Como enlouquecer seu parceiro em 15 lições

midia-indoor-casa-homem-mulher-relacionamento-comportamento-uniao-casamento-briga-separacao-discussao-separar-divorcio-casal-amante-traicao-trair-tristeza-triste-estresse-1270756783998_615x330

Mônica El Bayeh, no Mulher 7×7

Fim de ano, hora de rever o que foi feito, rever o que não deu certo. Faxinar, arrumar a casa e a alma para que o Ano Novo, ao chegar, encontre as coisas em melhor estado. Ou que, ao menos, não leve um susto e saia correndo. Para os que estão no período de entressafra, entre um namoro e outro, essa época é boa para renovação. Tomei a liberdade de compilar alguns conselhos, com base no que venho observando por aí. Para vocês, uma lista de atitudes infalíveis para tirar seu parceiro do sério:

1- Force contato diário. Ligue várias, várias vezes até que ele atenda. Afinal, o amor de vocês tem que ser prioridade! Não poupe os ¨eu te amo¨. Já comece a partir do segundo encontro. Isso mostra que você não tem medo de se envolver. Envie mensagens, muitas, ao longo do dia! Mostre o quanto você pensa nele. Caso ele demore a responder, não deixe barato: exponha todo seu ressentimento. Afinal, amor é coisa séria, não pode esperar, nem ser delegado a segundo plano. Clientes, alunos, família, amigos… nada é mais importante do que a relação de vocês. Insista!

2- Não dê trégua! Exija toda a atenção o tempo todo só pra você. Monopolize. Nada de amigos, videogames, futebol. Tudo besteira. Você em primeiro lugar! Nem permita espaço para dúvidas ou questionamentos. Sufoque o parceiro com seu amor!

3- Ciúme é prova de amor! Ciúme é um sentimento tão lindo. Demonstre sempre o seu. Amarre a cara para aquela amiga do grupo da praia. Bufe três vezes quando encontrar aquela ex. Exija que ele conte todo o seu passado negro e, depois, remoa e acuse. Atenção, se ele, em troca de contar seu passado, quiser que você lhe conte o seu, desconverse. Finja infarto, convulsão, qualquer coisa, mas não conte. Nunca. Homens são perigosos e traiçoeiros… Essas mulheres com quem ele convive e que chama de amigas… Abra o olho. Elas devem saber que ele tem dona e que é melhor se manterem à distância.

4- Manutenção é tudo. Afinal, o produto é seu. Cabe a você cuidar da boa conservação. Em caso de danos ou avarias, você será a maior prejudicada. Imagine só sua situação… Reclame dos cigarros, da bebida, da comida que vai elevar o colesterol. Se achar que alguma coisa vai lhe fazer mal, não vacile: pegue e jogue fora. Repita sempre: é para o seu bem, meu amor! Discuta com os amigos que teimam em lhe influenciar negativamente, conduzindo-o ao mau caminho. Você se importa com ele! Ele vai acabar entendendo e ficará grato por isso.

5- Atropele tudo! Compre logo alianças para comemorar o aniversário de uma semana de namoro. Proponha que vocês as usem como prova de compromisso. Isso é lindo, ele vai ficar até zonzo de tanta emoção. Homens adoram mulheres destemidas. Avance sem dó, nada de dúvidas. Não se deixe intimidar por nada.

6- Família é coisa de criancinha. Família é para bebês que não conseguem se cuidar sozinhos. Ele é adulto. Vocês dois devem se bastar! Quando se ama, o mundo se restringe a duas pessoas. Nada de almoços, festas, reuniões. Se não conseguir impedi-lo, imponha sua presença. Vá junto. Preste atenção, o fato de vocês só estarem juntos há uma semana não deve ser empecilho. Não aceite nunca esse tipo de desculpas. Nem respostas evasivas. Treine seu parceiro para respostas afirmativas e rápidas sempre. Exija!

7- Dê sempre sua opinião. Homens adoram mulheres decididas, com opinião própria. Mostre a sua. Defenda radicalmente seu ponto de vista. Seja enfática, insista, até que todos do grupo concordem com você. Eles vão perceber como você é interessante… Ele vai ficar muito orgulhoso. Se perceber que ele está meio encolhido, quase embaixo da mesa, isso quer dizer que ele deu espaço para que você brilhe sozinha. Só isso. Não pare.

8- Redes sociais são um perigo contínuo. Vasculhe tudo e todas. Deixe recados que mostrem bem quem você é. Sem margem para dúvidas: aquele homem é seu. Marque seu território. Ele curtiu? Compartilhou? Comentou? Exija explicações. Chore alto, de preferência em público. Faça com que ele apague. Mais: cobre a senha. Afinal, vocês são íntimos, já se conhecem há mais de 15 dias… Nada de segredos… No status do Facebook tem que constar o compromisso sério de vocês. Solteiro, nem pensar. Forneça opções: Casado, noivo ou compromisso sério? É importante deixá-lo livre para escolher. Ele vai valorizar a liberdade que você lhe dá na relação.

9-  Quando o celular dele tocar, seja rápida e atenda. Se identifique, informando que você é a namorada dele. Pergunte quem quer falar. Diga que ele não pode atender. Aproveite para vasculhar também. Apague números suspeitos ou de rivais em potencial. Destrua mensagens antigas que possam despertar saudades. Ele precisa da sua supervisão. Sem você, ele não é nada. Futuramente, ele vai te agradecer por isso.

10- Apelidos são muito importantes. Apelidos mostram carinho, abuse deles. Mas não use apelidos antigos dados por outras pessoas. Mesmo que ele insista e diga que gosta. Inove, seja criativa, invente algo inesperado, diferenciado. Isso vai customizar a relação de vocês. Tente algo como Buzuco, Tichucutinho, Duducho, Chucotuco. Chame sempre alto, para ele escutar onde estiver. Principalmente na frente das pessoas mais próximas e queridas. Ele vai adorar, será inesquecível…

11- Escolha você a programação. Não bastar dizer que ama, é preciso provar. Cobre atitude. Um homem que ama realizará com prazer todos os seus desejos. Não abra mão! Se precisar, faça beicinho, amarre cara e não deixe por menos. Exija os filmes que você quer ver, não ceda. Nada de terror, suspense, ação. Não, só vá se for um filme que você goste. De preferência, de amor… Aumenta o clima… Restaurantes, só os seus. Se não gostar de carne, não vá à churrascaria preferida dele nunca. Ele irá entender e cederá com prazer. O importante para ele é você estar feliz. No fundo, ele sabe disso. Talvez ainda não tenha percebido, mas é só uma questão de tempo…

12- Sim, ele quer conhecer seus filhos. Se ele telefonou, é porque está interessado. Então, a hora é essa. Mostre logo o pacotão que ele vai levar. Você é um combo! Um Kinder Ovo, já vem com uma surpresinha! Olha só que legal! Quer melhor que isso? 2 por 1 ! Ele ligou, vão sair pela primeira vez, vão namorar? Leve os meninos. De surpresa, sem aviso prévio. Programa a dois é para os fracos! Imponha logo o time todo. Ele não vai caber em si de tanto contentamento… Que homem solteiro não gostaria de fazer um programinha infantil num sábado à noite? Apresente logo! Esperar para que? Pergunte como ele prefere ser chamado: tio ou papai?

13 – Verdades são fundamentais. Diga todas as verdades sempre! Isso aprofunda a relação e a torna mais autêntica. Acha que ele está meio acima do peso? Diga! Suas piadas não tem a menor graça? Diga logo, esperar para que? Não manda muito bem na cama? Deixou a desejar? Fale! Você é muito preciosa, ele deve estar à sua altura. Informe os quesitos que ainda não estão de acordo com seu padrão de qualidade. Não dê muito tempo esperando que ele se aprimore. Alguns homens podem ser preguiçosos. Ele pode se acomodar. Fique no pé, cobre, não permita que ele esqueça o assunto. Cada vez que ele contar um sucesso, aponte seus defeitos, suas falhas. Nada de autoestima fortalecida. Homens seguros são perigosos.

14- Discuta a relação a toda hora. Discutir a relação fortalece, aproxima o casal. É importantíssimo, uma espécie de faxina no relacionamento. Faça isso pelo menos uma vez por semana. Pince tudo o que não estiver do seu agrado. Ele vai compreender o seu cuidado e te amar muito mais por isso. Fique certa! Essa é a melhor atitude. Homens não assumem, mas adoram mulheres corajosas, que propõem com frequência esse tipo de conversa franca, útil, intensa, apesar de dolorosa.

15- Não libere a presa facilmente. Quando ele tentar sumir, parar de te ligar, não responder mais… não desista. Homens são assim mesmo, ingratos, insensíveis à dedicação feminina. Não deixe que ele fuja. Alfinete, aponte suas dificuldades de se envolver seriamente. Analise, interprete. Diga que ele é infantil, resistente e que não tem coragem de entrar de cabeça numa relação. Diga que ele tem é medo de assumir que te ama. Que ele não sabe o que está perdendo. E só vai perceber quando for tarde demais. Afinal, você é uma pessoa madura, equilibrada, segura de si, pronta para um relacionamento ideal. E ele nunca vai achar outra igual a você… Se tiver sorte!

foto: diHITT

Leia Mais

Suplicy defende inclusão da palavra “amor” na bandeira nacional

Publicado originalmente no site da Época

Durante a tensa sessão desta quarta-feira (19) no Congresso, com senadores se mobilizando para tentar votar o veto à lei dos royalties do petróleo, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna do Senado para defender mais amor – ou melhor, a adesão dos senadores ao movimento que pede a inclusão da palavra “amor” no lema da bandeira nacional.

Recitando Noel Rosa, Suplicy defendeu o projeto de lei apresentado pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que substitui a expressão “Ordem e Progresso” por “Amor, Ordem e Progresso” na bandeira do Brasil. O projeto de lei foi apresentado após movimento na internet sugerir a mudança.

No entanto, a sugestão de Suplicy não entusiasmou o plenário, como conta o jornal O Globo.

O discurso de Suplicy não entusiasmou o plenário. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que se era para mudar os dizeres da bandeira, era melhor incluir a palavra “educação”, que é mais includente. “Teríamos ainda um problema geométrico, porque não cabe mais uma palavra na bandeira”, disse Cristovam. Suplicy saiu decepcionado com a pouca receptividade à proposta. “Quando houver mais amor de todos nós ao povo, senador Cristovam, talvez não falte mais atenção à Educação”.

O abaixo-assinado para incluir a palavra “amor” na bandeira está disponível aqui.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

dica do Rogério Moreira

Leia Mais

“Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa”, diz psicanalista

Vladimir Maluf, no UOL

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, autora do recém-lançado “O Livro do Amor”

Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que é possível controlar o desejo de alguém é apenas uma das mentiras do amor romântico.

“É comum alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado”, afirma ela, que lançou recentemente  “O Livro do amor” (Ed. Best Seller). Dividida em dois volumes (“Da Pré-História à Renascença” e “Do Iluminismo à Atualidade”), a obra traz a trajetória do amor e do sexo no Ocidente da Pré-História ao século 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.

Regina, que é consultora do programa “Amor & Sexo”, apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste século, muita coisa ainda vai mudar: “Ter vários parceiros será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem”, diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao UOL Comportamento.

UOL Comportamento: Na sua pesquisa para escrever “O Livro do Amor”, o que você encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor?
Regina Navarro Lins: Embora “O Livro do Amor” não trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifestação de amor humano é muito interessante. Ela ocorreu há aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos –coisa que não ocorria até então– e a ornamentar os túmulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opressão da mulher e a repressão da sexualidade.

UOL Comportamento: Como você imagina a humanidade na segunda metade deste século?
Regina: Os modelos tradicionais de amor e sexo não estão dando mais respostas satisfatórias e isso abre um espaço para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma única pessoa, fazendo sexo só com ela, tudo bem. Mas ter vários parceiros também será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.
UOL Comportamento: Você fala sobre as mentiras do amor romântico. Quais são elas?
Regina: O amor é uma construção social; em cada época se apresenta de uma forma. O amor romântico, que só entrou no casamento a partir do século 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, não é construído na relação com a pessoa real, que está ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as próprias necessidades.Esse tipo de amor é calcado na idealização do outro e prega a fusão total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformarão num só. Contém a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado é a única fonte de interesse do outro (é por isso que muitos abandonam os amigos quando começam a namorar); que cada um terá todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém.
A questão é que ele não se sustenta na convivência cotidiana, porque você é obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. Não dá mais para manter a idealização. Aí surge o desencanto, o ressentimento e a mágoa. (mais…)

Leia Mais

Porque nenhuma teologia é inocente

Elienai Jr.

Da vertiginosa Primeira Carta de João, dois saltos radicais tiram o fôlego de qualquer anseio religioso. Deus é luz, arrisca o apóstolo. E como se não bastasse, repete a manobra, Deus é amor.

Falar sobre adjetivos divinos é movimento seguro e simples para a teologia e sua insistente projeção idealista, ora, tudo o que nossa imperfeição não nos permite e nos faz padecer, Deus é.

Geme a nossa precariedade, Deus é perfeito. Impotentes, ele outra coisa não poderia ser que não onipotente. Aflitos com o imprevisível futuro, ele esbanja conhecimento, onisciente. Débeis? Ele, santo. Limitados? Ele, onipresente. Mas deixar o rasteiro adjetivismo por altaneiras conceituações, assusta. E é o que faz o discípulo amado.

Não bastasse a reviravolta de deixar de elencar aspectos idealizados sobre o divino, para defini-lo em modos existenciais: lucidez e amor, João nos apresenta sobre Deus o que mais admiramos e mais tememos: uma existência ilustrada pelo corajoso e sensato enfrentamento da vida e uma abertura despojada e generosa ao outro e sua liberdade. Luz e amor.

Em 2001, pastoreava uma pequena e intensa comunidade em Curitiba. Fui convidado para uma experiência que se repetiu diversas vezes na minha história de pastor, assistir pessoas em cerimônias fúnebres sem ser o pastor responsável pela condução do sepultamento. Acompanhando os familiares, membros de nossa igreja, conheci o marido que chorava a morte de sua jovem esposa, membros de outra igreja. A pedido, antes que o pastor que conduziria a cerimônia chegasse, trouxe uma palavra de conforto. Falei sobre a desimportância de se explicar a morte, sempre inusitada e trágica. Também sugeri que se fizesse ali então um exercício de gratidão pelos valores legados por quem partira. Afetos, abraços, palavras, exemplos, valores deixados como um presente.

Entre outras observações sob a leitura da Bíblia, orei e abençoei o lamento acompanhado de gratidão. Instantes depois, vários parentes em torno do caixão choravam e lamentavam. Uma das tias, a matriarca da família, beata da mesma igreja evangélica da que falecera, dispara cruelmente: – ‘Eu disse a ela; se não tinha fé que tomasse o remédio. Olha no que deu!’ Sua mãe, um ano antes, pelo mesmo motivo, também falecera. Deixaram as duas de usar o medicamento para controle de hipertensão, em nome da fé pregada por sua igreja.

Já em 2005, pastoreando em São Paulo, desta vez conduzindo a cerimônia de sepultamento de um jovem senhor de nossa igreja, experimentei ali, à beira do caixão, a fé exposta à luz de mais intensa experiência humana com a finitude: a morte. A capela estava lotada de familiares e amigos, todos acompanhavam a esposa e suas duas filhas. Nem é preciso citar a tristeza, mas vale a pena dizer que todos os movimentos de apoio e conforto, abraços, olhares, palavras e orações, já haviam abrandando as dores da despedida.

Alguém me pede que ceda um espaço para que um amigo pudesse também falar algo, pastor da igreja de um dos familiares. Entre outras coisas, as palavras que se congelaram em minha mente: – ‘Deus o levou, porque era tão bom, que o Senhor precisou dele lá em cima’. Neste instante, foi inevitável conferir o rosto de uma das filhas, inclinada sobre o caixão. Por alguns segundos, observou as palavras desajeitadas do pastor, para em seguida, com tristeza insuperável, voltar-se em prantos ainda mais sofridos sobre o pai, morto. Fiquei imaginando o que poderia ter passado pela cabeça daquela menina, que vivia os piores dias de sua vida e que experimentaria nos dias seguintes a ausência incurável do pai, amigo e provedor. Revoltei-me em meu coração.

Estas cenas desenham o mal que uma espiritualidade que se ressente de lucidez pode proporcionar aos crentes. Pensar sobre Deus não é um exercício inocente. Nossa teologia desemboca em nossas mais delicadas experiências com a vida. Concepções mantidas, pelas razões que forem, comodismo, política ou conservadorismo, podem se instalar em nossas relações como toxinas que nos matarão lenta e implacavelmente.

Quando João nos apresenta uma teologia existencial, sua preocupação já é com a espiritualidade intoxicada de culpa: mistificação da vida, alienação, herança das influências do gnosticismo sobre os cristãos.

Deus é luz, portanto não há outro mundo e nem outras forças a agirem sobre nós que não as que um bom siso não possam elucidar.

Deus é amor, pois qualquer espiritualidade que suprima a liberdade humana, princípio mor de seres amantes que somos nós e o divino, é a negação de nossa humanidade, a mesma que o Deus que é amor fez questão de assumir para si mesmo.

Veio em carne, insiste o apóstolo.

fonte: Blog do Elienai Jr.

imagem: Internet

Leia Mais

O aniversário de onze anos de Lucas

Lucas (Arquivo Pessoal)

Leonor Macedo, no Eneaotil

Filho,

não sei bem qual foi o momento em que eu me tornei uma mãe de pré-adolescente, mais pra adolescente do que pra pré. Sei que não foi no dia em que você me pediu uma Playboy, por pura curiosidade e sem a mínima ideia do que fazer com aquelas páginas. Ali, você ainda era criança.

Também não foi no momento em que você deixou de me pedir brinquedos de aniversário e passou a me pedir aparelhos eletrônicos caríssimos que fazem sangrar o bolso de qualquer mãe jornalista. Ali, era o você de sempre, ágil com botões, jogos e lógica.

Certamente, não foi naquele Dia das Crianças em que você quis os CDs dos Beatles porque, filho, você sempre gostou de Beatles. E basta o dia estar ruim para eu me lembrar de você cantarolando “All my loving” para tudo melhorar.

Muito menos foi aquela vez em que você saiu do banho sem toalha e eu vi (você vai querer me matar!) pêlos e mais pêlos, por todos os lugares, e fiquei absolutamente aterrorizada porque para ser mãe de adolescente é preciso estar preparada. A natureza te prepara para isso, Lucas, da seguinte forma: primeiro, nascem os nenéns fofinhos que só choram, cagam e dormem, mas são tão bonitinhos que não tem como não amá-los. E aí o amor só aumenta porque eles passam a andar e a falar coisas engraçadinhas, e quando já não cabe tanto amor dentro do peito, eles se tornaram adolescentes.

Então, não tem devolução, você já não consegue mais mandar para um orfanato porque, mesmo que o seu filho tenha se tornado um monstrinho (no seu caso, um pré-monstrinho), você já resolveu amá-lo incondicionalmente. Mesmo com todas as respostas atravessadas, e as portas batidas em dias de mau humor, e discussões infindáveis por besteira pura. Mesmo quando vem um três em Geografia na escola, e uma reclamação da professora de matemática por péssimo comportamento.

Filho, a cada dia em que você acorda um pouco mais adolescente, eu vejo como o meu amor é verdadeiro e me sinto preparada. Preparada para enfrentar o que eu fui para os meus pais e o que você tem me ensinado todos os dias desde que ganhou esse bigodinho ralo na cara é me colocar no lugar do outro. No seu lugar. E me lembrar de como eu era, e do que eu gostava, e do que minha mãe fazia e que me dava vontade de morrer.

Eu sei, filho, que, ainda que não tenhamos tanta diferença de idade assim, por muitas vezes eu farei coisas que te darão vontade de morrer. Falarei algo na frente dos seus amigos que te fará sentir vergonha, contarei alguma história para uma namoradinha que te deixará a fim de arrumar uma trouxa de roupa e sumir.

Lu, por muitas e muitas vezes você vai achar que gosta menos de mim, é inevitável. Você pode ler isso e ficar indignado, gritar e espernear que “isso nunca vai acontecer!” e me fazer aquele carinho desajeitado na cabeça com um olhar complacente que eu ganho sempre que me faço de vítima.  Mas nesse caso, filho, eu sei.

Eu me lembro de todas às vezes que culpei meus pais pela minha infelicidade na adolescência e pelos males do mundo. De todas às vezes que tive a certeza de que meus pais não tinham a menor ideia do que estavam fazendo quando me negavam ou me proibiam de algo. Como assim eu não podia ficar até às 4h da manhã na casa do fulano que eles sequer conheciam? Me lembro de todas às vezes em que senti raiva deles, quis fugir, quis xingá-los, e bati portas, bati o pé, gritei, chorei até desidratar, até dormir. “Isso não pode ser amor”, eu pensava. Nem de lá, nem de cá.

E aí veio você, Lu, no meio de tudo isso. No meio mesmo, porque, como você já sabe, eu ainda era uma adolescente quando engravidei. Eu pensei que meus pais fossem me escalpelar, me expulsar de casa. Se eu era proibida de passar as madrugadas na rua, rindo e falando besteiras sem sentido com meus amigos, tocando um violão desafinado debaixo da janela de algum azarado, que dirá engravidar?

Quando eu contei a eles, foi difícil, filho (e você já ouviu essa história). Mais gritos, mais choro, mais vontade de morrer, de sumir, de fugir. Depois, vieram um cafuné desajeitado e um sorriso complacente (você tem a quem puxar), um travesseirinho de presente, a companhia no seu pré-natal, o choro na maternidade, o apoio diário, o cuidado contigo nas madrugadas em que estava doente, todas as vezes em que te buscaram na escola, as merendas com as suas guloseimas preferidas. Porque o amor, Luquinhas, mesmo que a gente não consiga enxergá-lo, está lá.

Ele está lá não só quando você deita no colo e até o Globo Repórter de sexta à noite fica divertido. Não só quando você diz que me ama sem motivo, no meio do meu expediente por mensagem instantânea. Não só quando você canta comigo no caminho da escola e me surpreende por saber uma letra inteira do Cartola. O amor está lá também entre palavras malditas, entre tons exagerados, entre uma lágrima e outra. Está lá do seu lado no meio de um castigo, de um não intransigente, das exigências por dedicação aos estudos, e até no confisco da sua mesada quando você não me ajuda em nada. E sempre estará lá.

No seu aniversário de 11 anos, filho, o que eu desejo é que você passe exatamente por tudo o que eu passei (não tudo, por favor, use camisinha!). Nessa fase que já começou sem a gente nem se dar conta de quando, eu espero que você ria por qualquer besteira, sem nenhum motivo aparente. Que você conheça os melhores amigos para a vida toda, mesmo que perca o contato com eles no dia seguinte. Que você mate umas aulas sem o meu consentimento para ir até algum lugar absolutamente sem graça, só pelo prazer de me enfrentar. Que você vá para a praia com os amigos e ache que viveu a melhor viagem da sua vida. Que tome uns goles escondido e ache que fez a sua maior contravenção (mas para isso espera um pouquinho mais, ok?! Vamos evitar brigas). Que você passe da meia noite em uma festa, quando marcamos de você voltar às onze. Que você se apaixone todos os dias por uma menina diferente e que elas esmaguem o seu coração, para você achar que a vida vai acabar, mas só até amanhã, quando conhecer uma nova. Que você continue sendo feliz.

E, no meio de tudo isso, que você se lembre que te amo, mesmo você sendo um adolescente. E que se lembre de me amar um pouquinho mesmo quando achar que eu não mereça.

Feliz aniversário.

Sua mãe, incondicionalmente.

Sim. Chorei mesmo! Amor de mãe mais lindo do mundo ♥

Leia Mais