O ca(b)ra

Quem é o Pavarini?

Apresentar o Sérgio é fácil; difícil é fazê-lo com isenção, já que posso me incluir entre as fundadoras do seu fã clube, que registra milhares de membros.

Mas façamos um esforço de reportagem: Sérgio Pavarini é jornalista, profissional de marketing, blogueiro e editor de livros e revistas. Além disso, o Pava, como é conhecido pela galera, é um homem de seu tempo. Engajado, bem-humorado, antenado, provocador-com-uma-causa (sim, porque os provocadores sem causa não costumam acrescentar muito), e muito criativo, Sérgio, como gosto de chamá-lo, é também um sujeito comprometido com uma visão. Ele se insere naquela ideia do C.S.Lewis, que certa vez escreveu que a criatividade é, sim, um grande bem, mas não o bem supremo. O bem supremo, segundo o grande pensador cristão, é a glória de Deus, e é a serviço dela que devemos usar a nossa criatividade.

Louco pela internet, ele criou, quando a maioria de nós ainda levava bailes do mouse, o primeiro boletim virtual de variedades culturais e sobre o universo cristão evangélico – a newsletter Vidanet – que totalizou mais de 400 edições de informação semanal para um público estimado em 50 mil assinantes.

Sérgio trabalhava então na Editora Vida, controlada até 2007 pela americana Zondervan, braço cristão da Harper Collins, um dos maiores grupos editoriais do mundo. Durante dez anos trabalhou na editora, os últimos cinco gerenciando a área de marketing. À frente de uma equipe dedicada, ajudou a transformá-la de uma empresa convencional de livros para “crentes” na mais destacada editora do segmento, promotora de eventos memoráveis, como o lançamento do selo Vida Acadêmica, dedicado a seminaristas, teólogos e interessados em teologia.

Foi na Vida que nos conhecemos. Sérgio me ajudou como fonte em algumas matérias que escrevi sobre o mercado editorial evangélico para o jornal Valor Econômico, e sua seriedade e espontaneidade nos aproximaram. Tornamo-nos amigos. Sei de boa fonte que durante sua passagem pela editora, ele participou da seleção e publicação de cerca de mil títulos, que, juntos, venderam mais de 10 milhões de exemplares. Dez milhões de exemplares!

Nesta fase, o CEO da Zondervan era Bruce Ryskamp, que traz boas lembranças do trabalho com o Pava. “Sempre apaixonado pelo trabalho e missão, sempre procurando novas maneiras de divulgar nossos livros… Pavarini tem esse gosto pela vida e a gente não consegue evitar de ser atraído por ele”, disse Bruce.

O executivo lembrou de inovações importantes realizadas por Sérgio na editora, como a criação da Vidamix, uma revista com artigos e reportagens que chegou a uma tiragem de 80 mil exemplares. Ryskamp também lembra com carinho dos eventos que Sérgio promoveu como o lançamento da Nova Versão Internacional da Bíblia, que levou centenas de lideranças e celebridades ao Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo.

A passagem do Pava pela Editora Vida, que em 2007 foi vendida para o grupo argentino Peniel, deixou saudades também no então diretor-executivo da empresa, Eude Martins. “Sérgio trabalha pela inclusão de todos ao fantástico mundo do conhecimento e da reflexão. Foi o profissional com quem mais interagi na administração da Editora Vida. Conselheiro de todas as horas, sempre com uma palavra sábia e ponderada, ele foi o principal responsável pela conquista de mercados qualificados pela Editora Vida”, disse Martins.

O trabalho do Pava só avançou ao deixar a editora: expandiu horizontes pela web, atingindo, com muito esforço e dedicação, poucos anos mais tarde, um público ainda maior e sempre fiel de leitores. E o que é excepcional: uma galera de jovens que o acompanha e por ele são influenciados, seja via blog, twitter ou palestras motivacionais, para as quais é convidado por comunidades de todo o Brasil, o que aumenta em muito a sua responsabilidade.

Hoje, com o Pavablog, o melhor do país na categoria “entretenimento” segundo o júri do BlogBooks 2010, ele ampliou o leque de temas transformando-o numa bem-humorada fonte de variedades culturais e de entretenimento, inovando em forma e conteúdo. Convidou articulistas relevantes e diariamente convida milhares de leitores à reflexão, em um país não muito conhecido pela valorização da cultura. Isso, ao mesmo tempo em que ainda expõe as feridas de um rebanho cristão cada dia mais explorado em sua ingenuidade.

Como disse o artista plástico americano Makoto Fujimura, após os atentados do 11 de setembro, que viu surgir uma ampla releitura da produção artística em Nova York depois da tragédia, “nossa capacidade imaginativa tem a responsabilidade de curar na mesma exata medida que tem a responsabilidade de pintar a ansiedade”. Com seus pincéis eletrônicos e gadgets, o Sérgio vai mandando o seu recado, atraindo os convictos, os questionadores, os ansiosos, os feridos, os céticos, os desbocados, os fraturados da fé e mesmo os sem fé, pelas ondas da web, distribuindo com graça, de graça, seus excelentes remédios.

Marilia C. Cesar
Jornalista e escritora

Comentários

2 ideias sobre “O ca(b)ra

  1. Didileite

    DidiLeite
    Conheci o Sergio pelo Twitter e gostei de suas posições, palavras e comentários. Hoje, cheguei no blog. Valeu. Considero o Sergio uma criatura instigante da nossa inteligência.
    Embora muitíssimo mais velha que ele, vejo que sempre ele me faz olhar pela outra ponta do prisma. Bom quem faz a gente pensar. Parabéns Pavarini!

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