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As capitais mais (e menos) evangélicas do Brasil

Stock.xchng

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Marcos Prates, na Exame

Não é novidade para ninguém que nenhuma religião se expande a ritmo tão acelerado quanto a evangélica no Brasil, apesar do país ainda ser a maior nação católica do mundo em termos absolutos (123 milhões – 64,6% da população).

Hoje, 42,3 milhões de pessoas – 22,2% da população brasileira, segundo o Censo 2010, do IBGE – são evangélicas. Dez anos antes, 15,4% dos cidadãos se declaravam da religião.

Mas se nacionalmente 2 em cada 10 brasileiros são evangélicos, em algumas capitais, o números aumenta para 4. Em outras, é apenas um.

São Paulo tem mais evangélicos que qualquer outra cidade do Brasil, 2,3 milhões, mas em termos percentuais fica longe de Rio Branco (AC), onde a presença de católicos e evangélicos é quase igual.

O segmento mais numeroso da religião evangélica são os pentecostais, sob a liderença da Assembleia de Deus, com 12 milhões de fieis. Entre as de Missão, a Batista lidera, com 3,7 milhões de pessoas.

dica do Raphael S. Lapa

Confira as 5 capitais com maior percentual de evangélicos e as 3 com menor presença. A lista completa pode ser acessada aqui.

Agência de Notícias do Acre

Agência de Notícias do Acre

1ª Rio Branco (AC) – 39,54%

Evangélicos: 39,54% (120,8 mil pessoas)
Católicos: 40,44%
Espíritas: 1,02%
Umbanda e Candomblé: 0,05%
Outras: 3,25%
Sem religião: 15,51% 

Elide Pinheiro/Flickr/Creative Commons

Elide Pinheiro/Flickr/Creative Commons

2ª Manaus (AM) – 35,19%

Evangélicos: 35,19% (577,2 mil pessoas)
Católicos: 54,1%
Espíritas: 0,76%
Umbanda e Candomblé: 0,09%
Outras: 3,02%
Sem religião: 6,74%

Divulgação

Divulgação

3ª Palmas (TO) – 32,77%

Evangélicos: 32,7% (68.189 mil pessoas)
Católicos: 54,56%
Espíritas: 1,84%
Umbanda e Candomblé: 0,02%
Outras: 3,18%
Sem religião: 7,79%

Luiz Alexandre/Flickr/Creative Commons

Luiz Alexandre/Flickr/Creative Commons

4ª Porto Velho (RO) – 32,16%

Evangélicos: 32,16% (126,4 mil pessoas)
Católicos: 48,75%
Espíritas: 1,16%
Umbanda e Candomblé: 0,11%
Outras: 3,26%
Sem religião:13,75 %

Andre Oliveira/Flickr/Creative Commons

Andre Oliveira/Flickr/Creative Commons

5ª Boa Vista (RR) – 32,09%

Evangélicos: 32,09% (82.624 mil pessoas)
Católicos: 46,96%
Espíritas: 3,62%
Umbanda e Candomblé: 0,15%
Outras: 4,27%
Sem religião: 14,89%

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

25ª Teresina (PI) – 13,25%

Evangélicos: 13,25% (100 mil pessoas)
Católicos: 79,13%
Espíritas: 0,88%
Umbanda e Candomblé: 0,15%
Outras: 2,06%
Sem religião: 4,4%

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

26ª Florianópolis (SC) – 12,81%

Evangélicos:12,81% (50,9 mil pessoas)
Católicos: 63,68%
Espíritas: 7,48% (maior do Brasil)
Umbanda e Candomblé: 0,66%
Outras: 3,39%
Sem religião: 11,76%

Wikimedia Commons

Wikimedia Commons

27ª Porto Alegre (RS) – 11,65%

Evangélicos: 11,65% (155 mil pessoas)
Católicos: 63,85%
Espíritas: 7,03%
Umbanda e Candomblé: 3,35% (maior do Brasil)
Outras: 3,64%
Sem religião: 10,38%

Marcus Alexandre (PT) realiza sonho dos crentes e vira o primeiro prefeito evangélico da história de Rio Branco

Luciano Tavares, no AC24Horas

Há pouco mais de um mês, o prefeito eleito e diplomado Marcus Alexandre passou a freqüentar junto com sua esposa Gicelia Viana a Igreja Batista do Bosque, liderada pelo Pastor Agostinho.

Quem é membro da IBB garante que o petista se tornou um evangélico fervoroso.

Mas ele é cauteloso: “estou freqüentando” disse Marcus Alexandre à reportagem.

A prova de que Marcus Alexandre se apegou de vez com a religião se mostrou durante a cerimônia de diplomação dos eleitos na noite desta terça-feira, 11, no teatro da Ufac. O petista protagonizou uma cena curiosa. Na introdução do hino acreano, quando todos em pé começaram a cantar, o petista que estava ao lado de sua esposa e do comunista Márcio Batista, seu vice, abaixou a cabeça e por cerca de um minuto fez uma oração em voz baixa, para depois entoar o hino.

Marcus Alexandre durante sua campanha para prefeito fez amizades com vários pastores. Mas sua ligação maior sempre foi com Agostinho e Jamyl Asfuy, deputado do PEN e Pastor da rede de casais da IBB.

O petista tinha até um comitê evangélico denominado “comitê da família”, que era coordenado por Asfury.

“Ele, a gente, todos nós precisamos mesmo se apegar com Deus”, disse um assessor de Marcus Alexandre.

E se esse era o sonho dos crentes, se realizou: Marcus Alexandre será o primeiro prefeito de Rio Branco da história com confissão evangélica. E com outra curiosidade quase controversa: um petista crente.

Todos os cânticos

Japiim

Marina Silva

Na semana passada, no Acre, participei de seminário sobre o combate à corrupção promovido pelo Ministério Público. Lá, como em todo o país, há grande interesse no julgamento do “mensalão”, frustração com os poucos resultados da CPI do Cachoeira e um irritado desânimo com a persistência da corrupção, enraizada no sistema político.

Depois, fui ao centro de formação da Comissão Pró-Índio encontrar agentes agroflorestais, artesãs e professores dos povos que habitam os altos rios, reunidos num fórum sobre agrobiodiversidade e mudanças climáticas. Impressionou-me o contraste entre este Brasil profundo, da floresta e de seus povos, e o Brasil da superfície, que teima em alargar sobre o primeiro o alcance de suas intermináveis fronteiras.

Nesta semana, ocorreu mais um massacre de índios ianomâmis por garimpeiros brasileiros na Venezuela. Outra tragédia soma-se aos assassinatos constantes de índios, sobretudo dos guaranis-caiovás, que enfrentam um genocídio consentido em Mato Grosso do Sul.

Se o Brasil do poder e do dinheiro fosse apenas indiferente ao destino dos povos indígenas, já seria indício de uma patologia. Mas criar leis que limitam a demarcação de suas terras e ameaçam as já demarcadas, liberar as obras de Belo Monte sem ouvir as comunidades locais e deixar impunes os que matam os índios e invadem suas terras demonstram mais do que insensibilidade, gozo na destruição.

A fronteira extrativista promoveu massacres. Uma segunda expansão, iniciada na ditadura militar, devastou territórios de índios e dos extrativistas remanescentes da fase anterior. Agora, a expansão desenvolvimentista reedita o extermínio. A barbárie disfarçada de progresso junta extrativistas, quilombolas, pequenos agricultores e comunidades pobres na mesma tragédia dos deserdados da civilização.

No Acre, o encontro indígena terminou com uma troca de sementes. Cada um trouxe amostras de legumes e frutas que seu povo cultiva desde tempos imemoriais. Estenderam no chão a riqueza de cores e texturas da soberania alimentar e da autonomia que conseguiram conservar em 500 anos de resistência.

Depois cantaram e dançaram seguindo os passos e a voz de um pajé. Aquele homem de olhinhos miúdos entoando sutis melodias no idioma de seus ancestrais lembrou-me a figura de um pássaro. Perguntei, tentando ser diplomática, se ele se identificava com alguma espécie da floresta. Disse-me que seu nome é o mesmo do japiim, porque, como o pássaro, é capaz de aprender as cantigas de todos os outros.

Até quando vamos continuar eliminando a saudável variedade dos cânticos pelo som monocórdico da mesma e repetida cantiga?

via Folha de S.Paulo

foto: Octavio Campos Salles [via Olhares]

Cheio até a tampa

Marina Silva

Tenho tentado ajudar familiares e conterrâneos numa situação dramática que hoje vou ver de perto: a enchente do rio Acre, que já alcançou quase a marca histórica de 1997. Agora, com mais pessoas atingidas, devido ao crescimento urbano sem planejamento.

Entre as pessoas afetadas estão membros da minha família. Meu pai, com 80 anos, como a maioria das pessoas de sua idade, recusa-se a sair de casa, cuja palafita mandou aumentar para que ficasse acima da marca alcançada pela água em 1997. Vizinhos, como dona Antônia e dona Alzira, e minha irmã Doia, que também moram em casas altas, permanecem no local. Minha irmã comprou uma canoa e, com meu sobrinho Eudes, dedica-se ao trabalho de ajudar os desabrigados.

Consigo imaginar a aflição das milhares de famílias no Acre e em vários outros Estados, que olham para o céu indagando quando vai parar de chover ou quando chegarão os recursos prometidos. No caso do Acre, nem tanto: o esforço do governo estadual e das prefeituras, com a ajuda do governo federal, criou uma estrutura para abrigar com segurança e socorrer com rapidez.

Admirável tem sido a mobilização da sociedade e do intenso voluntariado. Os órgãos públicos teriam muita dificuldade para acolher todos.

Na Amazônia, temos uma dádiva, que é a floresta. Em Rio Branco, a situação é mais grave justamente porque é o trecho onde o rio Acre perdeu a maior parte de sua mata ciliar e a subida das águas não tem contenção. Ainda assim, é mais lenta que em outras regiões. Na planície, a água se espalha mata adentro. Em regiões de relevo mais acidentado, sua rapidez e sua força provocam tragédias irreparáveis.

Mas há outro fator adicional, expresso numa palavra muito usada para descrever as melhores práticas de sustentabilidade: resiliência. Essa espécie de teimosia faz com que as pessoas inventem novos modos de conviver com a natureza em mudança e lhes dá capacidade de resistir, adaptar-se e, se necessário, mudar. No caso dos acreanos, sua base é o amor pelo rio que inunda as casas mas que provê os recursos essenciais à vida.

Ao brasileiro não falta solidariedade, nem amor à natureza e resiliência para suportar seus rigores. O Estado e seus dirigentes poderiam aprender essas lições, para distribuir com justiça os recursos e promover adaptações necessárias a este novo tempo de extremos.

Hoje abraçarei meu velho teimoso e, caso o rio tenha subido, tentarei convencê-lo a ir para a minha casa, onde o igarapé São Francisco chega perto, mas não entra.

PS: Campanha Acre Solidário (doações para os atingidos), Banco do Brasil, ag. 0071-X, conta-corrente 100.000-4, CNPJ 14.346.589/0001-99.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Página da notícia

“Podem curtir e cutucar, mas quero que evitem minha namorada”, pede dono da boate Facebook

Humbert Camacho
Humbert Camacho: “Criei a boate depois de ter assistido ao filme Social Network”

Altino Machado, no Blog da Amazônia

Nesta sexta-feira (20), em Epitaciolândia, município do Acre com pouco mais de 15 mil habitantes, a 235 quilômetros da capital Rio Branco, é feriado por causa da festa de São Sebastião, o padroeiro da cidade.

Mas a data será marcada mesmo é pela inauguração da boate Facebook, na avenida Santos Dumont. Ela foi idealizada por Humbert Camacho, 30, que é dono de outra boate, Insomnio, em Cobija, capital do departamento boliviano de Pando. Epitaciolândia e Cobija estão separadas pelas águas do Rio Acre, mas conectadas por uma ponte de 50 metros.

A boate Facebook começou a ganhar visibilidade quando as primeiras fotos foram publicadas nas redes sociais e num blog do Acre, no começo de janeiro. Há duas semanas, de passagem por Epitaciolândia, o fotógrafo americano Douglas Engle captou imagens da fachada da boate.

Uma das imagens serviu para ilustrar a reportagem assinada por Tom Phillips, correspondente no Brasil do jornal britânico The Guardian, publicada na edição desta quinta-feira (19), intitulada “Facebook, the club: social networking on the dancefloor in Brazilian Amazon“.

O Facebook, segundo o Guardian, não comentou a existência da boate que leva o seu nome, se limitando a demonstrar surpresa: “Fica realmente na Amazônia?”.

O dono da boate é filho de um médico boliviano com uma brasileira. Em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia, Humbert Camacho contou que decidiu criar a boate Facebook depois de ter assistido ao filme “The Social Network”.

- Nunca imaginei que minha modesta boate fosse alcançar repercussão mundial. Vários veículos de comunicação, de dentro e fora do país, estão querendo me entrevistar antes da inaguração. A noite será muito diverti. Podem curtir e cutucar, mas quero que evitem Joseline, minha namorada – brinca Camacho.

Camacho se diverte com a fama da boate
Camacho se diverte com a fama da boate