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Papa Francisco já enfrenta resistência no Vaticano

Ala tradicionalista da Igreja condena abertamente mudanças promovidas pelo Pontífice

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

Publicado no O Globo

Não é raro o Papa Francisco deixar sua sala de trabalho na Residência de Santa Marta, na Cidade do Vaticano, tirar uma moeda do bolso e se servir de um café expresso na máquina instalada no corredor. Em mais de seis meses de pontificado, o sucessor de Bento XVI manteve seus austeros hábitos de cardeal franciscano, renunciou aos aposentos papais no Palácio Apostólico e a tradicionais símbolos do vestuário do cargo, como os sapatos vermelhos ou a cruz de ouro (ele usa uma de prata).

No discurso, o novo Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, na rejeição de uma ingerência espiritual na vida pessoal, e criticou a “obsessão” da Igreja por temas como o casamento homossexual, o aborto ou os contraceptivos. A Igreja “dos pobres e para os pobres” do Papa Francisco tem suscitado entusiasmo entre fiéis, mas também desaprovação e severas críticas por parte de setores católicos conservadores.

Para o italiano Marco Politi, um dos mais respeitados vaticanistas, está em curso “uma verdadeira revolução”, num processo gradual de “desmontagem de uma Igreja imperial” em que o Papa era o monarca absoluto e a Cúria romana, o centro de dominação. O analista aponta uma firme intenção de Francisco em impor o “princípio de colegialidade” pela implementação de um mecanismo de consulta com os bispos para decidir sobre as mudanças necessárias à Igreja.

— Por isso que já ocorre uma resistência das forças conservadoras, não somente na Cúria, mas na Igreja. Mas até este momento, no escalão superior, os cardeais e bispos conservadores não falam abertamente contra o Papa, deixam as críticas mais furiosas aos sites na internet. Vemos em diferentes partes do mundo sites muito agressivos contra o Papa, acusando-o de populista, demagógico, pauperista, de não querer exercer o primado absoluto de Pontífice romano — nota Politi.

‘Enganador em turnês demagógicas’

O blog “Messainlatino.it”, que prega a renovação da Igreja “na esteira da tradição”, denunciou uma “real e verdadeira crise de identidade” do Pontífice por causa de uma de suas notórias declarações no voo de retorno à Itália da viagem ao Rio de Janeiro, onde participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ): “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, disse Francisco. O site tradicionalista diagnosticou como “um sinal tangível de um extravio existencial que faz literalmente tremer os nervos e o corações dos fiéis”, e indagou de forma irônica: “Perdoe o atrevimento, vós não sois, talvez, o ‘Papa’? Não tendes, talvez, as chaves para abrir e fechar o Reino dos Céus?”.

Conservadores americanos reunidos no “Tradition in Action”, site baseado em Los Angeles que defende as “tradições católicas”, acusaram Francisco de ser um “enganador” que organiza “turnês demagógicas” em “estilo miserabilista”. Para o “Tradition in Action”, o Pontífice procura “dessacralizar os símbolos do papado a fim de aboli-los”. O site criticou seu gesto de retirar o solidéu para colocá-lo sobre a cabeça de uma menina: “Deste modo, quer parecer como um velho vovô que brinca com a sua netinha e, ao mesmo tempo, demonstrar que os símbolos do papado são inúteis”.

Bertone fora do caminho

Para o “Corrispondenza Romana”, setores da Igreja estão sendo controlados por “uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista”. O site “Una Fides” censurou missas celebradas no Brasil em que sacerdotes distribuíram a eucaristia em copos de plástico: “O Senhor, um dia, pedirá contas pelos inumeráveis sacrilégios cometidos por milhões de crentes, milhares de sacerdotes, centenas de bispos, dezenas de cardeais e talvez até por alguns Papas.” Já a publicação americana “National Catholic Register” definiu a eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa como “mais um acréscimo à pilha das recentes novidades e mediocridades católicas”.

Para Marco Politi, haverá mais oposição entre bispos e cardeais no mundo do que dentro da Cúria, onde grande parte de seus integrantes estava decepcionada com a ineficácia administrativa de Bento XVI e com o autoritarismo do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

— Não podemos saber como tudo vai evoluir, mas é certo que à medida que o Papa avançar em suas reformas, o movimento de resistência por parte dos conservadores será cada vez mais forte — avalia.

Para o posto de Bertone, o segundo na hierarquia da Santa Sé, foi nomeado o arcebispo Pietro Parolin, “um homem de grande experiência, que não tem uma atitude ideológica, mas de atenção para a realidade contemporânea”, diz Politi. O vaticanista lista, ainda, algumas mudanças importantes já feitas ou sinalizadas pelo Papa: o saneamento do Banco do Vaticano, com tolerância zero para as contas opacas; a criação do grupo de trabalho constituído de oito cardeais para refletir e elaborar propostas de reformas na Cúria, a comunhão para os divorciados recasados ou a ascensão de mulheres a postos de decisão na hierarquia da Igreja.

— Uma de suas decisões que provocaram bastante ruído em Roma foi a demissão do prefeito da Congregação do Clero, o cardeal Mauro Piacenza (substituído por Beniamo Stella), responsável pelas centenas de milhares de padres no mundo — acrescenta Politi. — Era muito conservador, e contra qualquer mudança na lei do celibato. Esta troca é um sinal claro de que o Papa não quer um conservador num posto-chave como este.

‘A instituição irá se defender’

Para o sociólogo francês Olivier Bobineau, especialista em religiões no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences-Po) e autor de “O império dos Papas — uma sociologia do poder na Igreja”, haverá um limite para as reformas de Francisco. Na sua opinião, o Pontífice já deu sinais de abertura, simplificou o protocolo hierárquico e poderá alterar o “clima e o ambiente” na Igreja, mas terá enormes dificuldades se desejar promover transformações mais profundas.

— A primeira coisa que ele teria de fazer é mexer no edifício hierárquico. Mas nem João XXIII conseguiu fazê-lo. A instituição irá se defender. Há padres e bispos que amam este poder hierárquico, e vão tentar conservá-lo por todos os meios. Não se pode sair de uma estrutura católica que remonta ao século V. Há 1.500 anos é assim. Um só homem não pode mudar isto.

Bobineau acredita que o Papa centrará seu Pontificado nas mensagens de amor e pelos pobres e em mudanças de estilo:

— Em sua recente entrevista à revista dos jesuítas, ele disse que as reformas estruturais e organizacionais são secundárias. Ele sabe. Seria necessário explodir tudo. Ele está no topo de uma estrutura hierárquica que em algum momento vai lhe impor limites. Quanto mais ele empurrar no sentido de mudanças, mais sofrerá resistências dos conservadores — prevê.

Entre 1º e 3 de outubro, o Conselho de oito cardeais se reunirá com o Papa para preparar um documento de trabalho com propostas de reformas na Cúria. No dia 4, Francisco visitará, pela primeira vez como Papa, Assis, a cidade do santo que inspirou o nome de seu pontificado.

— A expectativa é de que fará um discurso bastante forte sobre a pobreza na Igreja — arrisca Politi.

Santander e Itaú fazem “duelo” de rimas por cliente, que fecha com Bradesco

Publicado no Terra

Um consumidor resolveu fazer uma campanha no Twitter na quinta-feira para escolher seu próximo banco. Na disputa, convocou o Itaú e o Santander a atendenderem a uma solicitação: fazer uma boa rima para garantir a abertura da conta. Os dois bancos entraram no jogo e responderam com bom humor para conseguir o cliente.

“Santander é um Banco manero, bom lugar p/ poupar dinheiro. Aqui vc não perde nada, escolha sua conta combinada”, começou o Santander. “Você pode conhecer outros bancos e tem a opção de escolher, mas lembre que só o Itaú foi feito para você”, respondeu a outra instituição bancária. Na “tréplica”, o Santander afirmou no microblog. “Se é pra escolher, o Santander vai responder: Free, Flex, Light, Fit. Decida a que mais combina com você”.

Ao final da disputa, o consumidor respondeu que quem venceu a batalha de rimas foi “a internet inteira”, mas que ele abriria a conta no Bradesco, o banco que ainda não tinha aparecido na história. Ainda assim, o Santander agradeceu a interação com o potencial cliente.

Interação com o consumidor
O designer Vyktor Berriel, que fez a provocação aos bancos, afirmou que teve ideia da abordagem quando percebeu que os perfis institucionais no Twitter têm ficado mais “bobos e descontraídos”. “Resolvi fazer isso pra ver até onde eles iam. Eu propus a brincadeira achando que eles iam se ofender e pra minha surpresa os dois bancos começaram a rimar. Fiquei surpreendido com as respostas e o esforço dos responsáveis pela mídias sociais dos dois. Achei legal terem entrado na brincadeira”, comenta.

Ele afirmou que escolheu um favorito, mas prefere não divulgar. “Ainda estou no aguardo se algum outro queira participar da brincadeira e me impressionar”. Ele ficou surpreso com a repercussão da história, que até essa sexta tinha cerca de 600 compartilhamentos no Twitter.

“Eu não esperava que fosse repercutir dessa forma. Acho que é porque a imagem que todo mundo tem dos bancos são aqueles funcionários e gerentes de cara fechada e mal humorados. Quando você vê dois bancos concorrentes brincarem de batalha de rimas na internet, é de se espantar mesmo. Independente da brincadeira,acho que quem ganhou no fim das contas foi a internet”, diz.

Segundo Eduardo Tracanella, superintendente de marketing institucional do Itaú, o banco gostou da interação do cliente e buscou responder de uma forma mais próxima, ressaltando o “humor inteligente” da instituição que está presente nas redes sociais. “O banco responde no Twitter e nas outras redes sociais de forma mais próxima, sem perder a essência e sem perder a identidade. (…) As pessoas estão mudando muito e muito rápido e o que a gente percebe é que as marcas tem que seguir esse movimento”, comenta.

De acordo com Clau Duarte, superintendente executiva de comunicação externa do Santander a instituição monitora tudo o que é falado do banco nas redes sociais e busca interagir na mesma linguagem que as pessoas usam nesses meios. Esse contato com o consumidor também está em consonância com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (Sac). A resposta “rimada” no Twitter ontem foi uma conjunção dessa estratégia.

“O caso de ontem foi muito feliz, conseguimos mostrar proximidade com o consumidor e que somos uma marca legal com a qual os consumidores querem interagir. O número de pessoas que são “curtem” a marca nas redes só aumenta”, diz Clau.

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Bispo Macedo revela que, acuado, pensou em suicídio

Ricardo Feltrin, na Folha de S.Paulo

No auge da perseguição e dos ataques que sofreu nos anos 90 por parte de policiais, promotores e, especialmente, da Globo, o bispo Edir Macedo, 68, afirma que pensamentos sobre suicídio “foram soprados” em sua cabeça.

Nessa mesma época a mulher dele, Ester, foi sequestrada em um assalto. O bispo, então, decidiu que só sairia de casa armado. Levava a nova companheira até aos cultos. Escondia o calibre 38 no púlpito, enquanto pregava.

“Mais tarde fui tocado pelo Espírito Santo, que me convenceu que andar armado era falta de confiança em Deus.”

Essas são algumas das revelações de “Nada a Perder, 2″, o segundo livro da trilogia que conta a vida e a obra de Edir Macedo de Bezerra, líder de uma das maiores igrejas evangélicas e dono da segunda maior emissora de TV aberta do país, a Record.

A Folha teve acesso exclusivo ao livro antes do lançamento, que deve ocorrer neste mês. A compra da Record, aliás, é descrita como a abertura da porta do inferno na vida de Macedo e sua família.

“Não imaginava que viveria o inferno a partir do dia em que decidi comprar a Record”, afirma no texto. Mas, se o livro for fiel aos fatos, Macedo tem motivos de sobra para acreditar em milagres.

Ele conta que a compra da Record já ia por água abaixo, porque Silvio Santos e seu sócio, Paulo Machado de Carvalho, descobriram que era Macedo, e não o deputado Laprovita Vieira quem estava por trás da compra.

Quase todos conhecem histórias de como o Plano Collor faliu empresários, afundou famílias e chegou a levar algumas pessoas ao suicídio, ao confiscar temporariamente as aplicações na poupança.

No caso do bispo Macedo, porém, o Plano Collor foi a verdadeira tábua de salvação. O negócio da Record estava emperrado, Macedo (por meio de Laprovita) já havia dado um sinal de US$ 6 milhões, que seria perdido caso o negócio não prosperasse, e então veio o plano.

Collor asfixiou empresas endividadas –como era o caso da emissora de Silvio e Machado de Carvalho.

Só que as igrejas eram um dos poucos lugares no país em que ainda havia alguma liquidez, seja no bolso dos fiéis, seja nos cofres.

Sem opção, Silvio e seu sócio tiveram de aceitar as condições do bispo da Universal. Outro “milagre” foi que, com o Plano Real, o dólar teve forte desvalorização. “A gente chegava a pagar três parcelas em um só mês”, gaba-se.

COAUTORIA

O livro é narrado em primeira pessoa, de forma fluida, sem seguir uma ordem cronológica. Os depoimentos foram colhidos por Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da Record.

Ele, a mulher de Macedo, Ester, e o bispo, chegaram a passar quase 50 dias trancados na casa do casal, que tentava rememorar o máximo de detalhes do passado. O primeiro livro da trilogia já vendeu por volta de 1,4 milhão de exemplares.

No livro, o líder da Universal não poupa ataques à eterna rival Rede Globo.

Quase duas décadas depois de sua exibição, ele ainda não digeriu a minissérie “Decadência”, em que um pastor evangélico corrupto seduzia jovens fiéis e ainda jogava a calcinha delas sobre uma bíblia aberta.

Procurada pela Folha, a Central Globo de Comunicação não quis se manifestar.

Homem tem raro distúrbio que o faz ter orgasmo ao ouvir música do James Bond

Publicado originalmente no F5

Um canadense desenvolveu uma estranha condição após sofrer um derrame.

Ele passou a sofrer de sinestesia, uma alteração nos neurônios que o faz ter orgasmos sempre que ouve a música-tema do James Bond.

A sinestesia faz com que o estímulo de um sentido, por exemplo, ouvir uma música, desencadeie experiências involuntárias em outro sentido, como ver uma determinada cor ou sentir um sabor.

Apenas 4% da população mundial sofre de sinestesia. Este é o segundo caso registrado de alguém que desenvolveu a condição após um derrame.

O primeiro sintoma descrito pelo paciente, de 45 anos, foi sentir enjôo ao ver um determinado tom de azul.

Em seguida, ele percebeu que o som de vozes agudas ou instrumentos de sopro muito agudos desencadeava “sensações orgásmicas” — especificamente a música tema do James Bond.

“Estava assistindo à abertura das Olimpíadas e uma cantora começou a cantar muito agudo. De repente tive a sensação de entrar dentro da TV e flutuar pelo estádio acima das pessoas. Podia sentir na minha pele a umidade e calor do lugar. Fiquei apavorado e pensei ‘isso é que é ficar louco’. Tive certeza de que estava enlouquecendo e não ia mais voltar”, contou o homem em entrevista ao jornal canadense “Nacional Post”.

Outros sintomas descritos por ele incluem um apetite insaciável por framboesas porque elas têm “gosto de azul”.

O derrame do paciente foi no tálamo, a área do cérebro responsável por processar informações sensoriais.