Arquivo da tag: adultos

Animais de estimação têm papel comprovado cientificamente no bem-estar dos donos

Cães e gatos ajudam a recuperar pacientes com diversos problemas de saúde e agora já podem até entrar em hospitais

João Pedro, de 9 anos, com dificuldade de se relacionar, ganhou um gatinho há cerca de três meses e agora é ele que tenta conquistar o bichano (Foto:  Marcos Alves)

João Pedro, de 9 anos, com dificuldade de se relacionar, ganhou um gatinho há cerca de três meses e agora é ele que tenta conquistar o bichano (Foto: Marcos Alves)

Flávia Milhorance, em O Globo

João Pedro, de 9 anos, tinha dificuldade de se relacionar e de expressar os sentimentos, segundo a mãe dele, a procuradora do Estado de São Paulo Maria Inez Biasotto. Costumava ter pouca paciência com o irmão menor, amigos, pais e professores. Demonstrava irritação, hiperatividade e ansiedade que eram difíceis de controlar pela família. A chegada do gatinho Fred, há três meses, mudou bastante esta rotina.

— O João está tendo mais facilidade de demonstrar afeto. O animal abriu este canal de carinho, e ele se sentiu mais querido e amado. Agora ele procura conquistar o gato, ser carinhoso com ele, dar e receber afeto. A família toda acabou se envolvendo bastante, e o gato se afeiçoou demais a ele. Foi uma relação de duas mãos, eles se adoram — conta Maria Inez.

Não são poucos os estudos científicos que relacionam o animal de estimação com a melhora de crianças e adultos, seja de distúrbios do comportamento ou de doenças graves. E recentemente, um dos principais hospitais de São Paulo, o Albert Einstein, liberou a entrada de animais em suas dependências. Antes disso, claro, os donos devem apresentar carteira de vacinação, comprovação de banho, laudo veterinário e autorização do médico.

— Este pedido sempre existiu no Einstein por parte dos pacientes e seus familiares. Transformamos a solicitação numa rotina com procedimentos claramente definidos. É uma ação que ajuda na recuperação e faz que o paciente se sinta bem e acolhido — explicou a gerente de atendimento ao cliente do hospital, Rita Grotto.

A ideia de presentear João Pedro com um gato foi do veterinário Walter Biasotto, tio do menino e membro da Confederação Brasileira de Cinofilia, entidade que se manifestou a favor da medida do Einstein.

— Se o paciente não tiver um problema de imunodeficiência, é maravilhosa a permissão de visita do animal de estimação no hospital. Dar e receber carinho estimula a liberação de vários hormônios, como a endorfina, que aumenta a sensação de prazer e diminui a dor física, que podem ser benéficos para o paciente — comenta Biasotto, que ainda explica por que sugeriu um gato ao sobrinho. — Coloquei o animal na vida dele para que ele conseguisse se relacionar com algo vivo, que não fosse videogame. Além de fazer companhia enquanto os pais trabalham, o gato desperta nele necessidade de afeto.

Biasotto conta que saber escolher o animal é importante e diz que achou que um gato seria a melhor opção no momento:

— O princípio psicológico do João era mais compatível com um gato, por ser mais fechado, na dele. Ano que vem talvez eu dê um cachorro, seria um novo passo, porque este pede muito mais afeto, mais atenção, mais tempo.

Benefícios para pressão, alergia e até vida amorosa

Pesquisas mostram que animais de estimação trazem, de fato, benefícios para a saúde. Eles ajudam a baixar a pressão sanguínea e a ansiedade, assim como aumentam nossa imunidade e, inclusive, ajudam na vida amorosa. Um estudo publicado no “Journal of Allergy and Clinical Immunology” analisou amostras de sangue de bebês depois do nascimento e um ano depois. Quando havia um animal em casa, as crianças tinham 33% menos alergias, o que não significa que alérgicos não devam tomar cuidados especiais com pelo de animais. Outro, publicado em 2011 no “Journal of Pediatrics”, analisou 636 crianças de até 4 anos e mostrou que a taxa de eczemas era menor entre donos de animais.

Em situações de estresse, pessoas com pressão alta que adotaram um cachorro ou gato tiveram os níveis reduzidos, segundo estudo da Universidade do Texas. Publicada no “British Medical Journal”, uma pesquisa mostrou que um terço dos cachorros de diabéticos tinham mudanças de comportamento quando seus donos reduziam suas taxas de açúcar no sangue.

E nada de ficar sobrando, animais até melhoram a vida de casais. Um estudo da Universidade de Buffalo com 240 casais descobriu que aqueles com cão ou gato têm “um relacionamento mais próximo, estão mais satisfeitos no casamento e respondem melhor ao estresse”. (Colaborou Marcelle Ribeiro)

A bondade de um deus que infantiliza

Imagem: Google

Imagem: Google

José Maria Mardones[1], no blog Sóstenes Lima

O deus que faz milagres, que responde à necessidade humana corrigindo sua criação, tem, além disso, outro inconveniente: é um deus de menores de idade; esse deus infantiliza. Esse deus é o oposto daquele que dizíamos que se retira de cena para deixar que o mundo e o ser humano adquiram sua autonomia e possam sustentar-se sobre si mesmos. Em vez de querer filhos adultos, esse deus os quer bebês. A presumida bondade desse deus não se compadece com o ser humano livre, responsável, dotado de capacidades para enfrentar os problemas, as dificuldade, os desafios. Em vez de pedir que deus nos acompanhe para que a dor ou o problema não nos desumanize, pedimos-lhe que nos substitua e resolva nossos problemas. O resultado é a menoridade. Contra esse deus há um refrão popular mexicano que vem bem a propósito: “Deus não cumpre caprichos nem endireita encurvados”. Como dizia com humor um amigo: “Deus dá a água, porém não a canaliza”.

Eu não resisto à tentação de transcrever um parágrafo de um bom teólogo espanhol, J. I. González Faus, sobre o tema:

A pergunta é se Deus é pai somente de crianças pequenas, filhos menores de idade ou de adultos e livres. Para a criança, seus pais são a solução, a lei, a fonte de castigos e prêmios, e, com tudo isso, também uma dificuldade para sua liberdade. Para um filho adulto, quando a relação filial foi positiva (situação bem rara hoje), os pais são ponto de referência decisiva, e a vida do filho é fonte de interesse para os pais; a decisão, porém, sobre ela está em suas próprias mãos e não nas mãos dos pais.

O teólogo Dietrich Bonhoeffer, executado por participar em um complô contra Hitler, já dizia que o homem atual não tolera um deus tapa-buracos. A idade adulta de um homem atual não aceita um deus panaceia. E como, além disso, cada vez mais esse homem tem a possibilidade de solucionar por si mesmo inúmeros problemas funcionais, esse deus vai tendo cada vez menos espaço. O deus tampão é um deus que, a cada dia, ocupa menor espaço nesse mundo.

***

[1]Texto extraído de: Mardones, José María. Matar nossos deuses: em que deus acreditar? São Paulo: Ave-Maria, 2009. p. 70-71.

Mais jovens preferem acessar a internet pelo celular, diz pesquisa

Um em cada quatro adolescentes entre 12 e 17 anos se conecta via telefone, enquanto menos de 15% dos adultos utilizam esse meio

Meninas com idades entre 14 e 17 anos são as que mais utilizam smartphones para se conectar à web (Foto: Jonathan Ernst / Reuters)

Meninas com idades entre 14 e 17 anos são as que mais utilizam smartphones para se conectar à web (Foto: Jonathan Ernst / Reuters)

Setenta e oito por cento dos jovens com idades entre 12 e 17 anos usam telefones celulares e quase a metade de seus aparelhos têm acesso à internet, cifra que tende a crescer e que está mudando a maneira de se conectar à rede mundial.

Pesquisa da Pew Internet & American Life Project revelou que um em cada quatro menores acessa a internet pelo telefone celular, uma proporção que aumenta para quase a metade quando se trata de proprietários de smartphones.

Por outro lado, apenas 15% dos adultos disseram que se conectam à internet usando seus telefones móveis.

“Hoje em dia é parte da vida cotidiana”, afirmou Donald Conkey, estudante do ensino médio em Wilmette, ao norte de Chicago, que tem celular com acesso à internet. “Todo o mundo está usando telefone da mesma maneira, e usam o tempo todo.”

Conkey e outros jovens afirmam que se for somado o tempo que passa usando seus celulares — com aplicativos, buscas na internet, mensagens de texto ou baixando músicas e vídeos — o resultado será pelo menos duas horas diárias.

“Quando esqueço o telefone em casa, me sinto nu”, disse Michael Weller, estudante da escola secundária New Trier, onde também estuda también Conkey. “Realmente, preciso me sentir conectado o tempo todo”.

Até no banho e na cama

Ano passado Stephen Groening, professor de estudos de cinema e comunicação na Universidade George Mason, na Virgínia, promoveu um curso sobre “a cultura do telefone celular”. Pediu aos alunos para fazer seus trabalhos usando os telefones: com vídeos, fotos, envio de textos e de tweets.

“Tenho alunos que me dizem que tomam banho e dormem com seus telefones celulares”, disse Groening.

Segundo o estudo da Pew Internet & American Life Project, as adolescentes entre 14 e 17 anos são as que mais usam telefone celular para se conectar à internet. E embora os jovens com menos recursos financeiros continuem sendo os menos propensos a utilizar a rede, os que tinham celulares também disseram usar essa ferramenta para se conectar.

Isso significa que, à medida que esta geração for amadurecendo, as grandes corporações terão que trocar as estratégias de publicidade e mercado que utilizam, assim como as formas com que os pais vigiam as comunicações de seus filhos.

Já existem telefones celulares que permitem aos pais bloquear certos conteúdos. As companhias telefônicas oferecem serviços como os que permitem ver a lista de textos que seus filhos recebem. E há vários aplicativos que dão aos pais o controle de conteúdos disponíveis em um navegador de internet, embora muitos especialistas concordam que esses recursos às vezes podem falhar.

“Há os dois extremos: por um lado, os pais que monitoram tudo e bloqueiam grande quantidade de coisas, e os que se rendem y dizem ‘isto me dá muito trabalho’”, disse Mary Madden, pesquisadora do Centro Pew e coautora do estudo.

‘Tempos difíceis para ser pai’

Ela acrescenta que muitos pais também se negam a retirar os telefones de seus filhos porque querem manter contato com eles.

“Os adultos, todavia, estão tentando se ajustar a novas regras, para si mesmos e para seus filhos”, comentou Mary. “São tempos difíceis para ser pai.”

A chave, dizem especialistas em comunicação e tecnologia, está no diálogo familiar, em conversar com os filhos.

“A tecnologia em si, creio eu, não é má. Há muito mais vantagens que desvantagens. Mas os pais têm que estar conscientes da situação”, destaca Daniel Castro, analista da Fundação para a Informação e a Tecnologia, um centro de pesquisas com sede em Washington, D.C.

Castro diz ainda que “parte da solução é conversar e perguntar a eles o que estão fazendo e por quê. “É comum adultos não entenderem bem como funcionam os smartphones, ou como seus filhos poderiam usá-los.”

Pessoas menos inteligentes tendem a ser mais conservadoras e preconceituosas

neonazism1

publicado no Livre Pensamento

Não é nova a idéia de que o conservadorismo e o preconceito estão ligados umbilicalmente. Vários estudos já realizados chegaram a essa conclusão. A novidade é que o posicionamento conservador e o preconceito podem estar ligados à baixa inteligência.

Um estudo feito por pesquisadores de uma universidade de Ontario, no Canadá, chegou a conclusões bastante interessantes: adultos de baixo QI ou com dificuldades cognitivas tendem a ter atitudes conservadoras e preconceituosas (racismo, homofobia, machismo etc).

 

O estudo foi dirigido pelos pesquisadores Gordon Hodson e Michael A. Busseri, do departamento de Psicologia da Universidade Brock, de Ontario, e foi publicado pela revista Psychological Science.

Os dados levam a crer que as pessoas menos inteligentes se sentem atraídas por ideologias conservadoras porque estas exigem menos esforço intelectual, pois oferecem estruturas ordenadas e hierarquizadas, onde o indivíduo pode se sentir mais confortável.

É bom deixar claro que inteligência nada tem a ver com escolaridade. Há vários exemplos históricos (como a Comuna de Paris ou a Revolução Russa) em que as classes mais baixas e com menos escolaridade se mostraram as únicas capazes de pensar de maneira progressista.

Hodson afirma que “menor capacidade cognitiva pode levar a várias formas simples de representar o mundo e uma delas pode ser incorporada em uma ideologia de direita, onde ‘pessoas que eu não conheço são ameaças’ e ‘o mundo é um lugar perigoso ‘…”.

A grande contribuição dessa pesquisa pode ser a criação de novas formas de combater o racismo e outras formas de preconceito. “Pode haver limites cognitivos na capacidade de assumir a perspectiva dos outros, particularmente estrangeiros”, entende Hodson, já que a crença corrente é que o preconceito tem origens emocionais, não cognitivas.

O que será que Marco Feliciano e Silas Malafaia têm a dizer sobre isso?

Redes sociais podem acabar com amizades reais, diz pesquisa

Publicado por Reuters [via Folha de S.Paulo]

Desrespeito e insultos online estão acabando com amizades, à medida que as pessoas estão ficando mais rudes nas mídias sociais, revelou uma pesquisa nesta quarta-feira (10). O estudo também mostrou que dois em cada cinco usuários cortaram relações após uma briga virtual.

Assim como o uso das mídias sociais cresceu, a falta de civilidade também aumentou, com 78% de 2.698 pessoas entrevistadas tendo relatado um aumento das grosserias na internet. As pessoas não hesitam em ser menos educadas online do que ao vivo, segundo o levantamento.

Uma em cada cinco pessoas reduziu seu contato pessoal com alguém que conhece na vida real depois de uma briga pela internet.

Joseph Grenny, copresidente da empresa de treinamento corporativo VitalSmarts, que conduziu a pesquisa, disse que as brigas online muitas vezes se tornam brigas na vida real, com 19% das pessoas bloqueando ou cancelando amizades com alguém por causa de uma discussão virtual.

“O mundo mudou e uma parte importante das relações acontece online, mas os modos ainda não acompanharam a tecnologia”, disse Grenny à Reuters, no lançamento da pesquisa, conduzida ao longo de três semanas em fevereiro.

“O que é realmente surpreendente é que muitas pessoas desaprovam esse comportamento, mas as pessoas ainda estão fazendo isso. Por que você xingaria online, mas nunca na cara da pessoa?”

Dados do Pew Research Center mostram que 67% dos adultos conectados à internet nos Estados Unidos usam sites de redes sociais, dos quais o Facebook é o mais popular, enquanto os últimos números mostram que mais da metade da população britânica tem conta no Facebook.

A pesquisa acontece após uma série de desentendimentos pela internet envolvendo personalidades, que atraíram grande atenção da mídia.

O jogador de futebol britânico Joey Barton, do Olympique de Marseille, foi convocado pelo comitê de ética da federação francesa após chamar o zagueiro brasileiro Thiago Silva, do Paris Saint-Germain, de “travesti acima do peso” no Twitter.

O boxeador Curtis Woodhouse foi amplamente elogiado após ter rastreado uma pessoa no Twitter que o chamou de “desgraça completa” e um “piada” após uma derrota, indo até a casa do autor das críticas para cobrar um pedido de desculpas.

Grenny disse que os entrevistados tinham suas próprias histórias, como uma família que não se fala há dois anos porque um homem publicou na internet uma foto embaraçosa de sua irmã e recusou-se a removê-la. Em vez disso, espalhou a foto para todos os seus contatos.

As tensões nos locais de trabalho também foram transferidas para conversas através da internet, nas quais funcionários falam de forma negativa de um companheiro.

“As pessoas parecem ser conscientes de que este tipo de conversa importante não deve acontecer nas mídias sociais, mas, apesar disso, também parecem ter o impulso de resolver as emoções de forma imediata e através deste tipo de canal”, disse Grenny.

“Refris” são ligados a 180 mil mortes por ano

refri

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

O consumo de refrigerantes, sucos industrializados e outras bebidas açucaradas pode estar associado a cerca de 180 mil mortes por ano no mundo, de acordo com uma pesquisa apresentada nesta semana no congresso da Associação Americana de Cardiologia.

Os autores da pesquisa usaram dados do estudo “The Global Burden of Disease” (literalmente, “O Peso Global da Doença”) de 2010 e relacionaram a ingestão de bebidas açucaradas a 133 mil mortes por diabetes, 44 mil mortes por doenças cardiovasculares e 6.000 mortes por câncer. Cerca de 80% dessas mortes ocorreram em países de rendas média e baixa.

Especialistas afirmam que o consumo dessas bebidas pode gerar resistência à insulina e levar ao diabetes tipo 2, além de aumentar o risco de obesidade.

Os pesquisadores calcularam as quantidades consumidas dessas bebidas por idade e sexo, os efeitos desse consumo na obesidade e no diabetes e o impacto das mortes relacionadas a essas doenças.

A América Latina e o Caribe tiveram o maior número de mortes por diabetes relacionadas ao consumo de bebidas adoçadas em 2010. Entre os 15 países mais populosos, o México teve a maior taxa de mortes por causa da ingestão das bebidas.

À CNN, a Associação Americana de Bebidas disse à que o estudo traz “mais sensacionalismo do que ciência”.
A Associação Americana de Cardiologia recomenda que os adultos consumam menos de 450 calorias por semana de bebidas adoçadas.

O mito do uso de 10% do cérebro

publicado no Universo Racionalista

A Lenda Urbana que Disseminou o Mundo

O mito do uso de 10% do cérebro é uma lenda urbana que afirma que só se utiliza um décimo da capacidade do cérebro, de modo que grande parte dele é inativa. Segundo a crença popular, se todo o cérebro fosse utilizado, o indivíduo desfrutaria de habilidades sobre-humanas. Alguns argumentam que a porção inativa do cérebro esconde funções psicocinéticas e psíquicas em geral além de a possibilidade de percepção extra-sensorial. Afirma-se que algumas pessoas de QI muito elevado usariam mais do que 10% do cérebro, tal ideia é muitas vezes atribuída a Albert Einstein e Margaret Mead. Portanto, sugere-se que a inteligência de uma pessoa está ligada à porcentagem do cérebro que ela utiliza.

Embora a capacidade intelectual do indivíduo possa aumentar ao longo do tempo, a crença de que grande parte do cérebro é inutilizado e, essencialmente, só se faz uso de 10% do seu potencial efetivo não tem base científica e é desmentida pela comunidade científica. Embora ainda não se conheça o funcionamento de todo o cérebro, já se sabe que todas as suas regiões são ativas e que têm funções determinadas.

O Mito do Uso de 10% do Cérebro

 

Origem

Uma hipótese para a origem do mito refere-se à teoria da reserva de energia, criada pelos psicólogos de Harvard William James e Boris Sidis na década de 1890. Eles basearam a teoria na análise de William Sidis, uma criança prodígio que teve resultados em testes de QI similares a de adultos, entre 250 e 300. William James disse em audiências públicas que as pessoas só encontram uma fração de todo o seu potencial mental, o que é uma afirmação plausível. Em 1936, o escritor americano Lowell Thomas resumiu essa ideia (no prefácio a Dale Carnegie em How to Win Friends and Influence People) adicionando uma porcentagem falsa: “O professor William James, de Harvard, costumava dizer que a maioria das pessoas desenvolve somente dez por cento da sua capacidade mental latente.”

De acordo com uma história de origem semelhante, o mito dos 10% mais provavelmente surgiu de um mal-entendido ou de uma deturpação de pesquisas neurológicas do final do século IX e do início do século XX. Por exemplo, as funções de muitas das regiões do cérebro (especialmente do córtex) são complexas o suficiente para que efeitos de danos sejam notados, levando cedo os neurologistas a conhecer o que essas regiões faziam. Também foi descoberto que o cérebro consiste principalmente de células gliais, que pareciam ter várias funções secundárias. O Dr. James W. Kalat, autor do livro-texto Biological Psychology, salienta que os neurocientistas da década de 1930 sabiam do grande número de neurônios “locais” no cérebro e que a má compreensão da função desses neurônios poderia ter levado ao mito dos 10%. De fato, é fácil imaginar que o mito foi propagado simplesmente por um truncamento da declaração de que “os humanos usam 10% de seus cérebros em qualquer momento”.

Embora as partes do cérebro tenham amplo entendimento de suas funções, muitos mistérios sobre como as células do cérebro funcionam juntas para produzir comportamentos complexos permanecem. Talvez a maior questão seja como as diversas partes do cérebro colaboram para formar experiências conscientes. Até agora, não existem evidências de que existe um local onde está a consciência, o que leva os especialistas a acreditar que ela é verdadeiramente um esforço neural coletivo. Portanto, como a ideia de James de que os humanos tem um potencial cognitivo inexplorado, também é certo dizer que uma grande porção de questões sobre o cérebro ainda não foram completamente respondidas.

Refutação

O neurologista Barry Gordon descreveu o mito como “ridiculamente falso”, acrescentando: “nós usamos virtualmente cada parte do cérebro, e a maior parte dele é ativa quase todo o tempo”. Barry Beyerstein, Ph.D . em psicologia, estabelece sete tipos de evidência refutando o mito:

  • Estudos sobre danos cerebrais: se 90% do cérebro é normalmente inutilizado, então danos nessas áreas não deveriam prejudicar o seu funcionamento. Na realidade, porém, não existe quase nenhuma área do cérebro que pode ser danificada sem perda de funções. Mesmo um leve dano em pequenas áreas do cérebro podem ter efeitos profundos.
  • Evolução: o cérebro é muito custoso ao resto do corpo em termos de consumo de oxigênio e nutrientes. Isso pode consumir vinte por cento da energia do organismo, mais do que qualquer outro órgão, apesar de ser apenas 2% do peso do corpo humano. Se 90% do cérebro fosse desnecessário, haveria grande vantagem evolutiva em seres humanos com cérebros menores e mais eficientes. Se isso fosse verdade, a evolução teria eliminado indivíduos com cérebros ineficientes. Pelo mesmo motivo, é altamente improvável que um cérebro com tanta área redundante teria evoluído em primeiro lugar.
  • Imagens do cérebro: tecnologias como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e ressonância magnética (fMRI) permitem monitorar a atividade do cérebro vivo. Elas revelam que, mesmo durante o sono, todas as partes do cérebro mostram-se com algum nível de atividade. Apenas em casos de grave dano cerebral existem “áreas silenciosas”.
  • Localização de funções: ao invés de agir como uma massa única, o cérebro tem áreas distintas para diferentes tipos de processamento de informação. Décadas de pesquisas revelaram o mapa de funções do cérebro, e não foram encontradas áreas de menor atividade.
  • Análise microestrutural: na técnica de unidade única de gravação, pesquisadores inseriram um pequeno eletrodo no cérebro para monitorar a atividade de uma única célula. Se 90% do cérebro não tivesse atividade, essa técnica teria revelado isso.
  • Doença neural: as células do organismo que não são utilizadas têm tendência de se degenerarem. Por isso, se 90% do cérebro fosse inativo, autópsia de cérebros adultos revelaria degeneração em larga escala.

Outro argumento evolucionário é que, dado o risco de morte histórico durante o parto associado ao tamanho do cérebro (e então ao tamanho do crânio) humano, haveria uma forte pressão seletiva contra o grande tamanho cerebral se somente 10% fosse de facto utilizado.

No episódio de 27 de outubro de 2010 de Mythbusters, os apresentadores utilizaram magnetoencefalografia (MEG) e ressonância magnética para formar uma imagem do cérebro de alguém resolvendo uma tarefa mental complicada. Constatando que muito mais de 10%, de fato, quase 100% do cérebro estava ativo, eles declararam o mito como “detonado”.

Disseminação na Cultura Popular

Diversos livros, filmes e contos têm feito afirmações relacionadas com esse mito, provocando reações diversas. Entre as citações mais notáveis estão a novela The Dark Fields e sua adaptação em filme, Limitless que criaram uma estória em que os 90% do cérebro restantes podem ser acessados por meio do uso de uma droga. O livro The Zombie Survival Guide alega que humanos usam somente 5% dos seus cérebros e que a expansão potencial traz um “sexto sentido” para os zumbis.

Outros trabalhos envolvem informações intelectuais falas, incluindo o filme The Lawnmower Man, o conto “Understand” de Ted Chiang e o conto de ficção científica “Lest We Remember” de Isaac Asimov. Esses porém, não dizem que o cérebro é capaz de expandir todo o seu potencial. O mito dos 10% ocorre frequentemente em anúncios e é citado como se fosse um fato na mídia de entretenimento. O episódio piloto de Heroes mostra um professor de genética que também afirma o mito da parte não utilizada do cérebro para sugerir que o potencial humano pode fazer surgir superpoderes.

Alguns proponentes da Nova Era propagam a crença afirmando que os 90% não utilizados são capazes de exibir superpoderes e, se treinados adequadamente, percepção extra-sensorial.

Não existe nenhum suporte científico a existência de tais habilidades no cérebro humano.

Denis Lee Explicando Sobre ‘O Mito do Uso de 10% do Cérebro’