Menino pula de alegria por vencer leucemia (vídeo)

 

Publicado no Extra

Avery Harriman é um garoto de sete anos que está vencendo a leucemia pela terceira vez. O vídeo com o anúncio dos médicos que o menino poderia finalmente sair do hospital, após 23 dias de quimioterapia intensa, foi compartilhado na última quarta-feira e já bateu mais de 40 mil acessos no Youtube.

O pai do menino disse que, no entanto, o pequeno Avery não vai ficar muito tempo longe do hospital. Em entrevista para a CBS Sports.com, Chris Harriman, assistente do treinador da equipe de basquete Nebraska Huskers, explicou que na próxima semana Avery fará exames para ver como a doença está de comportando. Se o câncer não estiver mais dando sinais de atividade, o menino poderá passar por um transplante de medula. Se não, ele volta para a quimioterapia.

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A medula que pode ser recebida pelo menino deve ser doada por Andrew Cussen, um estranho da Califórnia que, tocado pela campanha iniciada pela família, fez em 2013 a primeira doação. Segundo Chris, Andrew está disposto a ajudar Avery mais uma vez, se for necessário.

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Avery está lutando contra a leucemia desde 2008, quando tinha apenas dois anos de idade. O câncer teve uma remissão, mas voltou em outubro de 2012 e, depois, em julho de 2014. A família lançou uma campanha #AveryStrong para sensibilizar as pessoas para a doação de medula óssea e atualizar sobre os progressos do menino.

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Dá pra perdoar?

O perdão é uma espécie de botão de reiniciar que permite aos casais recomeçar todos os dias

reset!Ivan Martins, na Época

Acho que foi a Miriam Palma, amiga desde os tempos do cursinho, quem me contou que, dentro de 10 anos, todas as fotos de nós mesmos que hoje nos parecem feias ficarão bonitas. É só uma questão de tempo para que a beleza apareça. Nosso olhar precisa mudar.

O mesmo se aplica, me parece, à questão muito mais grave do ressentimento e do perdão. As coisas que hoje nos parecem inaceitáveis, e, por decorrência, imperdoáveis, com o passar do tempo talvez se mostrem verdadeiramente irrelevantes. Nem é preciso esperar 10 anos. Talvez cinco bastem. Ou mesmo 12 meses. Nosso olhar só tem de mudar.

Estou falando, claro, da relação entre duas pessoas, das coisas que acontecem no interior dos casais. Imagino pessoas que se amam ou se gostam – ou têm pelo menos a lembrança desse sentimento. Essas relações nos são tão caras e tão próximas que, nelas, o ato de perdoar é essencial. Talvez seja o gesto mais necessário e o mais frequente de quem partilha a vida com alguém.

Perdoar é como apertar um inesgotável botão de reiniciar: foi ruim ontem à noite, dormimos com raiva um do outro, esta manhã reiniciamos. A conversa foi muito dura, agora estamos mais calmos, que tal reiniciar? Eu fiz algo que a magoou, você reagiu com brutalidade, reiniciemos, por favor.

Estar com alguém, viver com alguém, é sinônimo de afrontar e ser afrontado. A cada dia, quase a cada momento. Os nossos egos, as nossas suscetibilidades tornam difícil o outro se mover ao nosso lado sem que nos incomode. Ele precisa ser imensamente atento, ou infinitamente delicado, para não causar nenhum atrito. Mas então, coitado, não seria humano. Seria alguém apenas tentando nos satisfazer – e rapidamente nos encheria de tédio.

Seres humanos inteiros, à vontade no mundo, disputam espaço mesmo com aqueles que amam. As pessoas se esbarram, se batem – no sentido figurado da palavra, por favor – e dessa refrega permanente, imperceptível para quem olha de fora, emerge a relação propriamente dita. Ela é o resultado de uma disputa constante e de uma colaboração incessante. Por isso é intensa e contraditória, por isso é viva – e por isso necessita, desesperadamente, do mecanismo apaziguador do perdão.

Somos terrivelmente exigentes com as pessoas que dividem a vida íntima conosco. Os nossos chefes, os nossos colegas, os nossos amigos gozam de uma tremenda margem de tolerância. A peguete, o bonitão que aparece de vez em quando, esses gozam de crédito para errar. Mas a namorada e o marido, aqueles que fazem parte da nossa vida, não. Esses não podem pisar fora da linha. Somos vigilantes e intolerantes com eles. Insuportavelmente intolerantes. Por isso é tão essencial que perdoemos – porque os estamos julgando e condenando a cada par de minutos, de uma forma que não fazemos com os demais.

Bem, às vezes as pessoas próximas nos fazem coisas graves. Elas nos machucam e traem a nossa confiança. Às vezes nos enganam. Às vezes se enganam. O resultado é sempre péssimo e quase sempre é impossível perdoar – na hora. Mas o tempo e o convívio com os nossos sentimentos produzem mudanças. Depois de um tempo de afastamento, depois de um período intenso de saudades e de considerações, podemos estar prontos a entender – desde que o orgulho ou nosso senso moral não se interponham. É preciso ter feito certas coisas na vida para entender porque os outros as fazem. Quem nunca andou no lado errado da calçada acha que a virtude é simples. Não é.

Minha impressão é que para perdoar quem nos magoa precisamos de duas coisas – uma sólida conexão afetiva e alegria.

A conexão faz com que o outro também sinta o que nos passa. Se eu estou morrendo e a criatura está lá, morta de rir, se esbaldando, não há o que perdoar – é mais o caso de esquecer. Mas em geral não é assim. Quando as pessoas se gostam, a dor as liga. O sentimento de falta é mútuo. Quem magoou quer voltar. A saudades dói, como dizia a velha música sertaneja. Então, por que não perdoar e reiniciar?

Outras vezes, em casos mais difíceis e demorados, é a alegria que nos faz perdoar. Ela permite que a nossa vida avance, permite que a gente recomece com outras pessoas, faz com aquele sentimento de mágoa seja varrido, lavado, esquecido entre as novas sensações de prazer e de carinho, senão de amor. Enquanto a gente rola na cama insone de raiva, enquanto o ressentimento ainda queima, é impossível perdoar. Mas, se a nossa vida anda, se a gente experimenta a alegria, vai se esquecendo daquilo que nos fazia tremer de indignação ou de tristeza. Então a mágoa passa e a gente perdoa sem perceber. Aí, quem sabe, na próxima curva da estrada aquela mesma pessoa, indultada pelo nosso perdão, reaparece para nos fazer feliz.

Alguém perguntará, racionalmente, qual a importância de perdoar depois de tanto tempo, quando aquilo que doía nem dói mais, e quando a chance de cruzar o outro na nossa estrada é cada dia mais remota. Eu diria que a importância é enorme, por algumas razões.

Não se deve andar pela vida levando mágoas desnecessárias. Quem perdoa descarrega um fardo e anda mais leve, porque deixou a dor para trás. Quem perdoa também resgata, recupera pedaços de si que estavam ligados àquele que não poderia ser lembrado. Nesse sentido, perdoar permite retomar a posse de seus próprios sentimentos e memórias. Às vezes, com sorte, esse perdão abra as portas para a recuperação das pessoas na nossa vida, de um novo jeito.

Uma vez, faz algum tempo, eu almoçava com uma amiga e falamos de uma pessoa comum, muito importante para mim. Ao longo da conversa, sem que me desse conta, comecei a falar dela de uma forma enternecida e alegre, como há muito não falava. Ao fazer isso, ao me permitir lembrar, de alguma forma ficou claro o buraco que aquela mulher deixara na minha vida. Dias depois, por essa porta entreaberta, entrou um sonho, o primeiro em anos em que não havia conflitos ou brigas, apenas afeto e intimidade. Foi como um resgate. Foi como olhar para uma foto que me parecia horrível e perceber o quanto havia de beleza nela. Foram precisos quase 10 anos, mas o meu olhar, finalmente, mudara. No lugar da dor e do ressentimento, havia apenas um suave perdão.

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Aplaudir pôr do sol, abraçar… Veja o que surpreendeu os estrangeiros

Turistas que vieram para a Copa listam o que acharam mais surpreendente.
Pão de queijo, compras parceladas e falta de pontualidade foram citados.

O chileno Richard, o americano Joe, a estoniana Elsa e o suíço Lukas Bärtschi (foto: Arquivo pessoal)
O chileno Richard, o americano Joe, a estoniana Elsa e o suíço Lukas Bärtschi (foto: Arquivo pessoal)

Flávia Mantovani, no G1

O americano Joe Bauman, que veio para a Copa do Mundo no Brasil, achou estranho ver que todo mundo colocava algo que parecia areia na comida. Foi assim que ele descobriu a farofa e virou adepto. “Comecei a colocar farofa em tudo”, conta ele, que também ficou surpreso com as paisagens naturais, a obrigatoriedade de votar nas eleições e o interesse das brasileiras pelos gringos.

O G1 perguntou a Joe e a outros 11 estrangeiros que visitaram o Brasil durante o Mundial o que eles acharam mais curioso ou diferente aqui em relação a seus países de origem. As respostas foram variadas, mas um ponto se repetiu em quase todos os depoimentos: a surpresa positiva com o jeito alegre e receptivo do povo. Confira a seguir o que os turistas responderam:

O canadense Florent Garnerot (foto: Florent Garnerot/Arquivo pessoal)
O canadense Florent Garnerot
(foto: Florent Garnerot/Arquivo pessoal)

Florent Garnerot, do Canadá

– Na praia, os brasileiros ficam de frente para o sol, e não para o mar. Achei interessante!

– Os brasileiros se encontram, bebem juntos e dividem a conta. No Canadá, cada um paga o que consome.

– Aqui os casais se beijam e demonstram afeto em público, o que não acontece no Canadá.

– As mulheres sempre usam joias, maquiagem… Elas se arrumam muito.

– Quando quero encontrar um amigo no Canadá, preciso planejar com pelo menos uma semana de antecedência. Eles precisam falar com suas mulheres, etc. No Brasil, isso é muito mais espontâneo.

Joe, dos EUA (foto: Joe Bauman/Arquivo pessoal)
Joe, dos EUA (foto: Joe Bauman/Arquivo pessoal)

Joe Bauman, dos Estados Unidos

– Quando cheguei aqui, me perguntava por que todo mundo colocava areia na comida. Depois provei e vi que tinha gosto de bacon. E finalmente comecei a colocar farofa em tudo.

– Os brasileiros bebem muito. Todos os compromissos sociais envolvem amigos e cerveja.

– Achei estranho ver que muitas famílias de classe média têm empregadas domésticas. Nos EUA, só os ricos têm. Fiquei um pouco desconfortável de ver que uma estranha ia fazer minha cama, lavar minha roupa ou preparar meu café da manhã.

– Os brasileiros adoram dar comida para as visitas. É a forma de eles cuidarem de você.

– Fiquei impressionado de saber que os adultos são obrigados a votar. Nos Estados Unidos, temos taxas vergonhosamente baixas de comparecimento nas eleições.

– Fiquei maravilhado com as belezas naturais. As montanhas, as praias, a vegetação, tudo é diferente de onde eu moro. Não podia acreditar que existisse um parque do tamanho do da Tijuca dentro de uma grande cidade como o Rio.

– Fiquei impressionado de saber que foram criadas tantas Constituições no país e que a versão atual recebeu tantas emendas. É muito diferente da Constituição americana, que é muito antiga e foi modificada poucas vezes.

– Achei meio nojento ver que aqui jogam o papel higiênico na lixeira [e não no vaso sanitário]. Não fica um cheiro ruim?

– Aqui passam muitos programas de TV americanos, mas tudo da década de 1990. Achei engraçado ver que os brasileiros adoram o seriado “Friends”, que não vai ao ar nos EUA há mais de dez anos.

– As brasileiras parecem adorar os gringos. Estranho, né? Mas achei isso ótimo. Aliás, minha parte favorita do Brasil, com certeza, foram as brasileiras. Eu me apaixonei. Mais de uma vez. Certamente voltarei um dia ao Brasil para encontrar minha futura mulher.

– O coração e a alma deste país maravilhoso são os brasileiros. Eles queriam me mostrar tudo e se certificar de que eu tivesse uma boa experiência – e eu certamente tive!

O esloveno Luka (foto: Luka Jesih/Arquivo pessoal)
O esloveno Luka (foto: Luka Jesih/Arquivo pessoal)

Luka Jesih, da Eslovênia

– Os brasileiros falam alto, quase gritando, e muito rápido.

– Vocês comem MUITO. Muito mesmo. Passei uma semana com uma família brasileira e sempre tinha alguma comida ou fruta na mesa.

– Na Europa, tudo é mais calmo. No Brasil, quando as pessoas cantam o hino, elas choram, cantam alto e com muita emoção.

Richard Diaz (foto: Richard Diaz/Arquivo pessoal)
Richard Diaz (foto: Richard Diaz/Arquivo pessoal)

Richard Diaz, do Chile

– Fiquei surpreso de ver como é rápido fazer amigos aqui, tanto na favela quanto nos condomínios mais exclusivos.

– Percebi que os homens são muito machistas. Eles tratam as parceiras como empregadas deles, especialmente em relação às tarefas domésticas.

Adam, Pete e Dave (foto: Flávia Mantovani/G1)
Adam, Pete e Dave (foto: Flávia Mantovani/G1)

Adam Burns, David Bewick e Pete Johnston, da Inglaterra

– Achamos estranho ver que aqui vocês comem coração de galinha.

– Os brasileiros são muito vivos e cheios de energia. Vocês se mexem muito, estão sempre se mexendo.

– Vocês também sorriem muito.

Mohamed, da Argélia (foto: Flávia Mantovani/G1)
Mohamed, da Argélia (foto: Flávia Mantovani/G1)

Mohamed Moulkaf, da Argélia

– Na Argélia, não há mulheres que dirigem motos.

– Quase todas as lojas daqui parcelam as compras em várias vezes sem juros. Gostei disso. Dá para pagar o mesmo preço dividindo até em dez meses.

– Os seguranças de banco aqui andam armados. Lá, não é assim.

Kyle Dreher (foto: Kyle Dreher/Arquivo pessoal)
Kyle Dreher (foto: Kyle Dreher/Arquivo pessoal)

Kyle Dreher, do Canadá

– Quando você conhece alguém, dá dois beijinhos na bochecha. Isso é muito diferente do aperto de mão que a gente dá no Canadá.

– Adorei o queijo coalho com orégano na praia! E o milho também! Todo dia eu comia.

– No Brasil, as pessoas aproveitam mais a vida e o presente que no Canadá. Lá, todo mundo é muito focado em trabalho, dinheiro e status.

– Na favela perto de onde eu estava hospedado, soltavam fogos de artifício toda hora, de dia e de noite. No começo, achei que fossem tiros de revólver, mas depois descobri que é um sinal de que as drogas estão chegando por lá. Acabei me acostumando.

O chileno Rodrigo Escobar Rebolledo (foto: Rodrigo Escobar/Arquivo pessoal)
O chileno Rodrigo Escobar Rebolledo
(foto: Rodrigo Escobar/Arquivo pessoal)

Rodrigo Escobar Rebolledo, do Chile

– A amabilidade, a forma de receber as pessoas, a alegria e a simplicidade do povo brasileiro foram o que mais me chamou a atenção. Fomos tão bem recebidos em Cuiabá, que isso me marcou. Você perguntava algo e te indicavam tudo, te convidavam para churrascos.

– Vocês sempre têm um sorriso para mostrar. Nós chilenos também somos acolhedores, mas somos mais sérios, formais, calados.

– As garotas são lindas, carinhosas e simpáticas. Quero um dia ter uma esposa brasileira.

– Os brasileiros são muito relaxados, mais até do que se deve, às vezes. A turma marca de se encontrar “amanhã às 10h” e ninguém aparece.

– A parte ruim foi encontrar muita obra inacabada, pelo menos em Cuiabá.

Elsa (foto: Fernando Nunes/Arquivo pessoal)
Elsa (foto: Fernando Nunes/Arquivo pessoal)

Elsa Saks, da Estônia

– Estranhei o arroz com feijão. No início, pensei: “É sério isso?”. Mas acabei achando superdelicioso.

– Gostei muito do pão de queijo. Tão bom! Adorei.

– Músicos não são pagos pelo bar onde tocam, mas pelo couvert que os clientes pagam.

– Brasileiros jantam tarde. É normal comer às 22 horas.

– Os brasileiros não são bons em pontualidade.

Lukas (foto: Lukas Bärtschi/Arquivo pessoal)
Lukas (foto: Lukas Bärtschi/Arquivo pessoal)

Lukas Bärtschi, da Suíça

– Foi ótimo ver todo mundo na rua usando roupas amarelas, desde uma senhora idosa com chapéu do Brasil até uma criança com a camisa da Seleção.

– Ficamos surpresos de ver como tudo foi bem organizado. O ônibus para o estádio, as informações para o aeroporto, tudo funcionou muito bem.

– Muita gente se esforçava para falar inglês. Quando estive no Brasil antes, há seis anos, ninguém falava nem uma palavra.

– Foi muito especial ver que cada estádio servia a comida típica da região. E todas eram muito gostosas.

– As pessoas são todas alegres e recebem você de braços abertos.

O inglês Daniel com a mulher, que é brasileira (foto: Daniel Lane/Arquivo pessoal)
O inglês Daniel com a mulher, que é brasileira
(foto: Daniel Lane/Arquivo pessoal)

Daniel Lane, da Inglaterra

– Os brasileiros muitas vezes usam roupas muito apertadas.

– As pessoas chegam atrasadas para tudo.

– Vocês abraçam muito mais.

– Vocês falam “Boa praia!” para as pessoas.

– As pessoas são bem mais religiosas – geralmente, nós só somos religiosos quando queremos muito uma coisa: por exemplo, que nosso time avance na Copa do Mundo.

George mostra o ingresso para um jogo da Copa (foto: George Woolley/Arquivo pessoal)
George mostra o ingresso para um jogo da Copa
(foto: George Woolley/Arquivo pessoal)

George Woolley, dos EUA

– As pessoas aplaudem o pôr do sol na praia do Rio. Isso nunca aconteceria nos Estados Unidos.

– Poder beber cerveja em público também é algo que não acontece nos EUA, exceto em lugares como Nova Orleans.

– O fato de que as pessoas são tão felizes por estarem vivas é algo muito diferente e palpável.

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Sua vida não pertence a Deus. Pertence a você

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Publicado por Leonardo Sakamoto

Caro amigo, desculpe a postagem pública, mas achei que não ia se importar. Espero que a reflexão lhe seja útil neste momento de dor, mas também de paz. Ele é o meu longo abraço para você. Aos demais leitores, esta é uma reflexão que gosto de compartilhar sempre que a inexorabilidade do tempo se faz presente. Sei que o clima atual é festivo. Mas a morte faz parte da vida.

Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1942. Sol. Contrariando a previsão do tempo, aquele seria mais um dia seguido de calor na capital do país. Casais de namorados andavam despreocupados pela orla de Copacabana e, no Catete, Getúlio posicionava as forças tupiniquins na grande guerra. Enquanto isso, além da linha do bonde, em uma casinha humilde no subúrbio, dava-se à luz uma menina. Pele negra, olhos puxados, quase três quilos e meio, Maria.

Têm sido frequentes os pedidos à Justiça na Europa e Estados Unidos para que doentes terminais com dores insuportáveis cometam eutanásia. Querem ter o direito de partir lúcidos e ao lado dos familiares, mas muitos apelos vêm sendo solenemente ignorados. Acabam cometendo suicídio sozinhos, outros ajudados na clandestinidade. Na verdade, pouco importa, porque em ambos os casos significa que o Estado lhe deu as costas.

Exemplos como esses fazem sentir o quão mesquinha é a humanidade. Afinal, isso não é uma discussão sobre a morte, mas sobre a vida e sua dignidade, ou seja, de como as pessoas querem terminar os seus dias.

Maria, como tantas outras Marias, cresceu em um lugar pobre. E como tantas outras Marias ficou órfã muito cedo. Seu pai morreu quando ela ainda não havia desmamado e a mãe seguiu o marido não muito tempo depois. Caçula de quatro irmãos, foi ser criada pela tia. Aos 14, deu o seu grito de independência. Apesar de inteligente, a monotonia da escola não era para ela. Seria considerada apenas mais uma criança problemática pela psicologia moderna. Deixou sua casa e saiu pelo mundo em busca da vida.

O Estado deve proteger a vida. Mas que tipo de vida? Aquela sem qualidade nenhuma, de dor e sofrimento, apenas para cumprir uma exigência legal, filosófica ou religiosa?

Histórias de médicos que cometem eutanásia (para além da ortotanásia, que é deixar a vida e a morte seguirem seu curso e se encontrarem) diariamente nas UTIs não são raridade no Brasil. Pessoas com sensibilidade para entender quando o seu semelhante quer dar cabo de sua existência devido a um sofrimento extremo e não tratável. Normalmente, aumentam a dose de medicação até o ponto de falência do organismo. Mas, da mesma forma, há os que atendem os apelos de familiares que não querem deixar seus entes queridos partirem e os mantém em uma não-vida por meses. Ou aqueles que acreditam que podem controlar a vida alheia sob o nome de Deus.

De acordo com o historiador Phillippe Ariès, no seu livro O homem diante da morte, a partir do século 12, entre os ricos, os letrados e os poderosos cresceu a idéia de que cada um possui uma biografia pessoal. No início, essas biografias era constituídas apenas dos atos bons e maus de cada um, unidos em torno de um só julgamento: o de ser. Com o passar do tempo, a biografia foi se constituindo também de coisas, animais, posses, pessoas apaixonadamente amadas e de uma reputação: a de possuir.

Ao final da Idade Média, a consciência de si mesmo e da sua biografia confundiu-se com o amor pela vida. A morte começou a ser encarada não mais como a conclusão “do ser”, mas uma separação “do possuir”: morrer é deixar casas, plantações, cavalos e jardins. Em plena saúde, a alegria de aproveitar “as coisas” ficou alterada pela visão de que um dia o fim chegaria. O contexto histórico também não ajudou muito: no continente europeu, a peste negra exterminou boa parte da população. Tudo isso fez com que a morte deixasse de ser balanço de contas ou sono (para os que acreditavam em vida após a morte) para se tornar carniça e podridão. Não mais o fim da vida, mas morte física, sofrimento, decomposição.

Desvincular a idéia de morte como prejuízo ou frustração, esse é o primeiro passo que deve ser dado para mudar nossa visão diante da eutanásia. Se por um lado o fim da vida pode representar culpa aos que estão indo, significa derrota para os que tentam curar.

Devido ao seu temperamento explosivo, Maria não ficou no seu primeiro emprego por muito tempo. Era desbocada. Quando tinha que dizer algo, não relutava e dizia. Depois tinha que arcar com as conseqüências. Não se tem muito conhecimento sobre sua juventude. O que se sabe vem da boca do povo. As boas línguas dizem que Maria deu sangue e suor para sobreviver. As más, que era boêmia, que dançava, que cantava, que era namoradeira, que bebia muito, que saía sozinha, que contava piadas cabeludas, que juntara os trapos sem passar pelos laços do sagrado matrimônio. Quando questionada sobre o que realmente aconteceu nessa época, Maria ficava em silêncio. E depois de um instante sorria, dizendo: eu era feliz.

A Medicina convencionou chamar de pacientes terminais as pessoas que se encontram no estágio final de moléstias fatais, como é o caso de um câncer avançado ou da Aids. Em muitos hospitais, laboratórios e centros de saúde trava-se uma verdadeira batalha contra essas doenças. No livro Aids e suas Metáforas, a escritora Susan Sontag diz mais: “é uma guerra na qual o inimigo precisa ser derrotado a qualquer custo”. Louvável o empenho dos doutores da ciência. Contudo, o problema é que diversas vezes essa guerra assume um valor muito alto, financiado às custas da dignidade do paciente.

Ninguém quer perder nunca. Muito tempo atrás, ouvi de um dos mais respeitados infectologistas brasileiros que é necessário que o médico tenha a capacidade de compreender as suas limitações. “Ele é formado para salvar vidas e, quando se depara com uma situação de morte, a encara como uma derrota pessoal. Isto está errado. Quando o paciente está no fim da vida e o médico passa a estendê-la artificialmente, pensa que está em um jogo. Um jogo entre ele e a morte da pessoa. E como inexoravelmente é a morte que ganha nessas condições, ele acaba se julgando um perdedor”.

“A morte é apenas mais uma etapa da vida e como tal deve ser encarada”, me afirmou a psicóloga Ana Maria Barbosa. Aceitá-la como mais uma fase pela qual todos teremos que passar, conviver com a idéia de finitude da própria existência e tirar o máximo proveito disso.

Contudo, como disse o poeta, “pensar que a vida cessa é íngreme”. Saber que há um fim faz o homem evoluir enquanto indivíduo, enquanto sociedade. Leva o homem a se levantar, bater a poeira e ir atrás dos seus objetivos na Terra, uma vez que seu tempo aqui é escasso.

Qual o principal objetivo do homem? Essa pergunta sempre vem à tona quando se chega a esse ponto da discussão. Para que estamos aqui? Sem querer encerrar uma discussão relacionada ao sentido que damos à nossa própria existência, gosto de caminhar na mesma direção daqueles que acreditaram que a razão resida na busca da felicidade. Mas, se é assim, também é grande o número de pessoas que deixam escapar de suas mãos a chance de dar sentido às suas vidas. É comum ouvir frases do tipo: “bem que eu gostaria, mas tenho que deixar para depois”.

Boa parte das pessoas que sofrem de doenças fatais caem em uma angústia profunda e negam veementemente o fim de suas existências. Muitos pacientes não aceitam o fim como etapa do processo e sofrem muito negando a morte. Isto não significa que a notificação da proximidade do seu próprio óbito tenha que ser recebido com júbilo. Mas de onde vem esse sentimento de revolta, essa tristeza?

Há uns 35 anos, Maria conheceu Antônio. Definitivamente não foi amor à primeira vista. Maria era extrovertida, grandona, aloprada. Antônio era baixo, calado, trabalhador. Casaram-se e pouco tempo depois foram tentar a vida em São Paulo. Através da Caixa Econômica Federal financiaram um apartamento de dois quartos lá na Vila Maria. E Maria foi tentar realizar um velho sonho: ter uma criança. Porém, a sorte lhe fez abortar duas vezes antes de descobrir que era estéril. Não desanimou. Adotou José. E gostou tanto que seis anos depois, trouxe Carolina para fazer parte da família.

“Na verdade, não é a morte que está sendo negada e sim tudo o que deixou-se de fazer na vida. Ou seja, a angústia da morte é conseqüência da falta de importância que se deu à vida”, afirmou Ana Maria Barbosa. Em sua dissertação de mestrado Viagem ao Vale da Morte – um estudo psicológico das mulheres que, por sofrerem de câncer de mama, tiveram o seio amputado – ela quebra as amarras sobre o tema:

“A questão não é a morte, mas a vida! Desta maneira cabe ao homem dar sentido à sua própria existência. A intensa dificuldade em lidar com o próprio ódio diante do engodo da vida. Talvez seja este o fator que impossibilita a aceitação do fim. Em contrapartida, a melancolia torna o sofrimento interminável. Perdido o objeto [a morte] e desconhecido o que se perdeu nele [a vida], instalado está o vazio, amputada está a fonte de alimento e aconchego.”

José já era homem e Carolina uma garotinha sapeca quando Maria descobriu um carocinho no seu seio direito. Exames mostraram que estava tudo bem, que o tumor era benigno. Seria feita apenas uma pequena cirurgia para extrair o nódulo. Porém, quando abriram, viram um tumor, maligno, dominando todo o seio. Para que a praga não atingisse outro lugar, foi consenso arrancar-lhe a mama. A partir daí, Maria teve que dividir os afazeres domésticos com sessões semanais de rádio e quimioterapia. Devido às doses cavalares de química, o seu pulmão direito foi queimado. Mas ninguém lhe contou. Maria pensava que a dificuldade de respirar fazia parte da debilidade causada pelo tratamento. (mais…)

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A graça das coisas

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Publicado por Piero Barbacovi

Elienai Cabral Jr. uma vez falou: Se você não for salvo pela graça, será por ela escandalizado.

Jesus sentava-se à mesa com qualquer um que queria estar presente, inclusive os que eram banidos das decentes casas. Compartilhando da refeição, eles recebiam consideração em vez da esperada condenação. Um perdão misericordioso em vez de um apressado veredicto de culpa. Graça admirável em vez de desgraça universal. Eis aqui uma demonstração muito prática da lei da graça – uma nova chance na vida.

Jesus afirma, com efeito, que o Reino de seu pai não é uma subdivisão para os justos nem para os que sentem possuir o segredo de Estado da salvação. O Reino não é um condomínio fechado elegante com regras esnobes a respeito de quem pode viver ali dentro. Não; ele é para um elenco mais numeroso de pessoas, mais rústico e menos exigente, que compreendem que são pecadores porque já experimentaram o efeito nauseante da lua moral. Homens e mulheres que são verdadeiramente preenchidos com a luz são aqueles que fitaram profundamente as trevas da sua existência imperfeita.

O problema é que a maioria aceita a graça na teoria, mas a nega na prática. Dobrando-se aos poderes deste mundo, a mente deformou o evangelho da graça em cativeiro religioso e distorceu a imagem de Deus à forma de velho chatonildo, sempre de cara emburrada. O amor foi reprimido e a liberdade, acorrentada.

Nossa espiritualidade começou a começar no eu, não em Deus. Nossa fissura por impressionar a Deus, nossa luta pelos méritos de estrelas douradas, nossa afobação por tentar consertar a nós ao mesmo tempo em que escondemos nossa mesquinharia e chafurdamos na culpa são repugnantes para Deus e uma negação aberta do evangelho da graça.

Toda geração cristã tenta minimizar o cegante brilhantismo do significado do evangelho, porque ele fica parecendo bom demais para ser verdade. Pensamos que salvação pertence aos decentes e piedosos, àqueles que permanecem a uma distância segura dos becos da existência, cacarejando seus julgamentos sobre aqueles que a vida maculou.

A Boa Nova significa que podemos parar de mentir a nós mesmos. O doce som da graça admirável nos salva da necessidade do auto-engano. Pois a Graça proclama a assombrosa verdade de que tudo é presente. Tudo de bom é nosso não de direito, mas meramente pela liberalidade de um Deus gracioso. Embora haja muito que podemos ter feito para merecer – nosso diploma e nosso salário, nossa casa e nosso jardim, uma garrafa de boa cerveja e uma noite de sono caprichada – tudo é possível apenas porque nos foi dado tanto: a própria vida, olhos para ver e mãos para tocar, mente para formar ideias e coração para bater com amor.

Não há coisa alguma que algum de nós possa fazer para herdar o reino. Devemos simplesmente recebê-lo e aproveitá-lo como criancinhas. E criancinhas não fizeram coisa alguma. As crianças são nosso modelo porque não têm a menor pretensão ao céu. Se estão mais próximas de Deus é porque são incompetentes, não porque são inocentes.
A igreja deve estar constantemente consciente de que sua fé é fraca, seu conhecimento incompleto, sua profissão de fé hesitante, de que não há um único pecado ou falha do qual ela não seja de um modo ou outro culpada. E embora seja verdade que a igreja deva sempre se dissociar do pecado, ela não pode jamais ostentar qualquer desculpa para manter qualquer pecador à distância.

Porque meu encontro com Cristo não me transformou num anjo. Porque a justificação pela graça significa que meu relacionamento com Deus foi consertado, não que me tornei o equivalente a um paciente sedado em cima de uma mesa.

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