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Um Deus que sofre
14 de maio de 2012
Pavarini Publicado originalmente no site da CartaCapital 
Imagine o pastor Silas Malafaia acusando alguém de ser preconceituoso. Soa tão irreal quanto o senador Demóstenes Torres reclamar da corrupção no País. Mas, convenhamos, o Brasil é uma terra peculiar e os dois casos acontecem, e muito. Malafaia parou por alguns minutos a sua contínua pregação contra homossexuais (uma de suas principais estratégias para arrebanhar fiéis, frisa-se) para enviar um e-mail à redação. Os endereçados eram a repórter Beatriz Mendes, do site de CartaCapital, e os editores da revista.
O pastor chama Beatriz de “preconceituosa”, “ridícula” e “tola”, somatizando na repórter questões profundas que ele precisaria discutir com seu próprio terapeuta. De quebra, sugere que ela seja gay, o que faz dele, além de tudo, um futriqueiro.
Diz Malafaia: “A jornalista é tão preconceituosa e ridícula nos seus comentários que ela diz: ‘Em 2006, foi ele [Silas Malafaia] o responsável por uma manifestação diante do Congresso Nacional contra a lei criminalizadora da homofobia. Na ocasião o pastor afirmou que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são a porta de entrada para a pedofilia’. Que absurdo a deturpação dessa preconceituosa jornalista que escamoteia a verdade! O que eu disse foi: ‘O PLC 122 é a porta de entrada para a pedofilia, pois no seu preâmbulo está escrito a livre expressão sexual’.
Como pode-se perceber, o pastor reclama que a repórter interpretou corretamente a visão de Malafaia sobre a PLC 122, justamente a que criminaliza a homofobia. Nesse caso, a livre associação de uma relação entre homossexuais e pedófilos seria tão errado quanto dizer que todo pastor neopentecostal é um canalha que só pensa em tirar dinheiro dos fiéis. Há pastores bons e há pastores corruptos, assim como há pedófilos heterossexuais e homossexuais. Falta conhecer melhor o assunto sobre o qual tanto se manifesta e tanto odeia.
Prossegue o pastor:
“A segunda mentira, deslavada e preconceituosa, prova que a jornalista não lê noticiários e outros jornais, o que faz dela uma tola. Ela escreveu que eu havia falado em meu programa: ‘Deveriam descer o porrete nesses homossexuais’. Sua atitude foi pior do que a da Polícia Federal durante a ditadura, que isolava palavras para incriminar os desafetos”. E conclui contando ter sido absolvido no processo, o que é verdade.
O vídeo editado a que Malafaia se refere é este aqui. Resolvemos, então, ir atrás do contexto total do vídeo. Malafaia diz que a igreja católica “deveria descer o porrete nesses homossexuais”. Ele alega que usou o termo no sentido figurado. Pode até ser verdade, mas isso não tira a agressividade do termo nem o ódio desferido aos gays.
O restante desse vídeo, como o leitor pode ver, mostra um pastor absolutamente comprometido com a intolerância sobre quem gosta de pessoas do mesmo sexo em uma tevê. Por volta do minuto 5:50, chama os homossexuais de doentes:
“Aí eu pergunto pra você (hãhãhã): quem são verdadeiros os doentes? É isso que eu não me calo. Os caras querem com essa pseudolei de homofobia (que a homofobia já tem lei, pra quem bate e mata homossexual vai pra cadeia), eles querem uma lei do privilégio pra falarem o que quiserem e ninguém diz nada. E sabe por que ninguém diz nada? Eu vou soltar o verbo aqui: porque lá dentro das editorias estão cheios de gays! É isso aqui! E eles manipulam a informação! Tá lotado de gays nas editorias de tevês e jornais”.
Bem, até onde se sabe felizmente ninguém apanha nas ruas pelo simples fato de ser e parecer evangélico. Infelizmente essas coisas acontecem com gays e lésbicas.
Saiba também o pastor que uma das mais interessantes qualidades do jornalismo como profissão é justamente a tolerância com homossexuais. As redações estão repletas deles por um motivo muito simples: se o jornalista homem vai para a cama com outro homem, seja este um engenheiro ou um pastor evangélico, isso só diz respeito a ele mesmo e a seu parceiro.
Preferência sexual não é um pré-requisito dessa profissão nem de nenhuma outra. É bom que seja assim.
Neste mesmo programa, Malafaia achincalha pastores que não se posicionam contra a existência de homossexuais (a partir do 10º minuto). E, para tal, cita um trecho da Bíblia, desconsiderando totalmente o fato de que só os beócios interpretam o livro sagrado ao pé da letra:
“Como tem gente medíocre no nosso meio… alguns pastores vão pro púlpito: ‘pastor não é pra se meter nisso’(…) Queridô, (…) para com essa falsa espiritualidade. É isso que o diabo e os ímpios querem: que a gente fique calado. Mas eu vou mostrar uma coisa na Bíblia pra vocês até pra alguns do nosso meio. Olha a sua covardia: ‘Acho que não deveríamos falar nada contra o homossexualismo, nós temos que amá-los”’, e cita um trecho bíblico.
E para encerrar em grande estilo, o pastor Silas Malafaia termina o programa elogiando o blogueiro da revista da Veja, Reinaldo Azevedo. Embora considere que ambos se mereçam, CartaCapital se recusa a tecer comentários. Ao hospício o que é do hospício.
dica do Israel Anderson
14 de maio de 2012
Pavarini 
Willian Vieira, na CartaCapital
Walter Sandro Pereira da Silva recorda o dia em que o Arcanjo Miguel veio em seu auxílio pela primeira vez. Ele tinha 2 anos e meio e procurava desesperado a chupeta perdida. “Foi quando apareceu este ser dizendo que ela estava debaixo da cama e que eu devia procurar o Salmo 91.” Quando os pais encontraram o pequeno, ele tinha a chupeta na boca e a Bíblia na mão: milagre. “Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos”, dizia o premonitório texto bíblico.
Hoje, sentado à cabeceira da mesa da sala de reuniões de sua Igreja Templária de Cristo na Terra, em São Paulo, a cargo de um crescente séquito de 10 mil “templários”, ele agradece a providência angelical, enquanto explica, entre ligações recebidas pelo smartphone, sua missão divina na Terra.
Mais velho de três filhos de um mestre de obras, Silva (foto ao lado) veio para São Paulo bebê e cresceu num ambiente católico sem arroubos religiosos. Isso até visitar sua cidade natal aos 13 anos, entrar em uma igreja evangélica e ouvir do arcanjo que deveria pregar. Virou evangélico. Anos depois, quando começou a vender seguros, descobriu o dom da retórica e passou a dar palestras motivacionais: deixe de fumar, emagreça, conquiste o amor. Com a mesma ênfase convencia qualquer um de qualquer coisa, tudo transmitido em um programa na Rádio Mundial. As pessoas saíam a suspirar, crentes, felizes da vida. Estudante de Psicologia, deixou os estudos e bolou sua versão de autoajuda, munido das dicas do arcanjo e de uma fórmula infalível: a pessoa pagava pela entrada na palestra, emocionava-se e na saí-da comprava o livro, o CD e o DVD.
Por dez anos viveu assim. Mas faltava algo, insistia o arcanjo. Até o pregador conhecer gente que “sentia”, como ele, vir de algo maior – nada menos que a reencarnação dos Cavaleiros Templários, braço militar da Igreja Católica formado por monges com voto de pobreza que aceitaram a tarefa de proteger os cristãos dos muçulmanos, enquanto aqueles tomavam desses a Cidade Sagrada nas Cruzadas. Quando Jerusalém ficou para trás, templários foram queimados vivos pela Inquisição. “Somos a reencarnação deles.”
As reuniões começaram como uma espécie de maçonaria, que aos poucos incorporou doses de Reiki (prática esotérica), ioga e passe espírita. Em 11 de novembro de 2011, quando Silva estava prestes a entrar no ar pelo canal UHF 58, novo milagre se deu. “O Arcanjo Miguel materializou-se e disse para eu abrir a igreja. Foi tão forte que tive uma crise de cálculo renal. Fui ao banheiro e ele veio e disse pra botar a mão na urina. Eu pus. E saiu uma pedra do tamanho de meio grão de feijão.” À meia-noite o programa foi ao ar já com o nome de Igreja Templária.
Além do prédio no número 643 da Rua Leais Paulistanos, a igreja tem sedes no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e em Minas Gerais. Estrutura crescente, que começou a ser erguida com auxílio de doações. Com 1,5 mil reais em moedas, o apóstolo comprou uma Kombi velha, com a qual os mestres vendiam batatas de porta em porta para arrecadar dinheiro.
Outros tempos. Hoje a igreja é mantida pelo “Carnê da Gratidão”, um boleto com depósito de 33 reais em uma conta do Banco do Brasil. “A pessoa não paga. Ela doa.” E ganha, de quebra, o número do celular de um dos mestres para ligar quando quiser, todo dia até as 2 da manhã. “Qual seu problema? Bem, às vezes Deus não cura agora para testar sua fé”, diz o mestre em uma das baias da sala onde cerca de 20 pessoas se revezam em três turnos para atender 3 mil ligações por dia no telemarketing. “A senhora gostaria de receber um CD do Arcanjo Miguel? Não, não é obrigada a pagar. Mas seu lado material vai render mais.” Ao lado, uma senhora corta boletos com uma guilhotina.
A casa do tesouro tem crescido. Um tour revela as 44 salas da igreja, nas quais a mesma cruz pátea impera, entre desenhos de Buda, faraós e santos católicos. Há dois auditórios e salas. Uma das salas de reunião é repleta de cristais a dividir espaço com uma armadura medieval, um sarcófago, São Jorge e a Virgem Maria. Ao lado fica o hospital de cura, onde macas se enfileiram à espera dos pacientes. “Teve uma mulher que chegou com a bexiga podre. Em um mês aqui, a bexiga dela se refez inteirinha.” Mas milagres mesmo se dão durante o “Vale de Sal”, evento que atrai 5 mil pessoas uma vez por mês. Toneladas de sal desenham uma trilha por onde as pessoas que têm problema espiritual caminham e passam mal. “Uivam, gritam, vomitam.”
Tanta peculiaridade trouxe inimigos. “Já cansei de sofrer ameaça de morte, pelo telefone, pela internet.” Mas o apóstolo segue sua vida exemplar. “Templário não ingere café, carne ou açúcar (só mascavo). Ioga e tai chi chuan são obrigatórios. Se bem que a minha ioga é na tevê”, diz, à mesa onde grava os programas. Se tudo der certo, e o arcanjo há de ajudar, em breve a igreja terá seu canal UHF (que custou 120 mil reais) para levar, “em cadeia nacional”, a mensagem do fim do preconceito. “Nós não temos nenhum.”
dica do Rodney Eloy
14 de maio de 2012
Pavarini 
Ricardo Feltrin, no F5
O “F5″ fez um levantamento do preço dos shows dos artistas mais populares do país na atualidade. A reportagem descobriu quanto vale o show de 20 artistas, grupos e duplas nacionais. Fazendo-se de contratante, a reportagem pesquisou preços para shows simples: com venda de ingressos ao público. Isso porque shows fechados, para empresas ou particulares, custam muito mais.
Segundo o levantamento, feito entre o final de janeiro e o início de abril, Michel Teló, Fernando & Sorocaba, Paula Fernandes, Luan Santanna, Gusttavo Lima e Thiaguinho, nessa ordem, estão entre os shows mais caros do país. Podem custar de R$ 300 mil a R$ 350 mil (para shows feitos no Estado de São Paulo). Há pelo menos seis meses Teló está praticamente sozinho em 1º lugar no ranking de preços, mas pode-se dizer que essa posição é temporária: há muito revezamento no topo no espaço de um ano ou dois.
O valor dos shows obtido pela reportagem pode sofrer variações de acordo com um número “x” de circustâncias, como mostrou a apuração. Exemplo: se o artista tem São Paulo como base (e depósito de equipamentos), seus shows no Estado podem custar menos. Outro exemplo: se um artista vai se apresentar numa cidade a 150 km de São Paulo, em uma determinada data, e uma cidade vizinha 100 km adiante aproveita o “carreto” e contrata o artista também (para tocar dois dias depois), o custo cai. Provavelmente o valor pago pela segunda cidade seja menor que o da primeira. Se aparecer uma terceira cidade… e assim por diante.
Shows em outros Estados também só são feitos quando há um número crítico de “cidades” (ou empresários) contratantes, pois é oneroso (e perigoso) andar por aí com uma megacarreta carregada de instrumentos caríssimos e aparelhos tecnológicos e de iluminação de última geração.
No caso de gente que está por cima da “carne seca”, como Gusttavo Lima, Luan Santana, Thiaguinho ou Victor & Leo etc, esses artistas podem cobrar o show na “tabela cheia”, pois não faltam contratantes: empresários e empresas que investem dezenas de milhões de reais em entretenimento país adentro, uma indústria que movimenta hoje cerca de R$ 1,5 trilhão no mundo
A estimativa de contratantes de shows, ouvidos pela reportagem, é que existam de 350 a 400 prefeituras no país que investem razoavelmente em shows e entretenimento à população. Esse é o primeiro e mais importante mercado de contratação de artistas “da moda” no país, os mais caros. Em seguida há o mercado de shows em grandes empresas, mas não foi possível obter dados a respeito.
Os valores exibidos abaixo não representam o cachê líquido dos artistas(leia mais abaixo):

Com esse dinheiro os artistas precisam bancar toda sua infra-estrutura e staff, como funcionários de escritório, advogados, músicos contratados, empresários, transporte de equipamento e toda mão-de-obra envolvida num show.
A estimativa é que os artistas acabam ficando com “apenas” 30% ou 40% do valor total de cada show. Quem paga a hospedagem e alimentação é o contratante, que também precisa, quase sempre, depositar 20% do valor total logo na assinatura do contrato, e o restante a combinar.
Não foram incluídos nesta lista os shows de “medalhões” como Roberto Carlos e Ivete Sangalo, pois também são artistas contratados da Globo, o que distorce sobremaneira seus valores.
Para ter uma ideia, porém, em dezembro último Sangalo fez um show fechado para uma empresa paulista da área financeira por R$ 400 mil. O show de RC é ainda mais complicado de mensurar, mas estima-se que custe sempre acima de R$ 1 milhão, já que é preciso contratar uma orquestra junto (a dele, claro).
O preço de um show é uma espécie de “equação” que inclui variáveis como: 1) se o artista está na moda e na mídia (Teló); 2) se emplacou um eventual sucesso na novela da Globo ou nas rádios do país (Paula Fernandes); 3) por seu tempo de carreira e estrada (Zezé e Luciano).
foto: Alberto Martín/Efe
queria muuuito ver a elite gospel incluída nessa lista p/ saber se somos cauda ou calda…
14 de maio de 2012
guibonny A Agência Nacional de Polícia credita esse aumento à recessão econômica, agravada pela crise mundial, pela alta do iene e pelo tsunami de 2011
Publicado originalmente no Alternativa Online
Por fracassarem na busca de um emprego ou sentirem que não estão desempenhando o serviço a contento, 150 japoneses com menos de 30 anos cometeram suicídio em 2011. É o segundo ano consecutivo em que se atinge esse número.
Em 2010, foram registrados 159 suicídios nesta faixa etária, representando um crescimento de 2,5 vezes mais em relação a 2007, quando se iniciou a pesquisa, detectando as causas do ato extremo.
Os dados foram divulgados pela Agência Nacional de Polícia com base na análise das cartas das vítimas e nos depoimentos de familiares.
O órgão credita esse crescimento à recessão econômica, agravada pela crise financeira mundial, pois em 2007 o número de pessoas que tiraram a própria vida por terem fracassado ou se frustrado no serviço foi de 60. Em 2008, cresceu para 91, subindo para 130 no ano de 2009.
Pesam ainda neste contexto a alta do iene, o tsunami e a redução das ofertas de emprego para os formandos. Das 150 vítimas, 126 eram jovens masculinos (80%) e 24 mulheres. 52 eram estudantes, 41 deles universitários e quatro do kookoo. Os universitários começam a atividade de busca de emprego no quarto ano.
Especialistas argumentam que o quadro reflete a prolongada retração econômica, com queda na geração de postos de trabalho, contrabalançadas com o crescimento de vínculos laborais temporários e instáveis.
Caso fracassem nas primeiras oportunidades, alguns jovens não veem mais chances para si. Receiam se tornar nitto (jovens desajustados que não trabalham nem estudam) ou trabalhadores temporários sem a perspectiva de um amanhã estável e dignamente remunerado.
Prova de que o mercado de trabalho é mais severo com os jovens é a estatística de 2011, que indica que o nível de desemprego para os candidatos na faixa de 15 a 24 anos foi de 8,2%, bem acima da média total de 4,5%. Constatou-se também que 91% dos candidatos conseguiram colocação, índice mais baixo da história.
O governo prometeu incluir, no plano quinquenal de prevenção de suicídios, uma ação mais pragmática em favor deste segmento, como maior atenção do Hello Work.
No Japão, cerca de 30 mil pessoas decretam a própria morte por desajustes familiares, financeiros, de saúde, e de frustração no trabalho. Isto significa que a cada 17 minutos um cidadão japonês se suicida.