Casa de gremista acusada de racismo é depredada com coquetel molotov no RS

Torcedora acusada de racismo teve a casa incendiada no RS
Torcedora acusada de racismo teve a casa incendiada no RS

Marinho Saldanha, no UOL

Depois de ter a casa apedrejada e ser alvo de ameaças, a torcedora do Grêmio Patricia Moreira da Silva, flagrada dirigindo insultos racistas ao goleiro Aranha, do Santos, teve sua casa incendiada em Porto Alegre nesta sexta-feira.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e esteve no local por volta das 4h da manhã, e conseguiu controlar as chamas. Segundo o advogado de Patricia, Alexandre Rossato, a torcedora não reside mais no local, e está morando com familiares.

“Na verdade não foi incêndio, e sim um ato de vandalismo. Atearam fogo em, provavelmente, um coquetel Molotov, e arremessaram na casa. Não chegou a pegar, mas poderia ter sido bem pior. É uma situação muito complicada”, disse o advogado.

“Não temos ideia dos autores, mas o que está acontecendo é um absurdo. Estão tendo atos muito mais criminosos do que qualquer crime que ela tenha cometido”, completou.

Um dos irmãos de Patrícia vai prestar queixa na polícia ainda na tarde desta sexta-feira. A torcedora falou à imprensa pela primeira vez no último dia 5, e se disse arrependida dos insultos.

O caso acarretou na exclusão do Grêmio da Copa do Brasil em julgamento realizado no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, em uma decisão inédita no futebol brasileiro.

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Jovem é ameaçada após fazer vídeo com gato sendo jogado pela janela

Caso ocorreu no dia 19 de agosto em Diadema, no ABC.
‘Vai, Alice! Vai, Alice! Tchau!’, diz adolescente, ao empurrar o animal.

Página no Facebook com ameaças à adolescente foi criada (foto: Reprodução/Facebook)
Página no Facebook com ameaças à adolescente foi criada (foto: Reprodução/Facebook)

Publicado no G1

Uma adolescente de Diadema, no ABC, está recebendo ameaças de internautas depois de supostamente ter postado vídeo nas redes sociais no qual aparece empurrando um gato da janela de um apartamento no 14º andar de um edifício. O caso teria ocorrido em 19 de agosto, quando o vídeo começou a ser distribuído por meio do WhatsApp e caiu na internet.

Na imagem, a jovem filma a gata, chamada Alice, antes de empurrá-la pela janela. Em seguida, ela diz: “Vai, Alice! Vai, Alice! Tchau!”. Depois, empurra o bichano, mas não consegue filmar a queda nem o impacto do animal no chão.

Horas antes, a adolescente teria escrito na conta dela do WhatsApp: “Amo mortadela, enquanto você lia, um gato saiu voando pela janela”. No dia seguinte, a jovem abriu um perfil no Twitter e passou a retuitar os comentários sobre o vídeo. Posteriormente, ela postou: “NINGUÉM sabe o que eu passei”. Na última mensagem, ela diz apenas “ADEUS”.

Revoltados com o vídeo, um grupo criou uma página no Facebook com uma comunidade intitulada “Não adianta se esconder, vamos te jogar pela janela”, com uma foto da adolescente. Até a noite desta quarta-feira, a página havia recebido 2.719 curtidas.

O perfil da jovem no Facebook foi deletado. O G1 tentou contato por telefone com a adolescente, mas ela não atendeu as ligações nem retornou os recados deixados na caixa postal.

Vídeo mostra gata chamada Alice sendo jogada de prédio em Diadema, no ABC (foto: Reprodução/internet)
Vídeo mostra gata chamada Alice sendo jogada de prédio em Diadema, no ABC (foto: Reprodução/internet)

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Homem é preso por ameaçar divulgar conteúdo íntimo de ex-namorada

Professor de jiu-jitsu preso por ameaçar publicar vídeos íntimos da ex-namorada. Euller Alves Barbosa, 25 anos, foi preso no último sábado. Imagens da vítima eram capturadas por meio do Skype

Homem ameaçava divulgar vídeos íntimos de ex-namorada na internet (Reprodução)
Homem ameaçava divulgar vídeos íntimos de ex-namorada na internet (Reprodução)

Publicado no Pragmatismo Político

A Polícia Civil prendeu um homem suspeito de extorquir a ex-namorada e ameaçá-la de publicar vídeos íntimos dela na internet. Euller Alves Barbosa, 25 anos, foi preso no último sábado, mas o caso foi divulgado nesta segunda-feira (28) pela Delegacia de Crimes Cibernéticos. O professor de jiu-jitsu utilizou programas para gravar, sem o conhecimento e autorização, as vídeo chamadas realizadas pelo Skype com a vítima, em que os dois praticavam sexo virtual. Com isso, Euller passou a controlar a vítima, ditando o que ela podia ou não fazer e até impedir a jovem de terminar o relacionamento com ele.

De acordo com a polícia, Euller, que atualmente residia em Brasília, exigiu da vítima R$ 314 para que ele comprasse uma passagem de ônibus para o Recife, com chegada para a tarde do último sábado (26), onde iria ficar hospedado na casa da vítima, contra a vontade dela.

Já que a chegada do rapaz estava agendada para o sábado, o delegado Germano Cunha pediu na Justiça a prisão temporária do professor. Ele foi preso assim que desembarcou no Terminal Integrado de Passageiros (TIP). No celular dele, havia fotografias e vídeos íntimos da vítima. Euller Alves Barbosa foi autuado em flagrante por extorsão e pode pegar uma pena de 4 a 10 anos de reclusão. Após prestar depoimento, o detido foi levado ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima, onde ficará à disposição da Justiça.

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‘Não como e não durmo mais’, diz jovem torturada por mais de 6 horas

Ela teve o cabelo cortado e levou socos; agressões foram parar na internet.
Jovem e amigos teriam armado para torturar vítima que é de Suzano.

Vídeo de adolescente de Suzano sendo espancada foi parar no YouTube (foto: Reprodução/YouTube)
Vídeo de adolescente de Suzano sendo espancada foi parar no YouTube (foto: Reprodução/YouTube)

Carolina Paes, no G1

Após ter ficado seis horas e meia sendo torturada por uma jovem, a adolescente de 15 anos, moradora de Suzano (SP), diz que sua vida acabou depois da agressão. “Eu não durmo, não como e nem saio para ir à escola. Ela [agressora] destruiu com a minha adolescência”, declarou a vítima.

A agressão foi na última sexta-feira (21) em uma rua deserta perto da estação de trem, em Guaianazes, na Zona Leste de São Paulo. A adolescente foi torturada por uma garota que foi ajudada por outros dois jovens. A vítima foi acusada de “talaricar” (paquerar alguém que é comprometido na gíria popular) o namorado dela. Os momentos de tortura foram registrados e divulgados no YouTube, mas as imagens foram retiradas nesta sexta-feira (28) horas depois da reportagem ser publicada pelo G1.

Durante a entrevista, a adolescente lembra as horas que ficou refém dos jovens. “Foi o pior dia da minha vida. Eles me ameaçavam e diziam que se eu contasse para alguém iam me matar”. Além de ter sofrido agressões psicológicas, a vítima teve o cabelo cortado com uma tesoura e ainda levou vários socos no rosto. Ela diz que ficou sabendo do vídeo pela mãe quando estava na casa de uma amiga. “Minha mãe me ligou várias vezes e quando atendi me contou do vídeo. Foi só aí que falei da tortura. Quando vi o vídeo entrei em desespero. Não acreditava no que estava acontecendo. Ela [agressora] acabou com a minha imagem”, declara.

A mãe da vítima, que preferiu não se identificar, em entrevista ao G1 nesta sexta (28)  afirmou que só ficou sabendo das agressões sofridas pela filha depois que as imagens começaram a ser compartilhadas nas redes sociais. “É torturante ver esse vídeo. Minha filha não teve chance de defesa. Ela ainda é ameaçada nas redes sociais por essa menina e as amigas. Quero que peguem essa covarde”.

Um boletim de ocorrência foi feito na Delegacia da Mulher de Itaquera. A menina de 15 anos também passou por exame de corpo de delito. Por conta da repercussão na internet, a adolescente afirma já ter virado motivo de piadas. “Não vou para escola e tenho vergonha de sair de casa. Tem gente que é solidário, mas outras ficam me zuando”.

O Conselho Tutelar de Suzano informou que recebeu na noite de quinta-feira (27) uma denúncia do caso vinda de uma mulher que teve acesso ao vídeo pelas redes sociais. Porém, como ainda não foi acionado pela família da vítima, aguarda o contato para poder dar o apoio psicológico para adolescente.

Agressão
Para atrair a vítima até o local da agressão, a jovem mandou mensagem dizendo que precisava da ajuda da adolescente para desmascarar o namorado, que mentia sobre o fato de estar solteiro. “Confiei nela e fui para gente conversar e desmascará-lo”, conta a vítima.

A vítima saiu de casa por volta das 16h sem dizer para a mãe onde ia. Ao chegar na estação de trem de Guaianazes, em São Paulo, ela foi surpreendida pela agressora “Só ela me batia. Os outros dois rapazes ficavam incentivando e filmavam. Eu já conhecia há algum tempo o namorado dela [agressora], mas quando ele voltou a namorar eu apaguei ele do Face. De uns dia para cá ele me procurou de novo, disse que eu estava bonita e que estava solteiro. Começamos a conversar.”

Com ciúmes, a agressora teria visto as mensagens da vítima no celular do namorado e ficado enfurecida com a possível traição. “Eu não tinha noção do mostro que ela [agressora] era e nem que era tão covarde”, diz. “Quando me prendeu ela só dizia que queria que eu falasse que eu não ia ficar com ele.”

A vítima ainda diz que é ameaçada pela agressora. “Depois que apanhei ela me obrigou a manter segredo. Se não fizesse isso disse que ia me matar. Até hoje, ela e as amigas ficam me mandando mensagem de ameaças no celular e na internet. Falam que vão raspar todo o meu cabelo e me cortar.”

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Organizadora do “Eu não mereço ser estuprada” recebe ameaças de estupro

nanaPublicado por Leonardo Sakamoto

A jornalista e escritora Nana Queiroz (28) é a responsável pela campanha “Eu não mereço ser estuprada”, que inundou as redes sociais nesta sexta, como uma resposta aos resultados de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Ele revelou que 65,1% da população concorda total ou parcialmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e 58,5% concordam total ou parcialmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

A campanha pediu que mulheres fotografassem a si mesmas, da cintura para cima, nuas ou não, reafirmando – com cartazes ou escrito em seu próprio corpo – que não merecem serem estupradas e circulassem as imagens pelas redes sociais com hashtags como #EuNãoMereçoSerEstuprada.

Pedi para Nana um texto sobre os resultados até agora. Se por um lado, há um engajamento crescente e uma vontade de muita gente de não mais aguentar em silêncio, de outro a constatação de que quando se tenta mudar essa realidade, o contra-ataque machista – vindo de homens e mulheres – é aterrador.

Verdadeiras e falsas coragens, por Nana Queiroz

Acordei de uma noite mal dormida e perturbada. Adormeci ao som das notificações de meu Facebook e acordei com elas. Desde que começou o protesto online “Eu Não Mereço Ser Estuprada”, nesta sexta, às 20h, recebi incontáveis ofensas. Homens me escreveram dizendo que me estuprariam se me encontrassem na rua, outros, que eu “preciso mesmo é de um negão de 50 cm” ou “uma bela louça para lavar”. Se ainda duvidava um pouco da verdade por trás da pesquisa do Ipea, segundo a qual 65% dos brasileiros acreditam que mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas, hoje acredito nela totalmente. Senti na pele a fúria revelada pela pesquisa.

Em algum momento hoje, depois que conseguir descansar um pouco, vou à Delegacia da Mulher denunciar as ameaças. Pior: vou delatar um sujeito, Cirilo Pinto, que não só confessou publicamente já ter cometido um estupro, mas afirmou que o faria novamente. Está aí o print screen da página dele, para quem duvidar. Espero que ele seja, ao menos, detido por incitar o estupro.

coisa

Centenas de perfis falsos foram criados e nosso evento bombardeado com frases machistas, pesquisas preconceituosas e montagens com fotos do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com dizeres ofensivos. Uma imagem dele ilustrou até um evento criado para promover um estupro coletivo. Caro deputado, pense: o senhor se tornou o ídolo de pessoas que defendem o estupro. Não será a hora de pôr a mão na consciência ou no coração?

Por outro lado, estou emocionada com o tamanho que a manifestação ganhou, não só pelo número de adesões, mas pela qualidade das postagens. Um resultado inesperado me comoveu ainda mais: Dezenas e dezenas de homens e mulheres contaram publicamente, muitos pela primeira vez, seus casos de estupro. Quanta coragem!

Alguns me escreveram privadamente para desabafar. Outros publicaram para milhares. Daiara Figueroa, creio eu, fez um dos relatos mais tocantes, contando como superou o trauma do abuso. Em sua foto, vestiu com orgulho um cocar, em homenagem a seu povo indígena.

Quero falar aqui, principalmente, a essas pessoas: vamos exorcizar isso juntos. Vocês nos inspiram, nos movem e comovem. Que o mundo tenha mais pessoas com a coragem legítima de Daiara e menos com a falsa coragem de Cirilo.

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