A crueldade com os nordestinos

Após doze anos de esquerda no Poder, os filhos do Nordeste ainda estudam em escolas de taipa

Ruth de Aquino, na Época

(foto: Reprodução/TV Globo)
(foto: Reprodução/TV Globo)

Um absurdo a fúria que emergiu nas redes sociais contra o povo nordestino, por ter votado em massa em Dilma Rousseff. É preconceito de uma minoria ruidosa de brasileiros sem noção. Algo escandaliza ainda mais que isso: a crueldade com crianças pobres em escolas do Maranhão e Alagoas, obrigadas a sair do colégio uma hora mais cedo por falta de merenda, ou forçadas a se arranhar em cercas de arame farpado para fazer suas necessidades no mato, por falta de banheiro no colégio.

É um crime dos governos condenar crianças do Nordeste a essa calamidade na educação, enquanto, nas favelas do Sudeste, bibliotecas-parque sofisticadas, ao estilo da Colômbia, são construídas e servem de vitrines para o governo petista.

Por que essa discriminação com o povo nordestino? Não faz sentido que, depois de 12 anos de governo de “esquerda”, os filhos do Nordeste continuem a estudar em escolas improvisadas de taipa e terra batida, descalços, sem kit escolar, sem ao menos o arroz, pedido modestamente por uma menininha maranhense.

Será que, entre as novas ideias do novo governo, está o respeito aos direitos humanos da infância nordestina? Esses direitos constitucionais englobam educação, saúde, saneamento básico e o fim da tuberculose, que mata mais que o ebola no mundo subdesenvolvido. Incluem ainda oportunidades de ascensão de jovens sem dependência financeira do Estado e o direito a uma vida digna, que reduza drasticamente a gravidez precoce e a prostituição infantil e juvenil. Esperamos que o novo governo encampe ideias velhas e deixemos de ver uma realidade de cortar o coração.

(foto: Reprodução/TV Globo)
(foto: Reprodução/TV Globo)

Essas imagens foram exibidas na sexta-feira pelo programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Reportagens em campo mostram o país real, não aquele da propaganda eleitoral ou aquele protagonizado por discussões partidárias inócuas. Quanto besteirol de todos os lados na semana passada. O plebiscito anunciado por Dilma, que deveria criar conselhos populares para fazer a reforma política, era natimorto. Conscientes de que Câmara e Senado vetariam novamente, Dilma e o PT só queriam uma cortina de fumaça pós-eleição, para desviar a opinião pública dos desafios concretos.

Os “conselhos populares” – que não garantem participação real do povo nos rumos do Brasil – abriram rusgas entre um Congresso corporativista e a mãe dos pobres. Com um detalhe: a maior oposição ao novo governo vem da base aliada, do PMDB e dos PTs regionais. Renan Calheiros, o presidente do Senado, diz que “conversa não arranca pedaço”. Verdade. Só arranca um dinheirinho aqui, um cargo ali, uma promessa lá. O índice de rejeição mais complicado hoje para Dilma está no Congresso, entre os “muy amigos”. A palavra mais usada é “rebelião”.

Enquanto engravatados se digladiam por interesses e ministérios – antes das férias regiamente pagas de verão –, sugiro que Lula e Dilma continuem com as excursões ao Brasil profundo ou acompanhem e leiam reportagens que denunciam a crueldade com o nordestino, do parto à morte. Já existe um muro da vergonha que separa Sudeste, Centro-Oeste e Sul de Nordeste e Norte. Esse muro não foi derrubado por um governo que, em mais de uma década, cumpriu muito menos que prometeu, a ponto de encarar 51 milhões de votos contra a permanência do PT no Poder.

Não há, no Brasil, 51 milhões de ricos, direitistas da elite ou remediados. Essa massa está insatisfeita e não tem tempo ou interesse de se reunir em “conselhos” e ajudar o governo ou ONGs a tomar as decisões necessárias para colocar o país nos eixos. Dilma e Lula sabem muito bem do que o Brasil precisa. Especialmente Norte e Nordeste, que continuam com indicadores sociais africanos, enquanto obras superfaturadas – como a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e tantas outras – consomem e desviam bilhões de verba pública. Até a mandioca é fonte de propina, não de proteína. Obras de interesse público são interrompidas por irregularidades e ineficiência.

Lá em cima do Brasil, o buraco é muito mais embaixo. Especialmente nos dois lanternas dos indicadores sociais: Maranhão e Alagoas. Quase 40% das crianças maranhenses entre 8 e 9 anos não sabem ler nem escrever. Segundo o IBGE, o Maranhão tem o segundo maior índice de mortalidade infantil do Brasil, inferior apenas ao de Alagoas. De cada 1.000 nascidos no Maranhão, 29 não sobrevivem ao primeiro ano de vida. Em Alagoas, o IDH é igual ao do Gabão.

Esse é o preconceito que mata os nordestinos. Deve ser considerado crime.

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Ei, Dilma vai….

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Alexis Carvalho, no Novos Diálogos

Gritavam na paulista, de ódio.

Ode ao ódio.

Mas… por que tanto ódio?

O ódio não é pela Copa, pois nos jogos — dos camarotes — gritaram a mesma coisa.

O ódio não é pelo mensalão, pois nem ligam para o mineiro, muito maior.

O ódio não é pelos programas sociais, pois dizem que o pai é FHC.

O ódio não é por ela, pois também fariam com o outro.

Como numa democracia representativa o eleitor elege seu representante, o ódio se dirige àquilo que ela representa: A estricção da cultura da diferença.

Almoço com vizinhos no fim de semana: — Voto contra a Dilma porque por causa dela meu porteiro comprou uma TV maior que a minha.

O problema é quando o ódio canta no coral, assiste escola dominical, ora na devocional, e prega no sermão pastoral.

Avisou-nos Cervantes, pois se Quixote enfrentou gigantes e dragões, parou quando viu uma capela: — Sancho Panza, é a igreja, convém recuar. Ninguém pode com ela.

Naquele dia eles não escolheram o ladrão porque o amavam, mas porque odiavam o outro. O povo escolhido, quando acolhe o ódio, escolhe Barrabás.

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Indústria gospel afina receita para criar popstar

Thalles Roberto se apresenta na gravação do programa 'Gospel Singer' na Rede Gospel, em São Paulo (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
Thalles Roberto se apresenta na gravação do programa ‘Gospel Singer’ na Rede Gospel, em São Paulo (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

“Vim da doideira, das drogas e sei que preciso de overdose na minha vida. Hoje minha overdose é o Espírito Santo”, diz Thalles Roberto, 36.

Se é de excessos que vive o músico, atual campeão da indústria gospel, seus números não ficam atrás.

Seu novo CD, “IDE – Ao Vivo na Igreja Bola de Neve”, vendeu 35 mil cópias físicas em 30 dias (a tiragem inicial é de 50 mil, a mesma do novo álbum de Maria Rita e metade do de Ivete Sangalo) e chegou ao primeiro lugar em vendas digitais no iTunes.

Ele foi a maior atração da Marcha para Jesus, que reuniu 200 mil pessoas na zona norte paulistana em setembro. O funkeiro Naldo chegou a subir ao palco para um dueto, mas era o nome de Thalles que o povo berrava.

Quem não quer ser Thalles Roberto? É a pergunta que ecoa no estúdio da Rede Gospel, canal de TV da igreja Renascer em Cristo. Aconteceu lá, em 26/10, a final da segunda edição do “Gospel Singer”.

Feito à imagem e semelhança de “American Idol” e “The Voice”, o reality show é composto exclusivamente por evangélicos –do júri ao cinegrafista que tatuou o patriarca bíblico Isaac no antebraço que levanta a câmera.

Thalles estava no “Gospel Singer” para, com mais cinco jurados, escolher o próximo… Thalles.

Ou seja, alguém que concilie a fé e o tino comercial desse ex-backing vocal de Jota Quest e Ivete Sangalo –e que agora nada de braçada num mercado que gera R$ 1,5 bilhão anuais, segundo a gravadora Universal.

Joias, calças justas, jaqueta estilo aviador e óculos escuros. Tal qual um Lenny Kravitz que encontrou Jesus, ele canta, em pegada soul, versos como “o inicio é como o mel, mas o final do adultério amarga/ vai ter que pagar pensão, mó tumulto, meu filho”.

Mó tumulto pode ser também a disputa entre músicos evangélicos, que começam a deixar seus templos para frequentar programas de auditório e trilhas de novelas da TV Globo.

“Cada igreja tem um cantor, e cada cantor quer ser um grande cantor”, diz Thalles.

Guilherme Bueno, vocalista da banda ganhadora do “Gospel Singer”, a Tempo de Adorar, sentiu a pressão.

Fã de Oasis, comemorou a vitória entornando várias Coca-Colas num churrasco. “Tem pastor de igreja grande com artista que não consegue decolar. Aí não apoia quem está dando certo. O único que não tropeçou foi Jesus, né?”, diz.

Para quem chega ao estrelato, o desafio é alcançar seculares (como chamam os de fora da religião) sem desrespeitar os “irmãos”. “Falamos que Deus entra, tira o amargo do coração. É diferente da música me abraça ali que eu chupo aqui'”, comenta Thalles.

“O mercado busca quem tem relacionamento real com as igrejas, pois vem de lá o público”, diz Renata Cenizio, gerente da Universal Music Christian, o braço cristão da gravadora de Thalles Roberto.

“A palavra é credibilidade. Qual igreja frequenta? É ativo nela? É boa mãe ou bom pai?”, diz André Valadão, do elenco gospel da Som Livre.

Ele é vocalista da banda Diante do Trono, uma das mais bem-sucedidas no gênero (3,6 milhões de discos vendidos), mas pouco conhecida fora do gospel. “Quem é de fora acha que falamos de privada, mas é o trono de Deus”, ri.

A banda Tempo de Adorar, vencedora do reality show em 2014 (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
A banda Tempo de Adorar, vencedora do reality show em 2014 (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

25 TONS DE CINZA

É verdade que a altura das saias está mais perto dos joelhos que do umbigo, e os colares de ouro sustentam crucifixos em vez de cifrões. Mas, das vestes ao repertório entre pop rock e sertanejo universitário, o gospel escapole do clichê do “crente”.

“É como música clássica, você não vê mulher cantando de maiô ou shortinho. Mas somos contemporâneos. Faço show de All Star e calça rasgada”, diz Valadão.

“É a mesma coisa, só que num tom menor. É como se a gente fosse 25 Tons de Cinza'”, compara um pastor, que prefere não se identificar.

Nesse sentido, “Gospel Singer” é uma versão “light” de programas do gênero.

Ao julgar os cinco finalistas entre 2.357 inscritos, o júri ora gosta “da voz, mas não da gravata rosa” de um, ora acha “pouco comercial” o som “meio Zé Ramalho” do barbudo que lembra Edir Macedo.

Tudo sob a bênção da bispa Sonia Hernandes, diz a apresentadora Camila Campos, 29, vice-campeã do programa em 2013: “A bispa é pauleira e extremamente roqueira”.

OS SETE NÚMEROS DE DEUS
Veja dados do mercado gospel

R$ 1,5 bilhões é o que mercado de música gospel movimenta por ano, segundo a Universal Music

2.357 cantores se inscreveram no ‘Gospel Singer’ em 2014

3,6 milhões de discos já foram vendidos pela banda Diante do Trono, uma das maiores do gênero

50 mil foi a tiragem inicial de “IDE – Ao Vivo na Igreja Bola de Neve”, de Thalles Roberto

O álbum vendeu 35 mil cópias em um mês.

42,3 milhões de brasileiros são evangélicos, segundo o IBGE (22,2% da população)

200 mil pessoas foram à Marcha para Jesus em SP, em setembro, segundo a Polícia Militar

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Trabalhar em horários irregulares pode prejudicar o cérebro e a memória, diz pesquisa

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Publicado em O Globo

Trabalhar em turnos irregulares pode causar danos a longo prazo para a memória e a saúde mental dos funcionários, segundo um novo estudo feito pelas universidades de Toulouse (França) e Swansea (País de Gales).

A mudança constante de horários no batente afeta o nosso relógio biológico, causando desgaste parecido com a fadiga de uma longa viagem de avião em que mudamos muito de fuso horário. Essas alterações já foram associadas, por exemplo, ao aumento de riscos para o coração e até de câncer. Agora, cientistas descobriram uma redução da função cerebral em pessoas que variam muito seu turno de trabalho, especialmente pra quem alterna entre manhã, tarde e noite.

Num estudo com 3 mil pessoas que vivem na França, os pesquisadores notaram que aqueles que trabalhavam em turnos rotativos tiveram desempenho significativamente pior em testes de memória e velocidade cognitiva do que as pessoas que haviam trabalhado em horários regulares.

A forma exata como o trabalho por turnos pode ter impacto sobre o funcionamento do cérebro não é totalmente compreendida. Mas sabe-se que perturbações no relógio biológico são conhecidas por afetar o corpo e a mente.

Estudos anteriores já mostraram, por exemplo, que pessoas que voam por longas distâncias regularmente apresentam uma função cerebral mais pobre, o que pode ser causado pela ruptura de algumas estruturas cerebrais, devido ao excesso de produção de hormônios do estresse. Um mecanismo semelhante pode estar ocorrendo em pessoas que alternam turnos diurno e noturno de trabalho por um período prolongado de tempo.

Também tem sido sugerido que os trabalhadores do turno da noite podem ser mais suscetíveis a deficiências de vitamina D por causa da menor exposição à luz solar. E a deficiência de vitamina D, por sua vez, tem sido associada a prejuízos na função cerebral em alguns estudos.

No estudo francês, 1.200 dos participantes foram acompanhados em três fases diferentes, em 1996, 2001 e 2006. Um em cada cinco havia trabalhado turnos rotativos entre manhãs, tardes e noites.

Aqueles que já trabalharam em turnos irregulares ou atuam assim tiveram notas mais baixas em testes de velocidade de processamento e memória do que aqueles com horário de expediente normal.

Os pesquisadores descobriram que a substituição dos turnos irregulares por horas regulares apresentou ligação com uma melhora na função cognitiva, o que sugere que quaisquer efeitos nocivos são reversíveis. Mas, segundo eles, foram necessários cinco anos para que estes efeitos fossem vistos.

Em artigo publicado no “British Medical Journal”, os autores da pesquisa, liderados pelo pesquisador Jean-Claude Marquié, da Universidade de Toulouse, disseram que a saúde dos trabalhadores que atuam por turno deve ser acompanhada de perto, como resultado de suas descobertas.

“O comprometimento cognitivo observado no presente estudo pode ter consequências importantes para a segurança não só para os indivíduos, mas também para a sociedade como um todo, visto o número crescente de postos de trabalho em situações de alto risco que são realizados à noite”, escreveram.

“Os resultados atuais destacam a importância de manter uma vigilância médica dos trabalhadores por turnos, especialmente daqueles que permaneceram em trabalhos divididos por turnos durante mais de dez anos.”

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Escolas cogitam a adoção de livro satanista em sala de aula

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publicado no BrasilPost

Educadores do distrito de Orange County, na Flórida, EUA, estão avaliando a possibilidade de escolas locais adotarem em sala The Satanic Children’s Big Book of Activities (em tradução livre, “O grande livro de atividades da criança satanista”), livro de colorir com temática satanista.

A sugestão para a adoção da obra partiu do grupo The Satanic Temple, em resposta a uma recente decisão do conselho escolar que permite a disseminação de materiais religiosos em escolas públicas.

O livro mostra crianças em rituais satanistas, com pentagramas e outros ícones. Além disso, a obra traz Cérbero, O Cão, em referência ao personagem da mitologia grega que tem múltiplas cabeças e guarda a entrada do inferno. Por meio dessas figuras, o livro traz mensagens positivas, como lições anti-bullying.

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