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A respeito de rezar

rezarInácio Larrañaga

Quanto mais se reza, Deus é “mais” Deus em nós. Deus não muda. É definitivamente pleno, portanto, imutável. Está, pois, inalteravelmente presente em nós, e não admite diferentes graus de presença. O que realmente muda são nossas relações com ele, conforme nosso grau de fé e amor. A oração torna mais firmes essas relações, produz uma penetração mais entranhável do Eu–Tu, através da experiência afetiva e do conhecimento fruitivo. Acontece como um archote dentro de uma sala escura. Quanto mais o archote alumia, melhor se vê a “cara” da sala, a sala se faz presente, ainda que não tenha mudado.

Quanto menos se reza, Deus é “menos” Deus em nós. Quanto menos se reza, Deus vai se esfumando em um apagado afastamento. Lentamente se vai convertendo em simples ideia sem sangue e sem vida. Não dá gosto estar, viver, tratar com uma ideia, também não há estímulo para lutar e superar-se. Assim, Deus deixa de ser alguém, e termina por diluir-se numa realidade ausente e longínqua.
Deixando de rezar, Deus acabará por ser “ninguém”. Se deixarmos de rezar por muito tempo, Deus acabará por “morrer”, não em si mesmo, porque é substancialmente vivo, eterno e imortal, mas no coração do homem. Acabando a fonte da vida, chega-se rapidamente a um ateísmo vital.

A oração é vida e a vida é simples – não fácil – mas coerente. Quando deixa de ser vida, convertêmo-la numa complicação fenomenal. Pergunta-se, por exemplo: Como se deve rezar em nosso tempo? Pergunta sem sentido. Por acaso se pergunta como se deve amar em nosso tempo? Ama-se – e reza-se – tal como há quatro mil anos. Os fatos da vida têm sua raízes na substância imutável do homem.

fonte: fan page Ed René KIvitz

Casal celebra 70 anos de casamento e quase 80 juntos: ‘Tem que ter calma’

Eles casaram em 1944 na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Santos.
Casal voltou para a igreja e participou de uma cerimônia comemorativa.

Publicado no G1

Aposentados estão há quase 80 anos juntos (foto: Reprodução / TV Tribuna)

Aposentados estão há quase 80 anos juntos
(foto: Reprodução / TV Tribuna)

Dois aposentados completaram 70 anos de casados em Santos, no litoral de São Paulo. Antonio Branco Filho, de 94 anos, e Maria Helena Marques, de 93, voltaram a pisar na igreja Nossa Senhora Aparecida, onde selaram a união, em 1944, para celebrar a data na companhia de toda a grande família que formaram durante tantas décadas.

Maria Helena tinha 14 anos quando conheceu Antonio. Ela aprendia costura com uma senhora e ele tinha aulas de barbear no mesmo local. “O espelho foi o culpado. A professora tinha um espelho grande. Quando ele entrava eu olhava pelo espelho e comecei a gostar dele”, conta Maria Helena. “Em uma ocasião, ela saiu para comprar agulha e nós nos encontramos na rua. Começamos a bater papo. A mãe dela vinha vindo, mas eu não falei para ela”, relata Antonio. Segundo o casal, a mãe de Maria Helena até chamou a atenção da filha naquele dia porque ela estava conversando com o rapaz.

Com o tempo eles se aproximaram aos poucos e começaram a namorar. Mas, naquela época, o namoro era bem diferente. O casal nem andava de mãos dadas na rua. “Não tinha nada de beijos, nada de abraços. Naquela época, era tudo controlado. Se tinha alguém da minha família, eu fingia que não via ele”, conta Maria Helena.

Eles namoraram durante nove anos e casaram em 1944, em uma pequena igreja. O casal foi responsável pelo primeiro casamento registrado na Paróquia Nossa Senhora da Aparecida. “Ela estava bonita, com um vestido bem comprido, e eu estava lá no altar esperando ela”, lembra Antonio. Os dois acreditam que foram abençoados por Nossa Senhora, mas também por outro santo que são devotos. “Eu era devota de Santo Antônio do Embaré. Íamos os dois a pé de mãos dadas para a igreja para assistir a missa para Santo Antonio todo dia 13. Ele deve ter dado um empurrãozinho”, brinca Maria Helena.

Começo do namoro aconteceu na década de 30 (foto: Reprodução/TV Tribuna)

Começo do namoro aconteceu na década de 30
(foto: Reprodução/TV Tribuna)

Os dois construíram uma grande família. Atualmente, são cinco filhos, cinco netos e cinco bisnetos. Todos eles ainda se surpreendem e se encantam com os pequenos gestos cultivados no dia a dia. “Ele ainda é um amante a moda antiga. Ele manda flores para ela, no dia do aniversário, no dia das mães. Ele leva ela ao restaurante e puxa a cadeira para ela sentar”, conta uma das filhas do casal, Regina Helena Branco Barbosa.

Já a sobrinha Sônia de Morais Francisco sonha em ter um casamento como o dos tios. “Eu estava falando para o meu marido que também vamos fazer 70 anos de casados”, diz. “É muito emocionante ver a situação deles, com essa saúde, com disposição. Isso é amor, não tem coisa igual”, completa o marido dela, Walter Luiz Francisco.

Mesmo tendo a bênção de Santo Antonio, eles acreditam que o segredo de um casamento longo é outro. “Tem que ter calma”, conta Antonio, que sempre evitou as brigas de casal. “Quando eu começava a falar, ele saía pela porta e ia passear. Quando ele voltava os ânimos já tinham melhorado”, revela Maria. “Eu não queria brigar. Eu deixava ela falar sozinha”, se explica o marido.

Agora, em abril de 2014, Antonio pegou a mão de Maria Helena e voltou até a igreja Nossa Senhora Aparecida, 70 anos depois de dizer e ouvir o sim mais valioso da vida deles. “Até hoje eu tenho um amor por esse homem que nem sei explicar. Se ele me faltasse não sei o que seria de mim. Nunca olhei para homem nenhum, ele é o primeiro e único”, finaliza Maria Helena.

Aposentados comemoraram 70 anos de casados (foto: Reprodução/TV Tribuna)

Aposentados comemoraram 70 anos de casados (foto: Reprodução/TV Tribuna)

A marca de cereal que transformou ódio em amor

A Honey Maid transformou o ódio em amor numa resposta classificada como “épica” entre os internautas que comentaram o vídeo

A marca de cereal que transformou ódio em amor, Honey Maid: criação tem assinatura da premiada Droga5, de Nova York

A marca de cereal que transformou ódio em amor, Honey Maid: criação tem assinatura da premiada Droga5, de Nova York

Publicado por Adnews [via Exame]

No começo de março, a marca de cereal Honey Maid veiculou um anúncio diferente.

Um comercial que deixaria o deputado federal Salvador Zimbaldi – autor do projeto de lei que quer proibir famílias gays em comerciais brasileiros – de cabelos em pé.

Além de exibir pais gays no anúncio, o filme também celebrou pais de etnias diferentes. Muita gente gostou. Mas houve críticas. Muitas. O que a marca fez? Deu o troco. E com classe.

A Honey Maid chamou duas artistas. Elas imprimiram todos os comentários preconceituosos e homofóbicos em folhas de papel.

O objetivo era selecionar toda a repercussão negativa e transformá-la em algo bom. As folhas foram enroladas como se fossem tubos. Um pouco de cola quente e pronto, a resposta estava acabada.

A Honey Maid transformou o ódio em amor numa resposta classificada como “épica” entre os internautas que comentaram o vídeo.

A criação tem assinatura da premiada Droga5, de Nova York.

Veja:

Confira o comercial original:

Amor transforma você em mentiroso

foto: flickr.com/xlivexalivex

foto: flickr.com/xlivexalivex

Carol Castro, na Superinteressante

Talvez seja questão de sobrevivência para o casal. Não dá para ser sincero em todos os momentos, aí você se pega mentindo. E cada vez mais. É isso? Nada, a desculpa é bem melhor: hormônios.

Pesquisadores israelenses e holandeses precisaram de 60 homens para entender como a ocitocina, hormônio do amor liberado durante um beijo ou abraço, pode deixar você mais mentiroso. Metade deles recebeu doses do hormônio e a outra parte ganhou doses de placebo. Eles foram separados em equipes e tinham de adivinhar, num jogo de computador, se uma moeda viraria cara ou coroa.

Quem tinha tomado ocitocina mentia mais. E com menos pudor. Segundo a pesquisa, o pessoal do hormônio dizia ter acertado bem mais vezes. Aí a equipe ganhava mais dinheiro (40 centavos por acerto). “Para proteger e promover o bem-estar dos outros, humanos podem trapacear e esquecer a ética”, explica Shaul Shalvi.

Ou seja, é por amor. Um indivíduo cheio de ocitocina sente um afeto maior pelos outros. E vai fazer de tudo para vê-los bem. Mesmo se for preciso mentir para que isso aconteça.

Cuidar da Mãe Terra e amar todos os seres

”Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não poderás morrer jamais” (G.Marcel)

Publicado por Leonardo Boff

O amor é a força maior existente no universo, nos seres vivos e nos humanos. Porque o amor é uma força de atração, de união e de transformação. Já o antigo mito grego o formulava com elegância: “Eros, o deus do amor, ergueu-se para criar a Terra. Antes, tudo era silêncio, desprovido e imóvel. Agora tudo é vida, alegria, movimento”. O amor é a expressão mais alta da vida que sempre irradia e pede cuidado, porque sem cuidado ela definha, adoece e morre.

Humberto Maturana, chileno, um dos expoentes maiores da biologia contemporânea, mostrou em seus estudos sobre a autopoiesis, vale dizer, sobre a auto-organização da matéria da qual resulta a vida, como o amor surge de dentro do processo evolucionário. Na natureza, afirma Maturana, se verificam dois tipos de conexões (ele chama de acoplamentos) dos seres com o meio e entre si: uma necessária, ligado à própria subsistência e outro espontânea, vinculado a relações gratuitas, por afinidades eletivas e por puro prazer, no fluir do próprio viver.

Quando esta última ocorre, mesmo em estágios primitivos da evolução há bilhões de anos, ai surge a primeira manifestação do amor como fenômeno cósmico e biológico. Na medida em que o universo se inflaciona e se complexifica, essa conexão espontânea e amorosa tende a incrementar-se. No nível humano, ganha força e se torna o móvel principal das ações humanas.

O amor se orienta sempre pelo outro. Significa uma aventura abraâmica, a de deixar a sua própria realidade e ir ao encontro do diferente e estabelecer uma relação de aliança, de amizade e de amor com ele.

O limite mais desastroso do paradigma ocidental tem a ver com o outro, pois o vê antes como obstáculo do que oportunidade de encontro. A estratégia foi e é esta: ou incorporá-lo, ou submete-lo ou eliminá-lo como fez com as culturas da África e da América Latina. Isso se aplica também para com a natureza. A relação não é de mútua pertença e de inclusão mas de exploração e de submetimento. Negando o outro, perde-se a chance da aliança, do diálogo e do mútuo aprendizado. Na cultura ocidental triunfou o paradigma da identidade com exclusão da diferença. Isso gerou arrogância e muita violência.

O outro goza de um privilégio: permite surgir o ethos que ama. Foi vivido pelo Jesus histórico e pelo paleocristianismo antes de se constituir em instituição com doutrinas e ritos. A ética cristã foi mais influenciada pelos mestres gregos do que pelo sermão da montanha e prática de Jesus. O paleocristianismo, ao contrário, dá absoluta centralidade ao amor ao outro que para Jesus, é idêntico ao amor a Deus.

O amor é tão central que quem tem o amor tem tudo. Ele testemunha esta sagrada convicção de que Deus é amor(1 Jo 4,8), o amor vem de Deus (1 Jo 4,7) e o amor não morrerá jamais (1Cor 13,8). E esse amor incondicional e universal inclui também o inimigo (Lc 6,35). O ethos que ama se expressa na lei áurea, presente em todas as tradições da humanidade: “ame o próximo como a ti mesmo”; “não faça ao outro o que não queres que te façam a ti”. O Papa Francisco resgatou o Jesus histórico: para ele é mais importante o amor e a misericórdia do que a doutrina e a disciplina.

Para o cristianismo, Deus mesmo se fez outro pela encarnação. Sem passar pelo outro, sem o outro mais outro que é o faminto, o pobre, o peregrino e o nu, não se pode encontrar Deus nem alcançar a plenitude da vida (Mt 25,31-46). Essa saída de si para o outro a fim de amá-lo nele mesmo, amá-lo sem retorno, de forma incondicional, funda o ethos o mais inclusivo possível, o mais humanizador que se possa imaginar. Esse amor é um movimento só, vai ao outro, a todas as coisas e a Deus.

No Ocidente foi Francisco de Assis quem melhor expressou essa ética amorosa e cordial. Ele unia as duas ecologias, a interior, integrando suas emoções e os desejos, e a exterior, se irmanando com todos os seres. Comenta Eloi Leclerc, um dos melhores pensadores franciscanos de nosso tempo, sobrevivente dos campos de extermínio nazista de Buchenwald:

“Em vez de enrijecer-se e fechar-se num soberbo isolamento, Francisco deixou-se despojar de tudo, fez-se pequenino, colocou-se, com grande humildade, no meio das criaturas. Próximo e irmão das mais humildes dentre elas. Confraternizou-se com a própria Terra, como seu húmus original, com suas raízes obscuras. E eis que a ‘nossa irmã e Mãe-Terra’ abriu diante de seus olhos maravilhados um caminho de uma irmandade sem limites, sem fronteiras. Uma irmandade que abrangia toda a criação. O humilde Francisco tornou-se o irmão do Sol, das estrelas, do vento, das nuvens, da água, do fogo e de tudo o que vive e até da morte”.

Esse é o resultado de um amor essencial que abraça todos os seres, vivos e inertes, com carinho, enternecimento e amor. O ethos que ama funda um novo sentido de viver. Amar o outro, seja o ser humano, seja cada representante da comunidade de vida, é dar-lhe razão de existir. Não há razão para existir. O existir é pura gratuidade. Amar o outro é querer que ele exista porque o amor torna o outro importante.”Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não poderás morrer jamais” (G.Marcel); “tu deves existir, tu não podes ir embora”.

Quando alguém ou alguma coisa se fazem importantes para o outro, nasce um valor que mobiliza todas as energias vitais. É por isso que quando alguém ama, rejuvenesce e tem a sensação de começar a vida de novo. O amor é fonte de suprema alegria.

Somente esse ethos que ama está à altura dos desafios face à Mãe Terra devastada e ameaçada em seu futuro. Esse amor nos poderá salvar a todos, porque abraça-os e faz dos distantes, próximos e dos próximos, irmãos e irmãs.

dica do Ronaldo Dos Santos Junior