Conheça Max, o programador de 10 anos que ‘quer mudar o mundo’

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publicado na BBC

Max, de 10 anos, tem uma rotina diferente da maioria dos garotos de sua idade.
“Chego em casa da escola, como e depois começo a programar. Depois durmo e começo tudo de novo no dia seguinte”, diz.

Max aprendeu a criar programas de computador e sites há quatro anos, depois de ganhar um computador de sua mãe e diz que isso hoje é uma parte muito importante de sua vida.
“Você pode fazer muita coisa com a programação. Programar te ajuda a pensar fora da caixa. Gosto de pensar em ideias que possam ajudar o mundo.”
Vida moderna

Em breve, as escolas inglesas poderão ter muitos mais meninos e meninas como Max.
Desde o início de setembro, crianças a partir de cinco anos de idade têm aulas de programação nas mais de 160 mil escolas primárias do país.
A mudança faz parte de uma série de alterações no currículo escolar que acabam de ser postas em prática na Inglaterra.

Segundo o Departamento de Educação, o objetivo é preparar as crianças para a vida moderna.
“Elas precisam aprender o básico de áreas chave, que são as mais valorizadas por universidades e empresas”, disse uma porta-voz do governo.

‘Rigoroso e envolvente’

Voltado para alunos de até 14 anos de idade, o novo currículo foi descrito pelo primeiro-ministro Gordon Brown como “rigoroso, envolvente e difícil”.

O ex-secretário de Educação, Michael Gove, disse que estas alterações eram necessárias para que a Inglaterra estivesse à altura dos mais bem-sucedidos sistemas educacionais do mundo.
O novo currículo dá mais importância a habilidades como “redação de teses, resolução de problemas, modelagem matemática e programação”.

Russell Hobby, secretário-geral da Associação Nacional de Professores, diz que os mestres se prepararam ao longo do último ano para ensinar o novo currículo, mas que pode haver certa dificuldade em áreas como matemática, na qual os tópicos mais avançados podem ser de difícil compreensão para os alunos mais novos.

“Um dos erros do novo currículo é que ele está sendo implementado todo de uma vez”, diz Hobby.

“Em matemática, é preciso aprender um conceito básico antes de ir para os mais avançados. Agora, há crianças que não terão aprendido o básico antes de terem que aprender os conceitos avançados.”

Também haverá, por exemplo, mudanças nas aulas de inglês. Alunos de até 14 anos terão de ter estudado ao menos duas peças de Shakespeare. Em ciências, haverá aulas sobre mudanças climáticas.

Inovação

O novo currículo ainda traz duas grandes novidades. Os estudantes passarão a ter aulas de tecnologia e design, em que aprenderão sobre inovação e indústrias digitais, com aulas de impressão 3D e robótica.
E também haverá, é claro, as novas aulas de programação. Os alunos com idades entre cinco e
sete anos aprenderão a escrever códigos de programação, a entender o que são algoritimos e a criar programas de computador simples.
Aos 11 anos, eles deverão ser capazes de “elaborar, usar e avaliar abstrações computacionais que modelam o comportamento de problemas do mundo real e físico”.

Max está animado com a mudança, porque considera as aulas de computação atuais nada estimulantes.
“Hoje, numa escola normal, se aprende a usar o Word. Isso é besteira. Você nunca vai usar o Word uma profissão. Quem fez o Word sabe programar”, diz Max.

“Se várias outras crianças começarem a programar, a competição pelo trabalho de programador vai aumentar, mas isso é uma coisa boa, porque significa que mais gente estará trabalhando nessa área.”

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Dilma organiza “contra-tuitaço” pedindo “menos ódio” ao pastor Silas Malafaia

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João Vitor Pascoal, no Diário de Pernambuco

A equipe da presidente Dilma Rousseff (PT), por meio de uma postagem no Facebook oficial da presidente, convocou seus seguidores para um “contra-tuitaço” direcionado ao pastor Silas Malafaia.

Na postagem, a hashtag #MenosÓdioMalafaia, tem o objetivo de “mostrar que o país não aceita o discurso do ódio, da homofobia e da ignorância”. A campanha começou a ser promovida ao meio-dia e já se encontra em primeiro lugar nos trending topics do Twitter no Brasil.

A ação organizada pela candidatura de Dilma é uma resposta ao pastor que, na mesma rede social, convoca os seus seguidores para que retuitem uma postagem feita em seu perfil onde afirma que o “ativismo gay” financiado pelo Governo Federal quer acabar com as celebrações do Dia dos Pais e Dia das Mães nas escolas.

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É possível ficar muito tempo dentro d’água até derreter?

publicado no Oráculo

Querido e sempre lido Oráculo: Quando ficamos muito tempo na água nossa pele começa a enrugar e tudo volta ao normal em alguns minutos após sair da água. Porém, o que acontece se ignorarmos isso e permanecermos na água, quanto tempo nossa pele aguenta submersa?
Obrigada!
Rita Braga, São Paulo, SP

 

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Querida e sempre respondida Rita, nossa pele ficaria tão murcha e fraca que nos tornaríamos extremamente vulneráveis à ação de agentes externos como fungos ou bactérias. Em vez de ficarmos hidratados debaixo da água, ocorre o contrário. Nossa pele fica escamada porque perde água para o meio, por conta da osmose. Esse processo físico-químico acontece porque nosso corpo tem uma maior concentração de elementos (a saber, sódio, potássio e cloro) do que a água do mar, por exemplo. Por isso, a pele desidrata e murcha.
A camada de gordura que envolve a cútis e serve como barreira é a primeira a ser afetada. “Quanto mais tempo ficarmos debaixo d’água, mais fina essa camada fica, porque a gordura se dissipa”, explica a dermatologista Jorgeth de Oliveira Carneiro da Motta, professora da Universidade de Brasília (UnB). Assim, a pele se torna mais ressecada e mais suscetível a feridas e inflamações. Quanto ao tempo de resistência que nossa pele aguenta, não há como precisar. “É uma questão de dias”, afirma a médica. Por via das dúvidas, não tente virar um peixe.

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Na vida sob o califado, histórias de estupros

Estado Islâmico mantém cerca de 40 mulheres, entre 12 e 30 anos, como escravas sexuais

A garota yazidi foi capturada durante uma ofensiva nas Montanhas Sinjar. Ela permanece presa (foto: Reprodução da internet)
A garota yazidi foi capturada durante uma ofensiva nas Montanhas Sinjar. Ela permanece presa (foto: Reprodução da internet)

Rose Troup Buchanan, no The Independent [via O Globo]

Uma jovem yazidi capturada pelo Estado Islâmico (EI) revelou o extremo abuso que sofre como escrava sexual nas mãos dos jihadistas. Com apenas 17 anos, Mayat (nome fictício) foi sequestrada por integrantes do EI em 3 de agosto, durante uma ofensiva dos extremistas nas Montanhas Sinjar. Ela permanece com seus raptores.

Estes homens permitiram que Mayat falasse — ela sabe um pouco de inglês já que queria estudar na Europa — para “nos machucar ainda mais”, nas palavras da garota:

— Eles nos falam para descrever em detalhes aos nossos pais o que eles estão fazendo.

Os pais dela, refugiados no Curdistão, deram o número da filha a um jornalista do jornal italiano La Repubblica. A adolescente implora ao entrevistador para não chamá-la pelo nome, porque tem “vergonha do que eles fizeram” com ela:

— Parte de mim gostaria de morrer imediatamente, afundar sob a terra. Mas há outra parte que ainda tem esperança de ser salva, para ser capaz de abraçar meus pais mais uma vez.

Uma das cerca de 40 mulheres e meninas detidas pelos extremistas em uma cidade desconhecida, Mayat estima a idade delas em torno de 12 a 30 anos.

— O que estão fazendo comigo? — questiona-se, diante da pergunta do repórter. — Tenho muita vergonha de dizer, e nem sei como descrever minha tortura.

Na entrevista, Mayat conta como as mulheres e as jovens são mantidos em uma casa vigiadas por guardas armados. Há, segundo ela, “três quartos de horror”, onde as mulheres são estupradas, ao longo do dia, geralmente por homens diferentes.

— Eles nos tratam como escravas. Somos sempre “dadas” para homens diferentes. Alguns chegam diretamente da Síria — conta a jovem.

O EI tem feito enormes ganhos territoriais ao longo de todo o Norte do Iraque e em partes da Síria, capturando milhares de mulheres e crianças, de acordo com um relatório da Anistia Internacional do mês passado.

— Eles nos ameaçam e nos batem se tentamos resistir. Muitas vezes, eu desejava que eles me batessem tão forte até que eu morresse. Mas eles são covardes até para isto. Nenhum deles têm coragem de acabar com nosso sofrimento — ataca a garota.

Mayat diz que algumas das meninas mais jovens pararam de falar por causa do abuso e foram levadas pelos jihadistas. Muitas das mulheres tentaram acabar com as próprias vidas.

— Às vezes, sinto como se nunca vai ter fim. E se isso acontecesse, minha vida ficaria para sempre marcado pela tortura que sofri nas últimas semanas — conta Mayat. — Mesmo que sobreviva, não acho que serei capaz de remover este horror da minha mente.

A história de Mayat contradiz afirmações anteriores do EI, que pretendia mostrar que a vida sob o regime do Estado islâmico teria muitos mais cuidados com as viúvas e crianças.

O governo britânico prometeu doar armas e munição para o Iraque para combater a insurgência. Em meio a preocupações de terrorismo, o presidente americano, Barack Obama, prometeu mostrar ao povo americano os esforços para “degradar e destruir” o EI.

Mayat termina dizendo:

— Eles já mataram meu corpo. Agora, estão matando minha alma.

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Vogue Kids faz ensaio com crianças em poses sensuais e pode ser acionada pelo MP

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Maíra Kubík Mano, no Território de Maíra

Pernas abertas, calcinha aparecendo, blusa levantada. Se fossem modelos adultas, estaríamos discutindo aqui no blog, mais uma vez, a objetificação do corpo mulheres. Mas são crianças e as fotos, do ensaio “Sombra e água fresca”, publicado pela revista Vogue Kids em setembro, praticamente falam por si.

“Muitas vezes quando pensamos em pedofilia imaginamos um tio pervertido ou em um cara se escondendo atrás de um computador, ou de algo escondido, secreto. Mas a gente não fala de uma cultura de pedofilia, que está exposta diariamente, onde a imagem das crianças é explorada de uma forma sexualizada. A Vogue trouxe um ensaio na sua edição kids com meninas extremamente jovens em poses sensuais. Alguns podem dizer que é exagero. Que é pelo em ovo. Eu digo que enquanto a gente continuar a tratar nossas crianças dessa maneira, pedofilia não será um problema individual de um ‘tarado’ hipotético, e sim um problema coletivo, de uma sociedade que comercializa sem pudor o corpo de nossas meninas e meninos”, afirmou a roteirista Renata Corrêa, uma das primeiras a criticar publicamente a revista.

A arquiteta Tuca Petlik conta que ficou chocada quando viu a matéria. Foi ela quem tirou as fotos acima – editadas para preservar a identidade das meninas. “Como ninguém que trabalhou na matéria questionou? Produtor, maquiador, fotógrafo, diagramador, revisor, diretor de arte, editor de texto, direção… Ninguém se ligou que estava um pouco demais? Que dureza ver que ainda temos um caminho tão longo para percorrer em busca de uma sociedade que valorize a infância, que proteja nossas crianças, que não veja a mulher e seu corpo como mercadoria, que amplie os ‘modelos de beleza’. etc… É triste”. Tuca é mãe de Maya, de dois anos. “Como mulher, como mãe, como mãe de uma menina, eu sinto revolta”.

Yolanda Domínguez, artista plástica espanhola que já realizou performances no Brasil questionando a indústria da moda, afirma que “é alarmante a sexualização prematura a que as meninas são submetidas por meio de bonecas (Brads, Barbies…), desenhos animados e agora, a moda. Essas imagens possuem uma clara conotação sexual: meninas com pernas abertas, deitadas, levantando a camiseta ou trazendo um peixe para a boca. As meninas aprenderão que atitude se espera delas”. Yolanda, que é editora do site Strike the Pose, avalia que a Vogue cometeu um erro enorme e defende que a revista “deveria pedir desculpas imediatamente”.

Jornalista e analista de moda, Vivi Whiteman lembra que “a moda tem como regra trabalhar com meninas muito novas, que começam com seus 13 anos. Não sei quantos anos têm as moças das fotos, mas tenho certeza de que foram autorizadas pelos pais”. Para Vivi, a  moda não é exatamente o mais ético dos mundos e não tem pudores com nenhum tipo de sensualidade. “Ao longo dos anos temos grandes obras que abordam o tema da sexualidade infantil, de Freud a Nabokov. A questão é que num ensaio de moda feito para vender produtos e comportamento não há espaço para teoria, nem para discussão, nem para aprofundar nada. Não é questão de demonizar a revista, mas de fato é o caso de ampliar o debate sobre essa questão. Não é moralismo, mas a constatação de que essas imagens geram certas reações, elas não são neutras nem existem num universo ideal. Os pais precisam se colocar e parar de fingir que esse tema não existe. A revista é só mais um exemplo de um comportamento que está na mídia e também na educação”.

O blog apurou que algumas pessoas já fizeram denúncias ao Ministério Público e que instituições de defesa da criança e do adolescente preparam-se para uma ação coletiva. Mas segundo a Ferraz Assessoria de Imprensa, que cuida da conta da revista, até o momento não há nada a declarar porque “não chegou nenhuma notificação. Tudo o que existe são burburinhos na internet”.

dica da Rina Noronha

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