao Jornal da Globo. Candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT) decidiu não participar. Na quarta-feira (3), será a vez de Aécio Neves (PSDB).

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Casamento gay e homofobia
Na entrevista, Marina também foi indagada sobre o “recuo” no programa de governo do PSB, que retirou, em menos de 24 horas, a defesa de propostas para tornar lei o casamento entre pessoas do mesmo sexo e para criminalizar a homofobia. Marina reiterou que a mudança no programa foi motivada por um “erro de processo”, e explicou que, por uma “falha”, o documento inicialmente divulgado continha as reivindicações do movimento LGBT e não a “mediação no debate”, referindo-se ao texto final aprovado pelo PSB.

“Mas os direitos civis da comunidade LGBT, o respeito à sua liberdade individual, o combate ao preconceito, isso está muito bem escrito no nosso programa, melhor do que dos outros candidatos”, emendou a candidata.

Em seguida, questionada sobre sua posição em relação ao casamento gay, Marina evitou dizer que era contra. Disse ser a favor da “liberdade individual das pessoas” e que “vivemos em um Estado laico”. “O que nós defendemos é a união civil entre pessoas do mesmo sexo [...] Marina Silva é a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo”, concluiu.

Marina também foi questionada se a religião a impedia de ser a favor da lei que equipara a homofobia ao racismo. Ela respondeu que o projeto de lei em tramitação no Congresso sobre o assunto “não faz a diferenciação adequada em vários aspectos”. “Por exemplo, ninguém pode defender homofobia, qualquer forma de preconceito, discriminação. Por outro lado, você tem os aspectos ligados à convicção ou à manifestação de uma opinião. Você tem que separar isso. E na lei isso não está adequadamente claro”, argumentou. (mais…)

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