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Carta ao amigo que se suicidou

AA034249Ricardo Gondim

Por que morreste?

Quisera dar-te, amigo, as coragens que me fizeram um menino ousado na conquista da primeira namorada. Dar-te-ia também os medos que frearam a ensandecida ladeira por onde eu podia despencar na irresponsabilidade juvenil. Se pudesse, cortaria um pedaço do coração, transplantaria para teu peito a felicidade do beijo que desvirginou os meus lábios. Eu te diria que o amor resiste ao tempo e que as boas memórias que carregamos transformam qualquer tristeza em alegria. Eu te diria que tua vida ainda seria brindada por coragens e medos, alegrias e tristezas.

Quisera poder te chamar para pedalar ao meu lado até a mangueira grande e discreta, onde, solitário, confidenciei em solilóquios intermináveis alguns sonhos impossíveis. Lá veríamos juntos que, se todos os sonhos não se cumprem, persegui-los dá algum sentido à nossa vida banal.

Quisera dar-te, amigo, todos os questionamentos e descobertas que fiz sobre o mistério de Deus. Eu te convidaria a assistir ao meu primeiro rasgo de conversão. Tu serias testemunha de como, hesitante, desejei a verdade – a mesma verdade que insiste em distanciar-se de mim sempre que imagino tê-la em meus braços.

Quisera fazer-te parceiro de minha Primeira Comunhão católica em Londrina. Depois eu te chamaria para presenciar a noite de minha Profissão de Fé presbiteriana. Tu me acompanharias à vigília de oração onde recebi o Batismo no Espírito Santo pentecostal. Daí eu gostaria de conversar contigo sobre minhas recentes aberturas para uma espiritualidade existencial, comprometida com o aqui e agora.

Quisera poder falar contigo sobre a jornada em direção ao Divino, nem sempre ascendente, mas repleta de altos e baixos. Repartiríamos assim entusiasmos e tristezas. Trançaríamos nossa amizade espiritual parecida com a corda de muitos fios.

Quisera dar-te, amigo, os instantes magros em que contabilizei fracassos, derrotas, perdas – instantes que forjaram em mim o dever de perseverar. Na derrota aprendi que muitos de meus ideais não nasciam da esperança. Eu estava engolido por um quixotismo bobo. Achava que alcançaria qualquer projeto faraônico. Aprender a caminhar pelos vales, cabisbaixo e sem arrogância, nunca é fracasso.

Quando me achava onipotente fui simplório. Ingênuo, tapei buracos enormes para não ter que lidar com a des-ilusão. Mal sabia que é melhor a dura realidade do que viver escondido sob a mentira da ilusão. Para preservar instituições falidas, relevei decepções. Eu havia me convencido de que horrores éticos, que me afrontavam, não passavam de mal-entendidos. Saí da alucinação de minha prepotência para salvar a alma. Presentear-te com os meus desapontamentos seria um jeito de te pedir: não desista; não vire o tablado do jogo. A vida é assim mesmo, dura. Nem todas pessoas são confiáveis – inclusive nós mesmos. Mas vale a pena continuar. Está escrito: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.

Quisera dar-te, amigo, meu ouvido discreto, meu olhar atento, meu abraço silencioso. Partiste sem me dar a chance de te acolher. Eu faria tudo para te salvar da loucura de sair da vida antes do tempo. Para evitar a tua tragédia, fico com o ímpeto, se possível, de me colocar na trajetória da bala, na frente do trem, no olho do furacão, no meio do terremoto. Para te poupar, estaria disposto a ser antídoto, escudo, parapeito, boia, escada, paraquedas. Para te ajudar, faria qualquer coisa: massagem cardíaca, respiração boca a boca, transfusão de sangue.

Por que não me consideraste teu psicanalista, confessor, saco de pancada? Eu não te condenaria. Não te cobraria. Não te rejeitaria. Só pediria: não jogue a toalha.

Amigo, saber que segaste a vida por conta própria foi um duro golpe. Acordei desolado. O mundo ficou árido. Agora vejo que não te conhecia bem.

Carregarei a sensação de que poderia ter sido um amigo mais achegado que irmão. Não fui. Todos perdemos. Mas ao contrário de ti, não desistirei. Sei que ainda posso ser amigo de outro.

(Faz pouco tempo. Ainda dói)

 Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Cão adota gatinho rejeitado pela mãe e o resultado são essas fotos que vão melhorar seu dia

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Publicado no Hypeness

Já mostramos aqui no Hypeness alguns exemplos de amizades entre animais adoráveis, mas nem sempre convencionais (relembre aqui, aqui aqui) e a história que viemos mostrar hoje tem ganhado admiradores pelo mundo.

Quando Ichimi, uma filhote de gato foi rejeitada pela sua mãe, Jessiepon decidiu levá-la para casa. O que ela jamais poderia imaginar, é que sueu Golden Retriever, Ponzu, iria adotar o filhote e criar uma relação de afeto impressionante.

Os dois brincam juntos o tempo todo, e Ponzu dorme junto com Ichimi, ajuda-a a se limpar, e cuida dela. É claro que uma amizade assim não poderia passar sem registros – a dona dos animais começou a fotografar essa amizade e publicar as fotos no seu Instagram. O resultado? Todo mundo se apaixonou pela história, assim como a gente.

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Uma curiosidade – Jessiepon tinha adotado um outro gatinho antes, que tinha sido resgatado quando estava sendo atacado por um corvo. O gatinho morreu em agosto, deixando Ponzu sem o amigo. Agora o problema foi resolvido e todos parecem estar muito felizes!

Para ver mais fotos, acesse o Instagram da dona desses bichos lindos.

Mãe capta bela amizade entre filho e cão buldogue francês

Jaque Barbosa no Hypeness

Não há muitas coisas mais adoráveis nesse mundo que a relação carinhosa entre uma criança e seu pet. Depois da que mostramos aqui, e que fez enorme sucesso, fomos ao Instagram descobrir mais uma: um garoto de Tóquio, Japão, e o seu buldogue francês, que parecem nunca se cansar um do outro.

A culpa de estas fotos se estarem espalhando é da mãe do menino, Aya Sakai, que capta os dois nos mais variados momentos, seja abraçados a assistir TV, seja dormindo lado a lado. Veja as fotos que selecionamos e tente não se apaixonar:

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Lições de vida do papa

Ele pede para ser chamado de Jorge, recusa carros de luxo e tenta viver como um homem comum. O que você tem a aprender com ele

791_capapequenaFlávia Yuri Oshima, na Época

A cada 15 dias, sempre aos domingos, a argentina Clelia Luro espera. Aos 87 anos, com medo de sua audição falhar, ela fica próxima ao telefone e toma cuidado para que o rádio e a TV estejam baixinhos. Esse é o dia em que Jorge, um de seus melhores amigos, liga. Há 13 anos é assim. “Nossas conversas parecem reuniões de trabalho. Difícil fugir de discussões sobre política e religião”, disse ela a ÉPOCA. Eles não se veem desde o domingo 24 de fevereiro, 48 horas antes de Jorge embarcar para Roma.

Eleito papa, o bispo Jorge Bergoglio adotou o nome de Francisco e ainda não conseguiu voltar a Buenos Aires. Mas as ligações não cessaram. Na última, tiveram uma discussão feia. Clelia achou loucura ele ter dispensado o carro blindado para desfilar pelo Rio de Janeiro durante a Jornada da Juventude (leia mais sobre a operação de guerra para proteger o papa). “Disse a ele que tomaria um tiro”, afirma. Ao que o papa respondeu: “Não vou me esconder. Tenho de estar perto das pessoas. Não sou um faraó”.

Clelia conheceu o papa quando ele, como bispo, foi visitar seu segundo marido, Jerónimo Podestá, doente em casa. Podestá também fora bispo e renunciou à Igreja para casar com Clelia, uma teóloga. “Seus pares na Igreja se afastaram. Sofremos todos os tipos de ameaça”, diz ela. Quando Podestá adoe­ceu, o bispo Bergoglio foi visitá-lo em casa e no hospital. “Depois de anos de rejeição, as visitas de Jorge foram um bálsamo para a alma do meu marido”, diz Clelia. “Nos tornamos amigos.”

Essa amizade e a maneira atenciosa como o papa a conduz ilustram três características notáveis de Francisco. Primeiro, mesmo depois de ser papa, ele continua a se comportar como uma pessoa normal. Segundo, ele dá imenso valor às relações humanas. Terceiro, pratica ativamente a tolerância com aqueles que discordam dele, como Clelia.

Na mesma noite em que foi anunciado como papa, em 13 de março deste ano, houve sinais de que Francisco seria diferente de seus antecessores. Surgiu com roupas mais simples. Optou por um anel de prata, no lugar do ouro. Manteve a cruz e os sapatos modestos que sempre usou e dispensou os acessórios papais pomposos. Desde então, tem se confirmado como o papa da simplicidade e da austeridade. Um papa humilde que se preocupa com os humildes.

Seu exemplo é uma força que se espalha rapidamente no interior da Igreja. “Os padres e os seminaristas estão birutas, no bom sentido”, diz o teólogo Fernando Altmayer, professor da PUC de São Paulo. “O modelo anterior de ascensão foi revogado.” Fora da Igreja, católicos e não católicos acompanham com interesse o comportamento de um papa que parece ter muito a ensinar ao homem comum, sobretudo em tempos de crise econômica e moral. A conduta de Francisco sinaliza desapego material, apreço pelas relações humanas e misericórdia – atitudes que ressoam mesmo entre os não religiosos. “Ele funciona por contágio”, diz a jornalista argentina Evangelina Hemitiam, autora da biografia A vida de Francisco, que acaba de ser lançada no Brasil pela editora Objetiva. “O efeito que ele provoca nas pessoas é revolucionário.”

O papa que chega ao Rio de Janeiro nesta segunda-feira, dia 22, é um líder capaz de fazer o país repensar. No Brasil de 2013, que saiu às ruas em protesto contra o descaso de seus governantes, é o homem certo na hora certa. Seu exemplo de humildade e dedicação aos que sofrem, associado ao desprezo por luxo, conforto e privilégio, constitui uma espécie de repreensão silenciosa aos arrogantes que, no poder, agem como se tivessem direito a tudo. O exemplo de Francisco não mudará radicalmente o Brasil e nem tocará o coração de todos os brasileiros. Mas ele é capaz de inspirar e ensinar os que estiverem prontos a ouvi-lo.

1. VIAJE LEVE PELA VIDA 
Evangelina Himitiam, a biógrafa do papa, diz, com certo exagero, que tudo o que ele tem na vida cabe numa mala. São discos, livros, um pôster de seu time do coração – o San Lorenzo, de Buenos Aires – e um crucifixo que ganhou dos avós. Francisco é desapegado, e isso lhe permite, nas palavras dela, “viajar leve pela vida”. Anda a pé, pega transporte público e, quando cardeal, não tinha carro oficial nem motorista. Esse voto de pobreza, diz o teólogo Altmayer, não é algo triste, pelo contrário. “Quem tem pouco é mais livre, mais feliz”, diz. Talvez essa fórmula não valha para todos. Mas ela pode nos ajudar a repensar o materialismo exagerado dos nossos tempos. “O ser humano está sufocado pelo capital material. As pessoas têm sede do capital espiritual”, diz Leonardo Boff, teólogo que acaba de lançar pela editora Mar de Ideais o livro Francisco de Assis e Francisco de Roma. “As mensagens que o papa passa com suas ações fazem sentido para o espírito”, afirma Boff.

2. DÊ IMPORTÂNCIA AOS VALORES
Em lugar do apego aos bens materiais, o papa Francisco tem valores. Desde a infância, sua biografia está repleta de elementos que demonstram isso. Ele começou a trabalhar aos 12 anos, porque seu pai considerava o trabalho essencial. Guardou isso com ele. Música e literatura também são paixões precoces que ele cultiva até hoje, como elemento essencial da existência. Da ética religiosa dos jesuítas, a ordem religiosa a que Francisco pertence, extraiu a decisão de levar uma vida modesta, dedicada aos necessitados. Ele acredita que ajudar os pobres enriquece objetivamente a vida das pessoas. Nem todos estão dispostos a viver assim, movidos pelo senso de missão e pela arte, mas o exemplo de Francisco deixa claro que um punhado de convicções, gostos e atitudes simples podem, muitas vezes, ser mais importantes que um vasto patrimônio. Ao longo da vida, somos capazes de guardar coisas mais valiosas que os nossos bens.