A única coisa que importa saber

Para aqueles que conhecem a Deus, basta-lhes o dom de um dia o haverem conhecido. Esses servem a Deus por nada. Para eles tudo já está feito. Sim, esses são prósperos até quando passam fome.

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Caio Fábio

Deus é amor. E amor é o que todo ser humano quer. Portanto, quando alguém quer amor/amor, tal pessoa quer Deus, mesmo que não saiba.

Assim é que João, um dos apóstolos de Jesus, já idoso, mais ou menos aos 90 anos de idade, resumiu tudo o que de Deus em Cristo Jesus aprendeu e apreendeu, apenas dizendo:

Deus é amor. Quem ama é nascido de Deus e naturalmente conhece a Deus. Mas como Deus é amor e tanto Deus quanto o amor são invisíveis e inconfináveis, o único modo de se expressar o amor a Deus e à tudo quanto seja Vida em Deus, é amando o próximo e a toda a criação do Criador/Pai.

Desse modo é que se pode dizer que se Deus tem uma religião, ela tem apenas Um Dógma: amor segundo Deus.

Ora, o amor segundo Deus é entrega. Para Deus amar é dar vida e até a própria vida!

Entretanto, esse amar/dar/vida só se torna significativo no encontro do homem com outro humano ou com outra criatura, ainda que menor supostamente na percepção do existente.

O homem não tem como amar a Deus sem ser através do próximo!

Eu só expresso amor se minha vida for uma dádiva ao mundo no qual eu habito; seja esse mundo do tamanho que seja; grande ou pequeno; ou mesmo ínfimo.

Não adianta amar o Infinito se não se ama o finito!

O amor ao Infinito só é possível aos humanos como amor ao finito!

Afinal, de acordo com o espírito do Evangelho, quem não ama o pequeno, não ama o grande, assim como quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito.

Desse modo se reconhece um filho de Deus: pela sua existência em estado de entrega ao amor como serviço sincero aos vivos e à vida.

E para que isto aconteça basta que a pessoa se dê em amor onde quer que esteja!

Em certas pessoas isto só acontece quando são chocadas pela pregação do Evangelho e se convertem. Há outras, todavia, que nunca tiveram essa informação, mas cresceram segundo o caráter dela, da informação. Com certeza apenas por causa de um segredo de Deus inexplicavelmente falado no silêncio de seus corações sinceros. Esses são os filhos de Deus que os religiosos insistem em chamar de “criaturas” de Deus, a fim de diferenciar um humano do outro; ou seja: o religioso do não religioso, ou do indiferente à religião.

O Pai, no entanto, sabe quem são os Seus filhos apenas e tão somente pela prática da fé que atua pelo amor, mesmo que tal fé na vida em amor não decorra de um ensino direto do corpo organizado do Evangelho.

Ora, isto é tudo que os “crentes” não gostam, ou mesmo abominam. Sim, pois tal liberdade de Deus lhes mata o discurso de “poder e detenção” da verdade e de sua aplicação “conquistadora” na existência do próximo.

Foi por esta razão que alguns entenderam no passado que a igreja — como ente social e visível — tem a muitos que Deus não tem; ao mesmo tempo em Deus tem muitos que a igreja não permite entrar.

Ou seja: a igreja pode estar cheia de gente sem Deus, enquanto Deus é Deus de muita gente sem “igreja”!

Nele, porém, todos os que são do amor, são da Igreja!

Nele, do mesmo modo, todos os que não são do amor, não são Dele; ainda que tenham igreja entre os homens.

É esta realidade prática do amor como confissão encarnada da fé que os “crentes” abominam; pois é melhor dizer que se crê num corpo de doutrinas do que entregar o corpo/ser para ser a encarnação do dogma de Deus: o amor.

Se o Evangelho não produz esse fruto em mim, saiba: é porque em mim o Evangelho de Deus não habita… ainda.

fonte: site do Caio Fábio

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22 coisas que pessoas felizes fazem diferente

Lili e Marininha, no Agora Sim!

Existem dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que escolhem ser felizes e aquelas que optam por ser infelizes. Ao contrário da crença popular, a felicidade não vem da fama, da fortuna ou de bens materiais. Ela vem de dentro. A pessoa mais rica do mundo pode estar miseravelmente infeliz, enquanto um sem-teto pode estar sorrindo e contente com a sua vida. As pessoas felizes o são porque se fazem felizes. Elas têm uma visão positiva da vida e permanecem em paz com elas mesmas.

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A questão é: como elas fazem isso?

É muito simples. As pessoas felizes têm  hábitos que melhoram suas vidas e se comportam de maneira diferente. Pergunte a uma pessoa feliz e ela vai dizer:

1. Não guarde rancor.

As pessoas felizes entendem que é melhor perdoar e esquecer que deixar que sentimentos negativos as dominem. Guardar rancor é prejudicial e pode causar depressão, ansiedade e estresse. Por que deixar que uma ofensa de alguém exerça algum poder sobre você? Se você esquecer seus rancores, vai ganhar uma consciência clara e energia suficiente para apreciar as coisas boas da vida.

2. Trate a todos com bondade.

Você sabia que foi cientificamente provado que ser gentil faz você feliz? Ser altruísta faz seu cérebro produzir serotonina, um hormônio que diminui a tensão e eleva o seu espírito. Tratar as pessoas com amor, dignidade e respeito permite que você construa relacionamentos mais fortes.

3. Veja os problemas como desafios. 

A palavra “problema” não faz parte do vocabulário de uma pessoa feliz. Um problema, na maioria das vezes, é visto como uma desvantagem, uma luta ou uma situação difícil. Mas quando encarado como um desafio, pode se transformar em algo positivo, como uma oportunidade. Sempre que você enfrentar um obstáculo, pense-o um desafio.

4. Expresse gratidão pelo que já tem.

Há um ditado popular que diz: “As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo, elas fazem o melhor de tudo com o que elas têm.” Você terá um sentido mais profundo de contentamento se contar suas bênçãos em vez de ansiar pelo que você não tem .

5. Sonhe grande.

As pessoas que têm o hábito de sonhar grande são mais propensas a realizar seus objetivos que aquelas que não o fazem. Se você se atreve a sonhar grande, sua mente vai assumir uma atitude focada e positiva.

6. Não se preocupe com as pequenas coisas.

As pessoas felizes se perguntam: “Será que este problema terá a mesma importância daqui a um ano?” Elas entendem que a vida é muito curta para se preocupar com situações triviais. Deixar os problemas rolarem à sua volta vai, definitivamente, deixar você à vontade para desfrutar de coisas mais importantes.

7. Fale bem dos outros.

Ser bom é melhor que ser mau. Fofocar pode até ser divertido, mas, geralmente, deixa você se sentindo culpado e ressentido. Dizer coisas agradáveis sobre as pessoas leva você a pensar positivo e a não se preocupar em julgá-las.

8. Não procure culpados.

Pessoas felizes não culpam os outros por seus próprios fracassos. Em vez disso, elas assumem seus erros e, ao fazê-lo, mudar para melhor.

9. Viva o presente.

Pessoas felizes não vivem do passado ou se preocupam com o futuro. Elas saboreiam o presente. Se envolvem em tudo o que está fazendo no momento. Param e cheiram as rosas.

10. Acorde no mesmo horário todos os dias.

Você já reparou que muitas pessoas bem-sucedidas tendem a ser madrugadores? Acordar no mesmo horário estabiliza o seu metabolismo, aumenta a produtividade e nos coloca em um estado calmo e centrado.

11. Não se compare aos outros.

Todos têm seu próprio ritmo. Então, por que se comparar aos outros? Pensar ser melhor que outra pessoa leva a um sentimento de superioridade não muito saudável e, se pensar o contrário, acabará se sentindo inferior. Então, concentre-se em seu próprio progresso.

12. Escolha seus amigos sabiamente. 

A miséria adora companhia. Por isso, é importante cercar-se de pessoas otimistas que vão incentivá-lo a atingir seus objetivos. Quanto mais energia positiva em torno de você, melhor vai se sentir.

13. Não busque a aprovação dos outros.

As pessoas felizes não importam com o que os outros pensam delas. Seguem seus próprios corações, sem deixar os pessimistas desencorajá-los, e entendem que é impossível agradar a todos. Escute o que as pessoas têm a dizer, mas nunca busque a aprovação de ninguém.

14. Aproveite seu tempo para ouvir.

Fale menos, ouça mais. Escutar mantém a mente aberta. Quanto mais você ouve, mais conteúdo você absorve.

15. Cultive relacionamentos sociais.

Uma pessoa só é uma pessoa infeliz. Pessoas felizes entendem o quão importante é ter relações fortes e saudáveis. Sempre tenha tempo para encontrar e falar com sua família e amigos.

16. Medite.

Ficar no silêncio ajuda você a encontrar sua paz interior. Você não tem que ser um mestre zen para alcançar a meditação. As pessoas felizes sabem como silenciar suas mentes, em qualquer hora e lugar, para se acalmar.

17. Coma bem.

Tudo o que você come afeta diretamente a capacidade de seu corpo produzir hormônios, o que vai definir seu humor, energia e enfoque mental. Certifique-se de comer alimentos que vão manter seu corpo saudável e em boa forma e sua mente mais tranquila.

18. Faça exercícios.

Estudos têm mostrado que o exercício aumenta os níveis de felicidade e autoestima e produz a sensação de autorrealização.

19. Viva com o que é realmente importante. 

As pessoas felizes mantêm poucas coisas ao seu redor porque elas sabem que excessos as deixam sobrecarregadas e estressadas. Estudos concluíram que os europeus são muito mais felizes que os americanos, porque eles vivem em casas menores, dirigem carros mais simples e possuem menos itens.

20. Diga a verdade. 

Mentir corrói a sua autoestima e o torna antipático. A verdade sempre liberta. Ser honesto melhora sua saúde mental e faz com que os outros tenham mais confiança em você. Seja sempre verdadeiro e nunca se desculpe por isso.

 21. Estabeleça o controle pessoal.

As pessoas felizes têm a capacidade de escolher seus próprios destinos. Elas não deixam os outros dizerem como devem viver suas vidas. Estar no controle completo de sua própria vida traz sentimentos positivos e aumenta a autoestima.

22. Aceite o que não pode ser alterado. 

Depois de aceitar o fato de que a vida não é justa, você vai estar mais em paz com você mesmo. Portanto, concentre-se apenas no que você pode controlar e mudar para melhor.

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Jovem perde namorado em batida e se apaixona por socorrista no ES

Após acidente, ela foi ao batalhão agradecer e apaixonou-se por bombeiro.
Casal comemorou antecipadamente o Dia dos Namorados, em Brasília.

Katriana foi visitar o namorado, que fez um curso em Brasília (Foto: Paulo Gomes Junior/ Arquivo Pessoal)
Katriana foi visitar o namorado, que fez um curso em Brasília (Foto: Paulo Gomes Junior/ Arquivo Pessoal)

Juliana Borges, no G1

“O Paulo me trouxe o sorriso de volta. Havia perdido o gosto de viver e ele me fez querer isso novamente”. É dessa maneira que a universitária Katriana Braga do Nascimento, de 21 anos, define seu relacionamento com o bombeiro Paulo Gomes Júnior, de 23, que começou após um grande trauma da jovem. Em 2009, a estudante sofreu um grave acidente de carro e acabou perdendo o namorado. Resgatada por bombeiros, após a recuperação ela foi até o quartel de Cachoeiro de Itapemirim, município que mora, ao Sul do Espírito Santo, e acabou conhecendo o atual companheiro. A relação de amizade foi o ponto de partida para o amor.

Por conta do acidente, Katriana ficou muito machucada e teve que permanecer internada por cinco dias. Não precisou realizar nenhuma cirurgia, mas uma lesão no braço a deixou presa à sessões de fisioterapia por alguns meses. “Depois que o Luan, meu namorado antes do Paulo, morreu, minha vida perdeu o sentido. Não tive mais vontade de nada, tudo perdeu a graça. Pensava que tão cedo eu não queria me envolver com mais ninguém. Foi um momento muito difícil na minha vida”, relatou.

Recuperada fisicamente, ela foi até o quartel do município para agradecer aos profissionais que a haviam resgatado e acabou conhecendo Paulo. Segundo o militar, a atração foi à primeira vista. “Quando a vi pela primeira vez já notei algo diferente, vi que era especial. Procurei ela em uma rede social e começamos a conversar. Depois pedi o telefone”, lembrou.

O relacionamento entre a universitária e o bombeiro, de fato, começou apenas depois de um ano que o casal se conheceu. “Não me sentia preparada para outro namoro depois de tudo o que me aconteceu, mas o Paulo soube esperar. Tudo começou como amizade, ele me dava forças para eu ir retomando a minha vida. Só depois de mais de um ano que já nos conhecíamos que eu realmente consegui me render a esse sentimento, que descobri ser amor. Ele teve aquele gostinho da conquista”, explicou Katriana.

Dia dos Namorados
O Dia dos Namorados é comemorado no Brasil no dia 12 de junho, a próxima quarta-feira, mas o casal contou que resolveu se antecipar. Paulo está há dois meses em Brasília fazendo um curso de Tripulante Operacional, para bombeiros que querem trabalhar em helicópteros. Para não deixarem de comemorar a data, Katriana seguiu para a capital do Brasil nesta quinta-feira (6). “Vamos aproveitar para ir a alguma lugar diferente em Brasília, cidade que eu nunca estive. Acredito que vai ser bem marcante”, disse a jovem.

A universitária considera a data especial e contou que ela e o namorado sempre se presenteiam. “O meu aniversário é no dia 14, então às vezes aproveitamos para comemorar as duas datas juntas. Uma vez ele preparou uma festa surpresa para mim. Mas não é só nessa época que ele me surpreende, já aconteceu de me presentear fora desses dias”, lembrou.

Sintonia

Namorados passaram a fazer rapel juntos (Foto: Paulo Gomes Junior/ Arquivo Pessoal)
Namorados passaram a fazer rapel juntos
(Foto: Paulo Gomes Junior/ Arquivo Pessoal)

A estudante disse que a confiança, amizade e companheirismo dos dois estão entre os principais motivos para o relacionamento dar certo, mas destacou a sintonia entre eles como uma característica especial do namoro.

“Temos muitos gostos em comum, mas quando isso não acontece, procuramos aceitar a preferência do outro. Acho importante lidar com as diferenças. Tento gostar de fazer as mesmas coisas que ele e um exemplo disso é o rapel. Antes eu morria de medo só de olhar, mas venci isso, hoje acompanho ele e acho super legal. Sempre procuro apoiar as decisões dele também, como no caso desse curso de Brasília. Eu sabia que teríamos que ficar um bom tempo sem nos ver, mas entendi que seria o melhor para ele”, falou.

O casal não deixou de acrescentar que também tem seus “altos e baixos”, como na maioria dos namoros, mas que isso nunca abalou o relacionamento. Para o bombeiro, o amor entre eles é obra do destino. “Acredito nisso, mas o destino pra mim tem nome, Deus. Tudo que acontece é planejado por Ele”, definiu Paulo.

Incentivo para profissão
Katriana é estudante do curso de Educação Física e também trabalha como recepcionista, mas depois que conheceu Paulo descobriu o que realmente quer para o futuro: ser bombeira, assim como o namorado.

A decisão foi tomada há pouco tempo e, por isso, ainda não foi possível tentar nenhum concurso, mas a universitária declarou que já se prepara para o próximo. “Acho que tem uma prova para o início do ano que vem. Essa minha decisão foi gradativa, pois após o meu acidente passei a admirar o trabalho dos bombeiros, é uma profissão muito bonita. O Paulo me incentiva muito a isso, ele foi a minha inspiração”, disse.

Ela ainda contou que o aprendizado no curso da faculdade também vai ajudar no futuro trabalho. “Eu não tinha nenhuma ambição de emprego antes, mas então entrei para o curso de Educação Física e percebo que a minha formação vai me ajudar muito como bombeira. Pretendo atuar nessa área física da corporação”, explicou a universitária.

Para Paulo, a escolha da namorada demonstra, mais uma vez, a sintonia entre o casal. “Eu dou muito incentivo e torço muito para que ela consiga realizar esse sonho. Ser bombeiro é o que eu mais gosto de fazer e é o que eu quero continuar fazendo o resto da minha vida. Ter ela para me acompanhar nessa carreira seria ótimo”, falou.

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Ser gorda, e daí?

foto: Virgula
foto: Virgula

Walcyr Carrasco, na Época

Acordei com uma avalanche de mensagens no Twitter. O motivo é a personagem Perséfone, uma enfermeira acima do peso, interpretada por Fabiana Kharla, na minha novela Amor à vida, da TV Globo. Aqui não costumo falar do meu trabalho em novelas. Desta vez, não resisti. A maioria dos tuiteiros pedia que eu mudasse o destino dela – embora, por estar no início da história, eu não tenha contado o que acontecerá. Uma mulher me escreveu uma longa carta dizendo que é gorda, sim, e sofre discriminação. É um assunto pouco discutido, mas real. Acredito que atualmente gordos são mais discriminados que os negros. Já vivi isso na pele, porque já fui praticamente obeso. Perdi vários quilos, continuo gordinho, mas nada como antes. Na época, era uma tortura entrar nas lojas. Perguntava:

– Posso experimentar aquela camisa ali?

A vendedora me lançava um olhar de alto a baixo e respondia, com um sorrisinho de desprezo:

– Não temos seu número.

E corria atender outro cliente – vendedor sempre quer se ver livre de quem não vai comprar.
Se eu já era cliente e a “extra large” não fechava no umbigo, o vendedor dava uma desculpa esfarrapada:

– É que esse modelo veio com corte slim.

Muitas vezes, pensei em entrar numa loja de camping e comprar uma barraca para usar como túnica.

Ainda mexem comigo por ser gordinho e ter barriga. Os tuítes recebidos fizeram-me refletir sobre a discriminação intensa com os gordos. A gordura sempre é encarada como desleixo. Alguém pode ter um problema hormonal ou de qualquer outro tipo. É visto como preguiçoso. Gula existe. Tenho vocação para gordo, porque gosto de comer. Um amigo obeso é capaz de comer um queijo inteiro antes do jantar. Existe a compulsão pela comida, que merece tratamento. Muitos magros sofrem da mesmíssima gulodice. Só que a genética, para eles, deu sorte. Há quem devore um leitão inteiro e não ganhe 1 quilo. Para outros, como eu, basta respirar que o ar já engorda!
Ser gordo virou crime. Um brigadeiro já dá sentimento de culpa. Outra noite, em seu programa, Jô Soares disse que o gordo é tão discriminado quanto o anão.

– O anão não alcança. O gordo não cabe.

Exemplificou com as poltronas de avião. O gordo senta e já está encaixado. Nem precisa de cinto de segurança. Ou pior:

– É impossível se virar dentro de um banheiro de avião! Se entra de frente, todo mundo já sabe que vai fazer xixi.

A gorda é sempre aquela que se torna a melhor amiga das outras garotas. Enquanto as outras se divertem com o sexo oposto, ela se afoga na rejeição. Um trauma. A gorda passa a vida tentando resolver, enquanto aumenta de peso ainda mais, de tanto comer doce para passar a ansiedade.

Às vezes, gostaria de ter nascido nos tempos de Buda. É o único gordo reverenciado, apesar da barriga.

O mundo atual exalta os magros. A anorexia, em vez de distúrbio, está se tornando virtude. Eu, que convivo no meio de atrizes e modelos, vejo moças esqueléticas. Quando assisti ao filme A troca, com Angelina Jolie, me senti até mal com sua magreza. Insistem que é a mulher mais bela do mundo!

Sutilmente, nos empregos, gordos perdem as vagas para magros. Hoje em dia, quando se convocam candidatos, não se fala tanto no quesito “boa aparência”. Mas ele está lá, presente na cabeça de quem contratará. O gordo tem de ser dez vezes melhor para ter sua chance. E, mesmo assim, olha lá. Gordo é contratado em academia? Como vendedor em loja de grife?

Obesidade pode ser uma questão de saúde. Ou de reeducação alimentar. Mas não pode se tornar um problema de rejeição social. Acima de tudo, obrigar as pessoas a se tornar magérrimas em nome de um conceito de beleza, não é estranho?

E o pior: muitos gordos passam a acreditar que jamais serão amados. Quando encontram alguém, agem como se estivessem recebendo um favor. Os homens têm mais sorte. Mulheres gordas convivem demais com a rejeição. O lado mais cruel dessa rejeição é que ela se torna piada. Dois rapazes se encontram, um diz, espantado:

– Você saiu com a gordinha?
– Fiz uma caridade.

A exigência de magreza se tornou opressiva. Ser gordo virou um anátema. É mais um preconceito, entre os muitos de nossos tempos. E a personagem de Fabiana Kharla, que inspirou este texto? Ahhh… prometo surpresas, mas não conto o final da novela. Garanto: um dia as gordinhas me agradecerão.

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