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A Globo, o Malafaia e um desabafo…

Imagem: Púlpito Cristão

Imagem: Púlpito Cristão

Fabricio Cunha, no Facebook

E nos vemos mais uma vez enamorados com a rede Globo.

Sinceramente, não conseguiria entender esse encanto, senão fosse o fato de avaliá-lo muito mais à luz da “persona”, no caso, o pastor Silas Malafaia, do que do segmento evangélico.

Estrategicamente, a TV sempre deu mais prejuízo do que lucro. Não anotamos um número significativo de vidas ou estruturas transformadas que citam um programa evangélico de TV como a sua gênese.

Muito pelo contrário, na TV, o segmento evangélico alcança seu pior estereótipo. E não é pelas personagens “crentes” caricatas nas novelas. Não. São os televangelistas que são nossa pior imagem pública. Eles, sim, e seus projetos pessoais de poder, caricaturas de uma triste realidade.

Duas semanas atrás o senhor Malafaia foi até a Globo e apertou a mão não sei de quem (me lembrei da hora em que o advogado Kevin Lomax, interpretado por Keanu Reeves aperta a mão do diabo, interpretado por Al Pacino em “Advogado do Diabo), “selou a paz” e firmou um “compromisso” entre nós, evangélicos e a emissora. Como pedido “fiel da balança”, solicitou um personagem evangélico que retratasse de fato quem somos.

Duas perguntas:

1. E quem somos? Um grupo formado por milhões de pessoas, que se agremiam nas mais diversas “denominações”, num país completamente diverso em sua identidade social, cultural e religiosa inclusive. Qual seria o retrato de um personagem “evangélico” de fato?

E, mais importante:

2. É a Globo, influenciada pelo sr. Silas Malafaia, que terá o poder de determinar o perfil do “bom evangélico”?

Por favor, sr. Malafaia (que nunca vai ler esse texto…). Quer falar, fale, mas fale em seu nome ou em nome de quem lhe deu procuração.

Também sou evangélico. Também sou pastor. Mas cansei de dizer que não sou como o senhor para pessoas que me conhecem sem ter o mínimo registro religioso que as dê algum discernimento para saberem que somos diferentes, que lemos bíblias diferentes, que vemos o mundo de forma diferente.

E se quiser vender-se para a rede Globo, venda-se, venda o que tem, mas não o que não possui.

Você é sim, infelizmente, uma voz evangélica com força pública, mas NÃO REPRESENTA OS EVANGÉLICOS, muito menos os detém.

Você NÃO FALA EM MEU NOME e nem em nome de outros milhões de irmãos evangélicos brasileiros, que tomam a sua cruz a cada dia e seguem o mestre Jesus de Nazaré.

No mais, senhoras e senhores, como bem diz meu amigo caipira Carlinhos Veiga:
“Nas contas que fiz, não sobrou nem um pouco. Ou eu sou ruim de conta, ou esse mundo tá louco.”

Vamos em frente.

Odeio a nova pseudo-intelectualidade

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Claudio Ferreira Logan, na Obvious Magazine

Odeio os novos pseudo-intelectuais… ahhh, como odeio, mas será que não sou apenas mais um?

Hoje em dia a velocidade de informação é muito maior que quando comecei a me entender por “gente”, uma divina comédia onde os culpados são os “deuses” internet… o “deus” Google, Twitter, TV, celulares, App’s e gadgets em geral, entre outros deuses facilmente encontrados na “modernidade exacerbada tecno-antropofágica” …assim como os deuses americanos citados no livro de Neil Gaiman … criamos aversão ao livro, expulsamos como exorcistas os anjos e demônios e todas as pessoas que pregam os velhos hábitos de aprendizado… endeusamos a máquina, encontramos tudo nela, buscamos informações em vários lugares, sabemos coisas que não precisaríamos saber, a uma velocidade incrível, e valorizamos muito isso, enfim… muito barulho por nada… até as conversas banais deixaram de ser tão supérfluas, chegamos em um estágio em que procuramos diagnósticos medicos on-line (seria isso babaquice ou apenas mais um estágio da evolução)… ahhh o humano, demasiado humano, a incessante busca pelo conhecimento, auto conhecimento, pseudo-conhecimento, humanos que as vezes vivem correndo atrás do rabo como o animal que um dia ele próprio domesticou… nos tornamos uma metamorfose de nada, para o nada, indo para lugar nenhum…

Ahhh como eu odeio a estagnação do mundo moderno em que tudo se busca na internet… achando que estão com a bíblia ou o diario de um mago na mão quando em frente a tela do computador, verdadeiros apanhadores nos campos de centeio, da inutilidade… quando precisam ler um livro ou estudar determinado assunto, recorrem a resenhas e/ou resumos prontos e mal escritos, criados por verdadeiros advogados do diabo, que os redigem sem profundidade, veracidade e originalidade… maldita sapiência de internet, nesse admirável mundo novo… com seus seguidores pagãos iluminados, religiosamente fiéis, seguindo o anticristo virtual… gurus tecnológicos e suas profecias em posts beatificados, e vlogs que arrastam multidões a espera de um milagre… será que um dia isso vai mudar? isso não vai mudar, ou será que só amanhã… isso é… se houver amanhã…

Ahhh, como eu odeio gente que quando indagadas se estão estudando? Respondem prontamente, “…não, não, Já sou formado”, …em plena era da informação, você responde com todo seu ar de autoridade e sua formaçãozinha atrofiada em um dispêndio de intelecto plastificado, se “achando”, achando que o seu aprendizado está finalizado e continua linear… achando, achando, achando… achando que é inteligente, quando na verdade é o idiota!

Não seja um pseudo alguma coisa… estude muito, leia quadrinhos, livros, revistas, jornais e tudo que encontrar pela frente, ouça muita música( sei que é difícil hoje em dia), assista filmes estrangeiros (coisas boas vai, e não só os enlatados americanos, cinema não é só isso), veja séries, animações, clipes, e etc., seja uma esponja… aprenda, faça fotossíntese com o aprendizado, nunca será demais… e de quebra você deixará de ser apenas mais um no mundo… fuja da mediocridade contemporânea.

Busque realmente saber as coisas, você não precisa conhecer profundamente todos os livros, filmes e musicas mas precisa conhecer alguns deles… faça contatos, escute, preste atenção as pessoas que admira, converse sobre tudo, nunca discuta politica e religião, mas saiba falar das duas com propriedade… procure sempre a profundidade ao invés da superficialidade…

Tem uma frase que resume brilhantemente isso:
“Quem sabe que é profundo busca a clareza. Quem deseja parecer profundo para a multidão, procura ser obscuro porque a multidão toma por profundo aquilo cujo o fundo não vê, ela é medrosa… exita em entrar na água” – Friedrich Nietzsche.