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Trocando de lugar – os estereótipos de gênero

Estudantes canadenses produzem vídeo no qual invertem os “papéis” femininos e masculinos em anúncios para mostra como a propaganda perpetua representações equivocadas

Publicado originalmente na Revista Forum

Sarah Zelinski, Kayla Hatzel e Dylan Lambi-Raine, alunas do curso de estudos de gênero da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, tiveram uma ideia criativa para expor a forma como a publicidade explora massivamente os estereótipos de gênero. As estudantes canadenses produziram um vídeo no qual invertem o papel de homens e mulheres em anúncios reais.

Quando acaba de apresentar os anúncios originais, o vídeo pergunta se o espectador achou os mesmos “ridículos”. Após o questionamento, são apresentados os anúncios com os “papéis” invertidos. O resultado é a sensação de que os estereótipos de gênero estão de tal forma culturalmente enraizados que o ridículo de explorá-los só se torna evidente com a inversão dos “papéis”.

O vídeo, intitulado ‘Representations of gender in advertising’ (‘Representações de gênero na propaganda’), ainda apresenta estatísticas quanto aos números da violência de gênero no Canadá e os relaciona com a representação da mulher nos anúncios publicitários.

“Algumas campanhas retratam a mulher como altamente sexual e submissa. E o homem, como dominante e agressivo”, diz Sarah Zelinsky.

Confira abaixo o vídeo.

dica do Walter Cruz

Papa diz que protestos no Brasil são justos e de acordo com Evangelho

Papa Francisco deve se referir às manifestações espalhadas pelo País em seu discurso na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, no final do mês de julho

Criança envolta na bandeira brasileira caminha na avenida Paulista em passeata contra a PEC 37, que acaba com o poder de investigação do Ministério Público (foto: Ligia Marquezani)

Criança envolta na bandeira brasileira caminha na avenida Paulista em passeata contra a PEC 37, que acaba com o poder de investigação do Ministério Público (foto: Ligia Marquezani)

Publicado originalmente no Terra

O papa Francisco, que virá ao Brasil no próximo dia 22 para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, disse que as manifestações que estão ocorrendo por todo o País são justas e de acordo com o Evangelho, segundo informações do jornal El País.

De acordo com reportagem do periódico, o Pontífice tem se informado diretamente dos protestos em curso nas ruas brasileiras, com massiva participação dos jovens, e deve inclusive se referir às manifestações em seu discurso na JMJ, segundo fonte “confiável” do correspondente do El País.

O papa Francisco já teria escrito seu discurso quando foi informado, pessoalmente, por prelados brasileiros sobre as manifestações e atos de violência registrados no País. O primeiro a se encontrar com o pontífice no Vaticano foi o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta.

Há 15 dias, foi a vez do arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, conversar com o Papa, seguido finalmente pelo cardeal Raymundo Damasceno de Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que declarou apoio às manifestações, desde que pacíficas. O documento produzido pela CNBB estaria nas mãos do papa Francisco, segundo o periódico.

Dom Cláudio Hummes, após seu encontro com o Pontífice, disse a um grupo de católicos no Colégio São Bento que a “mensagem de Cristo está em sintonia com essas reivindicações do povo”, segundo o El País, e acrescentou que “por isso devem estar presentes. O povo, de fato, está vivendo o Evangelho”.

O cardeal afirmou que não teme que as manifestações possam manchar a visita do Papa ao Brasil, e inclusive transmitiu ao Pontífice que os protestos não estão relacionados com sua visita, e sim contra o governo.

Em tempos de protesto, tome cuidado com as brigas que você compra

foto: Marcelo Brandt

foto: Marcelo Brandt

Alexandre Versignassi, na Superinteressante

A real é a seguinte: não é com reza que você muda um país.

A essa altura, milhões de pessoas já estão convencidas de que o único jeito de criar um Brasil novo é extirpar esse sistema corrupto pela raiz. E nunca, nunca houve um momento mais propício para isso.

Nossos governantes tiraram sarro dos nossos direitos – e continuam roubando a gente até o último centavo. Políticos assim esperam o quê? Só podem esperar revolta mesmo. Essa revolta precisava de uma válvula de escape. E acabou de encontrar.

No final, aliás, quem vai decidir quem está certo é a história. E ela vai condenar justamente quem está no poder hoje – quem, diante de tudo o que está acontecendo no país, leva mais em conta o próprio ego que o bem da comunidade.

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O texto aí em cima não é meu. É do Hitler. São partes do Mein Kampf (Minha Luta), o livro/cartilha revolucionária que ele começou a escrever em 1923, enquanto estava preso por uma tentativa de golpe de estado. Só troquei“Alemanha nova” por “Brasil novo”. E deixei o texto em português do século 21, para não parecer alienígena.

O original, aliás, é particularmente mal-escrito. E as ideias ali parecem ter sido elaboradas por uma lagartixa. Mesmo assim, o Mein Kampf foi uma peça importante para que o país mais intelectualizado do mundo acabasse nas mãos de um psicopata obtuso. Então cuidado com o que você lê ou ouve no calor deste momento. A hora no Brasil é histórica. Fato. Mas nem todo mundo que está surfando nessa onda merece a sua atenção. É o caso de quem fala em fechar o Congresso, imolar a presidente, acabar com a democracia. Porque de vez em quando a democracia acaba mesmo. E o que vem no lugar é invariavelmente pior.

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Mais 5 mitos sobre produtividade desbancados pela ciência (e pelo bom senso)

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Por Guilherme Souza, no Hype Science

Você provavelmente já ouviu alguém dizer que seria mais produtivo “se o dia tivesse 30 horas” ou que “uma mesa bagunçada acaba com a produtividade”. Seguindo a linha de um artigo anterior, o site Lifehacker reuniu esses e outros mitos que foram contrariados por estudos científicos.

Mito #1: Mais horas de trabalho = mais resultados

Em 2011, a Organização Internacional do Trabalho publicou uma compilação de uma série de pesquisas sobre produtividade e horas de trabalho. A conclusão principal é a de que, ao invés de ajudar, uma carga horária maior pode justamente atrapalhar, resultando em trabalhos de menor qualidade e em uma diminuição da qualidade de vida da pessoa.

Outro material, publicado pela Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, analisou 16 países da União Europeia e mostrou que pessoas com horários mais flexíveis ou que trabalham em meio período são, em geral, mais comprometidas com seu trabalho e têm uma vida pessoal mais tranquila, em comparação com quem tem uma rotina de trabalho mais longa – e esse fenômeno foi observado também fora da Europa, em outros estudos.

De modo geral, uma carga horária de 30 horas semanais seria o limite ideal para se conseguir o máximo de produtividade. Como não é algo ao alcance de todo mundo, a dica é fazer pausas periodicamente durante a execução de tarefas e, na medida do possível, se abstrair do trabalho quando estiver fora do expediente, para poder, de fato, “recarregar as baterias”.

Mito #2: É bom e necessário fazer várias coisas ao mesmo tempo (multi-tasking)

Enquanto você escreve um e-mail, pensa no relatório que tem que entregar amanhã, liga para um fornecedor, marca uma reunião e responde a uma mensagem no celular. Parece produtivo? De acordo com o pesquisador David E. Meyer, da Universidade de Michigan (EUA), multi-tasking, ou fazer multi-tarefas, não apenas diminui a produtividade, mas também aumenta as chances de se cometer erros nas diversas tarefas, por causa da falta de foco.

O segredo, de acordo com Meyer e diversos outros pesquisadores, é se focar em uma tarefa de cada vez, mas ter flexibilidade para, se necessário, focar em outra (parar de escrever um e-mail para poder atender a um telefonema, por exemplo), ao invés de pensar em várias ao mesmo tempo.

Mito #3: Procrastinar é sempre ruim

O “fantasma da procrastinação” está à espreita de praticamente todo mundo, seja de quem “gosta de trabalhar sob pressão”, seja de quem simplesmente tem dificuldade em fazer as coisas com antecedência. O problema é que combater esse fenômeno a todo custo pode levar a pessoa a desvalorizar os momentos de descanso, como se cada minuto “improdutivo” fosse, necessariamente, um desperdício de tempo.

De acordo com um artigo publicado em 2009 no Journal of Neuroscience, “sonhar acordado” (algo típico de momentos de procrastinação) é saudável e pode ajudar a pessoa a aumentar o foco na hora de voltar ao trabalho. Outro estudo, feito em 2011 por pesquisadores da Universidade de Limerick (Irlanda), mostrou que o tédio (um “primo” da procrastinação), além de ser um estado mental saudável e normal, pode impulsionar interações sociais positivas.

Dependendo do momento, procrastinar pode ser justamente uma estratégia para aumentar sua produtividade – mas nada de abusar.

Mito #4: Para ser produtivo, é preciso ter um ambiente de trabalho limpo e organizado

Vamos com calma nesse aqui: existem estudos que dão suporte a locais de trabalho organizados como estratégia de produtividade, e estudos que mostram que a “bagunça” pode ser benéfica. O segredo, no caso, é descobrir o que funciona para você. Uma mesa cheia de coisas tira sua concentração? Organize-a. Excesso de ordem faz com que você se sinta “preso”, sem espaço para criatividade? Bagunce-a na medida em que julgar certa.

Mito #5: Produtividade é sinônimo de “fazer muitas coisas”

Embora não haja estudos específicos para contrariá-lo, esse mito pode ser combatido pelas evidências mostradas nos estudos citados acima. Não adianta ter um monte de “resultados” no final de um dia de trabalho, se o trabalho não tiver sido bem-feito – e é difícil fazer as coisas direito quando não se mantém o foco em uma tarefa de cada vez, ou quando se ignora a necessidade que o corpo e a mente têm de descansar de vez em quando.

Além disso, uma carga de trabalho elevada não garante que sua disposição para lidar com ela será igualmente grande (e quem já passou horas a fio trabalhando em uma tarefa sabe que força de vontade tem limites).

No fim das contas, seu conjunto de métodos para se manter produtivo deve ajudar você a fazer as coisas bem e em menos tempo, e isso envolve um olhar atento aos próprios limites e à própria personalidade – afinal, nem todo mundo pensa da mesma forma, e uma estratégia que funciona para uma pessoa não necessariamente vai funcionar para outra.

Abaixo a repressão

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Por Rosana Hermann, no Querido Leitor

Em todas as homepages, todas as capas dos principais jornais do país, vemos imagens do que está acontecendo em grandes capitais como São Paulo e Rio. Falarei sobre São Paulo, cidade onde vivo. E tentarei ser o mais justa e clara que conseguir. Porque se tem uma coisa que não podemos mais tolerar no Brasil (e no mundo) é a falta de clareza e a falta de justiça.

Estudei na USP nos anos 70. Vivi uma parte da repressão. Fui na missa do Herzog, vivi uma pequena parte do grande absursdo que foi a Ditadura Militar, participei de manifestações, fugi de polícia.

Vivi também a sensação de, ao mesmo tempo que condenava a ditadura assassina, sentir lampejos de ser filha de militar da aeronáutica, que nada tinha a ver com o exército ou os abusos, mas usava farda e representava o poder, ainda que involuntariamente e, por isso, era vista eventualmente com maus olhos. Mas não estou aqui falando de meus problemas, estou falando do Brasil.

O confronto com a polícia, a ideia de enfrentar o abuso do autoritarismo sempre existiu. Porque a polícia é sinônimo de ‘autoridade’ e toda autoridade quer impor seu poder pela força. Está errado, não faz sentido, não podemos admitir mas, infelizmente, é o que vem acontecendo há muito, muito tempo.

A polícia, aliás, é um assunto contraditório na vida de todos nós. Porque precisamos dela para manter a segurança pública e nos defender dos crimes, porque pagamos para que ela nos defenda e, quando vamos nos manifestar ela se volta contra nós, seus patrões. Ter uma polícia mal-paga, corrompida, com elementos despreparados, cruéis, guiados por ordens estúpidas, é como nascer num lar onde os mesmos pais que deveriam proteger acabam abusando dos filhos. Isso não só é inaceitável como é uma covardia. Não que a população seja criança, nada disso, mas a ‘autoridade’ despreparada acaba fazendo isso: reprime.

O que vimos ontem aqui em São Paulo, documentado em fotos, textos e vídeos, foi chocante. A manifestação poderia ter sido linda, porque há muitos anos não vemos a população com coragem para sair às ruas e se manifestar, não só um direito da democracia mas quase um dever do cidadão de não ser um zumbi calado, ainda mais em tempos de redes sociais sempre acusadas de promover a revolução inanimada de sofá. Pois milhares de pessoas de todas as vertentes ideológicas e por diferentes motivos, aglutinadas pelo gatilho do aumento da passagem, resolveram botar pra fora toda a indignação com o acúmulo de erros que nos destroem dia a dia. O transporte público indecente, que coloca todo mundo em situação indigna, a falta de segurança que nos rouba, corta, estupra e mata. O sistema de saúde que trata médicos e pacientes como chorume, que deixa gente morrer na fila, com filas de espera que subtraem chance de vida de tantos brasileiros.

A manifestação não é por nada, é por tudo. Os vinte centavos já se tornaram simbólicos, como as árvores do parque Gezi em Istambul. Já não queremos mais uma tarifa menor ou árvores preservadas, nós, enquanto humanos, estamos de saco cheio de ver a beleza do progresso, da tecnologia, que nunca chega até o sistema de gestão do governo. Por que não podemos ter política moderna, gente moderna, pensamento aberto, governo humanizado e competente?

Nas imagens que vimos e vivemos ontem vimos um grupo de policiais bem armados e mal comandados, em número grande e preparo pequeno, atirando em homens, mulheres, jornalistas, estudantes. A Global Voice condenou, a população condenou, a parte sã da mídia condenou e até o prefeito Haddad parece ter condenado a ação da polícia. Dá pra saber agora quem foi que mandou a policia agir assim ou vamos continuar com a farsa eterna reproduzida recentemente no caso do assassinato de 111 presos no Carandiru, quando ninguém deu a ordem de atirar e os culpados acabam sendo ‘o sistema’ e os mortos?

Sim, senhores e senhoras, queridos leitores, há policiais feridos também e eles também são pais, maridos, irmãos, vizinhos e amigos de muita gente que estava na rua. Como eu, há filhos e parentes de policiais. Os filhos também querem que seus pais que são policiais voltem pra casa. E é confuso ver um mesmo policial que um dia nos salva e no outro nos ataca. Grande parte da população está confusa, assustada e quase não sabe nem de que lado ficar, de tão perdida. Porque entre os manifestantes também há quem esteja lá para destruir e depredar.

O que sobre hoje é uma visão do inferno, campo de guerra, de lixeiras destruidas, lixo no chão, depredação e isso parece contar contra a população que foi reprimida. Mas olhar o lixo, como vi ontem e ver ‘vandalismo’ é fechar os olhos e a mente para compreender que uma lixeira pode ter sido o escudo que salvou alguém de ficar cego com um tiro de borracha.

Quando o cidadão tem que usar lixo como trincheira para não ser atacado porque está exercendo seu direito de manifestação, tem algo muito errado e não é com a COMLURB.

Lutamos muito, lutamos sempre e chegou a hora de olhar para tudo, sem medo, com justiça e clareza e ver o que está acontecendo com todos os envolvidos. E descobrir de onde emanam as ordens. E a quem interessa o caos. E como se cobrem os eventos. VAmos discutir tudo, mídia, poder, governo, leis, direitos e nossa ação cidadã.

Amigos, a luta nunca parou.
A luta sempre continua.
Abaixo a repressão.