Marina pede orações contra ‘marketing selvagem’

Em encontro com educadores católicos, candidata do PSB disse que argumentos não bastam contra ataques de Dilma Rousseff

Marina durante campanha em Brasília (foto: Reuters)
Marina durante campanha em Brasília (foto: Reuters)

Gabriel Castro, na Veja on-line

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, fez um apelo contra o “marketing selvagem” que tem sido vítima na campanha eleitoral. Em encontro com educadores católicos, nesta segunda-feira, em Brasília, ela pediu a eles que roguem a Deus para que o povo tenha “discernimento”.

“Estão dizendo aí que eu vou acabar com tudo e ainda vou acabar com o resto”, disse ela, que afirmou não haver como responder aos ataques com argumentos. “Como vocês são pessoas de fé: contra o marketing selvagem, não vale argumento, só discernimento. Então peçam a Deus pelo discernimento do povo brasileiro”, afirmou.

Depois, a candidata fez uma lista daquilo que, direta ou indiretamente, o PT a acusou de ameaçar: “Não dá para acreditar que uma pessoa possa acabar com o pré-sal, o Prouni, o Fies, o Pronatec, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, o décimo-terceiro, as férias, privatizar a Petrobras, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil. Se uma pessoa pode fazer isso, é porque nós temos um país que é o que, de papel? Isso fere o bom senso, a inteligência dos brasileiros”, disse ela.

O uso de ataques contra Marina Silva e Aécio Neves tem sido frequente pela campanha da presidente Dilma Rousseff. Somente na última semana, além de manter o repertório tradicional, a petista insinuou que a adversária poderia mexer nos benefícios trabalhistas e acabar com o Bolsa Família.

O fórum que participou nesta segunda-feira foi organizado pela Associação Nacional da Educação Católica (Anec). Os outros candidatos não compareceram ao evento; eles foram representados por emissários de suas campanhas. Em seu discurso, Marina lembrou as dificuldades que teve para se alfabetizar, aos 16 anos, e depois, quando vivia em um internato de freiras e precisava estudar durante a madrugada, escondida, para poder acompanhar o ritmo das aulas.

A candidata também defendeu a possibilidade de alunos carentes que estudaram em colégios particulares por meio de bolsas de estudo também possam participar do Prouni, o programa do governo federal que beneficia alunos oriundos de escolas públicas.

Em entrevista após o encontro, ela também criticou o uso do Palácio da Alvorada para a gravação de imagens ou entrevistas de conteúdo eleitoral. “O problema da reeleição é exatamente esse: o de criar uma confusão entre o uso institucional para o exercício da função e o uso dos meios e equipamentos que são do Estado para a campanha. Essa é uma ambiguidade que será resolvida com o fim da reeleição”, disse ela, que promete não disputar um segundo mandato se for eleita.

 

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A internet vai acabar com a sua fé?

Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

A popularização do uso da internet é uma das principais causas para a diminuição vertiginosa da religiosidade dos americanos dos anos 1990 para cá.

Ou ao menos é o que diz uma nova pesquisa, divulgada pela “Technology Review”, revista do MIT, e enviada para este escriba por Rafael Garcia, o homem mais gato do jornalismo científico brasileiro e autor do blog “Teoria de Tudo” nesta Folha, o qual, além de ser másculo, pai de família e grande repórter, também faz às vezes de meu pauteiro de quando em quando. Será que tem a ver mesmo?

Bem, vamos aos fatos. Primeiro, uma olhada rápida no gráfico abaixo.

religioTraduzindo rapidinho no texto mesmo (já que eu faltei da aula de Photoshop), o gráfico de cima mostra a evolução da porcentagem de usuários da web na população americana de 1990 a 2010. O de baixo mostra a porcentagem de pessoas “não afiliadas” — ou seja, que declaram não pertencer a nenhuma igreja ou grupo religioso específico.

Note bem: isso NÃO significa que quase 20% dos americanos eram ateus ou agnósticos em 2010. Significa, isso sim, que eles não se identificavam como pertencentes a nenhum grupo religioso em especial. Boa parte dessa galera provavelmente diria que acredita em Deus, ou até em Jesus.

Beleza, adiante então. Na pesquisa — que ainda não foi publicada, mas pode ser acessada publicamente no diretório online arXiv clicando aqui –, o cientista da computação Allen Downey, da Faculdade Olin de Engenharia (Massachusetts, EUA), usou dados demográficos americanos para tentar achar correlações entre vários fatores, entre eles o nível educacional, a criação religiosa no âmbito familiar e, claro, o uso da internet.

O que a pesquisa fez, portanto, foi basicamente usar métodos estatísticos para ver quais fatores variavam juntos — ou seja, a probabilidade de mudanças num deles estarem associadas a mudanças em outro.

O trabalho mostrou — o que, aliás, não é nada surpreendente — que há uma correlação entre ser criado numa família que segue determinada tradição religiosa e acabar seguindo essa religião quando adulto. Tanto que, como hoje há mais pessoas não recebendo esse tipo de criação nos EUA, isso parece ter influenciado o aumento de “não afiliados”. Do ponto de vista estatístico, esse fator responderia por 25% desse aumento (ou da queda no número de religiosos tradicionais, tanto faz).

Também houve um aumento do número de pessoas com formação universitária — de 17% nos anos 1980 para 27% nos anos 2000 –, o qual, estatisticamente, também poderia explicar 5% do aumento de “não afiliados”.

As mesmas técnicas estatísticas, porém, também indicam a correlação entre “desafiliação” religiosa e uso da internet, uma das variáveis que mais brutalmente mudou de 1990 para cá, como a gente está careca de saber. A variável explicaria 25% das alterações de “religioso” para “não afiliado”.

Beleza. Agora repetida comigo, bem devagar, o mantra mais importante já inventado desde “Auuuuum”, que é o seguinte: correlação não é causação. Correlação não é causação. Mais mil vezes, por favor.

Falando sério, esse mantra é importantíssimo porque o fato de duas coisas “co-variarem” (variarem juntas) muitas vezes não significa que uma seja a causa da outra. Pode haver uma terceira causa aí no meio. E é preciso achar um mecanismo conectando os dois fatores caso você queira mesmo provar que um causa o outro.

Allen Downey propõe que a internet permitiu que pessoas de meios religiosos mais fechados pudessem ter contato com pessoas e informações fora de seu círculo, facilitando que eles deixassem de lado sua visão tradicional sobre temas de fé. É bastante razoável, mas difícil de provar, e longe de estar provado, claro.

Um “experimento natural” interessante pode acontecer aqui mesmo no Brasil, aliás. Hoje, dependendo de como se faz a conta, temos entre um terço e metade da população usando internet, e apenas uns 8% — no máximo — de “não afiliados”. Conforme o uso da web se universaliza por aqui, como se deu nos EUA, vai ser interessante descobrir se a tese do pesquisador continua de pé.

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O novo abolicionismo: bilionário australiano quer acabar com a escravidão no mundo

O magnata da mineração Andrew Forrest quer riscar a exploração do trabalho forçado ou degradante dos cantos mais escuros do planeta. O primeiro fruto de sua iniciativa é um indicador inédito de prevalência de escravidão para 162 países. É uma boa causa – e um bom verniz para a imagem do filantropo

O magnata da mineração Andrew Forrest: 300 milhões de dólares em filantropia (foto: Mark Nolan/Getty Images)
O magnata da mineração Andrew Forrest: 300 milhões de dólares em filantropia (foto: Mark Nolan/Getty Images)

Daniel Jelin, na Veja on-line

O australiano Andrew Forrest, de 51 anos, é um filantropo compulsivo. Tendo feito fortuna com mineração nos primeiros anos do século XXI, prometeu torrar a maior parte dela com as mais variadas causas: aborígenes, crianças desamparadas, vítimas de desastres naturais, sem-teto, desempregados, jovens vulneráveis, um museu e as cinco universidades do seu Estado (Austrália Ocidental), o Exército da Salvação etc. Nas contas do jornalista Andrew Burrell, ele já gastou mais de 300 milhões de dólares. Há muito mais para queimar: seu atual patrimônio é 5,7 bilhões, o que faz dele o 4º mais rico da Austrália e 211º do mundo, segundo o ranking da revista Forbes.

Em Twiggy: The High-Stakes Life of Andrew Forrest (“Twiggy: A vida de altas apostas de Andrew Forrest”, ao pé da letra), lançado nesta semana, Burrell sonda as razões que levaram Twiggy, como o empresário foi apelidado, a se lançar na empreitada de salvar o mundo: a devoção religiosa, o desejo de reconhecimento, “culpa de bilionário”, descontos no imposto de renda, reconstrução da imagem, ensaio para entrar na política e até a intenção de livrar os filhos do “fardo” de uma herança colossal. Pode ser tudo isso. Twiggy não deu satisfação a Burrell. É uma biografia não-autorizada, e o bilionário teve de se conformar em ser chamado de “filantropo que faz qualquer coisa por um dólar” e de ver revelados segredos de família que chocariam nossos ídolos da MPB, como a de que sua mãe, ao saber da gravidez, passou uma semana saltitando sobre o cavalo para provocar um aborto.

De causa em causa, Forrest acabou mirando o combate ao trabalho escravo. O australiano quer riscar a servidão do planeta. Em 2012, ele criou a ONG Walk Free, injetou nela 8 milhões de dólares, mais doze milhões em 2013, e aliou-se ao mais famoso dos neoabolicionistas, o americano Kevin Bales. Misto de cientista social e ativista, Bales viaja o mundo estudando as variantes do trabalho escravo — ou práticas análogas — e tomando parte nos esforços para libertar suas vítimas. Bales sabe lidar com números e ajudou a compor o primeiro indicador global da escravidão, uma louvável tentativa de fixar parâmetros para acompanhar avanços e retrocessos no combate a ela. “Não é possível resolver um problema que você não consegue medir”, diz o pesquisador.

O primeiro fruto da Walk Free, lançado em outubro, é um mapeamento da exploração da mão-de-obra em 162 países do mundo. Sem surpresa, o relatório atesta a correlação entre servidão e uma série de indicadores, como pobreza, desenvolvimento humano (IDH) e corrupção. O dado assombroso: nenhum país do mundo está livre da vergonha. Os dez casos mais graves: Mauritânia, Haiti, Paquistão, Índia, Nepal, Moldávia, Benin, Costa do Marfim, Gâmbia e Gabão. Os dez menos: Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Noruega, Suécia, Suíça, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Irlanda e, o país mais seguro, Islândia. Total no mundo: 29,8 milhões de escravos (2,8 milhões a mais que a estimativa preliminar de Bales), o equivalente à soma das seis cidades mais populosas do Brasil. Ou uma em cada 239 pessoas no planeta.

O relatório cuida do que se convencionou chamar trabalho escravo contemporâneo, ou moderno, que pode ser tão ou mais cruel que sua versão histórica, mas dela difere radicalmente quanto ao recrutamento. Em geral, suas vítimas entregam-se voluntariamente ao serviço, ludibriadas por uma pergunta singela e tentadora: “Quer o emprego?”.

Os estudos de caso ilustram bem as principais modalidades de exploração. Na Mauritânia, o campeão disparado em prevalência de escravidão, os pesquisadores relatam a existência ainda hoje de cativos à moda das antigas sociedades escravagistas. Podem ser vendidos, alugados ou emprestados, como qualquer bem material. No Haiti, a servidão tem suas raízes na prática do “restavek” (do francês “rest avec”, ficar com), pela qual uma criança é entregue pelos próprios pais a uma família mais rica, que eventualmente a fará trabalhar sem receber salário. No Paquistão, a forma mais comum de trabalho forçado é a chamada servidão por dívida, pela qual o empregado fica amarrado ao empregador por um débito forjado que nunca consegue saldar. A Índia abriga praticamente todas as formas de escravidão, incluindo a exploração do trabalho infantil, casamentos forçados e até escravidão hereditária. A Moldávia é grande exportadora de mão-de-obra, em particular para a indústria do sexo e o setor da construção da Ucrânia e Rússia. Na Gâmbia, a escravidão moderna tem a forma da mendicância forçada, tendo crianças como principais vítimas. O Gabão, país relativamente estável entre seus vizinhos, é um grande importador de escravos, a maioria para servidão doméstica e exploração sexual. Confira no infográfico abaixo.

A ONG australiana Walk Free publica pela primeira vez seu Índice Global de Escravidão, que reúne dados de 162 países. Confira abaixo o índice de escravidão (de 0 a 100) de cada país, sua posição no ranking e o total de escravos estimados (Clique para ampliar)
A ONG australiana Walk Free publica pela primeira vez seu Índice Global de Escravidão, que reúne dados de 162 países. Confira abaixo o índice de escravidão (de 0 a 100) de cada país, sua posição no ranking e o total de escravos estimados (Clique para ampliar)

O caso brasileiro – O Brasil aparece na 94ª posição desse ranking da vergonha, com algo entre 200 000 e 220 000 vítimas. Medições anteriores variaram de 25 000 a 400 000.  Nenhuma delas é endossada pelo governo — ou por acadêmicos brasileiros. O Ministério do Trabalho contabiliza 44.415 trabalhadores resgatados desde 1995, 2.750 no ano passado, com o Pará à frente. A lista negra de empregadores, atualizada em outubro, conta com 490 nomes, a maioria em áreas rurais. Há cerca de 1.000 ações ajuizadas na Justiça Federal, tendo por base os quatro elementos que caracterizam “condições análogas à de escravo”, segundo artigo do Código Penal, cuja redação completa dez anos em 2013: trabalho forçado, condições degradantes, jornada exaustiva e servidão por dívida. Segundo o coordenador nacional de erradicação do trabalho escravo do Ministério Público do Trabalho, Jonas Ratier Moreno, os casos mais comuns são de trabalho degradante, especialmente nas áreas rurais.

O relatório da Walk Free elogia o combate à escravidão no Brasil, assim como a própria ONU, por meio de sua relatora sobre o assunto, a advogada armênia Gulnara Shahinian. É uma política que começou no governo Fernando Henrique, ganhou importantes marcos legais nos anos Lula e pode ganhar mais um no de Dilma Rousseff. Trata-se da chamada PEC do trabalho escravo, que estende às propriedades onde ele é explorado a mesma punição prevista na Carta de 1988 para os donos de terras destinadas à cultura de drogas: expropriação. Essencialmente, é uma sanção a mais para um delito já punido na esfera penal com 2 a 8 anos de prisão, além de multa. A emenda foi proposta originalmente em 1999, mas logo empacou entre duas paranoias: a de ruralistas, temerosos de que o mero descumprimento de uma norma trabalhista se prestasse a confiscos sumários, e a da extrema esquerda, ansiosa por converter a emenda em instrumento de pressão contra a propriedade privada e o agronegócio.

A PEC levou onze anos para ser aprovada pela Câmara — e ainda assim sob a expectativa de que os senadores mexessem no texto, que então teria de ser devolvido ao exame dos deputados. Ao relatar a matéria, contudo, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) defendeu a aprovação do texto tal qual encaminhado pelos deputados, criticou a “comédia de erros” encenada na Câmara e expressou a necessidade de um projeto de lei que o regulamente, garantindo segurança jurídica. Para destravar de vez a matéria, propôs uma tramitação heterodoxa: a regulamentação seria desenhada previamente, para que seja votada junto com a emenda. A sugestão foi aceita.

O desenho desse projeto de lei começou pela Comissão Mista de Consolidação de Leis e de Dispositivos Constitucionais do Congresso. O senador conta que há duas questões mais delicadas para tratar em lei.

Uma é a definição do fórum competente para as ações: a Justiça Comum, segundo a lei processual civil, com a garantia de que a punição só seja aplicada após o trânsito em julgado da sentença. “Escravidão não é matéria trabalhista”, diz o tucano.

O outro é a questão da “jornada exaustiva”, que ele defende que fique de fora do texto final, contra a opinião de governistas e promotores. “O trabalho não pode ser coercitivo, nem degradante”, diz o senador. “Mas a expressão ‘jornada exaustiva’ é muito subjetiva. Hora extra é exaustivo? A Justiça vai analisar em que momento uma jornada passa de exaustiva a degradante.”

Entre as hipóteses esboçadas de trabalho escravo, estão: “a submissão a trabalho forçado, exigido sob ameaça de punição (…)”, “o cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador (…)”, “a manutenção de vigilância ostensiva ou a apropriação de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo (…)” e “a restrição, por qualquer meio, da locomoção do trabalhador em razão de dívida (…)”. Uma minuta do projeto foi aprovada no dia 17 e tomou a forma de projeto de lei, em tramitação no Senado. O tucano acredita que a matéria pode ser votada ainda em 2013.

Manifestação dos defensores do fim da escravidão, em Londres, em 1841
Manifestação dos defensores do fim da escravidão, em Londres, em 1841

A revolução moral – Evidentemente, a PEC do trabalho escravo não pode sozinha acabar com a exploração. A escravidão é lucrativa para o empregador (32 bilhões de dólares ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho), e sua isca ainda exerce grande atração sobre populações vulneráveis. Friamente, é uma forma do chamado dumping social. “Não se escravizam pessoas para fazê-las sofrer. É para lucrar. É um crime econômico”, recita Bales, em palestras mundo afora. Por isso, tão efetivo quanto a definição — e aplicação — de marcos legais, é a mobilização de empresas para que risquem de sua cadeia produtiva os elos suspeitos. É o que já fizeram 442 companhias brasileiras, incluindo 12 das 20 maiores, ao assinar o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

A causa da abolição é antiga, mas foi só no início do século XIX que virou um imperativo moral. Começou pela Inglaterra, maior potência à época. Ao contrário do que pregam certas cartilhas escolares, não foram os “interesses econômicos” que mobilizaram os britânicos. Embora fosse possível adivinhar os benefícios do trabalho livre, até os mais engajados abolicionistas admitiam prejuízos imediatos. As campanhas foram detonadas justamente quando o preço dos cativos caía e o dos bens por eles produzidos subia. Quer dizer, tanto pelo lado da demanda como pelo da oferta, a escravidão prometia valorizar ainda mais a empresa colonial britânica, como explica o filósofo inglês Kwane Anhtony Appiah em O Código de Honra: Como Ocorrem as Revolução Morais (Companhia das Letras, 256 páginas, tradução de Denise Bottmann). Como sentenciou Benjamin Disraeli, o aristocrata que se tornou duas vezes primeiro-ministro da Inglaterra vitoriana: “O movimento da classe média pela abolição da escravatura era virtuoso, mas não era sábio.”

Se não pelo dinheiro, o que moveu os abolicionistas? Em sua teoria da honra, Appiah defende que não foram necessários novos argumentos para convencer as pessoas da natureza infame da escravidão. O que inspirou o abolicionismo foram as novas ideias de respeito e honra que então floresciam, na esteira das transformações por que a Europa passava, e a que hoje damos o nome de dignidade. Foi, em resumo, uma revolução moral, que ao longo dos tempos alcançaria praticamente todo o planeta. Claro, onde faltou convicção, valeu a disposição da potência britânica, por meio de leis como o Bill Aberdeen, que em 1845 autorizou a Marinha a interceptar navios negreiros em qualquer ponto do Atlântico.

Um medalhão que os abolicionistas britânicos fizeram circular à época trazia a imagem de um escravo acorrentado, de joelhos, e a inscrição: “Não sou um homem e um irmão?”. A peça foi patrocinada pelo magnata Josiah Wedgwood, que fez fortuna com a indústria da cerâmica (em benefício, a propósito, de seu neto famoso, o naturalista Charles Darwin). Diz Appiah que a campanha abolicionista foi também uma chance para os novos ricos demonstrarem orgulho de suas posições cívicas. Wedgwood agarrou-se à oportunidade, como Forrest parece agora fazer, quase dois séculos depois. É possível que, no fim, o investimento seja mais sábio que virtuoso, como especula o biógrafo do magnata australiano. Não importa. Se tiver o condão de riscar a escravidão dos cantos mais escuros do planta, é legítimo que faça o bom nome do filantropo.

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Para renovar com R.R. Soares, Band quer mais de R$ 10 milhões por mês

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Ricardo Feltrin, no UOL

Pelo sexto ano consecutivo, a Band usa a mesma estratégia para tirar mais dinheiro do pastor R.R.Soares, para renovar o contrato de venda de horário de programação. O líder da Igreja Internacional da Graça já paga hoje cerca de R$ 8 milhões para ter 60 minutos em horário nobre diariamente. Segundo Ooops! apurou, a emissora quer subir esse valor agora para pelo menos R$ 10 milhões.

A Band, como faz todos os anos, prepara este ano uma convenção com todas as afiliadas. Assim como nos seis anos anteriores, o “rumor” de que a rede não vai renovar com Soares ocorre exatamente dias antes da convenção. Para efeitos de comparação, em 2008 Soares pagava cerca de R$ 4 milhões pelo “aluguel” do canal. Ou seja, teve o preço inflacionado em cerca de 100% desde então.

Outro elemento de pressão que a Band tem na manga é o fato de a Igreja Mundial, de Valdemiro Santiago, também estar de olho gordo em cima do horário hoje ocupado pela Igreja Internacional da Graça.

Comparativamente, Santiago paga hoje cerca de R$ 20 milhões por mês à Band pelo arrendamento das madrugadas da emissora (aberta, em VHF) e mais o arrendamento total do seu canal UHF (canal 21). Ou seja, seu custo é muito menor (em relação ao número de horas compradas) do que o de Soares, que vem a ser cunhado de Edir Macedo.

repetindo o raciocínio que incluí no meu livro, vamos fazer algumas contas:

Em um ano (2009), a Visão Mundial investiu 27.600.000 e beneficiou direta e indiretamente 3.320.000 pessoas, transformando radicalmente a vida delas.

Somando o que Mundial e Internacional da Graça pagam à Band, temos R$ 360 milhões, valor suficiente para alcançar 44 milhões de pessoas em 1 ano.

Pra lembrar: em 2 anos os programas sociais do governo retiraram 22 milhões de brasileiros da condição de “pobreza extrema”.

Resumo: os recursos investidos por R.R. Soares eValdemiro na Band são suficientes para acabar com a pobreza extrema do Brasil em apenas alguns meses.

Minha dica: curta a fan page da Visão Mundial, conheça e se envolva com esse trabalho lindo que tem proporcionado a milhares de brasileiros 1 mundo melhor. Aqui e agora.

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Mundo não acabará no dia 21, diz o Vaticano

O fim do mundo em 21/12/12

Reverendo José Funes disse em artigo que ‘não vale nem a pena discutir os fundamentos científicos dessas afirmações’, que estão sendo divulgadas na internet

Pulicado originalmente no Estadão

O reverendo José Funes, astrônomo mais graduado do Vaticano, disse nesta terça-feira, 11, que o mundo não acabará no dia 21, apesar das supostas previsões feitas pelos maias. Funes escreveu um artigo ao jornal L”Osservatore Romano, do Vaticano, no qual disse que “não vale nem a pena discutir os fundamentos científicos dessas afirmações (obviamente falsas)”, que estão sendo divulgadas na internet. O título do artigo é “O Apocalipse que não virá (pelo menos, por enquanto)”.

Funes disse que o universo está em expansão e que, se os modelos são corretos, em um ponto o universo sofrerá uma ruptura, mas isso poderá acontecer bilhões de anos no futuro. Segundo ele, mesmo assim os verdadeiros cristãos acreditam que “a morte nunca é a última palavra”. O calendário feito pelos maias, cuja contagem começou em 3.114 a.C., marca períodos de 394 anos, chamados de baktun. Os maias escreveram que o “significativo” 13º baktun acaba em 21 de dezembro.

As informações são da Associated Press.

imagem: Internet

dica do Rodrigo Bibo

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